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RELÓGIO SOLAR PARA LATITUDE ZERO: UMA PROPOSTA DE ENSINO DE ASTRONOMIA PARA A FAIXA EQUATORIAL

Iury Wesley Monteiro Pantoja, Cássio Renato Da Glória Pereira Dos Santos, Sandro De Souza Figueiredo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## RELÓGIO SOLAR PARA LATITUDE ZERO: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA A FAIXA EQUATORIAL

## Iury Pantoja 1 , Cássio Santos 2 , Sandro Figueiredo 3

- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá; Colegiado de Física; iurypantoj@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá; Colegiado de Física; cassio.santos@ifap.edu.br
- 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá; Colegiado de Física; sandro.figueiredo@ifap.edu.br

Palavras-chave : Relógio solar; ensino de astronomia; linha do equador.

## Resumo expandido

A cidade de Macapá-AP é a única capital brasileira cortada pela linha do equador e, em alusão a esse fato, dispõe do Monumento Marco Zero do Equador o qual marca a passagem dos equinócios de março e setembro. No entanto, há escassez de espaços formais dedicados ao ensino, divulgação e popularização da astronomia. Desse modo, a percepção dos eventos astronômicos acaba envolta de equívocos conceituais e mitos populares como, por exemplo, acreditar que é possível equilibrar um ovo sobre a linha do equador no dia do equinócio. Outra consequência desta escassez é que diante da ausência de recursos educacionais para o ensino de astronomia adequados para baixas latitudes, professores e estudantes recorrem a livros do Plano Nacional do Livro Didático que priorizam uma abordagem voltada à particularidades geográficas das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Segundo Pereira (2016), apesar de ser obsoleto usar relógios solares para marcação do tempo no mundo contemporâneo em decorrência das tecnologias atuais, o uso deste como instrumento lúdico e didático para o ensino de conceitos de astronomia tem grande valor. Este panorama foi a motivação para a realização deste trabalho, cujo objetivo é a construção de um relógio solar para latitude zero, para uso tanto em espaços formais quanto não formais de ensino.

Relógios solares possuem em geral dois elementos principais: gnômon e mostrador. O gnômon é uma haste que tem a sua sombra projetada sobre uma superfície que tem a função de ser o mostrador no qual fica a marcação das horas. A combinação destes elementos pode variar conforme a localização do relógio (BLATEYRON, 2023).

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orienta a construção do currículo para a sala de aula, é fundamental que haja regionalidade nos conteúdos por englobar aspectos locais, culturais e sociais na formação do indivíduo. Baseado nisto realizaram-se pesquisas nos livros de ensino médio do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) de física utilizados na cidade de Macapá no ano de 2021 e seguintes, para averiguar qualitativamente de que modo o tópico relógio solar é abordado. Ressalta-se que os livros analisados ainda são baseados em orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino médio (PCNEM). Desse modo, a lacuna detectada é uma deficiência que não é nova. Também se verificou o material usado para formação continuada de professores da

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

Agência Espacial Brasileira (AEB, 2007) Curso Astronáutica e Ciências do Espaço: Astronomia.

O levantamento dos livros didáticos, o qual se deu a partir do site do Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE, 2023), mostrou que de nove coleções usadas na capital, seis volumes fazem alguma menção ao relógio solar. Todavia, nenhuma delas apresenta atividade prática significativa ou que comente sobre os atributos de um relógio solar para latitudes da região equatorial. No material da AEB há uma sugestão para a construção de um relógio solar, entretanto é um modelo inadequado para a latitude macapaense. Os modelos de relógio de Sol apresentados nos materiais pesquisados não são eficazes para baixas latitudes, pois possuem gnômons verticais ou inclinados, os quais, em horários próximos ao meio dia, a variação angular da sombra em relação a linha norte-sul é pouco perceptível a olho nu e, por vezes, curta a ponto de ser inviável ler as horas, o que prejudica consideravelmente o potencial didático desses instrumentos se utilizados em Macapá-AP. Além disso, pode levar docentes e discentes a erros conceituais sobre o tema, como por exemplo, inferir que o relógio solar é um instrumento que não funciona na linha do equador.

Figura 01: Gnômon vertical visto de cima e centralizado em um transferidor, modelo de relógio que geralmente aparece nos livros didáticos do PNLD. Fonte: autores.

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Por ser necessário que os assuntos discutidos em sala de aula sejam atrelados às especificidades regionais e locais do docente, dando contexto ao currículo (OLIVEIRA; NUNES, 2014) e para dar subsídios ao que a BNCC orienta no que tange ao regionalismo, para a região equatorial usou-se do modelo de relógio solar equatorial. Este modelo é ideal para latitude zero por possuir um gnômon horizontal perpendicular a um mostrador vertical e paralelo ao plano equatorial, dando ao instrumento um formato simples e de leitura intuitiva. Baseado nele foram desenhados protótipos de modelos no software Tinkercad para serem impressos em 3D.

Desse modo, o seu uso e entendimento se tornam acessíveis tanto para a parte populacional com acesso à educação quanto para os grupos sem acesso a ela, pois para Araújo et al (2017), os conhecimentos adquiridos nos espaços formais de ensino são limitados pela idade dos indivíduos, deixando o público fora da escola desassistido quanto ao conhecimento, necessitando, portanto, de espaços não

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formais dotados de ferramentas lúdicas para que todos tenham acesso ao saber científico.

Figura 02: Relógio solar equatorial impresso em 3D em duas partes, exceto o gnômon feito com palito de madeira. Fonte: autores

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Uma vez que os materiais analisados caiam em desuso por conta da reformulação do ensino médio a partir da BNCC, é válido ressaltar que os livros didáticos do novo modelo herdam as lacunas regionais de modelos anteriores. Assim, a proposta apresentada se torna um instrumento de regionalização do conhecimento, até então ausente nos materiais didáticos que chegam às escolas do Amapá. É necessário que os materiais didáticos selecionados, idealizados e distribuídos pelo Ministério da Educação ou pelas instituições de educação pública, contemplem a contextualização, valorizem a diversidade e cultura de cada região, para que a educação seja, de fato, significativa, como estabelecido pela BNCC.

## Referências

AGÊNCIA ESPACIAL BRASILEIRA (AEB). Astronomia. [S.l]: 2007.

ARAÚJO, C. C.; BERGOLD, A.; BERTICELLI, D.; SANTOS, G.; SCHREINER, M.; MONTE-ALTO, H.; SPECK, R.; FERREIRA, G.; TONEZER, C.; ROSSET, I.; BARTELMEBS, R. Ações de divulgação e popularização das Ciências Exatas via ambientes virtuais e espaços não formais de educação. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 34, n. 2, p. 649-668, ago. 2017 .

BLATEYRON, F. Relógios de Sol e Astrolábios: manual do usuário Shadows Pro versão 4.1 . Tradução de Juarez Silveira Sant'Anna. Disponível em: &lt;https://www.shadowspro.com/en/user-manual.html&gt;. Acesso em: 18 de Jun. de 2023.

Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Distribuição de Recursos do Programa SimadNet. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/distribuicaosimadnet/filtroDistribuicao. Acesso em: 26 de Jun. de 2023.

OLIVEIRA, M. R. N.; NUNES, C. L. A escola e o currículo no mundo globalizado: Desafios para a educação básica. Santa Maria: Editora UFSM, 2014.

PEREIRA, R. R. Uso de uma oficina de relógio de Sol como ferramenta didática no ensino de Física e Astronomia . Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Física, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Recife, p.83. 2016.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.