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O QUE MUDOU E O QUE AINDA NÃO MUDOU NOS LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO

Jorge Megid Neto

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O QUE MUDOU E O QUE AINDA NÃO MUDOU NOS LIVROS DIDÁTICOS DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO WHAT CHANGED AND WHAT NOT CHANGED IN TEXTBOOKS OF HIGH SCHOOL PHYSIC

## Jorge Megid Neto

UNICAMP/Faculdade de Educação/DEPRAC, megid@unicamp.br

Palavras-Chave: Livro Didático, Ensino Médio, PNLD, PNLEM

Tem sido voz corrente na literatura nacional que o livro didático é o principal, quando não o único, instrumento de que professores e alunos dispõem para o desenvolvimento das atividades de ensino-aprendizagem na escola básica. Nesse contexto, há pelo menos três décadas o Livro Didático tornou-se objeto de estudo de pesquisas acadêmicas e, desde 1993, de avaliação do Ministério da Educação, por intermédio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

- O PNLD, entre 1993 até 2010, abrangeu a avaliação de livros didáticos do Ensino Fundamental nas diferentes áreas do currículo escolar. Em 2005 a avaliação foi estendida para livros do Ensino Médio (PNLEM), nas áreas de Matemática e Língua Portuguesa e, em 2006, para as áreas de Física, Química, Biologia, História e Geografia.

No caso dos Livros Didáticos de Física, a primeira avaliação teve seus resultados divulgados em 2007, sendo aprovadas cerca de 25% das 23 coleções didáticas submetidas pelas editoras. Em 2011 deverá ser divulgada a segunda avaliação, correspondente ao Guia do Livro Didático de Física / 2012.

Este trabalho tem por intenção investigar quais as mudanças ocorridas nos Livros Didáticos de Física nos últimos 5 anos, decorrentes da incorporação dos resultados e contribuições das pesquisas acadêmicas na área, do primeiro processo de avaliação do PNLD-Ensino Médio (Guia do PNLEM - 2007) e de mudanças autônomas produzidas por autores e editoras. Ao mesmo tempo discutiremos o que ainda não mudou, ou o que ainda precisa mudar e melhorar nas coleções didáticas.

Tomaremos por base de análise três fontes: a) os resultados da pesquisa de Lopes (2007), que avaliou as 6 coleções de Física (volume único) mais vendidas por editoras brasileiras em 2005; b) os parâmetros, critérios e resultados da primeira avaliação oficial de livros didáticos de Física (PNLEM-2007); c) a análise de 2 coleções didáticas bastante atuais, submetidas ao PNLD-Ensino Médio-2012.

Os resultados aqui apresentados referem-se às tendências gerais observadas nessas 31 coleções didáticas analisadas. É possível, pois, encontrarmos comportamentos globais de algumas coleções abaixo dos comentários assinalados, como também coleções que tenham uma 'perfomance' acima do que foi tratado. Procuraremos nesta exposição destacar o que de mais positivo foi encontrado nas coleções, o que não significa que todas atenderam os aspectos mencionados. Intentamos colocar em evidência o fato de que, se algumas coleções avançaram positivamente no sentido de atender ao menos parcialmente as diretrizes curriculares do ensino médio e as contribuições das pesquisas acadêmicas no

campo do Ensino de Física, por que todas as coleções não poderiam fazer o mesmo e, até mesmo, em todas as páginas e volumes de uma mesma coleção?

No conjunto das coleções, evidenciamos:

- 1. Melhoria da correção conceitual de textos, ilustrações e atividades.
- 2. Eliminação de preconceitos e estereótipos raciais e sócio-econômico-culturais, muito embora ainda persista uma concentração de figuras masculinas e brancas entre as pessoas comuns ou entre os cientistas renomados ilustrados nas coleções.
- 3. Diversidade textual e lingüística: textos dos autores, extratos de textos originais de cientistas, textos de divulgação científica, textos jornalísticos ou da mídia eletrônica, imagens de obras de arte, poemas, textos literários etc.
- 4. Projeto gráfico e editorial moderno.
- 5. Atividades diversificadas: problemas abertos, experimentos abertos/semi-abertos, entrevistas, 'pesquisas' bibliográficas, projetos coletivos, estudo do meio, debates, entre outros. Essas atividades possuem um caráter complementar e, em boa parte das vezes até mesmo suplementar.
- 6. Redução do formalismo matemático excessivo e dos exercícios de resolução puramente algébrica.
- 7. Incorporação de atividades experimentais, embora na quase totalidade das coleções essas atividades ainda sigam o modelo da redescoberta (atividade com roteiro passo-a-passo).
- 8. Incorporação da História internalista da Ciência, apresentando dados e fatos biográficos dos cientistas, bem como o desenvolvimento histórico de teorias ou conceitos. Os determinantes políticos, ideológicos, sociais, econômicos e culturais no desenvolvimento científico aparecem muito raramente.
- 9. Incorporação de Física Moderna e Contemporânea (FMC), geralmente no terceiro volume da coleção., não estando diluída ao longo dos volumes.
- 10. Abordagem multidisciplinar ou interdisciplinar, embora com baixa freqüência.
- 11. Temas e aplicações tecnológicas atuais. Realçam os benefícios provocados pelo desenvolvimento científico e tecnológico à sociedade contemporânea, sem apresentar uma discussão crítica desses benefícios ou dos prejuízos ambientais causados.
- 12. Enciclopedismo das coleções. A coleção passou a ter cerca de 1.200 a 1.500 páginas o que torna praticamente impossível abranger o estudo de todos os capítulos da coleção com o número de aulas semanais de Física nas escolas públicas de Ensino Médio.

Em suma, no conjunto das coleções analisadas, livros produzidos nos últimos 5-6 anos, podemos considerar que muitas mudanças positivas ocorreram, melhorando significativamente sua qualidade, especialmente as coleções aprovadas pelo PNLEM. Todavia, grande parte dessa melhoria ficou situada em partes complementares ou suplementares do Livro do Aluno ou no Manual do Professor. Simultaneamente ocorreu a ampliação considerável do número de páginas das coleções, o que impede que professores e alunos trabalhem toda ela ao longo dos três anos letivos. Nesse caso, há uma tendência de o professor abandonar as partes complementares ou suplementares, mesmo porque elas exigem maior preparação

extraclasse, materiais ou tempo nem sempre disponíveis e muitas vezes uma formação e aperfeiçoamento do professor. Assim, a coleção, mesmo que inovadora, na prática de sala de aula se torna uma coleção mais clássica e antiquada.

Sugerimos algumas medidas que poderiam reduzir tais problemas:

- a) Modificar o Projeto Editorial dos livros atuais de boa qualidade, tornando aquilo que é complementar/suplementar em curricular.
- b) Manter o LD como apoio à formação continuada do professor, projetando um Manual do Professor de grande qualidade e bastante completo, de forma a diminuir as dificuldades do professor em desenvolver os tópicos inovadores e mais atuais do ponto de vista científico e pedagógico.
- c) Tratar da história externalista da ciência e da FMC ao longo de todas as unidades e volumes e não apenas eventualmente.
- d) Explicitar as concepções prévias dos alunos e aproveitá-las no desenvolvimento dos textos articuladas às atividades de solução de problemas;
- e) Explorar a experimentação didática de natureza investigativa e aberta.
- d) Ressaltar a visão crítica e dialética da ciência e das relações CTSA, realçando seus aspectos multiculturais, históricos, políticos, econômicos, ideológicos e sociais.
- e) Reduzir o enciclopedismo dos livros atuais, a partir da formulação de um currículo básico e de módulos complementares passíveis de escolha pelos professores em função de sua realidade educacional.

## REFERÊNCIAS

CACHAPUZ A, GIL-PEREZ,D., CARVALHO, A. M. P., PRAIA, J. VILCHES, A. (org.) A necessária renovação do ensino das Ciências . São Paulo: Cortez, 2005. 263 p.

FRACALANZA, Hilário, MEGID NETO, Jorge (orgs.) O livro didático de Ciências no Brasil . Campinas-SP: Komedi, 2006.

GIL-PÉREZ, D. New Trends in science education . Science Education , v.18, n.8, p. 889-901, 1996.

LEÃO, Flávia de Barros Ferreira. O que avaliam as avaliações de livros didáticos de Ciências - 1 a 4 séries do Programa Nacional do Livro Didático? a a Campinas : Faculdade de Educação, UNICAMP, 2003. (Dissertação de mestrado).

LOPES, Bruno B.G. Livros didáticos de Física e as inovações da pesquisa em educação em ciências. Dissertação (Mestrado em Educação). 2007. 136 p. Faculdade de Educação - UNICAMP, 2007.

MATTHEWS, M.R. História, filosofia e ensino de Ciências: a tendência atual de reaproximação. Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis, v.12, n.3, p. 164-214, dez.1995.

NARDI, Roberto. Avaliação de livros e materiais didáticos para o ensino de ciências e as necessidades formativas do docente . In: BICUDO, Maria Aparecida V., SILVA Jr., C. A. da. (Orgs.). Formação do educador e avaliação educacional . v.1. São Paulo: EdUNESP, 1999.

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