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RELACIONANDO A FÍSICA E A HISTÓRIA ATRAVÉS DE UMA ABORDAGEM SOBRE INSTRUMENTOS ÓPTICOS NO CORAÇÃO DO SUBÚRBIO CARIOCA

Paula Rocha Pessanha, Izabela De Fátima Bellini Neves, Victoria Bandini Adan, Fernanda Do Vale Macieira, Julio Cesar Dos Santos Moreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## RELACIONANDO A FÍSICA E A HISTÓRIA ATRAVÉS DE UMA ABORDAGEM SOBRE INSTRUMENTOS ÓPTICOS NO CORAÇÃO DO SUBÚRBIO CARIOCA

Paula Rocha Pessanha 1 , Izabela de Fátima Bellini Neves 1 , *Victoria Bandini Adan 2 , Fernanda do Vale Macieira 3 , Julio Cesar dos Santos Moreira 4

- 1 Secretaria de Estado de Educação/ Instituto de Educação Carmela Dutra, pessanha.paular@gmail.com; izabelabellini@hotmail.com
- 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro/ Instituto de Física, vikabandini@gmail.com
- 3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Instituto de História, dovale.macieira@gmail.com
- 4 PPCTE-CEFET-RJ / IF-UERJ / IBRAG-UERJ, juliusmoreira@gmail.com

Palavras-chave : Instrumentos ópticos; Ensino de Física; História e Patrimônio Cultural.

## Resumo expandido

Qual a importância da luz para nós? A luz nos informa sobre o mundo e sempre despertou interesse no ser humano. Seu significado não parte apenas do 'iluminar', mas também remota a construção de conhecimento. Sabe-se que o surgimento e a evolução, tanto do cinema, quanto da fotografia, devem-se graças ao avanço tecnológico dos instrumentos ópticos, onde coincide com a necessidade do ser humano em aprimorar o registro de suas memórias. Dentro do panorama histórico, destaca-se a ciência não como um dado, mas como uma possibilidade de construção humana. A câmara escura, ao ser aperfeiçoada com lentes de qualidade fabricadas na Holanda, torna-se um instrumento fundamental, tanto na ciência quanto na arte do século XVII (ALCÂNTARA, 2011). A fotografia tem papel importante na reconstituição do nosso próprio passado. É um artifício que traz luminosidade aos traços obscuros da memória individual ou coletiva, e preenche lacunas de uma identidade. (FORTUNA, 2021). A imagem, por si só, dá testemunho e conta uma história. Pensando nisso, e tendo como base a memória como uma construção coletiva, que formam vínculos de pertencimento e identidades locais, que foi desenvolvida uma sequência didática que tivesse como principal objetivo promover a construção de conceitos de óptica geométrica através da produção de máquinas fotográficas caseiras que utilizem a técnica de fotografia pinhole .

A memória coletiva de um grupo social pode ser formada por bens materiais e/ou imateriais estando intrinsicamente dependente dos grupos e dos contextos sociais no desenrolar das suas vivências no espaço-tempo. Nesse sentido, a memória coletiva está vinculada a um componente afetivo e relacional às existências e resistências, onde "esquecer um período da vida é perder o contato com os que então nos rodeavam" (HALBWACHS, 2006, p. 37). Essa memória não vem de indivíduos isoladamente, entretanto, "cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva, que muda segundo o lugar que ali ocupo e que esse mesmo lugar muda segundo as relações que mantenho com outros ambientes" (HALBWACHS, 2006, p. 69). Assim, as realidades sociais numa sociedade, onde esses indivíduos estão inseridos e interagindo no próprio grupo, ocupando lugar representativo nessa relação social, impacta na construção da memória coletiva (HALBWACHS, 2006; OLIVEIRA; BERTONI, 2019)

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'Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira', de acordo com o artigo 216 da constituição federal (BRASIL, 1988). E, portanto, um patrimônio cultural não deve ser representado por definições de identidade cultural dos meios oficiais, mas sim por bens materiais e imateriais que apresentem significância diante dos indivíduos pertencentes a um grupo social distinto.

Durante o desenvolvimento das atividades desta sequência didática com alunos pertencentes ao terceiro ano do Ensino Médio Normal - Curso de Formação de professores -, o uso da história e patrimônios culturais serviram como estratégia a fim de construir conceitos e discussões sobre a importância dos instrumentos ópticos ao longo da história da ciência e para a construção de uma memória social coletiva que passasse pela ideia de pertencimento e identificação com a região em que se encontra a unidade escolar. As atividades propostas aos alunos foram pensadas de modo a compor a sequência didática apresentada no quadro 1.

Quadro 01: Etapas da sequência didática

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Como resultado da pesquisa elaborada pelos estudantes, pode-se observar que mais de 80% dos entrevistados afirmam saber o que é um Patrimônio cultural, e o definem como 'o que tem importância histórica', contudo, essa porcentagem cai quando se pede para que seja identificado algum patrimônio cultural em Madureira (50%). O patrimônio mais citado foi o Mercadão de Madureira - localizado nas proximidades da unidade escolar - ficando o Carmela Dutra em segundo lugar. Como a escola não é definida como um patrimônio cultural pelas autoridades ela foi elencada como objeto de estudo a ser fotografado, já que é considerada como tal pelos entrevistados.

Entender o que é considerado patrimônio pela comunidade local valoriza a identidade cultural de um grupo social. Esse entendimento se faz necessário também no ambiente escolar, levando a uma contextualização de memórias. Definimos então patrimônio como algo pedagógico, que compõe a identidade e universo social e profissional, já que caminha junto aos fazeres cotidianos (ARARIPE, 2004). Foram produzidas duas câmaras escuras pelos estudantes. Uma com o formato de um olho, usando bola de isopor, lente de lupa e papel vegetal como anteparo, para entendimento da óptica física para a formação de imagens. Outra com latas de leite em pó, onde foi feito um furo com auxílio de uma agulha na superfície lateral para entrada da luz e escurecidas no seu interior com tinta preta.

Nas câmeras escuras de lata foram inseridos papel fotográfico para obtenção das fotografias com a técnica pinhole . Para revelação das imagens foram utilizados produtos químicos próprios para revelação diluídos seguindo instruções do fabricante. A revelação se deu na sala Maker da unidade escolar, que foi escurecida com o uso de TNT preto e iluminado com lâmpadas de coloração vermelha. (OLIVEIRA, 2014)

O uso da técnica de fotografia com câmeras pinhole foi escolhido por serem câmaras de fácil acesso, montagem e manuseio. Assim, pode-se trabalhar com várias unidades ao mesmo tempo, além de ser possível deixá-las expostas sozinhas na rua, o que não poderia ocorrer com uma câmera fotográfica profissional, seja ela analógica (com o uso de filmes fotográficos) ou digital. Foi necessária uma gama de tentativas até a obtenção de uma fotografia 'aceitável'. Podemos pensar a fotografia como um artefato que promove a preservação do passado, faz reviver emoções e/ou conta a história local, produzindo assim uma identidade, que pode ser construída de forma individual ou coletiva.

## Referências

ALCÂNTARA, M. C. História da Ciência, filosofia e arte na Holanda do Século XVII: Construindo um módulo para o ensino dos instrumentos óticos. Dissertação de Mestrado. Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. CEFET/RJ, 2011.

ARARIPE, F. M. A. Do patrimônio cultural e seus significados . Artigos Originais: Transinformação agosto de 2004.

BRASIL. Constituição Federal Seção II, Artigo 216, caput, incisos, parágrafos.1988.

FORTUNA, Y. D. Sob os olhos: fotografia, memória e representação social na trilogia de Isabel Allende . Ensaio do livro: Textualidades contemporâneas processos de hibridação: travessias, escritas e desafios epistemológicos em e

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espaços latino-americanos . Sylvia Cyntrão (org.). Universidade de Brasília. [livro eletrônico] Brasília, 2021.

HALBWACHS, M. A memória coletiva (B. Sidou, Trad.). São Paulo: Centauro. 2006

OLIVEIRA, J. C.; BERTONI, L. M. Memória coletiva e teoria das representações sociais: confluências teórico-conceituais. Gerais, Rev. Interinst. Psicol. , Belo Horizonte, v. 12, n. 2, p. 244-262, dez. 2019.

OLIVEIRA, W. G. Da Sala de aula para a Prática: Uma experiência entre fotogramas e câmera pinhole. Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v.28, n.3. Edição Especial. 2014.

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