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O POTENCIAL DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NO APERFEIÇOAMENTO DO ENSINO DE CONTEÚDOS DE FÍSICA

Sophia Maria Santos De Lima, Pedro Áquila De Oliveira Silva, Yrla Clécia De Queirós Araújo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## POTENCIAL DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NO APERFEIÇOAMENTO DO ENSINO DE CONTEÚDOS DE FÍSICA

Sophia Maria Santos de Lima 1 , Pedro Áquila de Oliveira Silva 2 , Yrla Clécia de Queirós Araújo 3

- 1 Universidade Federal de Pernambuco / sophia.mslima@ufpe.br
- 2 Universidade Federal de Pernambuco / pedro.aquila@ufpe.br
- 3 Universidade Federal de Pernambuco / yrla.queiros@ufpe.br

Palavras-chave: metodologia de ensino; física; divulgação científica.

## Resumo expandido

Mesmo o estudo da Física sendo de extrema importância, o conteúdo dessa disciplina é abordado no Ensino Médio de maneira extremamente complexa e desmotivadora para grande parte dos estudantes; tudo isso sendo gerado, usualmente, por negligenciamento do tradicional sistema escolar, além da falta de preparo dos professores. Assim, é evidente o potencial da divulgação científica para que tenhamos uma juventude empolgada com assuntos da física.

Nessa perspectiva, Sagan (2006) conclui que '(...) o ensino da ciência (e de outras disciplinas) é muitas vezes ministrado de forma incompetente ou pouco inspirada, pois, espantosamente, seus profissionais têm pouca ou nenhuma formação nas próprias disciplinas(...)'. Dessa maneira, a falta de letramento científico adequado e de uma melhor preparação pedagógica faz com que muitos professores passem a seus alunos uma visão demasiadamente simplificada da física, atrapalhando seus processos de aprendizagem. Um estudo feito por Nascimento (2020) comprova o ponto de Sagan ao mostrar que dos 44 mil docentes que lecionam física em escolas públicas estaduais do Brasil, apenas 9 mil são formados. Assim, não apresentam o preparo para aplicar melhores metodologias para ensinar os assuntos que ministram, nem um entendimento amplo da física para repassar as partes mais surpreendentes e cativantes da área a seus alunos.

Além desse fator, a dinâmica do ensino da física também é prejudicada pelo modo com o qual ela tende a ser trabalhada tradicionalmente nas escolas, pois é focada no resultado, repassando fórmulas e conclusões às quais os estudantes não compreendem a origem, muito menos o processo cognitivo utilizado para encontrar tais conceitos. Nessa perspectiva, Pasmore (1978 apud Sagan, 2006, p. 379-380) conclui que o contato do estudante com a ciência na escola, pode atrair para a área pessoas que não percebem o verdadeiro potencial da Física, pois tiveram contato no período escolar com um ensino monótono, que não demonstra as maravilhas presentes nas descobertas científicas. Isto é, a forma com que a ciência costuma ser ensinada na sala de aula é pouco inspirada e não resulta na admiração dos alunos.

Ainda nesse sentido Bessa e Souza (2019) comentam que na estrutura do ensino tradicional o movimento do pensamento parte de explicações específicas para então chegarem a conceitos mais gerais. Dessa maneira, os estudantes partem

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

do contato com uma forma superficial do objeto estudado; geralmente no ensino da física partem de fórmulas tiradas de teorias que não foram esclarecidas anteriormente aos alunos, fazendo com que os estudantes não tenham contato com uma visão abrangente do conceito trabalhado. Portanto, essa estrutura pode tirar dos estudantes a admiração que as descobertas científicas poderiam despertar.

Desse modo, é necessário que sejam aplicados métodos para reverter esse padrão. Iremos considerar neste trabalho a importância da divulgação científica (DC) para uma compreensão mais ampla e mais próxima da visão científica, que convém ser abordada no ensino da física. Como metodologia utilizada nos valemos da observação direta intensiva, através da entrevista, e também da observação direta extensiva, através de questionário (MARCONI; LAKATOS, 2003).

Para analisar a importância da DC entre as pessoas que estudam física, fizemos duas pesquisas, uma delas feita com 30 estudantes do curso de licenciatura em física na UFPE, campus CAA, durante o período 2023.1, por meio de um questionário com cinco questões fechadas, das quais uma será objeto de análise neste trabalho. Esse levantamento de dados foi feito com o intuito de entendermos a influência da DC nos interesses dos futuros professores. Já na outra pesquisa foram consultados 74 alunos do 3° ano do Ensino Médio (EM) da Rede Pública de Jataúba-PE no dia 26 de junho de 2023, por meio de um questionário com uma questão aberta e cinco fechadas, das quais serão analisadas uma aberta e uma fechada. Tal pesquisa foi realizada para que conseguíssemos visualizar a relação dos estudantes com a física durante o período escolar.

Em concordância com nossa hipótese supracitada da falha do ensino tradicional, nossa pesquisa feita com estudantes do 3º ano do EM constatou, por meio da pergunta 'o quão difícil você qualifica a física estudada e por quê?', que grande parte dos estudantes consideram a disciplina difícil. Isso foi justificado por eles pela grande presença da Matemática nas aulas, a qual costuma não ser devidamente contextualizada, como pode ser analisado por um dos entrevistados que descreveu que o estudo da matéria é "Difícil, cansativo e não parece a física que eu esperava, está mais para matemática". Observa-se por meio dessas respostas que, frequentemente, a física é reduzida em sala de aula a fórmulas que não são contextualizadas como deveriam; grande parte dos assuntos sendo ensinados sem uma reflexão básica sobre sua origem ou uma visão geral da área analisada, e que por ser algo apresentado como difícil e repetitivo. Em consequência disso, os alunos podem acabar não se interessando pela pelo conjunto de assuntos abordados pela física.

Além disso, também pode ser analisada a falta de uma metodologia mais abrangente a partir de outra pergunta direcionada aos estudantes do 3º ano do EM, sendo essa fechada, tendo como possibilidade de respostas 'nunca', 'raramente', 'razoável' e 'sempre'. Visto isso, os estudantes foram questionados sobre a frequência de aulas práticas, na qual 81% dos alunos informaram que não tinham aulas nesse modelo, e que sempre tiveram curiosidade em fazer experimentos no laboratório da instituição. Tal resultado reflete a falta de uma representatividade prática nas aulas de física, que tendem a ficar limitadas a representações teóricas apresentadas em sala, o que pode afastar alguns estudantes da área por estes não terem visto os efeitos no dia a dia dos assuntos que estudam.

Na pesquisa feita com licenciandos em física foi feita a pergunta 'Materiais de divulgação científica ajudaram você no estudo da área durante o Ensino Médio?',

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a qual 53,4% dos estudantes responderam que sim e 16,7% deles afirmando que foi a principal contribuição para aprendizagem e interesse na área. Tamanho número de afirmativas a respeito da contribuição da DC no processo de aprendizagem da física contribui com o nosso ponto de vista de que a DC tem grande possibilidade de complementar o estudo de matérias científicas no âmbito escolar.

Por esse ângulo, Bessa e Souza (2019) comentam acerca da Teoria do Ensino Desenvolvimental de Davydov aplicado para o conhecimento científico, afirmando que um método mais funcional que o tradicional seria seu oposto: desenvolver o conhecimento do conteúdo estudado com os estudantes de modo que partam do conhecimento abstrato (geral) para o concreto (específico). Em outras palavras, esse método não diminui o objeto de estudo a proposições fixas, fazendo com que o estudante desenvolva seu pensamento a partir de uma visão geral e que com ela chegue até as situações específicas a serem estudadas.

Em concordância com a visão de Bessa e Souza (2019), Sagan (2006) enxerga a possibilidade da DC ser apresentada como esse primeiro contato geral com o conteúdo estudado, apresentando o objeto de estudo de forma abrangente. Desse modo, ao aplicar esse método o estudante pode ser instigado a descobrir os conceitos específicos que precisam ser trabalhados em sala, como por exemplo, podem deduzir as fórmulas utilizadas em determinado conteúdo. Segundo Sagan (2006), 'quando alguém faz uma descoberta por si mesmo - mesmo que seja a última pessoa na Terra a ver a luz -, jamais a esquecerá'. Assim, Sagan demonstra a influência positiva desse contato inicial com o objeto estudado, o que pode ser facilitado por meio da DC, que tem potencial de instigar o indivíduo a se engajar no processo de aprendizagem e chegar a conclusões necessárias desses conteúdos científicos. Essa atitude auxilia não só a obter o conhecimento necessário para cursar a disciplina de física, seja no EM ou durante a licenciatura, como também a se interessar pelo aprofundamento do estudo.

Portanto, a partir do tema proposto no trabalho, podemos concluir que urge a mudança dos métodos de ensino mais trabalhados pelos professores no ensino de física, já que o método tradicional apresenta a disciplina de maneira mais complexa e afasta os estudantes desta disciplina. Ressaltamos a potencialidade do uso da DC combinada com a Teoria do Ensino Desenvolvimental de Davydov, trabalhada por Bessa e Souza (2019), para trazer ao ensino da física estudantes que contemplem a beleza da ciência a partir da compreensão dela.

## Referências

BESSA, M. L.; SOUZA, S. A. Ensino desenvolvimental: A teoria Davydoviana para o ensino-aprendizagem dos conceitos científicos. In: Educação no Século XXI - Volume 42 Percepções. Belo Horizonte: Editora Poisson, 2019. p. 44-49.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos da Metodologia Científica . São Paulo, Editora Atlas, 2003.

NASCIMENTO, M. M. O professor de Física na escola pública estadual brasileira: desigualdades reveladas pelo Censo escolar de 2018. Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 42, 2020.

SAGAN, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo, Companhia das letras, 2006.

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