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APROPRIAÇÃO DA TECNOLOGIA COMO SUPORTE PEDAGÓGICO DE PROFESSORES DE FÍSICA DURANTE O ENSINO REMOTO EMERGENCIAL

Giovanna Carvalho De Morais, Gustavo Isaac Killner

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente no ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## APROPRIAÇÃO DA TECNOLOGIA COMO SUPORTE PEDAGÓGICO DE PROFESSORES DE FÍSICA DURANTE O ENSINO REMOTO EMERGENCIAL

## Giovanna Carvalho de Morais 1 , Gustavo Isaac Killner 2

1 IFSP-SPO/DCM/SAF, giocm01@gmail.com

2

IFSP-SPO/DCM/SAF, gustavoik@ifsp.edu.br

Palavras-chave : ensino de física; tecnologia; covid-19

A partir da Portaria 343/2020 emitida no Diário Oficial da União, a implementação e execução compulsória do ensino remoto emergencial (ERE) passou a orientar as atividades pedagógicas em todas etapas e níveis do sistema de ensino, demandando uma reorganização das atividades escolares que pudesse encurtar distâncias e minimizar os efeitos da impossibilidade de realizar atividades no formato presencial, o que impactou diretamente no ensino de ciências da natureza e, mais especificamente, no ensino de física. Os professores precisaram se reinventar e utilizar instrumentos diversificados para que a disciplina não perdesse seu potencial experimental, colocando em cena simuladores, ambientes virtuais de aprendizagem, produção de vídeos, plataformas de comunicação e mídias sociais.

Com o fim da pandemia, identificou-se uma continuidade do uso destas plataformas em aulas de física, o que motivou a formulação do objetivo desta pesquisa: compreender como a relação do professor de física com a tecnologia evoluiu durante e após a pandemia da COVID-19 e como essa relação poderia ser utilizada de forma ativa no cotidiano de educadores e alunos. Para tanto, a pesquisa iniciou-se com a formulação e aplicação de um questionário, aprovado pelo Comitê de Ética na Pesquisa, com questões fechadas de múltipla escolha na escala Likert, considerada um tipo de escala de atitude na qual o respondente indica seu grau de concordância ou discordância em relação a determinado objeto e que Morais (2005) e Bermudes (2016) caracterizam como uma forma de coleta de dados em que os resultados podem não apenas ser determinados através de métodos comuns, como mediana e moda, mas também através de desvio padrão, média, análise fatorial e regressão, fornecendo indicações sobre a posição do entrevistado em relação a cada afirmação. Nesta pesquisa, adotou-se a escala de 1 a 5, na qual 1 corresponde a concordo totalmente e 5 a discordo totalmente .

A aplicação do questionário alcançou, entre Abril e Setembro de 2023, vinte e oito professores de física de escolas públicas, técnicas estaduais e federais e escolas particulares, todos do estado de São Paulo. Até o final de 2023 mais educadores poderão participar do espaço amostral.

Em análise primária dos resultados preliminares da pesquisa, muitos professores relatam que não houve incentivo significativo por parte das instituições para que os professores pudessem aprender a lidar com este cenário. O dinheiro e o tempo investidos na apropriação e no domínio de dispositivos eletrônicos e softwares e plataformas de comunicação foram, em grande parte, de responsabilidade dos próprios educadores (gráfico 03).

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Gráfico 01: Índice de adaptação de espaços de home office

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Gráfico 02: Índice de mudança de rotinas dos entrevistados

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Dentre os entrevistados, a maioria (78,6%) concorda que este processo de apropriação e investimento em tecnologia alterou suas rotinas, fazendo com que precisassem exceder seu horário de trabalho remunerado e até mesmo abdicar de horas de lazer ou descanso durante o ERE, o que dialoga com Benini (2020) quando aponta que a contradição fundamental desse processo é justamente a desvalorização e alienação do trabalho docente. Mesmo em um cenário de trabalho excessivo, os esforços necessários para adaptação de seus conhecimentos e espaços não eram reconhecidos nem recompensados por medidas tomadas pelas instituições.

Gráfico 03: Índice de apoio financeiro ao aparelhamento de espaços

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Com relação ao uso das tecnologias no processo educativo, os dados iniciais da pesquisa apontam que são poucos os professores de física que não utilizavam

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tecnologia antes do ERE e continuam não utilizando (13,7%). Alguns (28,5%) relatam o uso de tecnologia quase que exclusivamente para registro de atividades e diário eletrônico ou para exibição de slides , como é o caso do programa PowerPoint e Google Slide. Atualmente, este uso vem sendo implementado por algumas secretarias de educação, como do Paraná e de São Paulo, como narrativa para modernização e digitalização da maquinaria escolar.

O ensino de física, tal como o ensino de ciências como um todo, sofreu durante a pandemia um impacto relacionado ao caráter experimental da disciplina; sem o ensino presencial, eram necessários outros métodos que pudessem suprir a necessidade de demonstrar os fenômenos abordados com as turmas. Muitos professores (71,4%), já em momento pré-ERE, relataram o uso de simuladores online , com os quais era possível realizar uma variedade de experimentos que muitas vezes superam a capacidade dos laboratórios das instalações das escolas.

De modo geral, os resultados iniciais da pesquisa apontam que o uso das TICs no ensino de física em diferentes escolas do estado de São Paulo já existia em período anterior ao ERE com finalidades e frequências diferentes e tende a aumentar de forma expressiva, seja devido à vontade dos educadores ou das instituições de ensino. A adaptação a esta realidade pode ser incentivada não somente através da relação entre as escolas e os professores de física, fomentando discussões, cursos de capacitação e arcando com eventuais despesas para aparelhamento da estrutura da escola e aquisição de plataformas virtuais que podem ser utilizadas como facilitadoras, mas também através da incorporação da tecnologia nos cursos de formação de professores, tanto no currículo ou na infraestrutura das universidades, de forma contínua e aprofundada nos cotidianos destes, tornando-a um suporte para o planejamento didático em física.

## Referências

BENINI, Elcio Gustavo; Fernandes, Maria Dilnéia; Petean, Gustavo Henrique. Educação a distância na reprodução do capital: entre a ampliação do acesso e a precarização e alienação do trabalho docente. Trabalho, Educação e Saúde, [S. l.], v. 18, n.3, p. 1-15, 2020.

BERMUDES; Wanderson Lyrio; SANTANA, Bruna Tomaz; BRAGA, José Hamilton Oliveira; SOUZA, Paulo Henrique. Tipos de escalas utilizadas em pesquisas e suas aplicações. In Vértices, Campos dos Goytacazes/RJ, v.18, n.2, p. 7-20, maio/ago. 2016.

MORAIS, Carlos Mesquita. Escalas de medida, estatística descritiva e inferência estatística. Bragança: Escola Superior de Educação. Instituto Politécnico de Bragança, 2005. Disponível em: &lt;https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/7325/1/estdescr.pdf&gt;. Acesso em: 08 jan. 2022.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.