AMPLIANDO A PERCEPÇÃO DE ESTUDANTES COM E SEM DEFICIÊNCIA VISUAL SOBRE ASSOCIAÇÕES ELÉTRICAS: UMA PROPOSTA DE ARRANJO EXPERIMENTAL INCLUSIVO
Julia Roberta Pereira Dos Santos Moraes, Lucia Da Cruz De Almeida, Carlos De Souza Ribeiro, Gabriel Silva Araujo, Victória De Almeida Garcia
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Rj-Rj Pôster
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023
Texto completo
## AMPLIANDO A PERCEPÇÃO DE ESTUDANTES COM E SEM DEFICIÊNCIA VISUAL SOBRE ASSOCIAÇÕES ELÉTRICAS: UMA PROPOSTA DE ARRANJO EXPERIMENTAL INCLUSIVO
Julia Roberta Pereira dos Santos Moraes 1 , Lucia da Cruz de Almeida 2 , Carlos de Souza Ribeiro 3 , Gabriel Silva Araujo , *Victória de Almeida Garcia 4 5
1 UFF/PPECN, moraesjulia@id.uff.br
2 UFF/Departamento de Física/PPECN, luciacruzalmeida@id.uff.br 3 UFF/PPECN, carlosdesouzaribeiro@gmail.com 4 UFF/Curso de Licenciatura em Física, gs\_araujo@id.uff.br 5 UFF/Curso de Licenciatura em Física, victoria\_almeida@id.uff.br
Palavras-chave : Inclusão; Deficiência visual; Arranjo experimental
A pesquisa em ensino de Física tem se voltado para a importância de mudanças visando a melhoria da aprendizagem dos estudantes. Significativas recomendações têm sido produzidas nesse sentido, todavia, em contraposição às recomendações, ainda se percebe a predominância de um ensino expositivo tendente à passividade dos estudantes, resultando em uma aprendizagem mecânica (MOREIRA, 2021), com pouca ou nenhuma contribuição para a autonomia, a criticidade dos estudantes e a apropriação de conhecimentos científicos essenciais ao desenvolvimento pessoal e social (FRANÇA; GOMES; FRANÇA JÚNIOR, 2021).
Neste trabalho, voltamos o nosso olhar para um ensino de Física que leve em conta as especificidades dos estudantes com deficiência visual (DV), com a apresentação de um arranjo experimental para o estudo de circuito elétrico simples.
- A inclusão de estudantes com necessidades educacionais específicas coloca em evidência o quanto essa forma de ensino é imprópria para garantir o direito à participação de todos os estudantes nas atividades escolares com consequente aprendizagem. Assim, tal como a defesa de Mantoan (2006) sobre a inclusão de pessoas com deficiência ser o grande mote para empreender mudanças nas escolas, defendemos que refletir e agir em prol de um ensino de Física inclusivo é romper com o engessamento da prática docente, dando espaço para a criação e consolidação de práticas educativas que beneficiem a aprendizagem de todos os estudantes, ou seja, com e sem deficiência.
Sobre concepções alternativas às explicações científicas relativas a circuito elétrico simples, Andrade et al (2018) confirmam resultados encontrados em investigações anteriores. Dentre essas, tem afinidade com o arranjo experimental as seguintes:
- - A corrente é uma propriedade exclusiva do gerador. Ela é independente dos demais elementos do circuito (ANDRADE et al, 2018, p. 2).
- - A intensidade da corrente é determinada pelo elemento através do qual ela está passando. Ela não pode ser influenciada por um elemento onde ainda não passou. Ou seja, a corrente é vista como algo que atravessa o circuito ponto a ponto, afetando cada elemento no momento que o atinge. Assim, uma mudança em um ponto do circuito não afeta o comportamento do circuito nos pontos anteriores.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Apenas a inserção de arranjos experimentais não é suficiente para a melhoria da aprendizagem. A importância recai nas estratégias que serão adotadas com a intenção de: despertar a curiosidade, favorecer a elaboração e explicitação de hipóteses; o fomento aos diálogos entre os discentes; permitir o confronto pela testagem experimental e a reformulação das hipóteses; favorecer a apropriação da explicação científica. Assim, visando a equidade entre os estudantes com e sem DV, nas atividades, os efeitos da passagem de corrente elétrica em diferentes configurações do circuito elétrico do arranjo experimental podem ser observados visualmente, pela audição e/ou pelo tato.
O arranjo experimental proposto refere-se a uma adaptação de sugestão de material didático amplamente divulgado (associação elétrica de lâmpadas), mas que a observação experimental é restrita aos efeitos visuais. Como bem coloca Rodrigues (2008), na perspectiva da inclusão, as práticas educativas devem adotar estratégias alternativas com a inserção de novos recursos ou de novos olhares sobre os existentes. Sendo assim, na produção do arranjo experimental, recorremos a um cooler (mini ventilador) e um buzzer (fonte sonora), ambos de 12 V, em substituição às lâmpadas, 2 pares de conectores para pino banana, 2 pares de pino banana, 2 garras de jacaré e cabo flexível (Figura 01).
Figura 01: Ilustração do arranjo experimental-circuito elétrico simples.
<!-- image -->
O cooler e o buzzer , ambos de 12 V, estão associados em série e cada um deles em paralelo com os conectores de pino banana (Figura 02). Para a alimentação do circuito elétrico é utilizada uma fonte universal AC/DC com 7 voltagens diferentes (1,5/3/4,5/6/7,5/9/12V) e com a substituição dos conectores de saída por garras de jacaré (Figura 03).
Figura 02: Associação elétrica entre os elementos do circuito.
<!-- image -->
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Figura 03: Fonte de alimentação do circuito elétrico.
<!-- image -->
Quando em funcionamento com apenas o cooler e buzzer associados em série, os efeitos podem ser percebidos visualmente pela velocidade de giro da hélice do cooler e auditivamente ou pelo tato, respectivamente, pelo som de seu movimento ou pelo deslocamento de ar gerado; e, também, pela emissão de som pelo buzzer . Ao ser feita uma associação em paralelo com um fio comum (cabo flexível-pinos bananas) no buzzer ou no cooler , haverá alteração em seus funcionamentos. Se, por exemplo, a conexão em paralelo for no buzzer , ele deixará de funcionar e a velocidade da hélice do cooler aumentará.
Antes do uso por estudantes com DV é importante ouvi-los sobre a adequação (dimensão, autonomia no uso e percepção de efeitos) as suas especificidades. Sendo assim, na produção final do arranjo experimental, foram incorporadas sugestões de um jovem graduando em História com cegueira. Dentre as suas sugestões se sobressaíram: o tipo de garra de jacaré devem ser evitadas as com invólucro de silicone por dificultar a manipulação -; sinalização em relevo para as polaridades positivas dos terminais da fonte e do circuito - adotamos a colagem de contas semiesféricas nas polaridades positivas - (Figura 03).
Conforme as recomendações teóricas tratadas anteriormente, o arranjo experimental, a partir do incentivo ao protagonismo do estudantes com e sem DV, tem potencial para a explicitação de hipóteses (concepções alternativa), a verificação experimental, reformulação das hipóteses iniciais e a organização do conhecimento com a mediação do professor, incluindo a compreensão da explicação científica para o estado de curto circuito.
## Referências
FRANÇA, Samira Cassoti Grandi; GOMES, Luciano Carvalhais; FRANÇA JUNIOR, Marcelo Christiano. Uma proposta para o ensino de física por meio de problematizações. Revista Insignare Scientia , RS, v.4, n. 3, p. 542-562, 2021.
ANDRADE, Francisco Andreázio Lôbo de et al. Recorrência de concepções alternativas sobre corrente elétrica em circuitos simples. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v. 40, n. 3, p. e3406-1- e3406-12, 2018.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Igualdade e diferença na escola como andar no fio da navalha. Educação . Santa Maria, v. 32, n. 2, p. 319-326, 2006.
RODRIGUES, David. Desenvolver a educação inclusiva: dimensões do desenvolvimento profissional. Inclusão: Revista da Educação Especial . Brasília, v. 4, n. 2, p. 7-16, 2008.
MOREIRA, Marco Antonio. Desafios no ensino da física. Revista Brasileira de Ensino de Física . São Paulo, v. 43, suppl. 1, p. e20200451-1e20200451-8, 2021.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.