A problemática da linguagem na resolução de problemas de Física: uma proposta de ensino
Cristiane Feltrin Cavalin, Ines Prieto Schmidt Sauerwein
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Cultura, linguagem e cognição no ensino de física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A problemática da linguagem na resolução de problemas de Física: uma proposta de ensino
Cristiane Feltrin Cavalin 1 , Inés Prieto Prieto Schmidt Sauerwein 2
1 UFSM/PPGECI/Colégio Estadual Manoel Ribas, Cristiane.feltrin@acad.ufsm.br 2 UFSM/PPGECI, ines.p.sauerwein@ufsm.br
Palavras-chave : Atividades didáticas; resolução de problemas; ensino de física
## INTRODUÇÃO
A pesquisa em Ensino de Ciências tem buscado alternativas para a superação dos inúmeros obstáculos presentes no processo de ensino aprendizagem de modo a torná-lo mais significativo e produtivo.
Segundo Marco Antonio Moreira (2003), a aprendizagem significativa acontece quando os estudantes conseguem explicar situações com suas próprias palavras e conseguem resolver novos problemas. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, propõe focar na interpretação de fenômenos naturais e processos tecnológicos de modo a possibilitar aos estudantes a apropriação de conceitos, procedimentos e teorias.
Através da minha prática docente e também do relato de colegas professores, constatei a dificuldade dos alunos na resolução de problemas que envolvem interpretação de textos e/ou linguagem matemática. Existe uma grande dificuldade na aplicação dos conhecimentos adquiridos em aula, não demonstrando autonomia na resolução de situações-problema futuras, sem que haja a intervenção do professor. Essa dificuldade representa um obstáculo para o ensino de Física e para a formação integral do estudante como um cidadão crítico, atuante e colaborativo. As hipóteses para explicar essa carência, por mim levantadas, são: a desmotivação, a falta do hábito de leitura e a deficiência com linguagem matemática herdada do ensino fundamental.
Para Pozo (1998), resolver problemas e praticar exercícios são importantes ferramentas didáticas empregadas no processo de Ensino-Aprendizagem das Ciências Naturais, tal como a Física. Torna-se então, necessária a sistematização do encaminhamento de uma solução para a problemática aqui explicitada.
## DESCRIÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO
A concepção de pesquisa denominada Educational Design Research (EDR) que foi traduzida pelo nosso grupo como Pesquisa em Design Educacional (PDE),
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apresenta potencialidades na abordagem de importantes problemas da Educação em Ciências em contextos reais de sala de aula.
A perspectiva do EDR prevê três fases na abordagem de problemas: planejamento, implementação e análise da implementação.
Neste trabalho, o foco é na descrição da primeira fase do EDR: o planejamento das atividades didáticas. Desenvolvemos um conjunto de Atividades Didáticas (AD) sobre Termodinâmica, assunto trabalhado no componente curricular Física no 2 º ano do ensino médio, conduzidas pela investigação no âmbito da EDR (Educacional Design Research), buscando tornar o processo de ensino mais dinâmico e eficaz no que diz respeito ao desenvolvimento da capacidade de interpretação dos estudantes. As ADs foram elaboradas com a utilização de textos de divulgação científica.
## RESULTADOS OBTIDOS
A nossa problemática, identificada através da minha prática docente e de relatos de colegas de disciplina, é a dificuldade encontrada pelos estudantes na resolução de problemas relacionados à Termodinâmica e a possível causa para essa dificuldade é a dificuldade na interpretação, dificuldades com a linguagem verbal, matemática e gráfica.
Os princípios de design das Atividades Didáticas (ADs), promovem a modelagem de uma solução específica para a nossa problemática. Nessa perspectiva, escolhemos utilizar em nosso trabalho a teoria de Piaget sobre o papel do equilíbrio e do desequilíbrio no processo de aprendizagem. Ou seja, no conjunto de atividades didáticas são encaminhadas situações problemas desafiadoras a ponto de promoverem o desequilíbrio nos estudantes. A resolução da situação problema deverá direcionar os estudantes a uma nova situação de equilíbrio.
Todas as atividades didáticas (AD) possuem tarefas. Através das devolutivas serão obtidos dados, que serão utilizados para análise através de métodos quantitativos e qualitativos.
## CONSIDERAÇÕES/CONCLUSÕES
De acordo com Nacarato e Lopes (2005), 'o indivíduo ao ler, interpreta e compreende de acordo com sua história de vida, seus conhecimentos e emoções'. (NACARATO e LOPES, 2005, p.158)
Em relação à linguagem matemática, para Pietrocola (2002, p. 90):
'[...] no ensino de Física, a linguagem matemática é muitas vezes considerada a grande responsável pelo fracasso escolar'.
Desta forma fica clara a necessidade de abordagens didáticas voltadas a proporcionar ao aluno a capacidade de interpretação/investigação do problema e a generalização dele a situações novas.
- As atividades didáticas desenvolvidas com a inclusão de problemas desafiadores podem motivar os estudantes, proporcionando um maior protagonismo no seu aprendizado e contribuindo para a sua formação.
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A inserção de problemas com grau crescente de dificuldades direciona o estudante a uma maior autonomia e viabiliza a possibilidade de resolução de problemas cada vez mais abertos.
A inclusão de tarefas em todas as Ads permite um acompanhamento do processo e a obtenção de dados através das devolutivas. Esses dados podem ser analisados através de métodos quantitativos e qualitativos.
Um método sistemático, que contemple assuntos relevantes para a formação do educando, pode colaborar para o aprimoramento das habilidades de leitura e interpretação e pode viabilizar uma aprendizagem mais significativa.
## REFERÊNCIAS
ALVES, J. Atividades didáticas inovadoras de termodinâmica baseadas em resolução de problemas e TIC. 2014.
ALVES, Josemar. Desenvolvimento de um sistema integrado para implementação de tarefas avaliativas reflexivas e formativas contínuas. 2018. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Maria.
ECHEVERRÍA, M. P.; POZO, J. I. Aprender a resolver problemas e resolver problemas para aprender. In: POZO, J. I. (Org.). A solução de problemas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
MCKENNEY, S.; REEVES, T. C. Conducting Educational Desing Research. Primera edição. Routledge: Londres e Nova York, 2012.
MOREIRA, M. A. Linguagem e aprendizagem significativa. In: Conferência de encerramento do IV Encontro Internacional sobre Aprendizagem Significativa, Maragogi, AL,Brasil. 2003.
NACARATO, Adair Mendes; LOPES, Celi A. E. (Orgs.). Escritas e leituras na educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2005.
OLIVEIRA, G. P.; MASTROIANNI, Maria Teresa MR. Resolução de problemas matemáticos nos anos iniciais do ensino fundamental: uma investigação com professores polivalentes.
Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), v. 17, n. 2, p. 455-482, 2015.
PEDUZZI, L. O. Q. Sobre a resolução de problemas no Ensino da Física. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v. 14, n 3, p.229-253, 1997.
PIETROCOLA, M. A matemática como estruturante do conhecimento físico. Caderno Catarinense de Ensino de Física, Florianópolis, v.19, n.1, p. 89-109, 2002. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/9297>. Acesso em: 13 abr. 2021.
POZO, J. I. (Org.). A solução de problemas: aprender a resolver problemas, resolver problemas para aprender. Porto Alegre: Artmed, 1998.
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