INCLUSÃO, DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E POPULARIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS EM ESPAÇOS NÃO- FORMAIS DE APRENDIZAGEM: MUSEU DE CIÊNCIA PROF. ANTÔNIO CARNEIRO
Gislaine Ribeiro Da Silva, Maria Patrícia Lourenço Barros, Samuel Dos Santos Feitosa, Wellington Dos Santos Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## INCLUSÃO, DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E POPULARIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS EM ESPAÇOS NÃO- FORMAIS DE APRENDIZAGEM: MUSEU DE CIÊNCIA PROF. ANTÔNIO CARNEIRO
Gislaine Ribeiro da Silva¹, Maria Patrícia Lourenço Barros², Samuel dos Santos Feitosa³, Wellington dos Santos Souza 4
¹Instituto Federal- Campus Salgueiro, gislaine.ribeiro@aluno.ifsertao-pe.edu.br ²Instituto Federal- Campus Salgueiro, patricia.lourenco@ifsertao-pe.edu.br ³Instituto Federal- Campus Salgueiro, samuel.feitosa@ifsertao-pe.edu.br 4 Instituto Federal- Campus Salgueiro, wellington.souza@ifsertao-pe.edu.br
Palavras-chave:
museu de ciência; popularização; divulgação.
## Resumo expandido
No campo educacional brasileiro são observadas diversas situações inapropriadas desde infraestrutura das escolas à qualidade de formação de professores. Nesse contexto, os estudantes são os maiores prejudicados, sendo as disciplinas de ciências da natureza as que apresentam maior rejeição por parte dos alunos. A descrição de alguns fenômenos apresentados pela ciência são, por muitos alunos, consideradas incompreensíveis devido a diversos fatores, tais como: ensino com ênfase excessiva em cálculos matemáticos, abordagem de conceitos e fenômenos distantes da realidade e cotidiano dos estudantes, foco em conteúdos para exames, etc. Além disso, existe a problemática quando pensamos no ensino de ciências para o público da educação especial, às pessoas com deficiência, uma vez que, muitas das atividades a serem realizadas necessitam ser adaptadas. Criar um contraponto a esse contexto de modo a atrair os estudantes para compreender e estudar fenômenos naturais se configura como uma ação bastante desafiadora, discutida entre os docentes da área de ensino de ciências. Uma alternativa que pode possibilitar diversos avanços para aproximar os estudantes do saber científico está na educação não formal (SILVEIRA e MILTÃO, 2013).
Os museus de ciências são considerados como espaços de divulgação científica e aprendizagem não- formal que podem contribuir para o enriquecimento cultural e científico dos indivíduos que o frequentam. A divulgação científica pode cumprir diferentes funções no ensino de ciências: o desenvolvimento de habilidades de leitura, o contato com pesquisas científicas e a vida dos pesquisadores, complementação de materiais didáticos, desenvolvimento e formação do espírito crítico e reflexivo (CHAVES et al ., 2001). Nestes espaços, as exposições relacionadas à ciência frequentemente são apresentadas de maneira interativa, experimental e lúdica (ROSALEM, 2003). As exposições de ciências aumentam o nível de conhecimento e capacitação do cidadão, no campo da ciência e tecnologia. Diante do exposto é evidente que o Museu de Ciências Professor Antonio Carneiro(MCPAC) contribui para a popularização da ciência e isso exerce papel fundamental no processo de inclusão social, pois a negação histórica do acesso ao conhecimento científico e tecnológico vem se constituindo em uma das mais perigosas formas de exclusão social ( Germano, 2011, p. 306 ). Quando entramos no quesito 'inclusão social' entendemos que esta também perpassa por fazer a ciência chegar a todos os públicos, criança, jovem, adulto e pessoas com deficiência nas
diversas idades. Há uma dívida com as pessoas com deficiência que ainda é bem grande se tratando de conhecimento e como este chega até esse público. Diante dessa realidade, o Museu de Ciências Professor Antônio Carneiro , por meio de atividades interativas e educacionais (MCPAC - Figura 1), proporciona o acesso da população em geral ao conhecimento científico, contribuído para o ensino, a divulgação científica e a popularização das ciências no Sertão Central Pernambucano. Além disso, buscamos iniciar também um trabalho de divulgação acessível, onde as atividades foram pensadas/estruturadas e/ou adaptadas para atender a esse público específico.
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Figura 1 : (a) Museu itinerante realizado na Escola Estadual Indígena Militão Primo dos Santos em Ilha de Assunção/Cabrobó-PE; (b) Recepção dos novos alunos e familiares do IF Sertão/Campus Salgueiro. Fonte : O próprio autor.
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Em essência, o MCPAC se caracteriza por suas exposições e mostras itinerantes, sejam elas realizadas presencialmente ou por meio de plataformas digitais como o Instagram e/ou Youtube. 1 Desde 2020, com o advento do isolamento social provocado pela pandemia da COVID-19, o Museu de Ciências vem buscando adaptar/inovar as atividades de divulgação e ensino de ciências, e a estrutura física do próprio museu, para continuar atendendo ao público com a mesma qualidade, desenvolvendo ações que sejam inovadoras, dinâmicas, inclusivas e lúdicas.
Como exemplo temos a criação dos projetos 'Mostra virtual', 'Sertão científico' 'Faça você mesmo' e 'Matemática de um jeito diferente' (Figura 2), que visam desenvolver atividades de ensino, pesquisa e divulgação científica por meio da exposição do acervo do Museu e da participação/organização de eventos/lives.
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Figura 2: Projetos: (a) 'Mostra Virtual' ; (b) 'Sertão científico' ; (c) 'Faça você mesmo' ; (d) 'Matemática de um jeito diferente'. Fonte: O próprio autor.
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Para o desenvolvimento dessas atividades, com o objetivo de atender melhor as pessoas com deficiência a partir de ações que fossem de fato acessíveis para este público, o MCPAC buscou ofertar aos seus monitores formação sólida sobre essa temática incentivando debates e a participação dos mesmos em cursos/eventos (figura 3 a), o que possibilitou o desenvolvimento de ações através do projeto 'Museu para todos' e 'Acessibilidade em museus'. O projeto museu acessível teve como objetivo inicial (realizado no projeto passado - edital FACEPE 15/2020) a construção de uma cartilha para orientar monitores de centros e museus de ciências
para quando receberem visitantes que possuam algumas necessidades específicas como surdez e baixa visão ou pessoas cegas. O projeto voltado para as questões de acessibilidade a princípio realizou formações com temáticas que tratam das pessoas com deficiência. Outras ações tiveram como objetivos estruturar o espaço físico do museu para dar mais autonomia para que pessoas com algum tipo de deficiência pudessem circular confortavelmente e com segurança pelo museu. Para isso, foi realizada uma apresentação do acervo do museu a estudantes cadeirantes, tendo como objetivos verificar o que poderia ser mudado ou adaptado na estrutura do espaço físico do MCPAC para melhor atender a necessidade desses visitantes (Figura 3 b).
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Figura 3: Museu acessível: (a) Oficina realizada com os monitores do MCPAC; (b) visita de alunos com deficiência ao espaço físico do MCPAC. Fonte: O próprio autor.
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Assim comungamos com Tojal: 'Nenhuma estratégia de mediação entre o objeto cultural e o público com deficiência será eficaz se não vier acompanhada de um conceito de acessibilidade comunicacional e atitudinal previamente desenvolvido e incluído como política institucional e interdisciplinar em todas as instâncias museológicas e culturais dessas instituições' (TOJAL, 2015, p. 190).
Desta forma, observa-se que as atividades desenvolvidas no MCPAC vem contribuindo para o ensino e a divulgação científica na região do Sertão Central Pernambucano e, ao mesmo tempo, proporcionando um alcance maior do museu a partir de ações que são inovadoras, dinâmicas, inclusivas e lúdicas. Com isso o MCPAC vem se consolidando como centro de inovação, ensino e divulgação científica no Sertão Central Pernambucano, promovendo assim, o desenvolvimento regional sustentável e inclusivo, com foco na ciência e na tecnologia, estimulando o interesse dos jovens e da comunidade em geral pela ciência.
## Referências
SILVEIRA, T. M.; e MILTÃO, M. S. R. Educação não-formal e mapas conceituais: estudo de fenômenos da natureza em alguns pontos turísticos de Salvador-ba Caderno de Física da UEFS 11, (01 E 02): 23-42, 2013.
CHAVES, Taniamara V; MEZOMMO, Josiane; TERRAZAN, Adolfo. Texto de divulgação científica como recurso didático para o ensino-aprendizagem de física clássica: exemplos em termodinâmica e eletromagnetismo. In: Atas do III Encontro Nacional de Pesquisa de Educação em Ciências. Atibaia, SP: ABRAPEC, 2001.
GERMANO, M. G. Uma nova ciência para um novo senso comum. EdUEPB, 2011. ROSALEM, Kauê Cabrera; SILVA, Marylaine Rebeca D. da; PEÑA, Angel Fidel Vilche Museu Vivo: A Ciência Itinerante Na Região De Presidente Prudente. São Paulo 2003. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
TOJAL, Amanda Pinto da Fonseca. Política de acessibilidade comunicacional em museus: para quê e para quem? MUSEOLOGIA & INTERDISCIPLINARIDADE Vol.1V, nº 7, Out. / Nov. de 2015 Disponível em:
https://periodicos.unb.br/index.php/museologia/article/view/16779/15061 visitado 15 de julho de 2023.
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