Uma Proposta para a Divulgação Científica e Equidade de Gênero através da Física Nuclear
Viviane Morcelle, Geny Guimarães, Karine Gagno, Erico Mata, Raquel SantAna, Lucas Modesto-Costa, Gabrielle Freitas, Cecília Barbosa, Rose Ximenes, Maria Carmem Morais, Josana Jacinto Reis
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Uma Proposta para a Divulgação Científica e Equidade de Gênero através da Física Nuclear
## V. Morcelle 1,2 , M. C. Morais , G. Guimarães , J. Jacinto 3 1 1,4 , K. Gagno , E. 1 Mata 1 , R.O. Sant'ana , L. Modesto-Costa , G. Freitas , C. Barbosa , R. Ximenes . 1 1 1 1 1
- 1 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil, projetoleferce@gmail.com
- 2 Instituto de Física, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, vicky@ufrrj.br
- 3 INFES, Universidade Federal Fluminense, Brasil, mcmorais@id.uff.br
- 4 Centro Universitário FAVENI, Brasil, josanarreis@gmail.com
Palavras-chave : Mulheres na Ciência; Ensino de Física Nuclear, Divulgação Científica.
Ao longo da história, as Ciências Exatas têm sido predominantemente um campo masculino, podendo ser considerado inadequado para as mulheres em algumas situações (Chassot, 2004, p. 13). Contudo, a renovação do movimento feminista, estendendo suas vertentes para o meio acadêmico e científico, tem trazido para dentro dos laboratórios e universidades, tanto o debate como o desenvolvimento de ações visando à equidade de gênero no campo das Ciências Exatas.
Segundo o relatório da Revista Elsevier (De Kleijn et al. , 2020), apesar de distintos esforços empregados em um cenário internacional, a Física ainda se configura como a área menos representativa em termos de gênero e raça. Essa subrepresentação é corroborada por dados extraídos do CNPq sobre a distribuição de bolsas em diferentes níveis de formação (Morcelle, 2019, p. 47), demonstrando a necessidade da realização de ações e políticas numa perspectiva interseccional. Considerando tais dados e a inquestionável importância das mulheres para o avanço e desenvolvimento das ciências e da tecnologia, faz-se necessária e urgente, a proposição de planos e medidas que promovam a equidade de gênero numa perspectiva intersecional, tanto em espaços formais como não formais de ensino e divulgação científica, em especial com jovens e estudantes da educação básica.
É nesse contexto que o projeto "Meninas do Radium: A periferia também faz Ciências" se insere. Desenvolvido em dois colégios públicos de ensino médio, localizados em Itaguaí e Seropédica, regiões periféricas no Estado do Rio de Janeiro, busca-se incentivar meninas a seguirem a carreira científica e despertar o interesse pela Ciência, em especial para os campos Física Nuclear e Astrofísica. Além disso, atividades são realizadas em espaços não formais como feiras educacionais, exposições, eventos de extensão e divulgação científica etc.
Destaca-se que a escola estadual de Itaguaí, tornou-se um núcleo desse projeto e desde então vem articulando atividades de ensino, pesquisa e extensão vinculada ao departamento de Física da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. Atuando por meio de uma perspectiva interseccional, ações que
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visam à equidade em termos de gênero, raça, classe e estimula o anticapacitismo, são promovidas.
O Currículo do NEM (Novo Ensino Médio) de 2022, do Estado do Rio de Janeiro, propõe para o ensino de Ciências da Natureza na Educação Básica a alfabetização científica recorrendo à compreensão e o conhecimento a respeito da constituição social e histórica da Ciência (Currículo Mínimo, 2022, p. 41). Nesta conjunção, produtos educacionais e atividades lúdicas, que abordam tanto os conteúdos específicos de Física Moderna como a história de mulheres cientistas, em especial no campo da Física Nuclear e Astrofísica, foram elaborados. Essas atividades permitem trazer para dentro do espaço escolar, as contribuições e barreiras enfrentadas por mulheres cientistas e, a partir desse contexto, provocar discussões e reflexões sobre os temas.
A pesquisa bibliográfica, debates e discussões forneceram subsídio para a criação de jogos de tabuleiro científicos, tanto em forma de trilha como de cartas. Destaca-se que as estudantes atendidas relataram a dificuldade de aprendizado pelos métodos tradicionais de ensino, e que a metodologia empregada com uso de jogos facilitou a compreensão e reflexão tanto dos fenômenos da Física como do conhecimento da história das cientistas abordadas. As alunas afirmaram que desconheciam as cientistas, até mesmo as laureadas com o prêmio Nobel, e mostraram-se indignadas com as barreiras de gênero por elas enfrentadas. Ao serem apresentadas ao uso benéfico desta área, demonstraram grande surpresa. O confronto com tais informações despertou o interesse pela busca por um aprofundamento na história de cientistas, em especial brasileiras.
Utilizando uma abordagem crítica, que leva em consideração contextos sociais, políticos e econômicos que influenciaram a ciência ao longo da história, o jogo de tabuleiro tem como objetivo, em especial, relacionar conjuntos de cartas com a imagem de cientistas da área de Física Nuclear às suas contribuições e barreiras por elas enfrentadas. Desta forma, apresentam-se diversas cientistas e suas histórias, buscando construir, assim, certo senso crítico, além de criar um espaço de representatividade para as estudantes. Essa etapa encontra-se em andamento, e as alunas vêm sendo estimuladas a discussões e reflexões, proporcionando uma aprendizagem crítica, que na perspectiva freiriana é fundamental em uma educação libertadora (Moreira, 2021, p. 5).
Desta forma, acredita-se incentivar e despertar o interesse de meninas e mulheres pelo campo das ciências exatas, e estimulá-las ao ingresso no campo das ciências exatas e da terra, contribuindo para a redução da desigualdade de gênero.
## Referências
CHASSOT, A. A CIÊNCIA É MASCULINA? É, sim senhora!... Revista Contexto & Educação , [S. l.] , v. 19, n. 71-72, p. 9-28, 2013. Disponível em: ttps://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoeducacao/article/view/1130. Acesso em: 3 jun. 2023.
CURRÍCULO MÍNIMO: FÍSICA. Governo do Estado do Rio de Janeiro.
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Secretaria de Estado de Educação. 2022. Disponível em: *curriculo-rj.pdf. Acesso em: 26 jun. 2023.
DE KLEIJN, M. et al. The Researcher Journey Through a Gender Lens: An Examination of Research Participation, Career Progression and Perceptions Across the Globe. Elsevier , March 2020. Disponível em: www.elsevier.com/gender-report. Acesso em: 26 jul. 2023.
MORCELLE, V., FREITAS, G. and LUDWIG, Z. (2019). From School to University: An Overview on STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) Gender in Brazil. Quarks: Brazilian Electronic Journal of Physics, Chemistry and Materials Science , 1(1), 40-52.
MOREIRA, M. A. Desafios no ensino da física. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 43, suppl. 1, e20200451 (2021).
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