Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

ARGUMENTAÇÃO EM AULAS DE FÍSICA: OS PONTOS DE VISTA DE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO

Amanda Da Silva Coraiola, Ivanilda Higa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Cultura, linguagem e cognição no ensino de física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023

Texto completo

## ARGUMENTAÇÃO EM AULAS DE FÍSICA: OS PONTOS DE VISTA DE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO

## Amanda da Silva Coraiola 1 , Ivanilda Higa 2

- 1 1 Universidade Federal do Paraná/PPGE/GEPCED-CN, amanda.coraiola@ufpr.br
- 2 Universidade Federal do Paraná/DTPEN/PPGE/GEPCED-CN, ivanilda@ufpr.br

Palavras-chave : Argumentação; Professores de Física; Realidade escolar.

A importância da linguagem e, especificamente, da argumentação dentro dos processos de ensino e de aprendizagem é discutida de forma ampla e aprofundada na literatura. Scarpa (2015), por exemplo, ao discutir a argumentação e o desenvolvimento do pensamento crítico aponta que saber argumentar e avaliar argumentos são habilidades importantes em várias esferas de circulação humana.

Sasseron (2015) ressalta, com base em Leitão (2010), que a argumentação representa uma forma básica de pensamento que está presente na vida humana e nesse sentido, promover as interações discursivas em sala de aula contribui tanto para o estabelecimento de processos argumentativos como para o desenvolvimento do pensamento e, por consequência, para o desenvolvimento intelectual do aluno. Além disso, ao participarem dos processos argumentativos, os estudantes se tornam participantes do processo de construção do entendimento.

Tendo em vista as contribuições do desenvolvimento da argumentação para os processos de ensino e de aprendizagem, compreender as formas de encaminhamento e a configuração desses processos em situações de ensino, na realidade escolar, é essencialmente importante e nesta perspectiva, o papel do professor nos processos argumentativos é fundamental. Esses elementos sugerem possibilidades para a investigação, dentre elas a pesquisa sobre as perspectivas de professores regentes de Física, atuantes na educação básica, sobre a presença da argumentação na realidade escolar.

Neste texto apresentamos a análise de dados provenientes de entrevistas em uma pesquisa cujo objetivo foi a compreensão da argumentação na realidade escolar a partir das perspectivas de professores de Física do Ensino Médio. No presente trabalho apresentaremos alguns elementos das perspectivas dos professores sobre os seguintes eixos: a) a presença da argumentação nas aulas, b) a participação dos sujeitos escolares em aulas envolvendo argumentação e c) tópicos curriculares e momentos da aula para trabalho com argumentação. Esses eixos nortearam a construção do roteiro da entrevista.

Em relação à metodologia adotada, participaram das entrevistas quatro professores licenciados em Física com idades entre 27 e 43 anos, atuando como professores no Ensino Médio. Os quatro entrevistados possuíam pós-graduação strictu sensu, sendo três deles nas áreas de ensino ou educação. Todos participaram da entrevista mediante a leitura e concordância com termo de consentimento livre esclarecido. As entrevistas, semi-estruturadas, foram realizadas na perspectiva

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

compreensiva (Zago, 2003). Na análise foram utilizados os nove tópicos sugeridos por Hitchcock e Hughes (1989 apud MOREIRA; CALEFFE, 2006) para análise qualitativa de entrevistas e de informações provenientes de conversações. Além disso, o conceito de cultura escolar (Forquin, 1993) balizou a análise sobre as perspectivas dos professores.

Dos resultados da análise destacamos sobre o eixo presença da argumentação nas aulas , que a atividade de argumentação é refletida pelos professores na realidade escolar relacionada a: Possibilidade para abrir oportunidades de fala aos estudantes; Incentivo a pesquisa e busca por informações para as discussões e sistematização de respostas; Oportunidade para aprender a validar e apresentar argumentos; Momento de construção de pensamento crítico; Oportunidade para aprendizagem a partir da construção de relação abstrato-concreto; Dificuldade na avaliação de atividades com debates e discussões e finalmente, Dificuldades conceituais e procedimentais dos estudantes. Os professores refletem sobre esses aspectos no sentido de chamar a atenção para a necessidade de ressignificação deles para o avanço no desenvolvimento de ensino pautado na argumentação. Tais aspectos podem ser entendidos como fatores que, em certa medida, condicionam a busca pelo desenvolvimento de atividades argumentativas na realidade por eles vivenciada, e nesse sentido, ganham relevo: a ressignificação do papel do aluno nos processos de ensino-aprendizagem, a existência de uma certa cultura de ensino e de aprendizagem de física na realidade escolar e perspectivas de ensino presentes na realidade escolar.

Acerca do eixo participação dos estudantes nas aulas com discussões e debates , nos resultados, ganham relevo: Dificuldades em participar das aulas; Busca pela validação das respostas de forma direta pelo professor; Dificuldade em realizar pensamento abstrato; Participação dependente do assunto e do formato da atividade e Justificativas com base no senso comum . Finalmente, quanto à participação do professor , são ressaltados: Necessidade de abertura de espaços de participação aos estudantes; Trabalhos em grupo; Perguntas abertas em avaliações; Realizar contraperguntas nas aulas; Argumentar com os estudantes sobre os temas da aula; Ajudar os estudantes a construir e expressar suas ideias por meio da argumentação; Buscar a mudança de postura e na forma de encaminhar o ensino; Graus de liberdade para os alunos; Favorecer a autonomia do aluno na aprendizagem e, finalmente, Conhecer o perfil da turma e dos estudantes. Esses elementos aparecem em articulações entre as experiências dos professores na realidade escolar e fatores que eles julgam ser importantes de sua própria atuação no sentido de favorecer o desenvolvimento das discussões.

No eixo momentos das aulas e tópicos curriculares para realização de atividades envolvendo argumentação , os principais elementos destacados foram: Momentos de dúvidas; Realização de perguntas, curiosidades e exemplos levantados pelos estudantes; Problematização e contextualização dos assuntos da aula pelo professor; Resolução de problemas e Continuamente ao longo das aulas. Sobre os tópicos curriculares : Depende do tipo de atividade a ser proposta ; Atividades com experimentos; Temas relacionados à realidade dos estudantes e Física Moderna . Os professores apontaram elementos que favorecem o desenvolvimento de discussões e debates em suas aulas ao mesmo tempo em que apontam os 'tipos' de temas que mais contribuem para participação dos alunos nesses momentos. Ao longo de suas respostas eles realizam um movimento de reflexão sobre a realidade escolar e destacam a importância da valorização da participação dos alunos, articulação e

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

contextualização dos temas com a realidade compartilhada pelo grupo, busca pela superação de dificuldades de compreensão conceitual e procedimental pelos estudantes, atenção para articulação entre os objetivos de ensino e a proposta das atividades.

A partir das análises, concluímos que existe um entendimento, pelos professores, de que buscar a argumentação nas aulas representa a oportunidade de ressignificação de diferentes elementos da cultura escolar tais como participação dos alunos, forma de ensino e de avaliação escolar. Além disso, são apontadas dificuldades enfrentadas pelos estudantes que estão relacionadas, sobretudo, ao papel dos sujeitos escolares nas interações e lacunas sobre entendimento conceitual e procedimental dos conhecimentos científicos. A participação do professor também é refletida no sentido de ações necessárias para superar essas dificuldades, como exemplo, a construção de atividades e contextos potencialmente argumentativos. Por fim, existe o entendimento, pelos professores, de que a escolha dos momentos para realização de discussões e debates está relacionada à percepção e resgate dos interesses e questionamentos da turma e aos objetivos de ensino. Destacamos que apenas um professor aponta um tema específico para trabalho em discussões com os estudantes, os demais destacam um tipo de abordagem que favorece as discussões, aquela que contextualiza e envolve os temas a realidade dos estudantes. Entendemos que os resultados trazem contribuições para campo de pesquisa em Ensino de Física e Ciências, pois tivemos indicativos sobre elementos que podem favorecer ou dificultar e, assim, condicionar a presença e o desenvolvimento da atividade argumentativa considerando a cultura e a realidade escolar, na perspectiva de professores do Ensino Médio.

## Referências

FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Tradução: Guacira Lopes Louro. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

LEITÃO, S. O lugar da Argumentação na construção do conhecimento em sala de aula. In: LEITÃO, S.; DAMIANOVIC, M. C. (Orgs.). Argumentação na escola : o conhecimento em construção. Campinas, SP; Pontes Editores, 2011.

MOREIRA, H.; CALEFFE, L. G. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador . Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

SASSERON, L. H. Alfabetização científica, ensino por investigação e argumentação: Relações entre ciência da natureza e escola. Revista Ensaio . Belo Horizonte, v.17 nº especial, p. 49-67, novembro, 2015.

SCARPA, D. L. O papel da Argumentação no ensino de Ciências: Lições de um Workshop. Revista Ensaio , Belo Horizonte, v. 17, n. especial, p. 15-30, nov., 2015.

ZAGO, N. A entrevista e seu processo de construção: reflexões com base na experiência prática de pesquisa. In: ZAGO, N.; CARVALHO, M. P.; VILELA, R. A. T. (Org.). Itinerários de pesquisa : perspectivas qualitativas em Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2003 .

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.