EDUCAÇÃO MUSEAL E SUAS IMPLICAÇÕES NO PROCESSO EDUCACIONAL
Isabela Felix Elizio Vieira, Caroline De Brito Cardozo, Gloria Regina Pessoa Campelo Queiroz, Alan Freitas Machado, Rodrigo Trevisano De Barros
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023
Texto completo
## EDUCAÇÃO MUSEAL E SUAS IMPLICAÇÕES NO PROCESSO EDUCACIONAL
Isabela Felix Elizio Vieira , Caroline de Brito Cardozo 2 1 , Gloria Regina Pessoa Campello Queiroz 3 , Rodrigo Trevisano de Barros 4 , Alan Freitas Machado 5
- 1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vieira.isabela@graduacao.uerj.br
- 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, cardozo.caroline@graduacao.uerj.br
- 3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/CEFET - RJ, gloria@uerj.br
4 Colégio Pedro II, rodrigo.barros.1@cp2.edu.br
- 5 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, alan\_mac@uerj.br
Palavras-chave : Divulgação científica; Educação museal; Ensino de ciências.
## Resumo expandido
Durante muito tempo, os museus funcionaram somente como preservação de registros históricos e da visão de mundo das elites político-econômicas, além de servirem para introjetar a cultura da classe dominante e, a partir do controle das narrativas sobre o passado das sociedades, embasar a produção de ideologias referentes a essa cultura. No século XXI, os museus vêm passando por um processo de ressignificação dos seus espaços e de democratização do acesso, além de reapropriar culturas que foram excluídas historicamente ao longo do tempo. Não se trata somente de facilitar o acesso ou reformar os prédios, mas de transformar o museu em uma ferramenta de ressignificação, tensionamentos e em um dispositivo importante e estratégico para a criação de uma relação reformada com o passado, presente e futuro (CHAGAS, 2011).
Este trabalho tem como foco principal abordar a parceria entre o museu e a escola. Para tal, problematizaremos como a educação museal pode contribuir com os processos educacionais e com a ressignificação de alguns entendimentos vigentes no ensino de Física. De acordo com Cazelli e Valente (2019), a educação museal pode ser entendida como um campo de conhecimento em construção, com a necessidade de valorização e legitimação. Sendo assim, a discussão sobre a importância da educação museal no processo de ensino-aprendizagem justifica-se por apresentar diferentes abordagens didáticas além das acessadas por meio da educação formal. Além disso, oportuniza experiências extramuros da escola, possibilita a socialização entre os estudantes e suas famílias e estimula a ocupação popular de áreas culturais da cidade.
Sustentamos que o ensino de Física pode e deve contribuir com debates sociais capazes de inserirem a escola básica em questões de seu tempo, inserindo grupos historicamente silenciados no centro do debate e os museus podem e devem atuar nessa parceria. Para tanto, é necessário que se discuta sobre a ampliação do acesso aos museus. O Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), em conjunto com a Rede de Educadores em Museus (REMs), aprovou no ano de 2017 a Política Nacional de Educação Museal (PNEM). De acordo com o documento:
o termo "Educação Museal" passa a ser utilizado como uma reivindicação tanto de uma modalidade educacional -que contempla um conjunto
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
integrado de planejamento, sistematização, realização, registro e avaliação dos programas, projetos e ações educativas museais - quanto de um campo científico (IBRAM, 2018, p. 73).
O que queremos é relatar as experiências recentes que tivemos em aproximar a educação museal da educação formal, contribuindo com um ensino de Física capaz de inserir grupos historicamente silenciados nos discursos escolares. A educação museal tem como característica favorecer o contato com os conhecimentos através da cultura, da interação dos indivíduos entre si e/ou dos indivíduos e as instalações, das artes, entre outras maneiras didáticas lúdicas ou informais (BRAGA, 2017). Defendemos que essa abordagem tem muito a contribuir com as práticas desenvolvidas na educação básica. Os saberes na mediação de museus também são diferentes daqueles mostrados dentro da escola, num ambiente de ensino formal. De acordo com Queiroz et al. (2002), existem os saberes compartilhados com a escola (como conhecer o conteúdo da ciência relacionada à exposição), saberes compartilhados com a escola no que dizem respeito à educação em ciência (como explorar as concepções alternativas que os espectadores possam trazer à exposição) e os saberes mais propriamente de museus (como entender os aspectos de luz e cor presentes nas exposições).
No que se refere ao ensino de Física, as visitas mediadas a museus podem contribuir para o processo de aprendizagem dos estudantes, pois apresentam alternativas à abstração dos conceitos físicos que aparecem como um dos fatores que dificultam a aprendizagem no contexto da sala de aula. A educação museal pode ser utilizada por profissionais dos museus e até mesmo pelos professores para apresentar os conceitos científicos num formato mais lúdico e participativo. Assim, é recomendado que os professores, durante suas práticas pedagógicas, visitem museus ou centros de ciências com seus estudantes e os incentivem a frequentarem estes espaços (PEREIRA et al, 2008).'
Fica claro, portanto, a importância da valorização dos profissionais de educação e da preparação dos envolvidos na parceria museu-escola para que haja um trabalho cooperativo entre professores e mediadores no ensino de ciências. Além disso, a fim de que a educação museal seja uma realidade no campo da didática, torna-se imprescindível a discussão sobre o acesso dos estudantes aos museus, dentre outros espaços culturais.
Uma das maiores dificuldades de acesso aos museus é no que se refere à mobilidade urbana. Tomando como exemplo a cidade do Rio de Janeiro, que possui 154 museus e centros culturais, 111 deles estão localizados no eixo centro - zona sul da cidade (BRASIL, 2012). Cerca de 72% dos museus estão localizados em uma área onde moram 12% dos habitantes (785 mil pessoas); 5,8 milhões de cariocas moram fora desse eixo (BRASIL, 2021).
Ouve-se, frequentemente, justificativas que falta dinheiro ou tempo para visitas a museus (BRASIL, 2012), o que é compreensível, considerando a necessidade de migração pendular da maior parte da população, que mora fora das regiões centrais, para poderem acessar as áreas onde ficam a maioria dos museus e centros culturais. Isto porque, diferente do que está posto pela dinâmica do modelo político econômico vigente, para que a organização do desenvolvimento urbano oportunize a inclusão e a diversidade é preciso que a sociedade civil participe ativamente da construção do projeto político no qual se baseiam as políticas públicas voltadas para essa agenda. (AMANAJÁS; KLUG, 2018)
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Esta pesquisa está em desenvolvimento e está sendo construída de forma qualitativa ao longo do projeto de Residência Pedagógica com estudantes de licenciatura em Física da UERJ, com o subgrupo que trabalha em conjunto com o Colégio Pedro II e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), com o objetivo de problematizar as contribuições da educação museal à escola básica.
## Referências
AMANAJÁS, R.; KLUG, L. B. Direito à cidade, cidades para todos e estrutura sociocultural urbana. 2018.
BRAGA, J. L. M,. Desafios e perspectivas para educação museal. Revista museologia & interdisciplinaridade , 2017.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Ministério do Planejamento e Orçamento (org.). Cidades e Estados: Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/rj/rio-de-janeiro.html. Acesso em: 21 jun. 2023.
BRASIL André Amud Botelho. Instituto Brasileiro de Museus. O 'não público' dos museus: levantamento estatístico sobre o 'não ir' a museus no Distrito Federal. 2012. Disponível em:
https://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2013/09/naopublico.pdf. Acesso em: 26 jun. 2023.
BRASIL. Rede Nacional de Identificação de Museus. Ministério da Cultura (org.). Mapa dos Museus. Disponível em: http://museus.cultura.gov.br/busca/. Acesso em: 21 jun. 2023.
CAZELLI, S. et al. Ciência, cultura, museus, jovens e escolas: quais as elações 2005.
CAZELLI, S.; VALENTE, M. E.. Incursões sobre os termos e conceitos da educação museal. Revista Docência e Cibercultura , v. 3, n. 2, p. 18-40, 2019.
CHAGAS, Mário Souza. Museus, memórias e movimentos sociais. Cadernos de sociomuseologia , n. 41, 2011.
IBRAM - INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS. Caderno da Política Nacional de Educação Museal . Brasília, DF: IBRAM, 2018. Disponível em: <https://www.museus.gov.br/wp-content/uploads/2018/06/Caderno-da-PNEM.pdf>.Ac esso em: 06 jun. 2023.
PEREIRA, G.R.; CHINELLI, M. V.; COUTINHO-SILVA, R.. Inserção dos centros e museus de ciências na educação: estudo de caso do impacto de uma atividade museal itinerante. Ciências & Cognição , v. 13, n. 3, p. 100-119, 2008.
QUEIROZ, G. R. P. C.; KRAPAS, S.; VALENTE, M.E.; DAMAS, E.; FREIRE, F.; DAVID, E..Construindo Saberes da Mediação na Educação em Museus de Ciências: O Caso dos Mediadores do Museu de Astronomia e Ciências Afins / Brasil. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v.2, p.77 - 88, 2002.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.