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SIRIUS ILUMINANDO O ENSINO DE FÍSICA BRASILEIRO

Gabriel Santos Fonseca, Júlia Canário Dos Anjos, Danillo Scoralich, Carlos Alberto Nascimento, Vitor Acioly

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Currículo e ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## SIRIUS ILUMINANDO O ENSINO DE FÍSICA BRASILEIRO

Gabriel Santos Fonseca 1 , Júlia Anjos 2 , Danillo Scoralich 3 Carlos Alberto Nascimento 4 , Vitor Acioly 5

1 Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, gabrielsfprofissional@gmail.com

- 2 Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, jcanjos.fisica@gmail.com
- 3 Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense,danillo\_scoralich@id.uff.br
- 4 Escola Parque do Rio de Janeiro, carlao.nascimento@pro.escolaparque.g12.br

5 Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, vitoracioly@id.uff.br

Palavras-chave : Ensino de Física; Sequência Didática; Sirius

## Resumo expandido

Existem diversos estudos que tentam identificar possíveis fatores que prejudicam a aprendizagem dos conteúdos de Física na Educação Básica. Alguns dos grandes problemas a serem apontados são a falta de motivação, interesse e contextualização, além da desconexão com a realidade dos alunos. Dessa forma, muitos professores estão tentando desenvolver suas aulas, minimamente, contextualizadas; seja usando equipamentos ou grandes centros tecnológicos, como a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) e a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), e/ou situações do cotidiano para trabalhar algum conteúdo de Física. Porém, essa falta de conexão com o estudante parece ir mais além do que uma contextualização pontual de um determinado assunto; sendo necessário explorar o currículo de Física e a formação de professores no Brasil.

Analisando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e antigas referências curriculares, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), nota-se um apagamento histórico da contribuição do desenvolvimento da ciência nacional perante à Física. Sendo prejudicial para a aprendizagem, já que o aluno, além de não enxergar a ciência como produção humana, não cria uma identificação cultural (GURGEL, 2016), não sendo para ele o seu país um produtor de ciência e tecnologia.

Um outro problema que esse apagamento gera é a eurocentrização e a americanização do pensamento científico. Os professores acabam aprendendo e replicando, durante sua formação, ideias advindas do continente europeu e dos Estados Unidos da América, dando a falsa percepção de que pertencem a eles todas as contribuições científicas já feitas ao longo da história (ACIOLY, 2022). Gerando assim, uma visão limitada para os educadores brasileiros, pois carrega a sensação de que, novamente, o Brasil não produz ciência (ACIOLY, 2022).

A então frase do senso comum 'a NASA precisa estudar o brasileiro' ganha mais uma camada, visto que parte da população desconhece a própria produção científica. Cerca de 88% dos brasileiros não lembram ou não sabem sobre as próprias instituições de pesquisa nacionais (CGEE, 2019), mesmo o Brasil

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

possuindo o maior complexo tecnológico e científico da América Latina: o Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM).

Nessa perspectiva, o CNPEM, uma organização social administrada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), localizada em Campinas-SP, Brasil,é subdividido em quatro laboratórios: o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), o Laboratório Nacional de Biorrenovável (LNBR) e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) (CNPEM, 2023); se mostra uma incrível ferramenta didática. O CNPEM possui o acelerador de elétrons Sirius, a nova fonte de luz síncrotron; além de possuir um programa de formação continuada, em parceria com Sociedade Brasileira de Física (SBF), para todos os professores do Ensino Médio do Brasil, a Escola Sirius para Professores de Ensino Médio (ESPEM) (ACIOLY, et al, 2020, 2021, 2022). Desse modo, este relato busca mostrar uma pesquisa que está sendo realizada em uma iniciação científica, que tem como objetivo apresentar uma proposta de sequência didática que busca preencher parte dessa lacuna entre a valorização da ciência nacional e o currículo de Física, usando o Sirius como principal fonte para explorar os conteúdos.

- O trabalho de iniciação científica se iniciou com a insatisfação ao perceber esse silêncio da participação nacional no desenvolvimento da Ciência e como isso é pouco explorado no Ensino de Física. A partir disso, foram realizadas pesquisas nos canais de divulgação do CNPEM, sites individuais dos quatro grandes laboratórios, materiais e a estrutura da ESPEM, já que ela também almeja a valorização da ciência nacional na formação docente. Além disso, também foram estudados autores que falem sobre a desconexão do currículo com a ciência nacional, criação de sequências didáticas, antigos parâmetros para o currículo de física na Educação Básica e a BNCC.

Toda essa análise foi embasada por Bardin (2011), separado a pesquisa em três momentos: a pré-análise, exploração do material e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.

- A primeira etapa consistiu na fundamentação teórica e nas pesquisas bibliográficas sobre os autores que falam sobre o currículo de física, sequências didáticas e a questão decolonial no ensino. A etapa seguinte, foi sobre o estudo histórico dos currículos de Física brasileiro até a BNCC. Na terceira etapa, foram elaboradas perguntas para entrevistar alguns ex-participantes da ESPEM, com a intenção de investigar se houve uma mudança de pensamento sobre a importância da ciência nacional no currículo de Física e se eles exploram isso em sala de aula, além de uma outra entrevista com os pesquisadores que ministraram as aulas do curso de formação continuada. Já na quarta etapa, contou com a exploração do material, visando buscar as relações existentes nos materiais do curso de formação continuada de professores da educação básica e a Base Nacional Comum Curricular, trazendo as habilidades e competências trabalhadas. Por fim, ocorreu, tratamento dos resultados, tendo a separação e categorização dos dados da pesquisa, com base no que foi colocado na etapa um, para a formalização das sequências didáticas.
- O primeiro resultado obtido foi uma proposta de sequência didática que explora a Física presente no Sirius de maneira interdisciplinar. Nela, é trabalhado a

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dinâmica do movimento circular e a Física Moderna e Contemporânea com a luz síncrotron, mostrando como essa onda eletromagnética é usada em pesquisas. Sendo assim, abordando não só os conteúdos específicos da Física, mas trazendo as outras áreas da Ciência da Natureza e a Matemática; além de carregar a importância do desenvolvimento científico nacional.

- O trabalho ainda está em desenvolvimento visando criar mais quatro propostas de sequências didáticas pautadas no LNLS, LNBio, LNBR e no LNNano. Cada uma delas irá dialogar com a ciência presente em um dos laboratórios, trazendo uma abordagem interdisciplinar com os conteúdos de Física.

Para o futuro, a pesquisa pretende aplicar essas sequências didáticas em escolas do Ensino Médio brasileiro, buscando analisar se haverá uma mudança ou não sobre a percepção da importância da ciência nacional e a desconstrução de que o Brasil não é um país que produz pesquisando; trazendo mudanças, mesmo que pontuais, sobre o ensino de física e a produção científica nacional.

## Referências

ACIOLY, V.; Picoreti, R.; Rocha, T. C. R.; Azevedo, G. de M.; Santos, A. C. F. A luz síncrotron iluminando a formação de professores . A Física na Escola, v.18, n.2, 2020.

ACIOLY, V; PAIVA, T ; AZEVEDO, G ; ROCHA, T ; PICORETI, R ; SANTOS, A C F. Shedding synchrotron light on teacher training . PHYSICS EDUCATION (BRISTOL. PRINT), v. 56, p. 035021, 2021.

ACIOLY, V.; Morais, R. F.; Santos, A. C. F. Luz síncrotron promovendo o giro decolonial . Ensino, Saúde e Ambiente, v. 15, n. 2, p. 317-332, 2022.

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Tradução: Luís Antero e Augusto Pinheiro. 1. ed. São Paulo: Edições 70 (2011).

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.

Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Disponível em: https://www.cgee.org.br/. Disponível em: 2 Junho de 2023.

CNPEM (2023). Disponível em: https://cnpem.br/. Acesso em: 08 de Julho de 2023.

GURGUEL, I.; PIETROCOLA, M.; WATANABE, G.. The role of cultural identity as a learning factor in physics: a discussion through the role of science in Brazil . Cultural Studies of Science Education, Vol. 11, p. 349-370, 2016.

LNLS.CNPEM (2023). Disponível em: https://pages.cnpem.br/espem/. Acesso: 30 de Abril de 2023.

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