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PIERRE HENRI LUCIE: EDUCADOR E PROFESSOR DE CIENTISTAS

Fábio Ferreira Barroso, Priscila Tamiasso Martinhon, Maira Monteiro Fróes, Célia Sousa, Luiz Pinguelli Rosa (In Memoriam)

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
História, filosofia e sociologia da ciência no ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PIERRE HENRI LUCIE: EDUCADOR E PROFESSOR DE CIENTISTAS

## Fábio Ferreira Barroso 1-4 , Priscila Tamiasso Martinhon 1-4 , Maira Monteiro Fróes 1-4 , Célia Sousa 1-4 , Luiz Pinguelli Rosa (in memoriam)

1 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil

- 2 Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (HCTE/UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil

3 Grupo Interdisciplinar de Educação, Eletroquímica, Saúde, Ambiente e Arte (GIEESAA),

Rio de Janeiro, Brasil

4 Grupo Interinstitucional e Multidisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão em Ciências (GIMEnPEC), Rio de Janeiro, Brasil

Palavras-chave : Pierre Henri Lucie, História da Ciência, História da Física no Brasil.

## INTRODUÇÃO

O trabalho aqui apresentado representa um recorte dentro da pesquisa mais ampla no âmbito do processo de construção de minha tese de doutorado. A tese representa um campo investigativo para a avaliação, à luz da História das Ciências, de investigar as contribuições que o Prof. Pierre Henri Lucie (1917 - 1985) deixou para a educação brasileira, inaugurando uma perspectiva que entendemos nova para sua época e que poderá revelar raízes mais profundas de seu impacto e sugerir caminhos em educação nos quais a História das Ciências possa se tornar um eixo epistêmico e catalisador para o desenvolvimento do conhecimento teórico e aperfeiçoamento das práticas em Educação. Neste artigo vamos ressaltar a importância das contribuições feitas pelo Professor Pierre Henri Lucie para o Ensino da Física no Brasil. De forma resumida, abordaremos sua trajetória profissional iniciando pela atuação em escolas de ensino básico, passando pela criação do Instituto de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio) e terminando com sua atuação no Ministério de Educação. Destacaremos também seu trabalho na difusão das estratégias metodológicas para o ensino da Física a luz do Physical Science Study Committee (PSSC) e sua passagem pela Unicamp reformulando a estrutura disciplinar do curso de Física.

## PIERRE HENRI LUCIE

Nascido em 1917, na cidade francesa da Gasconha chamada Condom, situada no sudoeste da França, Pierre Lucie estudou Ciências na Universidade de Toulouse, recebendo o título de bacharel em filosofia e matemática. Aos 20 anos entra para academia militar, tendo batalhado na 2ª. Guerra e sendo preso pelo exército nazista. Com o fim da guerra em 1945 decide se mudar para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 31 de maio de 1946 desejando se distanciar de uma Europa abatida pelo final da Segunda Guerra Mundial. Como não tinha seu diploma validado no Brasil, não pôde exercer sua profissão e começou a trabalhar na

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indústria do açúcar, com o transporte da carga entre as cidades de Campos dos Goytacazes e o porto do Rio de Janeiro para conseguir se sustentar (Bezerra, 2016).

Quando conseguiu a validação de sua documentação, Pierre Lucie recebeu convite para lecionar no Colégio Santo Inácio onde conheceu o Padre Jesuíta Francisco Xavier Roser, físico de partículas e que também lecionava para os cursos de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio). Essa amizade rendeu a Pierre um novo convite para atuar na graduação com o Prof. Roser e estruturar o Instituto de Física da Universidade Católica, concretizado anos depois (Nobre, 2017).

Na universidade, Pierre Lucie foi um dos idealizadores e primeiro coordenador do Ciclo Básico do Centro Técnico Científico (CTC), operante já em 1961, com o nome de 'Curso Fundamental'. Anos mais tarde, seria formalizado pela Instituição pouco antes da Reforma Universitária promovida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 1968. Nesta época os estudantes de engenharia já se deparavam com conteúdos de especialização nos anos inicias do curso, o que dificultava o necessário nivelamento dos estudantes em matemática e em física básica, bem como uma eventual mudança de especialidade e Com a instauração do Ciclo Básicos por Pierre Lucie, os anos iniciais da graduação passaram a ser preenchidos somente por conteúdos de cálculo e física básica. Essa alteração na grade dos cursos de engenharia fez com que o fluxo de estudantes que concluíam os cursos aumentasse e as disciplinas dos anos finais transcorressem com menos evasões (Bezerra, 2016).

A experiência inicial de centralizar a coordenação das disciplinas consideradas básicas no ensino das ciências na PUC-Rio o levou a participar, em 1963, da reformulação do ensino da Física nos Estados Unidos como membro do Physical Sciences Study Committee (PSSC) desenvolvido no Massachussets Institute of Technology (MIT). O Professor Pierre Lucie foi o único professor de Física da América do Sul convidado para compor este comitê, denominado como responsável pelas traduções e difusão do novo método no país. Cabe ressaltar que essa reformulação aconteceu no período histórico conhecido como Guerra Fria, onde os Estados Unidos estavam com dificuldades em vencer a disputa espacial (Queiroz, 2016).

Em 1957 a extinta URSS lança, com sucesso, o primeiro satélite artificial para a orbita da Terra, o Sputnik 1. Este evento afetou a autoestima Americana forçando o governo a repensar seu sistema educacional e decidir por investir pesadamente na criação de uma indústria aeroespacial. O foco era a formação de mão de obra especializada para consolidar os EUA como vencedor da corrida espacial, culminando em 1969 com a chegada do homem à Lua (Pena, 2012).

Em 1964, traduz os livros do PSSC e inicia sua implementação nos cursos de graduação da PUC Rio. A aplicação deste projeto do MIT encontrou muita resistência por parte de alguns professores por se tratar de um método Americano enquanto estávamos vivendo uma ditatura militar no país. Vários professores questionam o método e sugerem adaptações a realidade brasileira, chegando em 1970 na realização do primeiro Simpósio Nacional de Ensino de Física a conclusão que seria discutido no próximo simpósio (bienal) propostas para alavancar o ensino de física no Brasil.

Em 8 de julho de 1976 foi requerida oficialmente a contratação do Professor Pierre Henri Lucie para uma vaga como docente no Instituto de Física Gleb

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Wataghin da Unicamp (IFGW). O plano de trabalho apresentado por Lucie consistia em um primeiro momento em executar a implantação da reforma curricular do Instituto de Física, em um segundo momento controlar a execução da implantação, participando como docente dos novos cursos propostos. Em um terceiro momento a avaliação de todo o processo inicial de implantação. Pierre Lucie dedicou-se as atividades na Unicamp de dezembro de 1976 a março de 1978, quando pede afastamento de suas funções e retorna as suas funções como docente da PUC Rio.

No início de 1983 a convite da Dra. Jeniffer White, consultora para assuntos educacionais do Banco Mundial, visita instituições de ensino em seis estados do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul) para avaliar as condições do ensino de 1º grau em cada localidade e produzir um relatório que nortearia os investimentos em educação o banco nos próximos anos. A produção deste relatório junto ao Banco Mundial gerou a Pierre Lucie um convite para a coordenação do Projeto para Melhoria do Ensino de Ciências e Matemática na CAPES.

Pierre falece em setembro de 1985 no Rio de Janeiro ainda como coordenador do programa na CAPES e lecionando na PUC Rio.

## Referências

BARROS, Suzana Souza; ELIA, Marcos. Pierre Luci: Professor e Educador de Cientistas . 1. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2010.

BEZERRA, Evaldo Victor Lima. Física com Martins e Eu: Recordações da história e da obra de Pierre Lucie (1917-2017). Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 39, 2017.

DE ALMEIDA, Maria José. Para superar as prescrições direcionadas ao professor de física . Tecné, Episteme y Didaxis: TED, 2009.

FACULDADES CATÓLICAS. Anuário de 1940-65 . Rio de Janeiro, s.d. Acervo do Núcleo de Memória da PUC-Rio.

QUEIROZ, Maria Neuza Almeida; HOSOUME, Yassuko. Ensino de física no Brasil nas décadas de 1960-1970 na perspectiva dos projetos inovadores PSSC, PEF e FAI . Anais do XVI EPEF (Encontro de Pesquisa em Ensino de Física). Natal, 2016.

NOBRE, Bruno; VIDEIRA, Antônio Augusto Passos . 'Mas seja tudo pelo bem da física': aspectos da trajetória científica de Francisco Xavier Roser, SJ (1904-1967) . Revista Brasileira de Ensino de Física [online] v. 40, n. 2 e2601, 2018. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1806-9126-RBEF-2017-0205>. Acesso em: 14 jul. 2022.

PENA, Fábio Luís Alves. Sobre a presença do Projeto Harvard no sistema educacional brasileiro . Revista Brasileira de Ensino de Física [online], v. 34, n. 1, e1701, 2012. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S180611172012000100016>. Acesso em: 14 jul. 2022.

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