O TELÉGRAFO ELÉTRICO: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA PROMOVER O ENGAJAMENTO
Cecília Siman Salema, Helder De Figueiredo E Paula
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O TELÉGRAFO ELÉTRICO: UMA PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA PROMOVER O ENGAJAMENTO
Cecília Siman Salema 1 , Helder de Figueiredo e Paula 2
1 ICEX/UFMG, ceciliasiman15@gmail.com 2 Colégio Técnico da UFMG, helder100@gmail.com
Palavras-chave : Sequência didática; engajamento; circuitos elétricos.
Um dos maiores desafios enfrentados no ensino de física é engajar os estudantes nas aulas. Os temas parecem não interessar a maioria e há pouca participação, apesar do incentivo do professor. O caráter tradicional e passivo das aulas é provavelmente um dos fatores causadores do desengajamento. Muitos professores têm dificuldades para implementar aulas que promovam posturas mais ativas por parte dos estudantes. Neste trabalho, apresentamos uma sequência didática elaborada para estimular a participação, criatividade e autonomia dos estudantes. A sequência introduz circuitos elétricos em cinco aulas e foi aplicada em três turmas de terceiro ano de uma escola estadual em Belo Horizonte.
Nesta pesquisa utilizamos o construto engajamento conforme definido por Fredricks et al. (2016) para avaliar a forma como os estudantes interagiram com a sequência didática. Segundo os autores, o engajamento apresenta quatro dimensões indissociáveis e interdependentes: comportamental, cognitiva, emocional e social. Com a intenção de promover engajamento emocional e social, introduzimos, na sequência, momentos de trabalho em grupo e de socialização entre os grupos. As opiniões dos estudantes foram valorizadas e incentivadas. Esperávamos que os estudantes se engajassem comportamental e cognitivamente ao realizarem as atividades, participarem das aulas e se esforçarem para compreender a matéria.
- O planejamento das aulas começou pelo final: o trabalho a ser executado nas duas últimas aulas da sequência foi a inspiração e o elemento norteador para a concepção do restante da sequência didática. O trabalho era a montagem experimental de um telégrafo elétrico - um circuito simples que utiliza um pequeno LED para transmitir mensagens em código Morse. A escolha da proposta de atividade experimental tem duas justificativas principais. A primeira, conforme Araújo e Abib (2003), entende que as atividades experimentais têm a capacidade de estimular a participação ativa dos estudantes, favorecer o envolvimento com a aprendizagem, propiciar a construção de um ambiente agradável e motivante, bem como despertar a curiosidade e o interesse. A segunda justificativa está ancorada na aposta de indissociabilidade entre teoria e experimento no desenvolvimento da física (LABURÚ E ARRUDA, 1996).
O desenvolvimento da proposta estava sujeito a algumas dificuldades, como a falta de um laboratório de ciências na escola onde a sequência foi implementada e, consequentemente, a falta de familiaridade dos estudantes com montagens experimentais, além da desmotivação dos estudantes nas aulas de física. Ribeiro, Freitas e Miranda (1997) argumentam que a falta de contato com o laboratório traz dificuldades, por exemplo, no manuseio dos aparelhos. Nossa experiência em sala
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
de aula mostra que alunos acostumados a aulas tradicionais não desenvolvem experimentos de forma autônoma e aguardam o professor tomar a iniciativa.
As três aulas iniciais da sequência foram desenvolvidas com a finalidade de introduzir o tema de circuitos elétricos e preparar os estudantes para elaborar o trabalho.
Na primeira aula pedimos que os estudantes se dividissem em, no mínimo, cinco grupos e, no máximo, sete grupos, e respondessem a algumas perguntas sobre tecnologias de comunicação como o telégrafo, o computador e o WI-FI. Para isso, eles poderiam consultar a internet ou um texto de referência fornecido junto às perguntas. Essa aula teve como objetivos principais situar historicamente o desenvolvimento de equipamentos de comunicação baseados em circuitos elétricos, justificar o estudo do conteúdo e introduzir a demanda por uma postura mais ativa dos estudantes.
As duas aulas seguintes foram reservadas para introduzir três conceitos: fonte de tensão, resistores, corrente elétrica e Lei de Ohm. Para isso, utilizamos o laboratório virtual do projeto PhET 'Kit para Montar um Circuito DC' 1 . Segundo Paula (2017), laboratórios virtuais combinam observações realizadas em laboratórios reais com abstrações que pertencem aos mundos concebidos pelas ciências, como é o caso do fluxo de cargas que caracteriza a corrente elétrica. Além disso, no laboratório virtual 'o estudante modifica variáveis que alteram as representações exibidas na tela do aplicativo ao interagir com ícones de objetos e equipamentos' (PAULA, 2017, p. 94).
Nas duas últimas aulas da sequência, os estudantes elaboraram um trabalho sobre o telégrafo elétrico. O roteiro do trabalho foi dividido em três partes. Inicialmente os estudantes deveriam pesquisar sobre o equipamento e registrar a pesquisa em uma folha que seria entregue à professora e avaliada. Em seguida, deveriam fazer a montagem do telégrafo utilizando materiais fornecidos pela professora: guia para montagens de circuitos 2 , LEDs coloridos, cabos conectores, papel alumínio, baterias de 3 V e multímetros. A última etapa do trabalho consistia na: 1- explicação sobre a montagem do aparelho, incluindo informações sobre a tensão fornecida ao circuito, a corrente elétrica e a resistência dos aparelhos utilizado; 2- elaboração de um manual de uso do equipamento para a comunicação.
A avaliação que fizemos da experiência pedagógica ocorreu em três momentos: 1- em sala de aula durante a construção dos telégrafos; 2- após a aula na pontuação dos trabalhos; 3- na análise das respostas dos estudantes a um questionário elaborado para investigar o engajamento.
Em sala, observamos que a maioria dos estudantes se empenhou na elaboração do trabalho. A forma que encontramos para incentivar a curiosidade dos estudantes foi fornecer poucas instruções para a elaboração do telégrafo. Nessa ocasião, observamos circuitos muito simples, montados com dificuldade. Outros utilizaram materiais alternativos tais como: condutores feitos com riscos de grafite em papel; interruptores feitos com pedaços de papelão e plástico; uso de dois LEDs
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com cores diferentes para representar a alternância entre traços curtos e longos do código Morse. Além disso, vários alunos demonstraram interesse no uso do multímetro.
Os trabalhos entregues também evidenciaram a dedicação dos estudantes. Apesar de alguns erros recorrentes relacionados à aplicação da Lei de Ohm e o uso de unidades de medida, os trabalhos foram majoritariamente bem avaliados e esses erros foram trabalhados em momento posterior.
Por fim, os estudantes foram convidados a responder um questionário com quinze perguntas relacionadas a engajamento, duas perguntas avaliando o uso do laboratório virtual e a elaboração do trabalho e um espaço destinado para comentários livres sobre a sequência. Obtivemos, de forma voluntária, anônima e espontânea, 28 respostas dos 100 estudantes das três turmas. Um padrão recorrente que observamos nas respostas foi o relato de dificuldades no acompanhamento da aula e na realização do trabalho. Todavia, os alunos relataram engajamento, indicando que as aulas, apesar de desafiadoras, foram motivantes.
## Referências
ARAÚJO, Mauro Sérgio Teixeira de; ABIB, Maria Lúcia Vital dos Santos. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de ensino de física , v. 25, p. 176-194, 2003.
ARRUDA, Sérgio de Mello.; LABARÚ, Carlos Eduardo. Considerações sobre a função do experimento no ensino de ciências. Ciência & Educação , v. 3, p. 14-24, 1996.
BARBOSA, Joaquim de Oliveira; PAULO, Sérgio Roberto de; RINALDI, Carlos. Investigação do papel da experimentação na construção de conceitos em eletricidade no ensino médio. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , v. 16, n. 1, p. 105-122, 1999.
PAULA, Helder de Figueiredo e. Fundamentos pedagógicos para o uso de simulações e laboratórios virtuais no ensino de ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , p. 75-103, 2017.
RIBEIRO, Milton Souza; FREITAS, Dagoberto da Silva; MIRANDA, Durval Eusíquio de. A problemática do ensino de laboratório de física na UEFS. Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 19, n. 4, 1997.
Secretaria de Estado da Educação do Paraná , Guia 03 - Circuito em Papel ; 2017. Disponível em:
<http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteud o=1552 />. Acesso em: 02 de jul. de 2023.
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