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CRIAÇÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA A DISTÂNCIA NA UFG: CONCEPÇÕES DE GESTORES, PROFESSORES E ALUNOS

Abdalla Antonios Kayed Elias, Cleide Aparecida Carvalho Rodrigues, Wagner Wilson Furtado

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## CRIAÇÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA A DISTÂNCIA NA UFG: CONCEPÇÕES DE GESTORES, PROFESSORES E ALUNOS

## THE CREATION OF COURSE OF LICENTIATESHIP IN THE PHYSICAL DISTANCE IN UFG: CONCEPTIONS OF ADMINISTRATORS, TEACHERS AND STUDENTS

## Abdalla Antonios Kayed Elias 1,4 , Cleide Aparecida Carvalho Rodrigues , 2 Wagner Wilson Furtado 3,4

1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano/Campus Morrinhos, kayed@bol.com.br

4

2 Universidade Federal de Goiás/Faculdade de Educação, cleideacr@gmail.com 3 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, wagner@if.ufg.br Universidade Federal de Goiás/Programa de Mestrado em Educação em Ciências e Matemática.

## Introdução

No Brasil, segundo a Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância - AbraEAD/2008 (SANCHES, 2008, p.14), no período compreendido entre 2004 a 2007, houve um crescimento de 54,8% de instituições autorizadas pelo Sistema de Ensino (MEC e CEEs) que praticam a Educação a Distância (EAD) e um aumento de 213,8% no número de alunos que participaram de projetos credenciados. Destaca, ainda, que o número de cursos de graduação em EAD no país cresceu 571% entre 2003 e 2006, e o número de matrículas 315% no mesmo período. Esse crescimento, segundo Dias e Leite (2010, p.7), reflete, certamente, que a busca por condições mais flexíveis de acesso à educação é necessidade de um contingente muito grande da população brasileira.

- A Educação a Distância na Universidade Federal de Goiás (UFG) teve o início, oficialmente, com a UniRede, que foi um consórcio interuniversitário criado em dezembro de 1999 com o nome de Universidade Virtual Pública do Brasil. Seu intuito foi dar início a luta por uma política de Estado, visando a democratização do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.
- O projeto Universidade Aberta do Brasil - UAB, criado em 2005 pelo Ministério da Educação e oficializado pelo decreto n 5.800, de 8 de junho de 2006 o (BRASIL, 2006), no âmbito do Fórum das Estatais para a articulação e integração de um sistema nacional de educação superior a distância, de caráter experimental, visava sistematizar as ações, programas, projetos, atividades que envolvem as políticas públicas voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior gratuito e de qualidade no Brasil.

Em 2007, foi ofertado na UFG o curso de licenciatura em Física pela UAB, inicialmente somente no polo de apoio presencial em Goianésia, Goiás. Paralelo a esse curso, foi também ofertado o curso de licenciatura em Física pelo Consórcio Setentrional, formado pela UFG, PUC-Goiás e Universidade Estadual de Goiás em 11 polos. Esse curso visava atender a professores que já possuíam outra licenciatura, mas que atuavam no ensino de Física.

Assim, o objetivo principal dessa pesquisa é verificar as condições de implantação do curso de licenciatura em Física da UFG, na modalidade a distância,

no polo da UAB de Goianésia, Goiás, com intuito de analisar a contribuição desta modalidade na formação de professores de Física. Para tal, procuramos apreender a visão dos gestores, professores e alunos sobre o curso de Física a distância, seu papel e seu futuro.

## Metodologia

- O percurso desenvolvido nessa pesquisa foi caracterizado por uma pesquisa de abordagem qualitativa com estudo de caso, que segundo Lüdke e André (1986) caracteriza-se pela possibilidade de retratar a realidade de forma completa e profunda, utilizando variedade de fontes de informação, experiências e enfatiza a interpretação de um contexto, o qual requer o exercício da prática reflexiva e por ser um dos mais relevantes tipos de pesquisa qualitativa. Nessa pesquisa, a metodologia, devidamente aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFG, envolveu as seguintes etapas: estudo bibliográfico, análise documental (relatórios, projetos, atas), aplicação de questionários, entrevistas semiestruturadas e grupo focal, tendo como sujeitos os gestores da UFG, professores e alunos do curso de Física.

## Resultados e Análise

Nesse trabalho, apresentaremos alguns resultados parciais da pesquisa, dentre os quais destacamos:

- 1. Os documentos analisados apontam que a implantação da EAD na UFG, foi amplamente discutida com membros da comunidade universitária local e com gestores de EAD de outras Universidades. Foram criadas comissões para estudos, montados seminários internos com a participação de convidados externos, criados grupos de trabalho e realizadas idas de gestores a outras instituições federais que ofereciam essa modalidade de ensino.
- 2. Em 2005, atendendo a solicitação do MEC, a UFG se compromete a ofertar cursos de graduação a distância, mesmo não tendo infraestrutura tecnológica apropriada, nem equipes capacitadas como mostra o depoimento abaixo.

O que hoje ocorre é que o modelo que prevaleceu é o do MEC, com algumas alterações do presencial para o a distância [...] Então, hoje eu vejo a UFG sendo uma executora de projetos do MEC, sem nenhuma discussão interna desse procedimento, e sem a busca de construir o seu projeto de educação a distância, sua política interna de educação a distância. (Gestor A).

- 3. Mesmo após a implantação dos cursos a distância na UFG, constatamos a visão preconceituosa, quanto a qualidade da EAD, por parte de alguns gestores e professores. Esse preconceito é alimentado, principalmente pela desconfiança de professores que não acreditam nessa modalidade, por acharem que o ensino é fraco e que, facilmente, qualquer pessoa pode cursar sem maiores dificuldades. Há professores que até se dizem adeptos dessa modalidade de ensino, mas na verdade, em seu íntimo, há uma forte resistência e duvidam da qualidade da formação oferecida. Outros acham que devido a sua expansão, essa modalidade veio com intuito de ocupar um lugar já estabelecido pelo ensino presencial, tornando-se uma ameaça para esse. Durante as entrevistas, pôde-se perceber, claramente, a preocupação em relação ao preconceito gerado nesse tipo de ensino:

Há realmente um preconceito, [...] inclusive quando professores vêm atuar [...]. Muitos deles até atuam, não por acreditar no curso, mas porque, no atual momento, há uma remuneração. (Gestor B).

- [...] e quem não conhece, pensa que o curso a distância é mais fácil, é tranquilo. É assim, eu vou lá e faço sem problemas... (Aluno A).
- 4. Na visão de gestores, podemos observar a necessidade de enfrentar as resistências e preconceitos como afirmam:
- [...] acho que um avanço desejável é esse: que a comunidade UFG, especialmente a comunidade das unidades onde há cursos a distância, compreendam o papel e a importância destes cursos [...] (Gestor C).
- [...] Eu não vejo mais a educação sem a educação a distância. A educação a distância está incorporada e vai se incorporar cada vez mais. [...] é um caminho sem retorno e eu acho que é muito saudável. Acho que a gente começa colher frutos dos cursos de educação a distância. (Gestor D).

Esses depoimentos revelam que os gestores da EAD na UFG acreditam nessa modalidade de educação e estão investindo esforços para aperfeiçoar o modelo atual.

## Considerações finais

Essa pesquisa revelou, até o momento, que o modelo adotado para a EAD na UFG segue as orientações do MEC, ou seja, com baixo grau de institucionalização, caracterizado pelo sistema de bolsas. Em consequência de a Universidade não ter construído a sua própria concepção de EAD e não ter preparado anteriormente os seus recursos humanos, persistem concepções preconceituosas, principalmente entre professores. Apesar disso, podemos inferir, a partir das falas dos professores gestores e alunos, que há o reconhecimento da importância dessa modalidade de ensino e da qualidade da formação que vem sendo praticada. Refletir sobre ela e como melhorá-la é um desafio que a cada dia vem sendo superado, tanto pelo trabalho dos gestores e professores, quanto pela contribuição dos alunos. Sendo assim, a EAD na UFG tem um grande potencial na formação de professores, principalmente numa área tão carente como é a da Licenciatura em Física. Esse é apenas um dos desígnios do ensino a distância que precisam ser superados. É preciso transcender, pois talvez um dos maiores desafios seja a própria compreensão que se tem da EAD, de seu papel e de suas perspectivas futuras.

## Referências

BRASIL. Decreto 5.800 de 8 de junho de 2006. Dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil -UAB. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/\_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5800.htm>. Acesso em: 17 nov. 2009.

DIAS, Rosilãna Aparecida, LEITE, Lígia Silva. Educação a distância : da legislação ao pedagógico. Petrópolis, Rio de janeiro: Vozes, 2010.

LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli Elisa Dalmazo Afonso de. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

SANCHEZ, Fábio. Anuário brasileiro estatístico de educação aberta e a distância . 4.ed. São Paulo: Instituto Monitor, 2008.

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