HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS DO MARANHÃO: PRODUÇÕES NA ÁREA DO ENSINO EM CIÊNCIAS
Paulo Fernando Costa Cardoso, Maria Consuelo Alves Lima
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- História, filosofia e sociologia da ciência no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS NO MARANHÃO: PRODUÇÕES NA ÁREA DO ENSINO EM CIÊNCIAS
## Paulo Fernando Costa Cardoso 1 , Maria Consuelo Alves Lima 2
1
Universidade Federal do Maranhão, paulo.fcc@discente.ufma.br 2 Universidade Federal do Maranhão, mca.lima@ufma.br
Palavras-chave : Pesquisa histórica
bibliográfica; Produção maranhense;
Abordagem
## Resumo expandido
Diversos pesquisadores defendem o ensino de ciências com enfoque baseado em abordagens históricas, filosóficas e sociológicas, por ele ser capaz de contextualizar melhor os conteúdos, permitindo aos estudantes uma compreensão ampla do papel da ciência na sociedade contemporânea. Esse ensino permite não só que os produtos finais das ciências sejam conhecidos, mas também os seus modos de produção, o que pode fornecer, aos estudantes, ferramentas para avaliarem mais claramente a confiabilidade das afirmações científicas (ALLCHIN, 2011). Dito de outra forma, esse ensino pode conduzir o estudante a entender as diversas facetas do empreendimento científico e como elas se relacionam com o conhecimento que é produzido (ERDURAN; KAYA; DAGHER, 2016).
No Brasil, há iniciativas que começaram a trilhar esse caminho (GURGEL; PIETROCOLA; WATANABE, 2016; MOURA; GUERRA, 2016). No entanto, trata-se de uma história focada principalmente na região Sudeste do país, particularmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, sem haver uma atenção mais detida aos demais estados da federação. No sentido de contribuir com essa pesquisa e considerando a importância de se conhecer a história da ciência maranhense, este estudo buscou por referências que contemplassem a história da ciência maranhense, desenvolvida no território brasileiro. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura na área do ensino de ciências, com vistas a caracterizar a produção da área referente à abordagem da história da ciência envolvendo o estado do Maranhão. A revisão sistemática da literatura, como entendida por Galvão e Pereira (2014), trata-se de um tipo de investigação focada em questão bem definida, que visa identificar, selecionar, avaliar e sintetizar as evidências relevantes disponíveis sobre um determinado tema ou assunto.
Essa pesquisa se desenvolveu em quatro etapas: i) definição de periódicos e/ou bases de dados a serem utilizados para a busca e definição de critérios de busca; ii) busca e catalogação de trabalhos de interesse; iii) análise e caracterização dos trabalhos encontrados; iv) produção de síntese, com resultados. Ao longo do processo de investigação, utilizou-se uma abordagem metodológica estruturada para a gestão e catalogação dos artigos selecionados. Para esse propósito, foi escolhida a plataforma eletrônica Mendeley que oferece o programa conhecido por sua eficácia no campo do referenciamento e da administração bibliográfica. Ele desempenhou, também, um papel preponderante ao proporcionar uma sistemática e refinada triagem e o manejo dos artigos potencialmente relevantes para o contexto deste estudo. Permitiu, ainda, uma otimização substancial do processo de busca e seleção, conferindo agilidade à identificação dos artigos que se mostravam intrinsecamente ligados aos objetivos delineados.
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Realizadas as buscas com palavras-chave e realizada parte das análises e categorização do material coletado, constatou-se que o Mendeley fornece seus recursos apenas para artigos. Nas buscas foram utilizados os termos: Educação; Ensino; Ciência; e 'História da Ciência no Maranhão'. No período estabelecido para a pesquisa, de 2011 a 2020, a ferramenta forneceu nove trabalhos e desses apenas três atenderam ao objetivo do estudo, com contribuições relevantes. Ao longo da pesquisa, essa ferramenta desempenhou um papel fundamental na organização e seleção das fontes bibliográficas de interesse. Os resultados em questão são os três artigos selecionados: 'Alcoolismo e educação química (LEAL, 2012)', 'A saúde da nossa gente: a popularização da ciência nos veios da educação não formal' (OLIVEIRA; ARAÚJO, 2016) e 'O tema vacinas em livros didáticos de ciências naturais: uma análise sob a ótica da história das ciências' (SOARES; MARQUES, 2018)'.
Leal (2012) faz um perfil histórico e científico do consumo de álcool com professores de química de escolas maranhenses, tendo em vista lidar com questões alcoólicas de estudantes nas escolas. O estudo traça um perfil histórico e científico do consumo de álcool entre professores de química em escolas maranhenses, abordando a necessidade de lidar com questões relacionadas ao alcoolismo entre estudantes. Conduzida em colaboração entre a Universidade do Estado do Maranhão (UEMA) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a pesquisa teve a participação ativa de professores da educação básica e licenciandos. O trabalho examina o consumo de bebidas alcoólicas à luz da influência cultural da cachaça na história do Brasil, relacionando-o à mitologia do culto ao deus Dioniso, e discute aspectos sociais, culturais e efeitos físicos e psicológicos do alcoolismo. Publicado em 2012, esse estudo trouxe uma questão contemporânea e contribui significativamente para a discussão sobre o alcoolismo e a educação química, destacando a crescente interdisciplinaridade na abordagem desse problema e o desenvolvimento de metodologias de ensino mais eficazes e abrangentes. Em um contexto em que o alcoolismo é um problema social grave que afeta milhões de pessoas, globalmente, a pesquisa reflete a crescente atenção da sociedade e da comunidade científica ao tema. É destacada a importância de uma abordagem interdisciplinar e o uso de fontes bibliográficas diversas para entender e combater o alcoolismo, especialmente na educação química.
Os maranhenses Oliveira e Araújo (2016) publicaram um trabalho com objetivo de popularizar a ciência por meio da História Oral como metodologia, explorando as relações entre história e memória. Desenvolvido no grupo de pesquisa "Cultura Científica e Produção de Conhecimentos Educacionais" da Universidade Federal do Maranhão, o artigo analisa programas radiofônicos como "Alimentação é Vida" e "A Saúde da Nossa Gente," veiculados nas décadas de 1980 e 1990 pela Rádio Educadora Rural do Maranhão. Observa-se, também, o enfoque a produção científica resultante das pesquisas do grupo, traçando um panorama das relações entre conhecimento científico e sociedade. Ele identifica mudanças nas abordagens, estratégias de comunicação e interação com o público ao longo das décadas de 1980 e 1990, mostrando o aumento de interesse na educação nãoformal, na divulgação científica e na interdisciplinaridade entre educação e comunicação. A pesquisa revela temas específicos explorados nos programas de rádio, seu impacto na sociedade, especialmente nas comunidades periféricas e rurais do Maranhão, e o uso inovador da História Oral como metodologia na divulgação científica e na educação popular.
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O estudo de Soares e Marques (2018) faz uma análise histórica do tema "vacinas" em livros didáticos de Ciências usados no Ensino Fundamental II. Os resultados indicam que, embora o conteúdo relacionado às vacinas esteja presente em todos os livros examinados, a abordagem histórica é considerada superficial e insatisfatória. A pesquisa foi conduzida com livros didáticos utilizados nas escolas públicas da cidade de Codó, no Maranhão, sem mencionar instituições científicas específicas. Concentrada na análise de conteúdo desses livros, o estudo busca identificar lacunas na abordagem histórica sobre vacinas, sem explorar diretamente a continuidade das práticas científicas na região.
Os resultados apresentados refletem ações que têm promovido a educação científica no Maranhão, ao: (i) investir na expansão do acesso à educação científica formal e não-formal; (ii) fortalecer a formação de professores de ciências; (iii) apoiar a pesquisa e a inovação no campo da educação científica.
Este estudo inicial, sobre as produções de abordagem histórica na área de ciências, envolvendo o estado do Maranhão, mostrou que o acesso à educação científica é importante para formar cidadãos mais críticos sobre o uso e a produção da ciência.
## Referências
ALLCHIN, D. "Evaluating Knowledge of the Nature of (whole) Science." Science Studies and Science Education, 2011. v. 95, n. 3, p. 518-542. https://doi.org/10.1002/sce.20432
ERDURAN, S.; KAYA, E.; DAGHER, Z. From lists in pieces to coherent wholes: revisiting the nature of science in science education. In: YEO, J.; TEO, T. W.; TANG, K. S. (Eds.). Research and practice in the Asia-Pacific region. Dordrecht: Springer, 2016. https://doi.org/10.1007/978-981-10-5149-4\_1
GALVAO, T. F.; PEREIRA, M. G. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 23, n. 1, p. 183184, mar. 2014. Disponível em <http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci\_arttext&pid=S16794974201400010001 8&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 22 set. 2023.
GURGEL, I.; PIETROCOLA, M.; WATANABE, G. The role of cultural identity as a learning factor in physics: a discussion through the role of science in Brazil. Cultural Studies of Science Education , v. 11, p. 349-370, 2016.
LEAL, M. C. Alcoolismo e Educação Química. Química Nova na Escola , v. 34, n. 2, 2012.
MOURA, C. B. de; GUERRA, A. História Cultural da Ciência: Um Caminho Possível para a Discussão sobre as Práticas Científicas no Ensino de Ciências? Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 16, n. 3, 2016.
OLIVEIRA, A. J. S.; ARAÚJO, A. L. A. A Saúde da Nossa Gente: a popularização da ciência nos veios da educação não formal. E-Compós, v. 19, n. 3, 2016. DOI: https://doi.org/10.30962/ec.v19i3.1297
SOARES, M. A. P; MARQUES, C. V. V. C. O. O Tema Vacinas em Livros Didáticos de Ciências Naturais: Uma Análise sob a Ótica da História das Ciências. Revista Prática Docente , v. 3, n. 2, 2018. DOI: https://doi.org/10.23926/rpd.25262149.2018.v3.n2.p681-699.id280
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