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NOVO ENSINO MÉDIO EM ESCOLAS CATARINENSES: OLHAR DOS ESTAGIÁRIOS

Henrique Expedito Kaiser, Stephany Luiz Valério Jorge, Kleisson Spiess Franz, Angelisa Benetti Clebsch

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Currículo e ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## NOVO ENSINO MÉDIO EM ESCOLAS CATARINENSES: OLHAR DOS ESTAGIÁRIOS

## Henrique Expedito Kaiser 1 , Stephany Luiz Valério Jorge 2 , Kleisson Spiess Franz 3 , Angelisa Benetti Clebsch 4

- 1 Instituto Federal Catarinense/ Campus Rio do Sul, kaiser.hh1@gmail.com
- 2 Instituto Federal Catarinense/ Campus Rio do Sul, stephanylvj@gmail.com
- 3 Instituto Federal Catarinense/ Campus Rio do Sul, manokleisson5@gmail.com
- 4 Instituto Federal Catarinense/ Campus Rio do Sul, angelisa.clebsch@ifc.edu.br

Palavras-chave : Estágio Supervisionado; Ensino Médio; Ensino de Física.

## Resumo expandido

O Estágio Supervisionado do Curso de Licenciatura em Física do Instituto Federal Catarinense, que é organizado em três etapas, duas de observação e uma de regência, desempenha um papel crucial na formação do futuro professor. Através dele, os estagiários têm a oportunidade de vivenciar na prática o ambiente escolar, utilizar saberes construídos durante o curso, como por exemplo os saberes pedagógicos, integradores e da área (CARVALHO e GIL-PÉREZ, 2014), além de construir novos.

Nos estágios de observação, o estagiário observa como funciona a escola, conhece documentos, conversa com professores e estudantes, observa aulas do professor supervisor do estágio e elabora o projeto de regência. Já na terceira etapa, o estagiário executa a regência. O Estágio conta com aulas semanais para discussões, socialização de vivências com os colegas, estudos teóricos pertinentes, orientações, planejamento e socialização. O livro de Carvalho (2012) orienta algumas das discussões e problemas para observações no campo de estágio.

Este trabalho busca investigar possíveis diferenças na implementação do Novo Ensino Médio em escolas catarinenses, a partir de observações realizadas no Estágio Supervisionado e da análise dos relatórios dos estagiários.

- O novo Ensino Médio, proposto pela Lei nº 13.415/2017 (BRASIL, 2017), trouxe várias mudanças para a estrutura curricular bem como diversos desafios para os professores. De acordo com este documento, a carga horária deve ser organizada em: Formação Geral Básica (FGB), que ficou limitada a 1800 horas, e Itinerários Formativos (IF), que devem ter pelo menos 1200 horas. Os Itinerários Formativos permitem flexibilidade aos currículos e visam aprofundar uma das áreas do conhecimento (Linguagens e suas tecnologias; Matemática e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias, Ciências Humanas e Sociais aplicadas) ou na formação técnica e profissional.

Cada estado elaborou um currículo próprio e deveria iniciar a implementação do Novo Ensino Médio em 2022, nas turmas de 1º ano. No caso do currículo estadual de Santa Catarina, houve redução no número de aulas de Física no 2º e 3º ano na FGB (SANTA CATARINA, 2021) e os IF foram organizados em torno de temas incluindo disciplinas eletivas, segunda língua estrangeira, projeto de vida e trilhas de aprofundamento.

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

Durante as socializações realizadas na disciplina de Estágio, os estagiários perceberam diferenças entre os campos de estágio, o que levou a este trabalho. Utilizamos como fonte de pesquisa os relatórios construídos e determinamos como categorias para análise: infraestrutura das escolas; número de aulas de Física na FGB e IF; número de alunos e turmas atendidos pelo professor supervisor.

- O Estágio Supervisionado foi realizado em três escolas, duas estaduais (Escola 1 - E1; Escola 2 - E2) e uma comunitária (Escola 3 - E3), cada uma em um município diferente.
- A E1 é uma escola pública da rede estadual, atende majoritariamente o Ensino Médio e funciona nos três turnos. Ela possui uma biblioteca simples e não tem laboratório de Física. A sala de Física recentemente recebeu uma lousa digital, mas até recentemente contava apenas com quadro branco.
- A E2 também é uma escola pública da rede estadual, também possui uma pequena biblioteca e não tem laboratório de Física. A Escola recentemente recebeu recursos e passou por uma reforma, onde foram ampliados os espaços de estudo e salas de aula. Algumas salas contam com quadro digital e a escola possui laboratório de informática.
- A E3 é comunitária, ambientada dentro de uma universidade. Funciona no turno matutino e vespertino e atende do maternal ao 3º ano do Ensino Médio. O Ensino Médio realiza as aulas da FGB no período matutino, ofertando um IF de cada área do conhecimento no turno vespertino, oportunizando a escolha do IF pelo estudante. Por estar localizada dentro de uma universidade, a escola dispõe de uma estrutura rica, possuindo laboratórios de Química, Física, Anatomia, entre outros.

Comparativamente, ficou clara a diferença na estrutura entre as escolas estaduais com a E3. Com uma biblioteca maior, mais ambientes de estudo e com diversos laboratórios, a E3 possui muito mais possibilidades para o ensino.

Com relação ao número de aulas de Física, as escolas estaduais (E1 e E2) possuem na FGB 2 aulas no 1° ano, e uma aula tanto no 2º ano quanto no 3º ano. Já para os IF que acontecem de forma concomitante, as escolas selecionaram possíveis itinerários formativos no currículo estadual e os estudantes participaram da escolha do que iriam cursar. Nos primeiros anos eles cursam uma disciplina de Componente Curricular Eletiva (CCE), e no segundo ano outra CCE e uma trilha de aprofundamento.

- Já a E3 não tem o componente curricular Física na grade horária, mas os conteúdos são abordados no componente curricular Ciências da Natureza e suas tecnologias, que engloba as disciplinas de Física, Química e Biologia, tendo um professor para cada uma das áreas específicas. São ofertados quatro IF, um em cada área do conhecimento, e o professor de Física atua no itinerário de Engenharias (área de Matemática) e Saúde (área de Ciências da Natureza e suas tecnologias).

Com relação ao número de alunos, na E1 são atendidos 528 alunos do Ensino Médio, divididos em 20 turmas, e 437 alunos do Ensino Fundamental. Na E2 são atendidos 391 alunos do Ensino Fundamental e Médio, divididos em 9 turmas de Ensino Fundamental e 6 de Ensino Médio. Na E3 são atendidos 513 estudantes, do 1º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. O professor de Física trabalha com 346 estudantes do 6º ao 3º ano, cada série dividida em duas turmas.

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Ao analisarmos os relatórios de estágio e socializar as experiências de três discentes, percebemos uma grande diferença nas três escolas e como isso afeta o Ensino de Física. Nas escolas estaduais, a redução do número de aulas base dificultou bastante o rendimento das aulas, principalmente nos 2º e 3º anos, visto que apenas uma aula semanal é pouco para a burocracia cotidiana que os professores enfrentam, além de ter que relembrar e segmentar as aulas para cumprir a carga horária.

- Já na E3, além do professor ter menos alunos no geral, os recursos disponibilizados pela escola ampliam as possibilidades nas aulas de Física, permitindo uma flexibilização maior nas metodologias de ensino sem prejudicar o andamento das aulas. Além disso, o professor atua na FGB, nos IF e também em aulas de Ciências do Ensino Fundamental (anos finais).

Nas escolas estaduais, os professores supervisores atuam somente na FGB, tanto que a observação ficou restrita a esta parte do Ensino Médio. Pelas observações, não há muita clareza com relação aos IF e a estrutura do Ensino Médio nessas escolas, o que corrobora com o que diz Mônica Ribeiro da Silva (SILVA, et al., 2023, p. 8).

Devido à estrutura da escola e também dos espaços para planejamento semanal dos professores, consegue-se observar maior clareza do Novo Ensino Médio e possibilidades concretas de implementação na E3. Ao fazer uma análise de possíveis impactos da Lei do Novo Ensino Médio, Barroso (2021) já alertava que há diversas formas para sua implementação e que podem ampliar as desigualdades educacionais nas escolas brasileiras, a exemplo do que relatamos neste trabalho.

- Os indícios de diferenças na implementação do Novo Ensino Médio em escolas apontam a necessidade de fazer pesquisas mais aprofundadas, tendo como foco a educação científica dos estudantes.

## Referências

BRASIL. Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 . Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: 2017.

BARROSO, M. F. Nota técnica LIMC 01/2021 . Sobre a formação de professores para o Ensino Médio sob a ótica das mudanças curriculares recentes no país. 2021.

CARVALHO, A. M. P. Os estágios nos cursos de Licenciatura. São Paulo: Cengage Learning, 2012.

CARVALHO, A. M. P. d. ; GIL PÉREZ, D. O saber e o saber fazer do professor . In: Castro, A. D. Ensinar a ensinar: didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Cengage Learning, 2014, p. 107-124.

SANTA CATARINA. Currículo Base do Ensino Médio do Território Catarinense. Caderno 2 - Formação Geral Básica. Florianópolis, 2021a. 206 p.

SILVA, M. R.; FÁVERO, A. A.; SILVEIRA, É. da S. Entrevista com Monica Ribeiro da Silva: a reforma do Ensino Médio no Brasil. Revista Espaço Pedagógico , Passo Fundo, v. 30, e14467, 2023.

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