O ENSINO DE FÍSICA X PARALISIA CEREBRAL
Jhonatan De Araujo Campos, Janeide Lima Alecrim, Vanessa Da Silva Lustosa, Valber Passos De Freitas
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O ENSINO DE FÍSICA X PARALISIA CEREBRAL
## Jhonatan de Araújo 1 , Janeide Lima Alecrim 2 , Vanessa da Silva Lustosa 3 , Valber Passos De Freitas 4
1,4 Universidade Federal do Amazonas/ Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente, jhonatanaraujocampos2001@gmail.com
2 Universidade Federal do Amazonas/ Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente, janeide\_lima@ufam.edu.br
3 Universidade Federal do Amazonas/ Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente, vanessalustosa@ufam.edu.br
Palavras-chave : Ensino de Física; Paralisia Cerebral, RSL.
As diretrizes do Ministério da Saúde (2013) consideram a Paralisia Cerebral (PC) como um conjunto de desordens cerebrais derivados das sequelas de uma lesão no sistema nervoso central. Para Pereira (2018), 'é a causa mais frequente de deficiência motora na infância e refere-se a um grupo heterogêneo de condições que cursa com disfunção motora central, afetando o tônus, a postura e os movimentos'.
Para a Física faz-se necessário aplicar para o ensino de muitos conteúdos o que podemos chamar de ' facilitadores ', ou seja, algo que permita aos alunos facilitar o entendimento dos conceitos abordados na sala de aula, visto haver para seu entendimento a necessidade de abstração, devido sua complexidade, para sua compreensão. A falta desses facilitadores induz ao aluno acreditar que a ciência Física é de difícil compreensão, mesmo que várias aplicações dos seus conceitos sejam facilmente observáveis no seu dia a dia. Para ultrapassar esse tipo de barreira há a necessidade de aplicar modificações na abordagem desses conteúdos tornando-os mais simples e mais acessíveis permitindo assim uma aprendizagem significativa do aprendiz (Ausubel, 2003; Ausubel, Novak & Hanesian, 1980).
O que motivou o interesse no escopo da pesquisa foi a leitura do texto 'Elaboração de recurso didático para o ensino de Física voltado à escolarização de um estudante com paralisia cerebral' dos autores Almeida; Perovano & Venturine (2020) e da solicitação de apoio didático para um aluno adolescente com paralisia cerebral residente no município de Humaitá - Am. O objetivo da investigação é analisar a produção acadêmica, referentes as práticas pedagógicas e recursos didáticos utilizados no ensino de Física para alunos com paralisia cerebral, este trabalho tem a pretensão de identificar as possíveis estratégias, os recursos adaptados, as tecnologias assistivas e abordagens pedagógicas mais promissoras, que permita promover a participação e o engajamento desses estudantes na sala de aula.
A metodologia desta pesquisa é de caráter qualitativo interpretativo com o uso da estratégia de análise documental com bases de uma Revisão Sistemática da Literatura (Galvão & Pereira, 2014), que segundo Pereira e Godoy (2023, p. 55) 'permite uma investigação científica de maneira planejada, explícita e objetiva acerca de uma temática ou problema de pesquisa', e é vista na percepção de Keele (2007) como um conjunto de estratégias, que possibilita delimitar a escolha dos
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artigos, avaliar com formalismo crítico científico e sintetizar a pesquisa em tópicos e subtópicos específicos de acordo com a necessidade e protocolos pré definidos.
Para as etapas da pequisa tem-se como base o Modelo Sistemático para Pesquisas em Bancos de Dados com Acesso Livre (MSPBAL) desenvolvido por Cleophas & Francisco (2018): 1) Identificação e definição do objeto de investigação; 2) Busca dos dados em fontes de acesso livre; 3) Seleção da produção acadêmica de interesse; 4) Compilação dos dados e a elaboração ou adaptação de categorias de análise para agrupar os dados segundo os critérios pré definidos; e 5) Inferência.
A pesquisa considera os últimos dez anos para o levantamento de informações e catalogação da produção acadêmica em base de dados brasileiros de acesso livre e com publicações voltados para o ensino de Física, tais como eventos da Sociedade Brasileira de Física (SBF) e periódicos tais como a Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF). Os critérios para a codificação e o agrupamento de similitudes relativos as categorias foram baseados na Análise de Conteúdo de Bardin (2016).
Para facilitar a seleção de periódicos fez-se uso da plataforma online Sucupira, Qualis - Periódicos para os níveis A1 ou A2 nas áreas Educação, Ensino e Física/Astronomia na última classificação quadrienal, de 2017 a 2020. Dentre os resultados delimitou-se como condição apenas periódicos cujos nomes remetessem as áreas de Física ou Ciência ou Inclusão, com a abrangência de suas publicações relacionados ao ensino nas três categorias definidas, retirando os casos de duplicidade visto alguns periódicos serem considerados em mais de uma das categorias. Destes, apenas os periódicos que apresentaram a opção texto completo foram trabalhados, por crer-se fornecer com maior descrição o conteúdo das publicações e melhor retorno quanto aos descritores utilizados nas buscas.
Para a investigação foram selecionados os seguintes periódicos: 1. Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF); 2. Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF); 3. Investigações em Ensino de Ciências (IENCI); 4. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia (RBECT); 5. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (RBPEC); 6. Amazônia - Revista de Educação em Ciências e Matemáticas (ARECM); 7. Revista de Ensino de Ciências e Matemática (RenCiMa); 8. Ciência e Educação (C&E); 9. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências (Ensaio); 10. Revista do Professor de Física (RPF); 11. Revista Brasileira de Educação Especial; 12. ARETÉ (Revista Amazônica de Ensino de Ciências); 13. A Física na Escola; 14. Alexandria - Revista de Educação em Ciência e Tecnologia; 15. Revista Educação Especial. Os periódicos Revista Brasileira de Educação Especial e Revista Educação Especial, são periódicos específicos da área da Educação Especial, e por conseguinte são referências no Brasil sobre o assunto, sendo assim inseridos no rol de pesquisa desta investigação.
Para a busca e seleção inicial de artigos em duas bases de dados fez-se o uso dos descritores: Paralisia Cerebral, Ensino de Física, Ensino de Ciências Educação Básica, Educação Inclusiva . Tais descritores foram pesquisados no título, no resumo e nas palavras-chaves. Foram utilizados os operadores booleanos E e os conectivos OU com objetivo de ampliar a pesquisa, retornando resultados com qualquer uma das palavras inseridas, com o intuito de maior retorno de trabalhos (Villegas, 2003).
Dos periódicos já pesquisados e material selecionado por análise preliminar (artigos indicando tratar de Inclusão e Ensino de Física), apenas 45 artigos foram
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encontrados dentro do período de trabalho, dentre eles tem-se que 25 (cerca de 64%) deles são para Deficiência Visual, 12 (cerca de 30%) para Deficiência Auditiva, os cerca de 6% restante estão distribuídos em Transtorno do Espectro Autista, Deficiência Intelectual, Habilidades Metacognitivas, Altas Habilidades e Perspectivas Inclusivas, nenhum dos artigos trata de Paralisia Cerebral e Ensino de Física . Dos artigos não inclusos na pesquisa há os voltados para o acesso e permanência de pessoas com paralisia cerebral no ensino superior e na educação básica assim como desenvolvimento de recurso didático para a escolarização dos mesmos.
Os dados catalogados na investigação, indicam um baixo volume de publicações voltados para o Ensino de Física e a Educação Inclusiva, e praticamente nenhum dentro do escopo de interesse da pesquisa, seja no período definido seja nas revistas selecionadas, essa indicativa expõe uma lacuna de pesquisa que deve ser trabalhada e aponta para um campo de estudo com possibilidades de desenvolvimento e pesquisas mais aprofundadas.
## Referências
ALMEIDA, G. B. S.; PEROVANO, L. P. & VENTURINE, C. Elaboração de recurso didático para o ensino de Física voltado à escolarização de um estudante com paralisia cerebral. In Práticas inclusivas: saberes, estratégias e recursos didáticos . Org.: Perovano, L. P. & Melo, D. C. F., Editora Encontrografia, 2ª Edição, p. 64, 2020
AUSUBEL, D. P., NOVAK, J. D.; HANESIAN, H. Psicologia educacional . Rio de Janeiro, Brasil: Interamericana,1980.
AUSUBEL, D. P.. Aquisição e Retenção do Conhecimento: uma perspectiva cognitiva . Lisboa: Editora Plátano, 2003.
BARDIN, L. Análise de conteúdo . São Paulo: Edições 70, 2016.
CLEOPHAS, M. G. & FRANCISCO, W. Metacognition and the Science Teaching and Learning: a systematic review of literature (RSL). Amazônia, v.14, n. 29, p.10-26, 2018
GALVÃO, T. F. & PEREIRA, M. G. Revisões sistemáticas da literatura: passos para sua elaboração. Epidemiologia e Serviços de Saúde , v. 23, n. 1, p. 183-184, 2014.
KEELE, S. Guidelines for performing systematic literature reviews in software engineering. Technical report, EBSE Technical Report EBSE, 2007.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa com paralisia cerebral , 2013.
PEREIRA, H. V. Paralisia cerebral. Residência Pediátrica , v. 8, n.1, p. 4955, 2018
PEREIRA, S. A. & GODOY, E. V. Decoloniality in Mathematics Education: a systematic literature review. Amazônia , v.19, n. 42, p. 53- 69, 2023
VILLEGAS, B. Rápida y pertinente búsqueda por internet mediante operadores booleanos. Universitas Scientiarum , 8, p. 51-54, 2003.
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