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ANÁLISE SOBRE A RELEVÂNCIA DA ATIVIDADE EXPERIMENTAL NO ENSINO DE FÍSICA PARA O ENSINO MÉDIO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PROGRAMA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA

Carlos Eduardo Lisboa Marinho Bastos, Maria Fernanda Bianco Gução

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Pôster

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Texto completo

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## ANÁLISE SOBRE A RELEVÂNCIA DA ATIVIDADE EXPERIMENTAL NO ENSINO DE FÍSICA PARA O ENSINO MÉDIO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PROGRAMA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA

## Carlos Eduardo Lisboa Marinho Bastos¹, Maria Fernanda Bianco Gução²

- ¹ Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul,

Campus Bento Gonçalves, carloselmb@gmail.com

- ² Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul,

Campus Bento Gonçalves, maria.gucao@bento.ifrs.edu.br

Palavras-chave : Residência Pedagógica; Ensino de Física; Atividade experimental.

Este trabalho propõe uma análise acerca da relevância da atividade experimental para otimizar o processo de ensino-aprendizagem no âmbito do ensino médio. Apresentamos um relato de experiência vivenciado por meio do Programa Residência Pedagógica cujos objetivos são: oportunizar ao licenciando exercer atividades como professor de escola pública, na perspectiva da articulação teoriaprática, melhorando a formação dos estudantes e estreitando relações com os docentes dos espaços educativos participantes, no que se refere à formação continuada; viabilizar o contato e o processo de formação in loco e a troca de saberes entre os licenciandos e os professores atuantes nos espaços educativos em processo de formação continuada; oportunizar momentos de leitura e discussões acerca das concepções pedagógicas no intento de compreender a complexidade do processo de formação inicial e continuada; articular aspectos teóricos desenvolvidos ao longo do curso de licenciatura em Física nas disciplinas de prática de ensino com a efetiva regência de classe.

A atividade experimental em sala de aula é uma estratégia metodológica que propicia ao estudante travar contato com situações concretas enriquecedoras do processo de ensino-aprendizagem. Em face à reduzida carga horária disponibilizada nas escolas públicas para as aulas de Física, a atividade experimental pode ser uma ferramenta metodológica eficiente para encurtar o percurso de aprendizagem, pois apresentam oportunidade de confrontamento entre conhecimentos prévios, concepções alternativas e os conceitos de Física ensinados na aula. Freire (1997) salienta que experienciar a teoria acarreta o aprendizado desta. A velha máxima da indissociabilidade entre teoria e prática.

Em vista da alternativa em relação a uma aula tradicional, focada no professor, onde a desmotivação dos estudantes se faz presente, um experimento de Física realizado pelos próprios estudantes os motiva e desafia a suplantar a abstração dos conceitos teóricos da disciplina, além de fomentar reflexões acerca da nossa realidade: o que ocorre nos fenômenos físicos versus o que o senso comum acha que ocorre nesses fenômenos. A aula nessa proposta, segundo Reis (2013), seria um encorajamento à participação dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem, habilitando-os a entender e avaliar conscientemente os avanços tecnológicos do espaço social em que vivemos.

No programa Residência Pedagógica em uma escola estadual, turma de segundo ano do ensino médio, foi verificado que a reduzida carga horária era insuficiente para abordar a teoria e propor exercícios de fixação, em uma perspectiva

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de aula tradicional, de maneira que a teoria, por si só bastante abstrata, distanciavase ainda mais. Esse cenário conduz e confirma que a assimilação de conceitos e conteúdos de Física, notadamente no Ensino Médio, é tida como um problema que incomoda e preocupa professores e alunos (GRASSELLI; GARDELLI, 2014).

Era chegado o momento de aplicar uma avaliação, segundo o cronograma escolar, e ficou resolvido que a atividade avaliativa seria a realização de um experimento de Física, cujos aparatos, montados com material de baixo custo, foi trazido pelo professor residente, e os estudantes os manipularam na realização, que foi conduzida pelo professor residente.

- O tema processos físicos de Calor foi trabalhado em duas aulas anteriores, somente a teoria, sem exercícios, e seus temas particulares como transferência de energia térmica, dilatação, calor sensível e calor latente. A proposta foi os estudantes realizarem o experimento, seguindo um roteiro, e responderem a questões em uma folha. O primeiro experimento consistiu em aproximar um balão cheio de ar a uma chama de vela, cuja consequência é o seu estouro. Ato contínuo é não só aproximado, como também encostado na chama da vela, um balão contendo água, e verifica-se que o balão não estoura. O segundo experimento consistiu na queima de uma folha de papel ofício, encostando-a em uma chama de vela, ato contínuo a ação foi repetida, desta vez com uma folha embrulhando um pedaço de madeira.

A atividade avaliativa continha seis perguntas, das quais duas questões centrais foram: 'Explique o ocorrido nos itens 1 e 2, empregando conceitos físicos de calor e calor sensível', relativa ao experimento 1, fornecidos os valores do calor sensível dos materiais, e 'Explique o ocorrido nos itens 4 e 5 empregando conceitos físicos de calor e calor sensível', relativa ao experimento 2.

Em ambos os experimentos, foi solicitado aos estudantes explicar as causas do ocorrido, empregando conceitos físicos de processos de calor e do conceito de calor sensível. Em relação ao primeiro experimento, é importante dizer que na concepção espontânea dos estudantes, o balão com ar estoura unicamente porque a chama 'queima' o plástico, material pouco resistente ao fogo, e por isso há uma surpresa quando o balão contendo água não estoura, refutação à hipótese anterior, implicitamente. A respeito desse fato, a resposta dada foi a de que a água esfriou a bexiga, evitando sua queima e, consequentemente o estouro. Quanto ao segundo experimento, eles não apresentaram nenhuma concepção para a folha de papel que queima menos, estando associado à madeira. No tocante à aprendizagem, Bachelard enfatiza ser necessário o rompimento com a realidade, já que essa é conhecida pelos estudantes através dos sentidos, que por sua vez, são limitados e propensos a falhas. Os conhecimentos prévios trazidos pelos estudantes, provenientes de suas percepções da realidade, necessitam ser confrontados com os de caráter científico.

Nos dois experimentos o residente iniciou uma discussão acerca dos temas estudados nas aulas, a respeito do processo de calor e calor sensível, e assim eles puderam refletir sobre suas respostas às questões. À queima e estouro do balão com ar foi acrescentado pelos estudantes a influência do ar contido no interior do balão, cujo baixo calor sensível causou seu aumento de temperatura, 'mais do que no caso com a água'. Percebe-se que os estudantes todavia, não associaram ao efeito do estouro, o fato de que o ar aqueceu em certa medida que não viabilizou a transferência de energia térmica suficiente do balão para o ar no seu interior a ponto de evitar sua queima, consequentemente, também não o fizeram no caso do balão com água, quando o calor sensível mais elevado acarretou em reduzido aumento na temperatura,

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permitindo que a diferença de temperatura entre balão e água fosse maior do que no caso com o ar. Após as reflexões sobre o ocorrido no primeiro experimento, os estudantes concluíram que no segundo experimento a folha associada unicamente ao ar incendiou-se, e a folha envolta na madeira queimou, sem incendiar-se, porque ar e madeira atuaram como o ar e água do primeiro experimento, devido às suas características (valores do calor sensível).

Foi considerado pelo residente que a teoria ensinada com metodologia tradicional não foi suficiente para que os estudantes compreendessem os conceitos envolvidos na experimentação, sendo necessário um auxílio para que respondessem às questões da atividade avaliativa.

Em contrapartida, o residente observou que no dia da atividade houve um melhor engajamento da turma em comparação com a exposição oral de aulas anteriores. De acordo com o trabalho de Laburú (2005), atividades curiosas, envolventes, chocantes, despertam o interesse dos alunos. Na semana seguinte um dos estudantes, espontaneamente relatou à professora preceptora o que ocorreu na atividade experimental, abordando os conceitos envolvidos de maneira correta, objetiva e clara. Essa atividade, que como já foi dito, necessitava ser avaliativa, foi escolhida pelo residente para ser de caráter experimental em virtude de não haver tido oportunidade para realizar exercícios de fixação, que seriam tanto conceituais como de cálculo, salientamos que até o momento da escrita deste relato, não foi realizada outra forma de avaliação que pudesse corroborar as primeiras impressões sobre a aprendizagem dos estudantes sobre o tema.

Consideramos que, de acordo com os objetivos do Programa Residência Pedagógica, essa vivência de experimentar a prática docente e refletir sobre ela durante o processo de formação inicial é de extrema relevância para uma formação docente de qualidade.

## Referências

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.

REIS, Elival Martins, SILVA, Otto H. M. Atividades experimentais: uma estratégia para o ensino da física. Cadernos Intersaberes , Curitiba, vol. 1, n. 2, p. 38-56, jul./ago. 2013. Disponível em: https://www.cadernosuninter.com/index.php/intersaberes/issue/view/9. Acesso em:

13 jul. 2023.

GRASSELLI, E. C.; GARDELLI, Daniel. O ensino da física pela experimentação no ensino médio: da Teoria à prática. Os Desafios da Escola Pública Paraense na Perspectiva do Professor . vol. 1, p. 99-120, ISBN 978-85-8015-080-3, 2014. MEC

BACHELARD, Gaston. O novo espírito científico . Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1968.

LABURÚ, Carlos Eduardo. Seleção de experimentos de Física no ensino médio: uma investigação a partir da fala de professores. Investigações em Ensino de Ciências , Londrina, vol. 10, n. 2, p. 161-178, mai./jun./jul./ago. 2005. Disponível em: https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/view/515

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