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ASTROBIOLOGIA NA REVISTA BRASILEIRA DE ENSINO DE FÍSICA

Aline Godinho Bruck, Aline Tiara Mota

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Currículo e ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ASTROBIOLOGIA NA REVISTA BRASILEIRA DE ENSINO DE FÍSICA

## Aline Godinho Bruck 1 , Aline Tiara Mota 2

1

IFRJ campus Volta Redonda, alinebruckveg@outlook.com 2 IFRJ campus Volta Redonda, aline.mota@ifrj.edu.br

Palavras-chave : Astrobiologia; Ensino de Física; Interdisciplinaridade.

## Resumo expandido

A astrobiologia é um campo da ciência multidisciplinar que busca informações que possam contribuir para resolver problemas relacionados à origem, evolução e possível distribuição da vida pelo Universo (Galante, 2016). Quando essa busca é feita em ambientes desconhecidos, surge a questão: como reconhecer o que é ou não é vida? Não existe uma definição precisa do que é a vida, mas existem condições necessárias para sua formação. Uma delas é a necessidade de o ser apresentar moléculas complexas que interagem com o meio externo e mantêm seu funcionamento interno. É necessário também algum meio líquido para manter a concentração e o livre fluxo de compostos, permitindo rápidas interações moleculares. Além disso, é fundamental uma fonte externa que forneça energia constantemente (Rampelotto, 2012).

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os conteúdos de Ciências da Natureza e suas Tecnologias no Ensino Médio são divididos em três competências específicas, que por sua vez se subdividem em habilidades. O estudo que aborda a dinâmica da Vida, da Terra e do Cosmos está inserido na competência 2, especificamente na habilidade (EM13CNT209), que envolve o desenvolvimento de conhecimentos conceituais relacionados à origem e evolução da vida, registro fóssil, exobiologia e outros.

(EM13CNT209) Analisar a evolução estelar associando-a aos modelos de origem e distribuição dos elementos químicos no Universo, compreendendo suas relações com as condições necessárias ao surgimento de sistemas solares e planetários, suas estruturas e composições e as possibilidades de existência de vida, utilizando representações e simulações, com ou sem o uso de dispositivos e aplicativos digitais. (Brasil, 2018, pág 557).

A escolha da Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF) deveu-se à sua qualidade, sendo um dos principais periódicos científicos editados pela Sociedade Brasileira de Física, que busca "promover e divulgar a física e ciências correlatas, contribuindo para a educação científica da sociedade como um todo" (RBEF, 1979). O objetivo desta pesquisa é mostrar como a temática está inserida nos conteúdos de astronomia, com base nas mais recentes publicações da RBEF. Para isso, o método desenvolvido consistiu em uma revisão sistemática dos últimos artigos e resenhas publicadas no período de 2018 a 2023 de forma retrospectiva, que tratam de assuntos da astronomia, com foco nos que contêm astrobiologia.

- O método de investigação utilizado para categorizar o material do periódico foi a Análise de Conteúdo (Moraes, 1999), que começou com a seleção superficial através da leitura flutuante dos artigos e resenhas, começando pelos mais recentes e avançando para os mais antigos, até atingir um total de 100 trabalhos relacionados

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- a temas de astronomia em geral. Em seguida, foi realizada a leitura de todos os resumos selecionados para identificar aqueles que tratam especificamente da busca pela vida no Universo. 1

Foram identificados 7 textos com temas ligados à astrobiologia, e, após uma leitura aprofundada, foi possível selecionar os pontos em comum. Um tema recorrente é a interdisciplinaridade que converge para explorar questões relacionadas à vida extraterrestre e à exploração espacial. Outro ponto comum é a discussão sobre a origem da vida, tanto na Terra quanto em outros planetas, e como as leis fundamentais da física e da química podem ajudar a entender esse fenômeno complexo.

- O artigo de Andrade (2020) aborda a queda livre em um túnel gravitacional e demonstra que uma hipotética rede de túneis construída no interior da Lua poderia servir como meio de transporte, pois o corpo, ao se comportar como partícula, oscilaria em Movimento Harmônico Simples (MHS). "A colonização da Lua pode desempenhar um papel muito importante, pois pode ser usada como uma primeira base de acampamento para iniciar a exploração do espaço exterior" (Andrade, 2020, v. 42). Outro artigo, no formato de um curso aberto, massivo e online (MOOC), dividido em 4 semanas, aborda o objetivo de "compreender de maneira mais ampla e crítica os aspectos envolvidos no surgimento da vida na Terra e no possível surgimento de vida em outros planetas" (Souza, 2020, v. 42).

A origem, formação e detecção de exoplanetas, bem como o conhecimento sobre o nosso próprio planeta, foram discutidos no artigo de Silva (2020, v. 42), que explicou estratégias de observações do trânsito planetário com um telescópio de pequena abertura, medindo a variação do fluxo luminoso da estrela. O autor também demonstrou, por meio de manipulações de fórmulas físicas e utilizando a Lei de Kepler, como tratar os dados obtidos no estudo realizado na estrela WASP 76. O artigo de Horvath (2020, v. 42) discute a origem dos elementos pelo Big Bang e sua implicação na composição da Terra, além de destacar sua escassez no currículo brasileiro de ensino de física. Compreender como os elementos básicos que formam a matéria e como a vida se originou e evoluiu na Terra é fundamental para estender essa busca pelo Cosmos.

A resenha feita por Marques (2021, v. 43) apresenta um breve resumo sobre a discussão da origem do Universo, do Sistema Solar e de sistemas planetários extrasolares, com foco na detecção de exoplanetas por efeito Doppler. Além disso, a origem da vida é mais profundamente discutida na segunda resenha de Silva (2021, v. 43) com o objetivo de "estudar a possibilidade de entender a vida a partir das leis fundamentais da física e da química". Outro de Horvath (2023, v. 45) aborda a física da matéria e antimatéria, destacando a falta de atenção dada a esse tópico no ensino de física de nível médio no Brasil, e discute sua aplicação em viagens à Lua, robôs enviados a Marte, sondas e satélites enviados ao espaço, que não foram aniquilados pela antimatéria, abrindo uma discussão sobre o assunto.

Com base nessa análise, foi possível perceber que a física integra o ensino com a atualidade e contribui para a ruptura do paradigma da desinformação. Portanto, é fundamental continuar promovendo o diálogo e a colaboração entre diferentes áreas do conhecimento para avançar no entendimento de nossa origem,

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do universo e da vida, e para explorar as fronteiras do espaço. Nesse cenário, destacamos a importância do ensino e da divulgação científica e acreditamos que a astrobiologia integrada ao ensino de física permitirá despertar o interesse e a curiosidade dos estudantes na busca pelo conhecimento de temas complexos que ainda não foram completamente desvendados.

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

DE ANDRADE, M. A.; FERREIRA FILHO, L. G.; NEVES, C. An alternative mobility & transportation that uses gravity for the colonization of the Moon. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, 2020.

GALANTE, Douglas et al. Astrobiologia: uma ciência emergente. 2016.

HORVATH, J. E. O nascimento da matéria (da qual nós estamos feitos): bariogênese no Universo primordial. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 45, 2023.

HORVATH, K. A.; BRETONES, P. S.; HORVATH, J. E. Interdisciplinary study of the synthesis of the origin of the chemical elements and their role in the formation and structure of the Earth. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, 2020.

MARQUES, Mayra Meirelles; NASCIMENTO-DIAS, Bruno Leonardo do. A origem dos planetas: Catorze bilhões de anos de evolução cósmica. 2021.

MORAES, Roque. Análise de conteúdo. Revista Educação, Porto Alegre, v. 22, n. 37, p. 7-32, 1999.

RAMPELOTTO, Pabulo Henrique. A química da vida como nós não conhecemos. Química Nova, v. 35, p. 1619-1627, 2012.

RBEF, Revista Brasileira de Ensino de Física. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 1979.

SILVA, José Carlos; ROBERTO JUNIOR, Artur Justiniano; ALVES, João Carlos Pereira. Detecção do trânsito planetário de um exoplaneta com um telescópio de pequena abertura. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, 2020.

SILVA, Saulo Luis Lima da; MATA, Angélica Sousa da. O que é vida? O aspecto físico da célula viva de Erwin Schrödinger. 2021.

SOUZA, Rodrigo de; CYPRIANO, Elysandra Figueredo. Origens da vida no contexto cósmico: o primeiro MOOC em astronomia desenvolvido no Brasil. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 42, 2020.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.