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ESTUDO DO POTENCIAL DE UMA ATIVIDADE INVESTIGATIVA PARA A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS A PARTIR DA ANÁLISE DE SEUS RELATOS ESCRITOS

Marta Maximo Pereira, Vitorvani Soares, Viviane Abreu De Andrade

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
07/06/2011
Linha de pesquisa
Ensino / Aprendizagem / Avaliação Em Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ESTUDO DO POTENCIAL DE UMA ATIVIDADE INVESTIGATIVA PARA A APRENDIZAGEM DOS ALUNOS A PARTIR DA ANÁLISE DE SEUS RELATOS ESCRITOS

## STUDY OF THE POTENTIAL OF AN INQUIRY-BASED ACTIVITY FOR STUDENTS' LEARNING FROM THE ANALYSIS OF THEIR WRITTEN REPORTS

## Marta Maximo Pereira 1 , Vitorvani Soares , Viviane Abreu de Andrade 2 3

1 CEFET/RJ - UnED Nova Iguaçu e Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências da USP, martamaximo@yahoo.com

2 Instituto de Física da UFRJ, vsoares@if.ufrj.br

3 CEFET/RJ - UnED Nova Iguaçu e Programa de Pós-Graduação em Ensino em Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz, Fiocruz/RJ, kange@uol.com.br

## 1) Justificativa e Objetivos

Grings, Caballero e Moreira (2007) e Yeo e Zadnik (2001) identificam que o conceito que os alunos associam à grandeza física temperatura está ainda muito distante do conhecimento científico atual. Pesquisas apontam que os alunos aprendem mais sobre ciência e desenvolvem melhor seu conhecimento conceitual quando participam de investigações científicas, semelhantes às realizadas em laboratórios de pesquisa (HUDSON, 1992, apud AZEVEDO, 2004).

Este estudo busca avaliar se existem evidências de que a construção do conceito de temperatura e o desenvolvimento de competências científicas de fato ocorreram nos estudantes que participaram de uma atividade investigativa sobre esse tema. Para tanto, analisaremos o relato escrito por eles após essa atividade.

## 2) Marco Teórico

Para Locatelli e Carvalho (2007), o ensino por investigação é uma estratégia que gera bons resultados quanto à aprendizagem de conceitos, estabelecimento de relações de causa e efeito, realização de trabalho colaborativo e desenvolvimento do poder de argumentação dos alunos. Sabemos também da literatura (Rivard e Straw, 2000) que o discurso oral é, em geral, bastante divergente, flexível e demanda pequeno esforço por parte do estudante. Já o discurso escrito é bem mais convergente, elaborado e requer maior reflexão de quem escreve.

Por tudo isso, usaremos o material escrito produzido por grupos de alunos para avaliar o potencial da atividade investigativa aplicada e também como eles sistematizam as discussões promovidas em sala de aula, articulam-nas com a realização de um experimento e, acreditamos, constroem o conceito de temperatura.

## 3) Metodologia e Análise de Pesquisa

Aplicamos a atividade (proposta em Maximo Pereira, 2010) em uma turma de 1º ano do Ensino Médio em 2 tempos de aula de 50 min. Uma semana após a sua realização, cada grupo de alunos entregou um relato escrito, mencionando nele

desde a proposta da atividade até a conclusão obtida, com a mediação do professor, na discussão entre os grupos.

Analisando o texto de um dos grupos (Figura 1), verificamos que os alunos relatam o que ocorreu na atividade e o conhecimento que construíram a partir dela do seguinte modo: no 1º parágrafo, apresentam o problema e as hipóteses elaboradas para tentar resolvê-lo; no 2º, citam a discussão ocorrida em sala e suas inferências; no 3º, relatam o procedimento experimental e os dados obtidos; no 4º, escrevem a conclusão a que chegaram pelo experimento e a solução ao problema.

Figura 1. Relato da atividade investigativa elaborado por um dos grupos de alunos.

No 2º parágrafo, observamos que o grupo consegue extrair da discussão anterior ao experimento procedimentos e conceitos importantes, que em geral seriam construídos posteriormente. O necessário tempo de contato do termômetro com o corpo da pessoa para verificar se está com febre e a causa de isso ocorrer (a necessidade de se atingir o equilíbrio térmico para a realização da medida de temperatura), são sínteses dos alunos nesta etapa.

Os alunos parecem expressar que o debate realmente foi importante para a compreensão do tema, não só para eles, mas para toda a turma, pois escrevem que 'através dele, podemos todos [grifo nosso] observar que...'. Assim, podemos inferir dessa 'generalização' da construção coletiva do conhecimento que os alunos têm uma percepção positiva do debate e que seu status é de relevância para eles.

A ideia de realizar uma experiência não só para executar uma série ordenada de procedimentos pré-estabelecidos pelo professor ou para chegar a um determinado resultado, mas sim para verificar hipóteses levantadas inicialmente, aparece no texto, no início do 3º parágrafo ('...todos foram para o laboratório de Física com a ideia de realizar a experiência e descobrir quais das hipóteses seriam

verdadeiras ou falsas'). Para Paula e Borges (2007), '... a concepção de experimentos para testar explicações e hipóteses é uma tarefa bastante sofisticada.'

Ainda no 3º parágrafo, ao descrever a experiência, o grupo comenta: 'havia três vasilhas com água com temperaturas diferentes'. Contudo, tal informação não foi dada aos alunos inicialmente; eles só puderam concluir isso após o experimento.

Ao final, o grupo escreve sua solução ao problema e, concordando com o conhecimento científico atual (ver MÁXIMO e ALVARENGA, 1997), conclui: '... não é confiável usar a mão como instrumento de medição, pois a sensação térmica (uso do tato) pode nos enganar. Portanto, é necessário usar um termômetro...'.

## 4) Conclusões

Os alunos estruturam suas ideias de forma clara e articulada, argumentando em favor da conclusão a que chegaram. Além disso, identificamos no texto alguns caminhos que parecem tê-los levado, via atividade investigativa, à construção de conhecimentos e ao desenvolvimento de habilidades, tais como: levantar hipóteses; trabalhar em grupo; argumentar cientificamente; usar corretamente a linguagem das ciências; reconhecer e participar das etapas de uma investigação científica.

Pensamos que a escrita deve ser mais solicitada dos alunos, pois lhes possibilita maior reflexão e sistematização dos conhecimentos e auxilia suas reconstruções internas. Como ela propicia a mobilização de tantas habilidades para se consolidar, sua análise pode ser uma ferramenta de pesquisa das evidências do potencial do ensino por investigação e de como o conhecimento é construído.

## 5) Referências

AZEVEDO, M. C. P. S. Ensino por investigação: problematizando as atividades em sala de aula. In: CARVALHO, A. M. P. (org). Ensino de Ciências. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, p. 19-33, 2004.

GRINGS, E. T. O.; CABALLERO, C.; MOREIRA, M. A. Significados dos conceitos da termodinâmica e possíveis indicadores de invariantes operatórios apresentados por estudantes de Ensino Médio. Revista Liberato , v. 8, p. 7-12, 2007.

LOCATELLI, R. J.; CARVALHO, A. M. P. Uma análise do raciocínio utilizado pelos alunos ao resolverem os problemas propostos nas atividades de conhecimento físico. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 7, n. 3, 2007.

MÁXIMO, A.; ALVARENGA, B. Física - Volume Único. São Paulo: Scipione, 1997.

MAXIMO PEREIRA, M. 'Ufa!! Que calor é esse?! Rio 40 ºC'- Uma proposta para o ensino dos conceitos de calor e temperatura no Ensino Médio . Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Física) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.

PAULA, H. F.; BORGES, A. T. Avaliação e teste de explicações na educação em ciências. Ciência & Educação , v. 13, n. 2, p.175-192, 2007.

RIVARD, L. P.; STRAW, S. B. The effect of talk and writing on learning science. An exploratory study. Science Education , v. 84, n. 5, p. 566-593, 2000.

YEO, S.; ZADNIK, M. Introductory Thermal Concept Evaluation: assessing student's understanding. The Physics Teacher . v. 39, p. 496-504, 2001.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.