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RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA NA EJA: VIVÊNCIAS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Renardo Goulart Fernandes, Rosana Cavalcanti Maia Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## RELAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA NA EJA: VIVÊNCIAS NO ESTÁGIO SUPERVISIONADO

## Renardo Goulart Fernandes 1 , Rosana Cavalcanti Maia Santos 2

1 Unipampa, renardofernandes.aluno@unipampa.edu.br

2 Unipampa, rosanasantos@unipampa.edu.br

Palavras-chave :

Estágio Supervisionado; EJA; Estudo dirigido.

## Resumo expandido

O Estágio Supervisionado no contexto dos cursos de licenciatura em Física é um espaço para a formação inicial de professores, que viabiliza diversas implicações na produção de conhecimento, na articulação entre teoria e prática, bem como na interação com a prática docente em sala de aula (PARENTE; MATTOS, 2015). Assim, constitui-se uma etapa relevante e muitas vezes desafiadora para o licenciando que está tendo as primeiras vivências no ambiente escolar. Nesse sentido, este relato de experiência contextualiza as vivências no âmbito do Estágio Supervisionado em Física II, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) campus Bagé, no primeiro semestre de 2023, realizado em uma turma de 1º ano da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Estadual Luiz Mércio Teixeira (Bagé/RS).

Tradicionalmente, os estágios supervisionados seguem algumas etapas pré-estabelecidas: 1) seleção da escola, 2) apresentação do estagiário, 3) produção dos documentos necessários, 4) observações das turmas e do contexto escolar, 5) organização de planos de aula, 6) regência e 7) produção de relatório. Entretanto, esse modelo linear nem sempre condiz com as exigências e complexidades da formação inicial docente, bem como do âmbito escolar. No contexto da EJA, diversos desafios foram encontrados, principalmente no que diz respeito à identificação dos conhecimentos prévios dos estudantes e à seleção de metodologias e recursos adequados para esse contexto. Tais aspectos ocorrem pelas especificidades do público da EJA que:

é composto, em sua maioria, por trabalhadores, jovens e adultos da classe operária, que não tiveram oportunidade, por diversos motivos, de concluir a Educação Básica em idade própria, e buscam, por meio da elevação da escolaridade, uma oportunidade de mudar de vida. São pessoas que muitas vezes trabalham de dia e estudam à noite, pessoas com diversidade e especificidades que devem ser consideradas no processo de ensino-aprendizagem e que devem ter suas experiências de vida, e suas peculiaridades respeitadas nos currículos de ensino (CARVALHO et al., 2020, p. 52).

Assim, durante a fase de observação da turma do primeiro ano, tornou-se evidente a heterogeneidade em termos de faixa etária, abrangendo estudantes com idades compreendidas entre 18 e 50 anos, bem como uma diversidade em níveis de instrução.

Durante os primeiros contatos com a turma supracitada, constatou-se que os estudantes enfrentavam significativas dificuldades em relação à habilidade de

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

escrita, leitura, operações matemáticas básicas, representação e resolução de problemas físicos, bem como insegurança nas interações com o conteúdo e o estagiário. Nesse contexto, buscou-se abordagens fundamentadas em teorias e metodologias (MOREIRA, 2023) amplamente utilizadas no ensino de Física. Todavia, as vivências relatadas neste trabalho têm uma realidade distinta em relação às concepções idealizadas presentes nas literaturas consultadas, com foco no protagonismo dos estudantes, metodologias ativas e inovações no ensino de Física. Tal realidade distinta evidencia-se na extrema dificuldade que os alunos tiveram em expressar-se durante o decorrer das aulas e em relação às suas dúvidas, e também na dificuldade em relacionar conhecimentos novos à conhecimentos prévios. Outro ponto que elucida o concorrido foi a demanda por uma aula tradicional que acabou sendo um elemento de fuga dos estudantes para evitar a dialogação com o estagiário. Além do ocorrido, quando alguns alunos acertaram alguma questão e, na intenção de ajudar os colegas, acabaram passando informações incorretas e não foram capazes de explicar o que foi feito no problema estudado. Isso desencadeou uma sequência de erros, o que acabou distanciando-se, por exemplo, dos pressupostos da zona de desenvolvimento proximal (MOREIRA, 2023).

Diante desse cenário desafiador, as primeiras implementações na turma foram pautadas em metodologias mais conservadoras, devido ao contexto vivenciado e por solicitação dos próprios estudantes. Assim, utilizou-se a abordagem de resumos copiados no quadro, ditado de conceitos, bem como aula expositiva dialogada (ANASTASIOU; ALVES, 2007). No estudo do Movimento Retilíneo Uniforme, essa abordagem se revelou infrutífera, pois, mesmo após 50 minutos de aula, os alunos não conseguiram copiar o material. Essas dificuldades observadas podem se relacionar com a insegurança, especialmente dos alunos com maior idade. Talvez, por sentirem vergonha, eles tenham preferido prolongar o tempo destinado à escrita para evitar possíveis questionamentos ou constrangimentos perante os colegas mais jovens.

Após esse primeiro contato com as turmas, buscou-se experimentar novas estratégias e recursos de ensino, a fim de viabilizar o desenvolvimento das habilidades gerais em déficit, bem como o ensino e aprendizagem dos conceitos físicos propostos. Nesse sentido, foi elaborado um estudo dirigido (ANASTASIOU; ALVES, 2007) aliado a uma leitura guiada para a turma de primeiro ano (figura 01).

Figura 01 : Texto e estudo dirigido sobre MRU para a turma da EJA

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O estudo dirigido foi elaborado levando em consideração as dificuldades dos alunos, baseando-se no histórico das outras atividades desenvolvidas e das observações anteriores. O objetivo era esclarecer siglas, termos e definições do Movimento Retilíneo Uniforme, apresentando lacunas a serem preenchidas entre os textos.

Durante a implementação dessa nova estratégia de ensinagem, percebeu-se que alguns alunos ganharam autonomia no desenvolvimento das atividades. No entanto, outros automaticamente demonstraram resistência à leitura ao verem o material impresso. Para incentivar esses alunos, foi realizado um acompanhamento individualizado com leitura guiada até chegarem à primeira questão, onde conseguiam entender a simplicidade da atividade e o ponto principal da proposta, que era o foco na leitura e a interpretação dos conceitos acerca do MRU. Essa abordagem foi utilizada durante o período restante de estágio e foi a mais significativa, em relação à participação dos estudantes, aprendizado de conceitos físicos e desenvolvimento da habilidade da leitura, escrita e resolução de problemas físicos. Nesse contexto, ressalta-se, por exemplo, alguns estudantes com maior idade que no início das implementações não interagiam e ficavam extremamente nervosos com algum questionamento do estagiário, demonstrando, inclusive, sinais físicos como mãos trêmulas. Durante o desenvolvimento dos estudos dirigidos e leitura de textos, esses estudantes modificaram sua atitude em sala de aula, participando com mais confiança, questionando o estagiário e sanando suas dúvidas.

A partir deste relato de experiência, evidencia-se a importância dos estágios supervisionados para a formação inicial docente. Além disso, destaca-se a necessidade de um olhar diferenciado no contexto das metodologias e recursos didáticos para os estudantes da EJA, a fim de adequar-se aos conhecimentos prévios desses sujeitos, bem como às suas especificidades. Por fim, ressalta-se que é primordial o aprimoramento de políticas públicas e pesquisas educacionais para que os objetivos da Educação de Jovens e Adultos sejam, de fato, cumpridos com qualidade e como direito de tais cidadãos.

## Referências

ANASTASIOU, L. G. C.; ALVES, L. P. Processos de Ensinagem na Universidade : pressupostos para estratégias de trabalho em aula. 7. ed. Joinville: UNIVILLE, 2007.

CARVALHO, K. R. A. de et al. Trajetórias, avanços e perspectivas da EJA face à BNCC. Educação em Revista , v. 21, n. 2, p. 51-64, 2020.

MOREIRA, M. A. Teorias de Aprendizagem . 3. ed. ampl. Rio de Janeiro: LTC, 2023.

PARENTE, C. M. D.; MATTOS, M. J. V. O estágio supervisionado na formação dos profissionais da educação. In : PARENTE, C. M. D.; VALLE, L. E. L. R.; MATTOS, M. J. V. M. (org.). A formação de professores e seus desafios frente às mudanças sociais, políticas e tecnológicas . Porto Alegre: Penso, 2015. p.63-74.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.