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ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NOS NOVOS CURRÍCULOS DOS ESTADOS DO NORDESTE

Aline Silva, João Ramos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Currículo e ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ANÁLISE DOS CONTEÚDOS DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NOS NOVOS CURRÍCULOS DOS ESTADOS DO NORDESTE.

## Aline Maria da Silva¹ , João Eduardo Fernandes Ramos²

- ¹ Centro Acadêmico do Agreste - UFPE, aline.msilva9@ufpe.br
- ² Centro Acadêmico do Agreste - UFPE, joao.framos@ufpe.br

Palavras-chave : Currículo de Ensino; Física Moderna e Contemporânea; Nordeste.

## Resumo expandido

A abordagem dos conteúdos para ensino de Física em sala de aula costuma ser um desafio para os docentes, em geral porque os cronogramas escolares determinam um tempo de hora aula destinado não suficiente, ou porque o professor precisa dar conta da ementa, ou porquê a instituição de ensino não disponibiliza de recursos materiais que o auxiliem no processo de aprendizagem. No que se refere ao ensino de Física Moderna Contemporânea (FMC), se torna ainda mais delimitado o campo de abordagem sobre, principalmente visto ser um assunto que costuma estar localizado nos currículos de ensino médio (EM) de maneira não aprofundada ou completa. Logo, a depender de alguns quesitos como tempo, por exemplo, o aluno está sujeito a sequer conhecer. E qual a importância da inserção da FMC nos currículos da escola média?

No que se trata da elaboração de um currículo de ensino, houve toda uma trajetória histórica que justifica sua conjuntura, envolvendo aspectos sociais, econômicos e políticos. Assim também existem os motivos para que seja nele incluído conteúdos de ensino de FMC. Nos dias atuais, a educação de base do Brasil é regida por leis, constituições e instituições que se responsabilizam de assegurar o acesso ao conhecimento e desenvolvimento de todos, através de um conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais distribuídas em etapas e modalidades.

Segundo o próprio documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2018), responsável por nortear a elaboração dos currículos, a objetivação da nova proposta é melhorar a qualidade de ensino, ampliando as áreas de conhecimento e promovendo a adaptação às complexidades dos novos tempos, tanto no âmbito social quanto profissional. O intuito é induzir um maior protagonismo juvenil e atender às expectativas dos adolescentes, trazendo a experiência de aprendizagem para mais próxima da sua realidade. Uma consequência desse novo modelo, é que as disciplinas fundamentais (ciências sociais, humanas e exatas), agora dividem o espaço na sala de aula com disciplinas 'eletivas'. Logo, isso implica numa redução de conteúdos abordados de maneira geral. Cada federação possui autonomia para orientar quais conteúdos permanecem e quais saem dos currículos.

No tocante a importância do ensino de FMC, em uma sala de aula, é primordial que o aluno conheça como, quando, onde e através de quem surgiu o primeiro pensamento ou observação sobre fenômenos naturais, os conhecimentos

mais antigos. A base do raciocínio físico se cria nos primeiros contatos com a FC. Contudo, se apenas esses conteúdos são passados para os alunos, eles serão levados a pensar que não se produz conhecimento moderno, ou, que o que se produz não tem relevância suficiente para ser conhecido, distanciando os mesmos das atualizações do campo científico.

Para Jardim, Guerra e Chrispino (2011, apud Paulo Neto et al, 2019), a física ensinada pouco além da FC não estimula muito o estudante que se vê diante de conteúdos que não se dispõem a modificações e discussões, logo, o que seria demais interesse e curioso para o alunado, estará na internet, em vídeos de curiosidades, posts curtos, na TV, mas, distante da sala de aula, o que é uma incoerência escolar. Ou seja, determinados assuntos de FMC que instigaríam interessantes debates em sala e trariam mais sentido ao aprendizado, possivelmente só serão vistos de forma superficial e às vezes até errônea, sem aprendizagem significativa de conceitos, experimentos e postulados.

A luz desse embasamento teórico, utilizamos neste trabalho um projeto de pesquisa inicial, baseado num trabalho de conclusão de curso onde foi feita uma análise pontual: a presença/ausência dos conteúdos de FMC nos novos currículos de EM da região Nordeste. Esta pesquisa caracteriza-se como uma análise documental de caráter qualitativo que tem por interesse analisar a ocorrência da FMC nos currículos de ensinos de alguns estados do Nordeste. Portanto, realizou-se um levantamento de dados dos currículos analisados através de documentação eletrônica, observando se há conteúdos correspondentes. Se sim, quais, e a que série eles estão direcionados. O objetivo foi ao fazer essa coleta, analisar de forma crítica e interpretar os dados, observando que hipóteses podem ser comprovadas, rejeitadas, ou reveladas, e o que eles nos falam sobre o ensino de FMC no Nordeste e a preparação de seus currículos.

Tabela 01: Conteúdos de FMC dos currículos de ensino médio dos respectivos estados nordestinos

Fonte: Dados da pesquisa

Podemos notar que das cinco grades curriculares analisadas, duas delas não apresentam nenhum objeto de conhecimento de FMC. E dos três estados que apresentam conteúdos, apenas um traz uma maior abrangência de assuntos. No que diz respeito aos tópicos observados, não há uma diversificação, pois giram mais em torno de 'universo, cosmologia, radioatividade'. O que isso pode significar? Tendo em vista as reflexões já abordadas neste trabalho sobre o que é levado em consideração na construção de uma grade curricular, os parâmetros de ensino, a forma como se dá a gradação do processo de aprendizagem científica em sala de aula, e a importância histórica do ensino de FMC, podemos dizer que esses tópicos possivelmente foram considerados mais importantes para o conhecimento do aluno, e devem oferecer maior suporte na construção do raciocínio evolutivo da física.

Saberes sobre o universo, sua origem, composição e fenômenos, costumam permear a curiosidade e imaginação juvenil quando o assunto é ciências. Descobertas e questionamentos sobre o infinito escuro lá fora ainda em exploração estão sempre a percorrer meios de comunicação e mídia, o que desperta o imaginário. E radiação ou radioatividade se coloca como algo que, além de ser 'perigoso' e comum no dia a dia, é muito presente e próximo da realidade do aluno por ser responsável por tantos fenômenos da natureza, de forma natural ou manipulada. Essas são certamente justificativas para a maior frequência desses conteúdos nos referenciais.

Considerando que o ensino de FMC traz o estudante pra perto da evolução científica em tempo real, o fato de esse ensino está proposto em apenas dois dos cinco novos currículos analisados, mostra que essa é uma deficiência que se instala no novo EM.

Agora, com a reformulação dos currículos, o ensino de física bem como os ensinos das outras áreas já bem definidas, dividirá espaço com disciplinas de conhecimentos alternativos. Ou seja, com o conteúdo de FMC - quando presente, se localizando com pouca explanação no final da grade proposta, corre o risco de nem ser visto ou ser visto de forma superficial. Portanto, aquilo que já não é tão próximo da realidade do estudante nordestino, onde muitas vezes nem a física básica é bem compreendida pela distância que ainda existe entre aluno e campo científicoinvestigativo, se mostra sem nenhum progresso ou chance de maior contato, com base nos novos referenciais propostos. Pois eles não se encontram atualizados no que diz respeito a FMC, e nem todos minimamente trazem algum conteúdo sequer sobre. Então, se o estudante não se encaminhar em um ensino superior no curso de física, o que ele terá aprendido e o quanto ele estará a par do atual desenvolvimento científico moderno, estará limitado ao que ele conheceu em sala.

## Referências

OLIVEIRA, F. F. DE .; VIANNA, D. M.; GERBASSI, R. S.. Física moderna no ensino médio: o que dizem os professores. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 29, n. 3, p. 447-454, 2007.

Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio: Chamada de Artigos. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 24, n. 4, p. 375-376, 2002.

PERNAMBUCO, Currículo de Pernambuco, 2020.

PARAÍBA, Proposta Curricular do Ensino Médio, 2021.

RIO GRANDE DO NORTE, Referencial curricular do ensino médio potiguar, 2021 MARANHÃO, Documento Curricular do Território Maranhense, 2022.

SERGIPE, Referencial Curricular, 2021.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

PAULO NETO, J. G.; OLIVEIRA, A. N.; SIQUEIRA, M. C. A.. Ensino de Física moderna e contemporânea no Ensino Médio: o que pensam os envolvidos?. ScientiaTec: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia do IFRS, Rio Grande do Sul, v.6, n.1, p: 65 - 89, jun. 2019.

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