Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA CIENTÍFICA NO CONTEXTO ESCOLAR: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DA PERCEPÇÃO DOCENTE

Andressa Basile Rezende, Leonardo André Testoni

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023

Texto completo

## O DESENVOLVIMENTO DA ESCRITA CIENTÍFICA NO CONTEXTO ESCOLAR: UMA ANÁLISE EXPLORATÓRIA DA PERCEPÇÃO DOCENTE

## Andressa Basile Rezende 1 , Leonardo André Testoni 2

1 Universidade Federal de São Paulo, andressa.rezende@unifesp.br

2 Universidade Federal de São Paulo, leonardo.testoni@unifesp.br

Palavras-chave : Escrita científica, Contexto escolar, Letramento científico.

Documentos brasileiros voltados à área da educação e a respectiva literatura da área têm levantado a necessidade de uma educação em Ciências que seja capaz de desenvolver o pensamento científico e trabalhar as ideias no âmbito da ciência, de modo que o cidadão possa viver e trabalhar em uma sociedade onde se privilegiam os conhecimentos. (TENREIRO VIEIRA; VIEIRA, 2013). O presente trabalho busca entender o processo de desenvolvimento da escrita científica, ainda que de forma exploratória, na educação básica, com foco principal no ensino médio, analisando de qual forma podemos engajar os alunos a desenvolver essa habilidade que se torna importante para o ingresso na universidade e no convívio social. Existe uma grande importância de que o letramento científico seja contemplado nas aulas de Ciências, possibilitando que os estudantes sejam capazes de desenvolver ideias e procedimentos científicos, resolver problemas e tomar decisões na vida tendo em vista que o conhecimento de Ciências não é dispensável para solucionar inúmeros problemas da vida moderna em um mundo globalizado. O ensino de Ciências ainda desenvolve conhecimentos e habilidades que vão além do conteúdo como, por exemplo, a abordagem das dimensões procedimentais do contexto relacionadas ao conhecimento científico (RIBAS; BROIETTI, 2020).

Para o desenvolvimento da proposição inicial, a avaliação da escrita científica na educação básica, fez-se o acompanhamento das atividades experimentais propostas por um professor da escola básica localizada na zona sul de São Paulo, com turmas de nono ano do ensino fundamental e segunda série do ensino médio. Analisaram-se relatórios de atividades experimentais construídos por grupos de estudantes das citadas séries, buscando compreender a forma com que tais estudantes lidam com as instruções colocadas pelo professor e o caráter da escrita científica. Ainda no viés metodológico, realizou-se uma entrevista com o professor sobre o tema da escrita científica e sobre a análise dos relatórios, caracterizando uma investigação de natureza qualitativa, com abordagem analítica próxima à análise de prosa (ANDRÉ, 2013).

Iniciando com uma contextualização, foram acompanhados dois experimentos para o nono ano e outros dois no segundo ano do ensino médio. Os experimentos aplicados com o nono ano foram de caráter investigativo: o primeiro girava em torno da investigação com luzes RGB e, o outro, para investigação das leis de Newton. Os experimentos realizados com as turmas da segunda série do ensino médio investigavam o desvio de um filete de água através de cargas elétricas e a construção de um eletroscópio. Nas instruções passadas pelo professor aos alunos foram percebidas 3 seções: Formatação, seguindo o padrão ABNT, Conteúdo, referindo às seções que um relatório deve conter e o que deveria ter em

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

cada seção, e a última parte voltada a dicas para uma boa realização do relatório. A análise dos relatórios foi feita em duas partes, a primeira focando a respeito da formatação a partir das instruções passadas pelo professor e, a segunda, sobre a capacidade da compreensão do gênero textual científico e desenvolvimento de habilidades que envolvem a escrita. Na tabela 01, temos a síntese dos dados com relação à formatação dos trabalhos entregues. Um trabalho do nono ano foi entregue no formato de captura das notas do celular e foi desconsiderado para a realização das análises. As imagens apresentadas nos relatórios não eram autorais.

Tabela 01: Análise da formatação dos relatórios entregues.

A maioria dos relatórios das turmas não atendiam aos requisitos de formatação. Além disso, muitos dos relatórios não apresentavam bibliografia ou imagens. Isso sugere que os alunos precisam melhorar suas habilidades de escrita acadêmica e suas habilidades de pesquisa. Visando à escrita científica, os muitos trabalhos do nono ano não estavam completos, o que prejudicou a análise, mas destacaram os seguintes aspectos: as etapas descritivas foram apresentadas através de listagens, houve a ausência de formalidade na identificação dos trabalhos, muitas vezes nomeados pelo sobrenome ou apelidos, os resultados e discussões na maioria das vezes foram restritos ao que eles tinham observado, os alunos não utilizaram referências de fora do contato deles, os alunos não souberam escrever sobre as conclusões e permaneceu a mesma discussão da seção de resultados, alguns trabalhos não apresentaram conclusão. Já nos trabalhos da segunda série do ensino médio pudemos perceber que os relatórios apresentaram a discussão e resultados muito pequenos, muito sintetizados, as conclusões se mostraram genéricas e abrangentes, sem um direcionamento. Alguns trabalhos não apresentaram conclusão e os procedimentos metodológicos tiveram pouco caráter de descrição, poucos alunos realizaram a pesquisa por materiais complementares e apenas 4 trabalhos apresentaram uma introdução que atendia o que foi pedido.

A entrevista com o professor foi realizada em dois momentos, o primeiro durante a aplicação das atividades experimentais e após a entrega dos relatórios, permitindo-nos elencar episódios de interesse acadêmico (TESTONI, 2013). Durante as experimentações dialogamos com o professor acompanhando os discentes com as contestações. Com as turmas de nono ano, o professor ressaltou muito sobre a questão da imaturidade dos alunos perante o ambiente de laboratório, houve alguns episódios de indisciplina que podiam ter levado a consequências mais sérias e sobre essa questão o professor contribuiu que seria necessário apoio de um técnico de laboratório ou de um professor auxiliar para dar uma maior atenção aos alunos. Argumentou que por serem mais novos, tiveram pouca oportunidade de estarem no ambiente do laboratório e para muitos foi a primeira apresentação de um laboratório da disciplina de física. As discussões dos alunos durante o período da atividade experimental foram relevadas na conversa com o professor, pois foi perceptível que os alunos entenderam as propostas de investigação e levantaram muitas ideias interessantes e que não eram esperadas por ele, por este fato o professor teve altas expectativas para a produção dos relatórios dos grupos. Durante a entrevista na aplicação experimental do segundo ano, o professor salientou a insegurança quanto

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

ao manuseio de equipamentos de alto custo e reconheceu que essa é uma prática importante. Ele destacou que os alunos das turmas as quais foi acompanhado a prática tinham uma capacidade de ouvir e atender a comandou com excelência e por isso ele optou pelo desenvolvimento desta atividade. No decorrer da atividade alguns alunos não conseguiram realizar os experimentos com as cargas elétricas, e sobre esse tema o professor colocou que é deveras importante os alunos lidarem com a frustração e erro, pois ele entende que a aprendizagem vem através de erros e acertos, no decorrer da atividade o professor conseguiu fazer com que os alunos entendessem sobre essa questão.

Na segunda parte da entrevista, o professor comentou sobre as expectativas que tinha na elaboração dos relatórios em todas as turmas acompanhadas. Argumentou que antes de corrigir e ler os relatórios estava com as expectativas altas, pois as discussões em sala tinham sido muito produtivas, porém ao se deparar com o resultado, teve alguns questionamentos, buscando entender onde poderia estar o problema na elaboração e levantou hipótese na tentativa de atribuir significados. Em um primeiro momento refletiu sobre os acontecimentos na realização das práticas, porém acreditou que não pudesse ser devido a maus comportamentos ou a falta de estimulação. Em uma segunda tentativa considerou a dificuldade no gênero textual científico e considerou que, por essa complicação, os alunos não tiveram um bom desempenho na produção textual dos relatórios.

A investigação aqui apresentada infere que os alunos analisados apresentaram uma grande defasagem na compreensão do gênero textual que permeia a escrita científica. A escrita científica é uma habilidade muito requisitada na universidade e é necessário o seu desenvolvimento ainda na escola básica (RIBAS; BROIETTI, 2020). Como medida de ação, na tentativa da resolução desse problema, percebemos que seria de extrema importância que fosse proposta uma disciplina eletiva focada na escrita científica, pois trata-se de um gênero textual específico e depende de estudos mais aprofundados nas questões de interpretação e da linguagem.

## Referências

ANDRÉ, M. Etnografia da prática escolar . Papirus editora, 2013.

RIBAS, J. F.; BROIETTI, F. C. D. Um estudo da produção escrita de estudantes do Ensino Médio em questões de Ciências do PISA. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas , Belém, v. 16, n. 36, p. 244-262, jul. 2020. ISSN 23175125.Disponível em:

<https://periodicos.ufpa.br/index.php/revistaamazonia/article/view/8221>. Acesso em: 18 maio 2023. doi:http://dx.doi.org/10.18542/amazrecm.v16i36.8221.

TENREIRO VIEIRA, C.; VIEIRA, R. M. Literacia e pensamento crítico: um referencial para a educação em ciências e em matemática. Revista Brasileira de Educação , v. 18, n. 52, p. 163- 188, 2013.

TESTONI, L. A. Caminhos criativos e elaboração de conhecimentos pedagógicos de conteúdo na formação inicial do professor de física . 2013. Tesis Doctoral. Universidade de São Paulo.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.