MATERIALIZANDO O CONHECIMENTO: O PODER MOTIVADOR DAS FEIRAS E MOSTRAS DE CIÊNCIAS - UMA RETROSPECTIVA NA UFJF
Paulo Cezar De Sant Anna Neto, Bruno Ferreira Rizzuti
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Divulgação científica e práticas educativas em espaços educativos formais, informais e não formais e o ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## MATERIALIZANDO O CONHECIMENTO: O PODER MOTIVADOR DAS FEIRAS E MOSTRAS DE CIÊNCIAS - UMA RETROSPECTIVA NA UFJF
## Bruno Ferreira Rizzuti 1 , Paulo Cezar de Sant'Anna Neto 2
- 1
Universidade Federal de Juiz de Fora/Departamento de Física, brunorizzuti@ice.ufjf.br Universidade Federal de Juiz de Fora/Departamento de Física, pauloczrsant@gmail.com
- 2
Palavras-chave : Feira de ciências; Mostra de ciências; Motivação.
## Resumo expandido
A educação científica desempenha um papel fundamental na formação dos estudantes, os quais estão imersos em um mundo de tecnologias e inovações que só podem ser compreendidas por meio do letramento científico. Pesquisas realizadas pelo Centro de Gestão em Estudos Estratégicos (CGEE) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2015 demonstraram um significativo interesse da população brasileira na área científica, com um índice de 61%, superando até mesmo os índices de interesse em áreas como esportes (56%), arte e cultura (57%), e política (28%) (CGEE, 2014).
No entanto, nem sempre esse interesse é refletido nas instituições de ensino, especialmente na área das ciências (LIMA et al , 2021). Segundo Machado (2017), por muito tempo o ensino de ciências se limitou à mera reprodução do conhecimento, com os professores transmitindo informações científicas de forma expositiva. Isso evidencia o uso de metodologias e materiais ultrapassados e ineficazes na educação básica, que não permitem aos alunos perceber a magnitude e importância dessas disciplinas em suas vidas.
Um dos possíveis fatores que contribuem para essa situação é a instrumentalização do ensino, focado exclusivamente no vestibular, no qual o objetivo é a memorização e reprodução de exercícios, buscando um resultado específico nas provas e vestibulares, e não um aprendizado significativo. Dessa forma, o ensino se limita à explicação do conteúdo programático, resultando no descontentamento e desinteresse dos alunos, especialmente daqueles que não alcançam bons resultados nessas avaliações.
Segundo Zenorini, Santos e Monteiro (2011), é inegável que os problemas motivacionais podem interferir na aprendizagem dos estudantes. Nesse contexto, surgem as Feiras e Mostras de Ciências, que desempenham um papel crucial na promoção da motivação dos alunos, materializando os conhecimentos vistos em sala de aula na realidade. Elas oferecem a oportunidade para que os estudantes se
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
envolvam ativamente no processo científico, estimulando sua curiosidade e análise crítica, sendo avaliados com base em fatores qualitativos e quantitativos relacionados à sua participação.
Assim, nota-se a grande importância que tais eventos possuem na formação dos estudantes. Conforme Santos et al (2011, p.72):
percebe-se que os alunos são capazes de se motivar em função de temas que lhes despertem interesse e que sejam mais próximos de suas realidades, fortalecendo, assim, a importância do ensino dentro de um contexto conhecido pelo aluno e contribuindo para uma aprendizagem mais significativa.
Segundo Alves e Santos (2021), no Brasil, as feiras de ciências como eventos escolares tiveram início na década de 1960 e vêm ganhando seu espaço na prática de ensino desde então. Dessa forma, a realização desses eventos constitui uma prática pedagógica eficiente para despertar a curiosidade e o interesse dos alunos, bem como incentivar a pesquisa e causar um impacto significativo em sua motivação. Ao permitir que os alunos desenvolvam projetos científicos de forma prática e interativa, esses eventos estimulam o pensamento crítico, a resolução de problemas e o trabalho em equipe. Os alunos são incentivados a formular hipóteses, conduzir experimentos e analisar dados, desenvolvendo habilidades essenciais para a aprendizagem científica.
Em vista dessa prerrogativa, o Departamento de Física da Universidade Federal de Juiz de Fora já sediou mais de 30 edições das feiras científicas, que contam anualmente com centenas de alunos e dezenas de projetos. Na edição de 2019, contou-se com a participação de cerca de 400 alunos e 140 projetos, com escolas de diversas cidades, como Barbacena, Ipatinga, Teresópolis, São João Nepomuceno, e diversas outras (figura 1).
Figura 1 : Edição XXX da Feira em 2019 . Fonte: https://www.ufjf.br/feiradeciencias
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Mesmo com o advento da pandemia do Covid-19, em vistas de não suspender o contínuo caminho das feiras realizadas, o departamento manteve o prosseguimento nos anos de 2020 e 2021 de maneira remota, feita por plataformas
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como meet e youtube, e mesmo assim contando com um número substancial de alunos (por volta de 140 estudantes e 40 projetos). Com o retorno ao presencial em 2022, a feira sediou cerca de 160 estudantes e 40 projetos, de inúmeras escolas (figura 2).
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Em vistas de analisar de maneira mais profunda e criteriosa o efeito da Feira de Ciências na vida dos estudantes, objetivamos analisar metodicamente as mais de trinta edições já realizadas, contando com depoimentos de professores e alunos participantes de diversos anos, para que seja possível rastrear os efeitos positivos que tais tiveram na formação dos discentes, para, dessa forma, ressaltar ainda mais intensamente a importância desses eventos na formação integral dos estudantes.
## Referências
Pesquisa destaca interesse do brasileiro por ciência e tecnologia. CGEE, 14 de jul. de 2015. Disponível em:
<https://www.cgee.org.br/web/percepcao/clippings/-/asset\_publisher/Ps23U4tEZ0rm/ content/pesquisa-destaca-interesse-do-brasileiro-por-ciencia-e-tecnologia> . Acesso em: 04 out. 2023.
LIMA, L. P. et al . Fatores motivacionais e o desinteresse pelas aulas de ciências sob o ponto de vista dos alunos dos anos finais do ensino fundamental em uma escola no município de Beberibe, Ceará. Conexão ComCiência , v.1, n.3, p. 1-13, 2021.
MACHADO, M. A. S. A percepção dos alunos sobre o ensino de ciências naturais. UNB, Planaltina, 2017.
ZENORINI, R. P. C.; SANTOS, A. A. A.; MONTEIRO, R. M.. Motivação para aprender: relação com o desempenho de estudantes. Paideia , v. 21 , n. 49, p.157-164, 2011.
SANTOS, A. C. et al . A importância do ensino de ciências na percepção de alunos de escolas da rede pública municipal de Criciúma - SC. Revista Univap ,v. 17, n.30, p. 68-80, 2011.
ALVES, T. R.S SANTOS, A. E. A importância das feiras de ciências na educação e alfabetização científica: um relato de experiência com alunos da Educação Básica.
Revista Educação Pública ,v. 21, n.9, 2021.
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