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INTERESSE E MOTIVAÇÃO NAS AULAS DE FÍSICA: O QUE QUEREM OS ALUNOS?

Rafael José Pereira Vieira, Ozorio Saturnino Barbosa Neto, Paulo Henrique Dias Menezes, Rodrigo Caetano

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## INTERESSE E MOTIVAÇÃO NAS AULAS DE FÍSICA: O QUE QUEREM OS ALUNOS?

## INTEREST AND MOTIVATION IN PHYSICS CLASSROOMS: WHAT STUDENTS WANT?

## Ozorio Saturnino Barbosa Neto , Rafael José Pereira Vieira , Paulo Henrique 1 2 Dias Menezes 3 , Rodrigo Caetano 4

1, 2, 3, 4 Universidade Federal de Juiz de Fora, ufjf\_pibid@hotmail.com

## 1) Justificativa e Objetivos

Este trabalho se insere na proposta do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID), que objetiva um maior comprometimento dos licenciandos com o exercício do magistério na rede pública. Relatamos aqui uma investigação desenvolvida por bolsistas de iniciação à docência com o objetivo de verificar prováveis motivos para o desinteresse dos alunos pelas aulas de Física.

A primeira parte do estágio foi constituída de um estudo exploratório de acompanhamento das aulas de Física desenvolvidas pela professora supervisora. Nessa fase, foi observado um desinteresse acentuado dos alunos pelas aulas e pelos conteúdos de Física, que reclamavam que não entendiam o que era ensinado e que não conseguiam relacionar os conteúdos com suas atividades do dia-a-dia.

Entendemos que o desinteresse constatado não é um caso particular da escola investigada e que esse é um fato que merece atenção quando se pensa em melhorar a qualidade do ensino de Física nas escolas públicas brasileiras. Por isso, conduzimos um estudo que permitisse observar com mais clareza e profundidade as possíveis causas desse desinteresse e quais os fatores motivacionais que poderiam ser despertados nos estudantes para combater esse problema.

## 2) Marco Teórico

Por considerarmos que a aprendizagem escolar toma dimensão do social na interação entre os indivíduos, para conduzir a investigação buscamos aporte em estudos sobre a teoria cognitivista de Vigotsky (ROSA & BECKER, 2004; FREITAS, 2007) e em estudos sobre motivação e interesse escolar (SANTOS, 2008).

Para conduzir a investigação, tomamos por base dois pressupostos: 1) o interesse do aluno pelos conteúdos de ensino aumenta na medida em que aumenta o domínio que ele tem sobre aquilo que é ensinado. Isso pressupõe a existência de um entendimento mínimo para que haja uma pré-disposição para a aprendizagem; 2) a atividade experimental é uma forma de chamar a atenção dos alunos para o aprendizado dos conteúdos de Física e garantir um entendimento mínimo dos fenômenos, despertando o interesse para o estudo das leis e teorias.

De acordo com os PCN (BRASIL, 2002, p.37) a experimentação no ensino de Física 'pode garantir a construção do conhecimento pelo próprio aluno, desenvolvendo sua curiosidade e o hábito de sempre indagar, evitando a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável'.

Considerando que um aluno motivado apresenta entusiasmo para o aprendizado, neste trabalho adotamos a atividade experimental como o elemento de aproximação dos diferentes níveis de desenvolvimento dos alunos para despertar o interesse e promover a motivação.

## 3) Metodologia e Análise de Pesquisa

A pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública estadual do município de Juiz de Fora, MG, e envolveu, inicialmente, três turmas do 3º ano do ensino médio, do turno matutino. O estudo foi dividido em três etapas: 1) Elaboração e aplicação de um questionário para verificar a opinião e o nível de interesse dos alunos pelas aulas de Física; 2) Elaboração e execução de uma proposta de intervenção a partir da análise das respostas dadas pelos alunos às perguntas do questionário; 3) Análise dos resultados obtidos com a proposta de intervenção.

## 3.1. O questionário

O questionário foi aplicado a 57 alunos, da escola estadual onde foi desenvolvido o estágio de iniciação a docência.

As questões utilizadas foram organizadas em blocos de forma que fosse possível verificar a opinião dos alunos sobre: 1) a Física que lhes era ensinada; 2) a qualidade do ensino de Física recebido; 3) a relação que faziam entre a Física ensinada na escola e as tecnologias atuais e 4) a relação entre a Física e as outras disciplinas que estudavam.

A análise das respostas mostrou que: 1) apesar de a maioria declarar que não gosta de Física, há certo reconhecimento da importância dessa disciplina para suas vidas; 2) a maioria gostaria que aumentasse o número de aulas e que o professor incluísse experimentos nas aulas; 3) os alunos se dividem entre os que dizem conseguir e os que não conseguem estabelecer essa relação, porém, aqueles que alegaram conseguir fazer tal conexão, apenas citaram conceitos como empuxo, gravidade e eletricidade sem exemplificação; 4) a maior parte dos alunos não enxerga relação entre a Física e as outras disciplinas. As poucas relações feitas foram entre a Física, a Matemática e a Química.

## 3.2. A Proposta de Intervenção

Depois dessa análise, foi elaborada uma proposta de intervenção, junto com a professora supervisora, com o objetivo de melhorar a concepção dos alunos quanto ao ensino e a aprendizagem de Física. O tema escolhido foi o magnetismo e a proposta foi organizada da seguinte forma: a primeira parte consistiria em questionar os alunos a respeito da possibilidade de se aplicar uma força a um objeto sem a necessidade de um contato direto. Após o debate suscitado por esse questionamento, seria feita uma breve introdução histórica sobre o magnetismo. Em seguida, seria proposta uma reflexão sobre as aplicações do magnetismo no dia-adia de cada aluno. Além disso, foram realizadas três atividades práticas: 1) a construção de uma bússola rudimentar; 2) a observação das linhas de força do campo magnético e 3) a construção de motor elétrico.

A proposta de intervenção foi desenvolvida em um horário extra e os alunos foram organizados em grupos para o desenvolvimento das atividades experimentais.

## 3.3. Análise e Resultados

Analisando o comportamento dos alunos, durante e depois da proposta de intervenção, percebemos que o desinteresse que eles declaravam inicialmente não era pelos conteúdos da Física e sim pela forma como esses conteúdos lhes eram apresentados. Durante a execução das atividades os alunos demonstraram grande curiosidade em relação ao tema escolhido - o magnetismo - apresentando questionamentos e posicionamentos em relação ao conteúdo apresentado.

Entendemos que a intervenção realizada serviu para despertar o interesse dos alunos e, com isso, gerar motivação para o aprendizado de Física. Essas atividades se estenderam ao longo do semestre letivo.

Ao final do semestre foi feita uma avaliação do trabalho realizado. O relato dos alunos indicou a aprovação das atividades, porém, surgiu um novo indicador que, até então, não havia sido considerado por nós: a necessidade de incluir exercícios quantitativos. Julgamos que esse indicador esteja relacionado com o aumento da perspectiva dos alunos de escolas públicas ingressarem no ensino superior, tendo em vista que o vestibular da Universidade local prioriza questões quantitativas.

'A 1° aula foi muito interessante, a parte prática foi ótima. Só uma observação: vocês falaram muita parte teórica [...]'. '[...] ainda prefiro aulas com matérias e exercícios. Prática de vez em quando.'

## 4) Conclusão

Até o momento, o estudo desenvolvido nos leva a considerar que há coerência nos pressupostos que foram indicados na seção 2 - Marco Teórico. Porém, a partir dos resultados da última avaliação feita, julgamos que o aumento da possibilidade de ingresso no ensino superior, por grande parte dos alunos de escolas públicas, começa a se configurar como mais um elemento que pode ser utilizado para despertar o interesse dos alunos para o aprendizado de Física. Nesse sentido, entendemos que esse interesse deva ser levado em conta no planejamento das atividades de ensino, que devem considerar as especificações dos processos seletivos das universidades locais.

## 5) Referências

ROSA, Cleci T. W. da Rosa; BECKER, Álvaro. A Teoria Histórico-Cultural e o Ensino da Física. Revista Iberoamericana de Educación , número 33/6, 10 agosto de 2004.

SANTOS, Adevailton B. dos Santos. Aulas Práticas e Motivação dos Estudantes de Ensino Médio. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Atas ... Curitiba, 2008. p. 1-10.

BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnologia. Parâmetros Curriculares Nacionais : Ensino Médio - PCN+. 2002.

FREITAS, Maria Teresa de Assunção. Uma Teoria Social do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Presença Pedagógica . p.17-27, v.13, n.73, jan/fev, 2007.

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