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O perfil das Licenciatura em Física da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica a partir dos dados e indicadores da Plataforma Nilo Peçanha (PNP)

Isabelle Priscila Carneiro De Lima

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
09/11/2023
Linha de pesquisa
Políticas públicas em educação e o ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O perfil das Licenciatura em Física da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica a partir dos dados e indicadores da Plataforma Nilo Peçanha (PNP)

## Isabelle Priscila Carneiro de Lima 1

1 Instituto Federal da Bahia - IFBA / Departamento de Física, isapris@gmail.com

Palavras-chave : Licenciatura em Física, Indicadores Educacionais, Rede Federal de Educação

## Resumo expandido

A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica 1 (RFEPT), criada em 2008 pela Lei nº 11.892, reúne 64 instituições federais do Brasil e se configura na ampliação, interiorização e diversificação da educação profissional e tecnológica no país. A RFEPT 'É constituída pelas seguintes instituições: I -Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia; II - Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR; III - Centros Federais de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro e de Minas Gerais; IV - Escolas Técnicas vinculadas às Universidades Federais; e V - Colégio Pedro II.' (BRASIL, 2008, p. 1)

Ainda segundo a Lei nº 11.892, é objetivo dos Institutos Federais, ministrar em nível de educação superior cursos de licenciatura, para a formação de docentes para a educação básica, nas áreas de ciências e matemática, e educação profissional, num percentual de 20% da sua oferta de cursos. (BRASIL, 2008, p. 4). Atualmente, segundo a Plataforma Nilo Peçanha (PNP) ano base 2022, esse percentual é de 7,46% de oferta em toda a rede para todas as áreas. Dentro desse percentual de oferta de cursos de formação docente, 0,99% é de cursos licenciatura em física espalhados pelo país, 117 cursos em valor absoluto.

Quando falamos sobre os cursos de Licenciatura em Física, um dos assuntos mais predominantes é quanto ao baixo número de estudantes que concluem esses cursos. Tanto nos periódicos da área, quanto nos anais de eventos encontramos trabalhos que se propõem a entender quais as razões para a evasão de estudantes dos cursos de licenciatura em física. No entanto, não é comum a utilização dos da Plataforma Nilo Peçanha 2 para subsidiar essas pesquisas na área.

No Instituto Federal da Bahia, desde 2020, é desenvolvido o projeto IndicaIFBA: Indicadores Educacionais do IFBA, que tem como principal objetivo levantar dados da área de ensino para compreender a comunidade interna da instituição, produzir indicadores educacionais e pensar políticas institucionais que atendam as necessidade dos seu corpo discente. Entre os dados levantados pelo IndicaIFBA estão os dados da PNP. Dentro desse conjunto de dados estão dados referentes às licenciaturas de toda a RFEPT. Os indicadores educacionais têm sido utilizados, nas últimas décadas como importante instrumento de gestão, "[...] pois possibilitam que os responsáveis atuem nas redes de ensino, em programas e projetos, identificando situações que necessitam de mudanças, de incentivos ou aprimoramento' (PARANÁ, 2015, p. 2).

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

Unida a essa iniciativa institucional, a reestruturação do Projeto Pedagógico do curso de Licenciatura em Física do Campus Salvador suscitou uma questão importante que é Quais são os dados e indicadores de estudantes das licenciaturas em toda a rede federal? Como estão organizados os cursos de licenciatura, em termos de distribuição geográfica, dos turnos em que são ofertados, dos indicadores que apresentam o desempenho de estudantes nesses cursos? Para responder essas questões estamos desenvolvendo uma pesquisa que rlaciona os dados da RFEPT e os indicadores educacionais dos cursos de licenciaturas em física. Segundo Jannuzzi (2011, p. 1), o indicador pode ser conceituado como: 'um recurso metodológico, empiricamente referido, que informa algo sobre um aspecto da realidade social ou sobre mudanças que estão se processando na mesma'

Dito isto, esse trabalho apresenta uma parte da primeira etapa dessa pesquisa já mencionada. Sendo assim, o objetivo do trabalho é apresentar, de forma suscinta, o perfil desses estudantes em toda a RFEPT, entendendo sempre as relações interseccionais entre raça, gênero, faixa-etária, renda familiar, regiões do país e turno dos cursos. Para isso, utilizamos os dados da PNP, uma plataforma aberta, disponível online, de dados que reúne principais informações sobre a RFEPT desde 2017. Os dados são fornecidos pelas instituição e apresentados em um painel em formato Power Business Inteligence. Aqui, apresentamos um comparativo entre o primeiro ano e o último, 2017 e 2022.

Nas 64 instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, em 2022, há 121 cursos de física em 78 unidades (que também podem ser os campi das instituições). Desses, 117 são de cursos de licenciatura e apenas 4 de bacharelado. Em 2017, eram de 96 cursos, sendo 95 deles de licenciatura, em 71 unidades. Desses 95 cursos, 39 estão no nordeste. Comparando os números entre cursos de licenciatura e bacharelado, em 2017, havia penas um curso de bacharelado na rede federal, no IFES. Já em 2022, são 2, esse do IFES e outro no CEFET-RJ. A região nordeste possui 49,35% desses cursos e a região centro-oeste apenas 4,79%, sendo as primeira e última regiões em número de cursos de física no Brasil, em 2022. Quanto ao turno dos cursos, 55,56% são cursos noturnos. Esse valor é próximo nos anos 2017 e 2022.

Agora, falando sobre as identidades das/os estudantes, temos que 31% não tem sua renda familiar declarada, e aproximadamente 60% tem renda inferior a 1,5 salário mínimo. Quanto à autodeclaração racial, 16% não apresenta autodeclaração, 44,75% são estudantes que se autodeclaram da raça/cor parda, 9,24% preta, e 28,41% branca. Quanto à identidade de gênero 3 , apenas 36,21% são pessoas que se identificam com o gênero feminino. Os números de 2017 e 2022 são semelhantes. Por fim, quanto à faixa etária, tanto em 2017, quanto em 2022, em sua maioria são estudantes entre 20 e 29 anos.

Apresentando alguns dos indicadores acadêmicos, foram selecionados os seguintes: a taxa de evasão, e a eficiência acadêmica. A eficiência acadêmcia é o indicador que relaciona o percentual de estudantes que concluem, que se evadem e que concluem os cursos. Quanto mais estudantes concluem e menos ficam retidos ou se evadem, maior é a eficiência acadêmica do curso, e vice versa.

Em 2022, a taxa de evasão na rede é de 22,4%. Em 2017 era de 25%. Quando filtramos por região, em 2022 apenas, a pior taxa de evasão é na região

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norte, de 39%. Nas demais regiões, ela é de, em média, 24%. Para a eficiência acadêmica, em 2022 e em 2017, a taxa é de 13% e 14,6, respectivamente, para a rede. Considerando o filtro por região, em 2022, a melhor taxa é da região norte, com 17%.

O primeiro ponto que merece destaque ao analisar essa pequena amostra de dados é a maioria de cursos de licenciatura ofertada da RFEPCT. Isso nos oferece um perfil da rede que se apresenta com o compromisso com a formação docente. Além disso, é possível traçar o perfil de estudantes desses cursos, que são estudantes com renda inferior a 1,5 salários mínimos, certamente oriundos ou filhas e filhos da classe trabalhadora, em sua maioria do gênero masculino e autodeclarados pretos e pardos. A região nordeste é responsável pelo ingresso da metade de estudantes de licenciatura em física da RFEPT, o que pode ser analisado, inclusive, comparativamente ao número de docentes formados que atuam nessa região. Essa é uma reflexão pertinente e que deverá ser realizada em etapas futuras nesse trabalho.

Analisando os indicadores apresentados, de evasão e de eficiência acadêmica, percebe-se que ao longo dos 5 anos do intervalo, a evasão não teve mudanças significativas e tem números superiores à meta estabelecida pela Lei 13.005/2014, que estabelece o Plano Nacional de Educação, que sugere que esta naõ deve ultrapassar 10%. Quando passamos à intersecção desses indicadores com as regiões do país, é importante destacara que a região norte embora tenha a pior taxa de evasão em 2022, também tem a menor taxa de eficiência no período dos cursos. A análise desses dados devem, então, considerar também o número de estudantes que concluem os cursos. A partir deles, pode-se concluir que a região norte possui uma taxa de conclusão razoável nos cursos de licenciatura em física para garantir que os números ruins de evasão não piorem os dados de eficiência acadêmica.

Os dados da PNP ajudam a entender onde estão localizados os cursos de física da rede feredal de educação e, mais do que isso, nos ajuda a entender qual o perfil de estudante que temos nas nossas instituições. Entendemos também a importancia dos dados numéricos estarem associados às análises qualitativas de outros dados, inclusive, inerentes às questões intrínsecas às instituições. Essas análises devem conduzir a pesquisa referida no início do trabalho.

## Referências

BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Brasília, DF, 2008. Disponível em: . Acesso em: 01 out. 2019.

BRASIL. Plataforma Nilo Peçanha. Brasília, DF, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/pnp. Acesso em: 20 de junho de 2023.

JANNUZZI, P.M. Indicadores sociais no Brasil: conceitos, fonte de dados e aplicações. Campinas: Alínea, 2001.

MORAES, G. H. et. al. Plataforma Nilo Peçanha: guia de referência metodológica. Brasília/DF: Editora Evobiz, 2020. PDF. Livro Eletrônico - E-book. 131 p.

PARANÁ. Indicadores educacionais do Estado do Paraná. Disponível em: <http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem\_pedagogica/fev\_2015/ anexo2\_indicadores\_educacionais\_sp2015.pdf>. Acesso em: 31de março de 2022.

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