ENSINO POR INVESTIGAÇÃO EM SALA DE AULA: A MASSINHA CONDUTORA
Osmar Preussler Neto, Rosana Bulos Santiago, Alan Freitas Machado, Caio Tostes Alcoforado, Lucas Brasil De Cerqueira, Patrícia Silva Santana Do Nascimento
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENSINO POR INVESTIGAÇÃO EM SALA DE AULA: A MASSINHA CONDUTORA
## Osmar Preussler Neto 1 , Rosana Bulos Santiago 2 , Alan Freitas Machado 3 , Caio Tostes Alcoforado 4 , Lucas Brasil de Cerqueira 5 , Patrícia Silva Santana do Nascimento 6
- 1 Colégio Estadual Olinto da Gama Botelho, osmarpneto@gmail.com
- 2 UERJ/Instituto de Física, rosanabulos@gmail.com
- 3 UERJ/Instituto de Física, alanfmachado@gmail.com
- 4 UERJ/Graduando de Licenciatura em Física, caiiotostes2@gmail.com
- 5 UERJ/Graduando de Licenciatura em Física, brasil1301@gmail.com
Palavras-chave : Condução elétrica; investigação científica; metodologia ativa
## Resumo expandido
Em diversos países tem se observado a desmotivação dos alunos pela aprendizagem das ciências e os seus reflexos nos aproveitamentos (SARAIVA-NEVES; CABALLERO; MOREIRA, 2012; REZENDE et al., 2012). Associado a isso temos ainda problemas de infraestrutura escolar, escassez de laboratórios e materiais, o currículo e a baixa carga horária disponibilizada para o ensino de ciências. Esses problemas são ainda mais agravados quando pensamos na realidade de uma escola pública que funciona no turno noturno.
Para tentar contornar essas dificuldades, pode-se utilizar metodologias ativas. Diferente dos métodos tradicionais, que privilegiam a transmissão de conteúdo pelos professores, essas metodologias ativas visam uma maior participação dos alunos tornando o aluno protagonista do seu aprendizado. Dentre as metodologias ativas temos, por exemplo, Team-Based Learning (TBL), ou Aprendizagem Baseada em Equipes (OLIVEIRA; ARAUJO; VEIT,2016) e a investigação científica (MOURÃO; SALES,2018) .
- O objetivo geral deste trabalho é o desenvolvimento e a aplicação de uma atividade experimental utilizando uma metodologia ativa na sala de aula como forma de buscar uma solução inovadoras e criativa para contornar as dificuldades encontradas no cotidiano das escolar. Já o objetivo específico é aplicar uma metodologia de investigação científica em uma atividade experimental utilizando o controle de variáveis para discutir a condução elétrica em turmas de 3ª série do ensino médio de uma escola pública noturna.
A atividade foi desenvolvida e aplicada em duas turmas de 3ª série do ensino médio do turno noturno do Colégio Estadual Olinto da Gama Botelho. Participaram da atividade em sala o professor, os estagiários do programa de residência pedagógica e, contando as duas turmas, trinta e cinco alunos. Esse trabalho foi planejado e executado em duas aulas com dois tempos cada uma e em semanas em sequência.
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A primeira etapa da atividade consistia em produzir uma massinha capaz de conduzir eletricidade, composta por farinha, água, óleo, sal e corante. Inicialmente, o professor preparou a receita completa e conectou um LED através da massinha, em série, a um conjunto de pilhas. Essa etapa tinha o objetivo de mostrar para os alunos que a massa era capaz de conduzir eletricidade.
Após a demonstração inicial do professor, iniciamos a segunda etapa com a divisão da turma em grupos de 3 a 5 alunos, proporcionando uma abordagem colaborativa e investigativa, trazendo para a sala a ideia da aprendizagem baseada em equipes. Cada grupo, então, escolheu e removeu um ou dois ingredientes da receita original, refazendo a massinha. Nessa etapa, os grupos dialogaram para que não fosse repetida a receita em uma mesma turma. Em seguida, a massinha modificada foi conectada ao mesmo conjunto de pilhas e LED. O objetivo era observar se a massinha ainda era capaz de conduzir eletricidade e acender o LED, mesmo com algum dos ingredientes originais faltando. Dessa forma, nessa etapa foi realizado um controle de variáveis, que é um dos elementos importantes para a construção do conhecimento científico mas que nem sempre é possível de ser realizado.
Durante essa etapa, os alunos puderam avaliar, discutir e registrar suas observações, compartilhando hipóteses sobre os resultados esperados. Após inserir as massinhas nos circuitos, os alunos puderam testar na prática se as suas hipóteses se confirmaram. Essa abordagem prática permitiu que os alunos desenvolvessem um pensamento crítico e científico, além de promover o trabalho em equipe de forma divertida.
Além disso, na segunda aula foi proposto o mesmo experimento da massinha condutora, mas levando em conta outros aspectos. No final da primeira aula da atividade, um aluno perguntou qual seria a 'energia máxima' que a massinha poderia conduzir. Então na semana seguinte, foi proposto refazer a massinha condutora, porém ao invés de usar um pequeno circuito para acender um led, a proposta foi de acender uma lâmpada de LED (utilizada para iluminação de prédios, casas, etc.) conectada à uma tomada de 127V. Como esperado, funcionou. Dessa forma, o experimento da primeira semana estimulou o aluno a se questionar quais eram as limitações de funcionamento da massinha condutora, e na segunda semana ele obteve respostas a tal questionamento.
Figura 02: Circuito com a massinha sem óleo produzida por um dos grupos
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Figura 03: Circuito com a massinha sem sal produzida por um dos grupos
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Figura 04: Circuito com a massinha sem água produzida por um dos grupos
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Com os resultados obtidos por cada grupo fizemos uma reflexão e uma comparação com as hipóteses levantadas por eles no início do trabalho. Após uma discussão, os alunos concluíram, através da investigação científica, que a água era o elemento primordial para que a massinha fosse condutora. A atividade realizada proporcionou uma maior participação dos alunos, trouxe uma forma de olhar para a Física diferente da que eles tinham com as aulas tradicionais e, principalmente, conseguiu colocar esses alunos como protagonistas na construção dos seus conhecimentos.
A perspectiva futura deste trabalho é continuar com atividades experimentais que possam colaborar com o aprofundamento da discussão sobre a condução elétrica e, em especial, que possam contribuir com a análise sobre a condução elétrica envolvendo a água. O engajamento dos alunos no trabalho gera um estímulo para que a equipe continue estudando e pesquisando com o objetivo de desenvolver mais trabalhos que possibilitem uma participação ativa dos alunos na construção do seu conhecimento.
## Referências
SARAIVA-NEVES, Margarida; CABALLERO, Concesa; MOREIRA, Marco Antonio. Repensando o papel do trabalho experimental, na aprendizagem da física, em sala de aula - um estudo exploratório. Investigações em Ensino de Ciências , V.11, n.3, pp.383-401, 2006.
REZENDE, Crislany Neres; SILVA, Iteglan Pereira da; RIBEIRO, Moab Machado Costa; PAIXÃO, Josiane Fonseca Pereira; VIEIRA, Tarcisio da Silva. Principais motivos pelo pouco interesse no estudo de ciências na concepção de estudantes do oitavo e nono ano do ensino fundamental em escolas estaduais de Araguatins/TO. VII CONEP 2012.
OLIVEIRA; Tobias Espinosa de; ARAUJO; Ives Solano; VEIT, Eliane Angela. Aprendizagem Baseada em Equipes (Team-Based Learning): um método ativo para o Ensino de Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 33, n. 3, p.962-986, dez. 2016.
MOURÃO, Matheus Fernandes; SALES, Gilvandenys Leite. O uso do ensino por investigação como ferramenta didáticopedagógica no ensino de física. Experiências em Ensino de Ciências , V.13, n.5, 2018.
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