Subsídios Para Discussão Acerca da Natureza da Ciência a Partir da Obra Newtonianos no Mercado: Dos Primeiros Professores Universitários aos Professores Independentes e/ou Itinerantes de Filosofia Natural e Experimental na Inglaterra do Século XVIII.
Katrine Silva Da Silva, Rita De Cássia Mota Teixeira De Oliveira, Wanderley Vitorino Da Silva Filho
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 09/11/2023
- Linha de pesquisa
- História, filosofia e sociologia da ciência no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
Subsídios Para Discussão Acerca da Natureza da Ciência a Partir da Obra Newtonianos no Mercado: Dos Primeiros Professores Universitários aos Professores Independentes e/ou Itinerantes de Filosofia Natural e Experimental na Inglaterra do Século XVIII.
Katrine Silva da Silva 1 , Profa. Dra. Rita de Cássia Mota Teixeira de Oliveira 2 , Prof. Dr. Wanderley Vitorino da Silva Filho 3
1 Universidade Federal do Amazonas - UFAM, katrinesilva00@gmail.com
2 Universidade Federal do Amazonas - UFAM, rcmota@ufam.edu.br
3 Universidade Federal do Amazonas - UFAM, vitorino@ufam.edu.br
Palavras-chave: Ensino de Física; História da Física, Natureza das Ciências.
## RESUMO EXPANDIDO
A inserção de História e Filosofia das Ciências (HFC) no currículo, e consequentemente, na prática docente, em especial no ensino de Física, pode contribuir para a compreensão de como ocorre a construção do conhecimento científico, possibilitando o melhor entendimento do que vem a ser Ciência(s), bem como aspectos sobre a sua natureza.
- O livro intitulado Newtonianos no Mercado: Dos Primeiros Professores Universitários aos Professores Independentes e/ou Itinerantes de Filosofia Natural e Experimental na Inglaterra do século XVIII, da Editora 7Letras, publicado em 2021 pelo prof. Dr. Luiz Carlos Soares, proporciona a compreensão de como eram as Ciências nos séculos XVII e XVIII, evidenciando a trajetória acadêmica dos Filósofos Naturais e Experimentais, que adotaram a concepção de Issac Newton (1643-1747) sobre a teoria da luz e mecânica dos corpos na Inglaterra, e por extensão, na GrãBretanha. Ao conhecer a trajetória destes filósofos, é possível notar alguns aspectos da natureza da Ciência.
Na Inglaterra do século XVIII, A Filosofia Natural de Newton passou a ser amplamente aceita como um tipo de conhecimento que poderia aliviar o fardo do trabalho, e até mesmo melhorar as máquinas dos comerciantes, fortificando uma classe de nascentes capitalistas-industriais, e dessa forma, cada vez mais os comerciantes se aproximavam do conhecimento que antes era restrito às universidades. Foi formada uma geração de professores independentes e viajantes, ou seja, que não tinham qualquer vínculo com instituições acadêmicas, disseminando suas convicções baseadas nas teorias newtonianas para um público mais amplo.
Dentre os Filósofos Naturais e Experimentais, podemos citar como personagens os Professores Universitários, como Roger Cotes (1682-17160), revisor e editor da segunda edição do Principia , que compartilhava a mesma ideia de Newton sobre as Ciências, que deveriam advir da observação e experimentação, chegando
até mencionar que a constituição de coisas particulares é conhecida através de observações e experimentos, e quando isso for feito, é por esta regra que julgamos universalmente a natureza das coisas em geral. Destaca-se também Robert Smith (1689-1768), cujos trabalhos procuravam aprofundar as noções apresentadas por Newton, destacando assim o processo de transformação e aperfeiçoamento de teorias de newtonianas no início do século XVIII.
Dentre os professores independentes, podemos citar John Harris (1666 1719), apresentado como pioneiro e um dos primeiros adeptos das ideias de Newton no Óptica . Nesta obra, Newton não defendeu a materialidade da luz, e Harris, por um lado, aceitou algumas concepções newtonianas e por outro lado, discutia suas teorias. John Theophilus Desaguliers (1683-1744), contribuidor da divulgação newtoniana de experimentos sobre o prisma que Newton posteriormente incluiria na quarta edição de Opticks , como resultado do trabalho de seu colaborador. Nos limitamos a estes, visto que não é possível, obviamente, abordar todos os Filósofos Naturais e Experimentais apresentados no livro Newtonianos no Mercado, pois são gerações de newtonianos, por todo século XVIII.
Os trabalhos destes professores independentes/itinerantes/universitários alcançaram um amplo público, influenciando toda a historiografia na Inglaterra do século XVIII, sendo muitas vezes intitulados como ciência útil e aplicada, ciência newtoniana, ciência experimental, ciência ilustrada, ciência-espetáculo, ciência pública. Destaca-se que o termo cientista não existia no século XVIII, pois tal denominação vem sendo construída a partir de meados do século XIX. Porém, ao analisar a trajetória dos filósofos é perceptível o motivo destas nomeações. Estas nomenclaturas não representavam antagonismo, mas que existiam diversas formas de designar os feitos dos filósofos naturais e experimentais, pois eles se diferiam da filosofia voltada para reflexão.
Os professores, em particular de Física, não devem apenas aprender e ensinar ciência, mas também possuir conhecimento sobre a própria ciência. Esse entendimento é alcançado ao se compreender o que é conhecido como a Natureza da Ciência (NDC). Uma possível discussão sobre NDC é o surgimento da concepção atual de ciência(s). Diversos eram os nomes para denominar Ciência(s) durante os séculos antes da concepção atual. O início do debate acerca da ideia de ciência(s) perdurou entre os séculos XVIII e o final do século XIX. A partir desse momento, a base da(s) ciência(s) pareceu estar bem estabelecida, nascendo as características da concepção atual, segundo os historiadores da(s) ciência(s). Desse modo, é possível identificar aspectos consensuais da natureza da ciência ao analisar a trajetória dos professores independentes/universitários.
Com Robert Smith, é possível notar que a ciência é mutável, dinâmica e tem como objetivo buscar explicar os fenômenos naturais. Roger Cotes acreditava que só existe um método para validar a ciência: através da experimentação, no entanto, o livro 'O que é ciência, afinal?' de Alan Chalmers, discorre que o método indutivista não é o único válido para ciência. É possível notar, em todos os filósofos mencionados, que eles procuram explicar os fenômenos naturais, que são criativos, e que este conhecimento que aplicavam em seus cursos para um amplo público, se tornou algo cultural na Inglaterra do século XVIII. Estes fazem parte de alguns dos aspectos consensuais que serão abordados no trabalho, visto que não é possível comentar todos em um resumo expandido.
O presente trabalho de Iniciação Científica tem como objetivo subsidiar discussões sobre a Natureza da Ciência na Disciplina História da Física, para licenciandos em Física. Pretende-se ainda proporcionar uma ampla discussão sobre o tópico, tendo como temas e fontes, o que é ciência e o que é história da ciência através dos livros O que é História da Ciência? de Alfonso-Goldfarb, e O Valor da Ciência, de Poincaré. Nas aulas, é interessante discutir episódios históricos de alguns filósofos naturais e experimentais do século XVIII mencionados acima, pois, obviamente, não seria possível comentar sobre todos os Filósofos Naturais e Experimentais presentes no livro Newtonianos no Mercado. Além da literatura mencionada, pretende-se subsidiar discussões na citada disciplina a partir de artigos como A Natureza da Ciência por meio de Episódios Históricos: O Caso da Popularização da Ótica Newtoniana, de Breno Arsioli Moura. Por fim, discutir Natureza da Ciência, baseado no artigo O que é Natureza da Ciência e Qual Sua Relação com a História e Filosofia da Ciência? também de Breno Arsioli Moura.
## Referências
AFONSO-GOLDFARB, Ana Maria. O que é história da ciência - 1. ed. - São Paulo: Brasiliense, 1994
CHALMERS, Alan Francis; FIKER, Raul. O que é ciência afinal? . São Paulo: Brasiliense, 1993.
POINCARÉ, Henri, 1854-1912. O valor da ciência / Henri Poincaré; tradução Maria Elena Franco Martins; revisão técnica Ildeu de Castro Moreira. - Rio de Janeiro: Contraponto, 1995.
SILVA, Cibelle Celestino; MOURA, Breno Arsioli. A natureza da ciência por meio do estudo de episódios históricos: o caso da popularização da óptica newtoniana. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 30, p. 1602.1-1602.10, 2008.
SOARES, Luiz Carlos. A filosofia natural e experimental na Inglaterra do século XVIII: um diálogo com a historiografia acerca da ideia de "ciência" na "Era das Luzes" / Luis Carlos Soares. - 1. ed. - Rio de Janeiro: 7letras, 2020.
SOARES, Luiz Carlos. Newtonianos no mercado: dos primeiros professores universitários aos professores independentes e/ou itinerantes de filosofia natural e experimental na Inglaterra do século XVIII / Luiz Carlos Soares. - 1° ed. - Rio de Janeiro: 7Letras, 2021.
MOURA, Breno Arsioli; SILVA, Cibelle Celestino. Abordagem multicontextual da história da ciência: uma proposta para o ensino de conteúdos históricos na formação de professores. Revista Brasileira de História da Ciência , v. 7, n. 2, p. 336-348, 2014.
MOURA, Breno Arsioli. O que é natureza da ciência e qual sua relação com a história e filosofia da ciência? Revista Brasileira de História da ciência , v. 7, n. 1, p. 32-46, 2014.
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