CORRIDA DE CARRINHOS E CINEMÁTICA: AÇÃO DE EXTENSÃO NA LICENCIATURA EM FÍSICA
Talia Mara Batisti, Dionei Anderson Faccin Santos, Inés Prieto Schmidt Sauerwein
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CORRIDA DE CARRINHOS E CINEMÁTICA: AÇÃO DE EXTENSÃO NA LICENCIATURA EM FÍSICA
## Talia Mara Batisti 1 , Dionei Anderson Faccin Santos 2 , Inés Prieto Schmidt Sauerwein 3
- 1 Universidade Federal de Santa Maria / Licenciatura em Física, talia.batisti@acad.ufsm.br
- 2 Universidade Federal de Santa Maria / Licenciatura em Física, dionei.faccin@acad.ufsm.br
Palavras-chave : Licenciatura em Física; Ensino Fundamental; Material de Baixo Custo.
Há décadas, o ensino de física nas escolas segue o método tradicional de caráter meramente expositivo e limitado ao conteúdo presente nos livros didáticos. Por muitas vezes, os professores que tentam fugir do tradicional e optam por desenvolver atividades experimentais acabam se frustrando ao se deparar com as condições precárias dos laboratórios didáticos disponibilizados pelas escolas. Se focarmos nosso olhar apenas para as escolas públicas brasileiras, os laboratórios de ciências, em grande maioria, não possuem recursos básicos para o seu funcionamento, os materiais disponíveis são poucos e/ou se encontram em condições precárias. Mais além, 'a inexistência de laboratório é um dos fatores mais citados dentre os trabalhos que buscam verificar os empecilhos para a realização de aulas práticas.' (ANDRADE; COSTA, 2016, p.209).
A falta de incentivo e investimento no ensino de ciências, principalmente de física, limita o trabalho do professor e reforça ainda mais a utilização de métodos de ensino ultrapassados. A dificuldade dos professores em realizar aulas práticas em espaços apropriados e com os recursos necessários afeta não somente o aprendizado dos alunos, mas também contribui para a falta de interesse dos mesmos na disciplina de física. Mediante essas adversidades, professores da educação básica buscam cada vez mais encontrar alternativas para atividades práticas que se encaixem dentro da realidade da sua escola.
Com a intenção de propor uma atividade alternativa para o ensino de física, acadêmicos do curso de Licenciatura em Física, da Universidade Federal de Santa Maria, elaboraram um projeto de extensão o qual utiliza materiais recicláveis e de baixo custo para os anos finais do ensino fundamental. A ação faz parte da disciplina de Planejamentos de Ensino e Extensão, criada mediante a curricularização da extensão, implementada no novo currículo do curso de Física. Decorrente deste novo currículo, o curso agora abrange também o ensino de ciências no ensino fundamental. Com isso, foi selecionada uma escola municipal de ensino fundamental da cidade de Santa Maria para a implementação deste projeto.
A ação de extensão implementada no primeiro semestre de 2023 consistiu em uma atividade experimental composta por uma corrida maluca com quatro carrinhos diferentes, todos construídos por meio de materiais de fácil acesso. Por meio de uma pesquisa na internet, os quatro alunos da disciplina buscaram por
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carrinhos que poderiam ser montados com materiais recicláveis e de baixo custo. Além disso, o tempo de construção e seu nível de dificuldade foram essenciais na seleção dos carrinhos. Cada carrinho utiliza uma forma diferente de se locomover. O primeiro carrinho move-se através da energia cinética proveniente da queda d'água sobre um conjunto de tampinhas de garrafa PET, o qual está atrelado às rodas traseiras. O segundo carrinho utiliza o peso de um objeto, o qual é enrolado em um barbante que aos poucos é liberado, impulsionando o carrinho para frente. Já o terceiro carrinho, utiliza a deformação de um elástico para armazenar energia potencial elástica e transformá-la em energia cinética. O quarto e último carrinho, se move através da liberação do ar armazenado em uma bexiga.
Figura 01: Carrinho impulsionado pela água, (2) carrinho impulsionado pela força peso, (3) carrinho impulsionado pela bexiga e (4) carrinho impulsionado pelo elástico (o qual ainda não havia sido colocado no carrinho no momento da foto). Fonte: Os autores.
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Após a seleção dos carrinhos, foi estabelecido um local dentro da universidade no qual teria espaço suficiente para realizar a corrida, que não fosse muito próximo de nenhuma rua movimentada e que pudéssemos molhar o chão por conta do carrinho movido a àgua. Nas semanas que antecederam a atividade, os quatro alunos montaram e testaram cada tipo de carrinho escolhido. Ainda durante as aulas da disciplina, discutimos algumas questões que poderiam ser levantadas para os alunos durante a corrida e em uma discussão no final da atividade.
- O objetivo principal do projeto é que os alunos explorem as diferentes maneiras de colocar um carrinho em movimento utilizando as transformações de energia. Havíamos pensado em montar os carrinhos junto com os alunos da escola, entretanto, o tempo foi um fator impeditivo para tal. Por exemplo, o carrinho movido a água e o carrinho movido através da força peso demandaram bastante tempo para serem montados, portanto foram levados prontos para o dia da corrida.
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Visando fortalecer a relação Universidade-Escola, a corrida maluca foi realizada dentro de um espaço multiuso disponibilizado pela Universidade Federal de Santa Maria, no dia 06 de Julho de 2023. Os estudantes de uma turma do 9º ano chegaram ao local no início da manhã e participaram de uma breve roda de conversa, na qual foi apresentado o tema da atividade. Em seguida, os alunos foram instruídos a colocar as mãos na massa e construir seus carrinhos. Alguns alunos se propuseram a montar os carrinhos impulsionados pelo elástico enquanto outro pequeno grupo optou por montar os carrinhos impulsionados pela bexiga. Durante a confecção dos mesmos, os organizadores do projeto deixaram o protagonismo com os alunos, permitindo que eles testassem diferentes hipóteses que poderiam fazer com que seus carrinhos vencessem a corrida.
Uma vez que todos os alunos possuíam seus carrinhos em mãos, chegou o momento mais esperado. Em uma pista plana e com pouco atrito, os alunos puderam colocar seus carrinhos à prova e ver qual chegaria primeiro na linha de chegada. A corrida foi realizada repetidas vezes e, em quase todas elas, a mesma aluna venceu a corrida.
Após um intervalo para o lanche, todos os participantes da atividade, incluindo os organizadores, a professora supervisora da disciplina, a vice-diretora da escola e a professora de ciências, se sentaram em uma roda para discutir os resultados da atividade e analisar o que foi possível aprender com isso.
Diante desta discussão final, os alunos puderam perceber que as coisas não se movem sozinhas. Em todos os carrinhos observados, há uma energia que dá sustento ao seu movimento. Ademais, e não menos importante, os alunos puderam perceber também que a física não é resumida apenas em cálculos. Inicialmente, nos estudos feitos pelos cientistas, há a observação de um fenômeno. Esse passo de observação do movimento foi o que os alunos puderam realizar durante a atividade, ou seja, puderam pensar como cientistas sem precisar se utilizar de cálculos.
## Referências
ANDRADE, T. Y. I.; COSTA, M. B. O laboratório de Ciências e a realidade dos docentes das escolas estaduais de São Carlos - SP. Quím. nova esc. - São Paulo-SP. vol. 38, n° 3, p. 209, 2016.
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