A DESISTÊNCIA NA LICENCIATURA EM FÍSICA DO CAMPUS CATALÃO - UFG: EVASÃO OU EXCLUSÃO?
Ana Rita Pereira, Wagner Muniz Silva, Marcionilio Teles De Oliveira Silva
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XIII
- Ano
- 2011
- Data
- 06/06/2011
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A DESISTÊNCIA NA LICENCIATURA EM FÍSICA DO CAMPUS CATALÃO - UFG: EVASÃO OU EXCLUSÃO?
## THE ABANDONMENT IN THE TEACHING'S DEGREE IN PHYSICS FROM CAMPUS CATALÃO - UFG: EVASION OR EXCLUSÃO?
Ana Rita Pereira , Wagner Muniz Silva , Marcionilio Teles de Oliveira Silva 1 2 3
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- Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física -
anaritapr@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física -
wagnerorz@yahoo.com.br
- 3 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física mteles2009@gmail.com
## INTRODUÇÃO
Atualmente o Brasil vivencia um período de crescimento acelerado em relação ao número de cursos e vagas no ensino superior, mas, por outro lado verifica-se que o abandono ou trancamento de matrículas nas universidades é também um fenômeno em expansão. Assim a evasão escolar hoje atinge enormemente as instituições de ensino, em particular as universidades, sendo cada vez mais ostensiva no âmbito do ensino de graduação. Mas, apesar de apresentar números cada vez mais alarmantes, a evasão ainda não mostrou força suficiente para 'tocar as universidades em suas raízes' (Moraes, 1986).
Segundo Cunha (Cunha et. al., 2001), o problema da evasão de alunos, no ensino de graduação, em particular nas universidades publicas, ' ainda não foi tratado com empenho e rigor analítico necessários ao seu entendimento '. Existem poucos estudos sobre o assunto, faltando inclusive diagnósticos efetivos sobre os números, o que caracteriza e o que define evasão numa universidade. E sequer existe consenso sobre como entender ou medir a evasão no ensino superior, ou seja, não existe uma metodologia que delimite com precisão os seus índices. Em geral os estudos quantificam a evasão, sendo ainda indefinidas as possíveis causas e os motivos que levam um estudante universitário a abandonar o curso que escolheu, a mudar de curso e principalmente a dizer não ao ensino publico e gratuito, como ocorre no ensino superior no Brasil.
Essa questão afeta enormemente o curso de Licenciatura em Física do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás (CAC-UFG), sendo que o curso é sempre citado dentro do Campus Catalão como tendo alta taxa de evasão, o que motivou uma avaliação sobre o que ocorre de fato. Iniciado em agosto de 2006, com 50 vagas no vestibular, dentro do programa de expansão do governo federal, atualmente apenas 26% das vagas do curso são efetivamente ocupadas, o que ocorre tanto pela baixa procura no vestibular quanto pelo alto índice de abandono do curso.
Em 2006 a entrada ocorreu no meio do ano, num vestibular fora de época, e todas as 50 vagas foram preenchidas. Destes 50 ingressantes, apenas 05 alunos (10%) concluíram o curso dentro do período regular de 04 anos, e mais 01 aluno concluiu o curso em dezembro de 2010. Dos 44 alunos restantes, em torno de 18 % devem concluir o curso nos próximos semestres, sendo que os demais
abandonaram o curso, confirmando as estatísticas, verificadas nas universidades brasileiras sobre os cursos de física, de que apenas um pequeno número de estudantes conclui o curso (Rodrigues e Teixeira, 2009, Gobara e Garcia, 2007; Barroso e Falcão, 2004).
Nas turmas subseqüentes vem sendo observado uma diminuição gradual do numero de estudantes que fazem o vestibular para o curso de física (veja a figura 1). Outro fator verificado ao analisar a situação dos alunos ingressantes no curso é que existe um alto índice de alunos excluídos por reprovação (Veja figura 2).
Figura 1 - Gráfico mostrando a taxa de ocupação do número de vagas no vestibular do curso de física do Campus Catalão da UFG.
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Figura 2 - Gráfico mostrando a situação dos alunos ingressantes no Curso de Física do Campus Catalão da UFG no período de 2006 a 2010.
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Analisando os dados do curso, considerando o período de 2006-2010, verifica-se que 35% das vagas ofertadas no vestibular não foram ocupadas, havendo um numero significativo de vagas ociosas devido ao desinteresse dos vestibulandos pela física, ressaltando que esse desinteresse ocorre também em outros cursos de licenciatura dentro da UFG. Dos alunos ingressantes no curso de física cerca de 40% continuam frequentes nas aulas. Essa situação é preocupante, considerando o alto déficit de professores de Física no Brasil.
Mas um dado a ser considerado, e que merece uma análise mais profunda, é que dos ingressantes no curso de Física, 30% são excluídos do curso por reprovação em Calculo I e Física I, disciplinas do 1º semestre do curso. E acompanhando a trajetória dos 15 % que desistiram do curso observa-se que um percentual relativo destes abandonou o curso por não conseguirem acompanhar as aulas dessas disciplinas, o que configura um quadro de sérias deficiências carregadas desde o ensino médio.
## CONCLUSÃO
No curso de Física do CAC-UFG, verifica que as razões para evasão estão mais relacionadas ao próprio desenvolvimento do curso, envolvendo principalmente as dificuldades encontradas pelos alunos para aproveitamento nas disciplinas, levando a exclusão do curso devido à reprovação. Essas dificuldades podem ocorrer devido a esses alunos não terem alcançando ainda o necessário desenvolvimento das habilidades requeridas para o estudo e aprendizagem da física, diferentes daquelas características do ensino médio. Observa-se que os alunos do curso de Física são, na maioria, oriundos do ensino publico e trazem consigo deficiências em suas formações, e ao chegar à universidade não conseguem superá-las, e daí ocorre um quadro de repetências sucessivas que levam ao comprometimento de suas autoestimas, ou no caso da UFG, a exclusão da universidade.
Outro fator que tem contribuído para o fracasso escolar dos alunos é que, sendo um curso recém-criado, num campi no interior do Brasil, tem a maioria dos professores em seu primeiro emprego, sem nenhuma experiência docente anterior, e estes adotam muitas vezes metodologias, estratégias de ensino e critérios de avaliação inadequados frente à realidade dos alunos, e dando origem a uma série de dificuldades de relacionamento aluno-professor.
Outros aspectos que são fontes de desmotivação e se transformam facilmente em causa de evasão, são as escolhas profissionais, ou as dificuldades na definição de suas carreiras, principalmente quando consideram as possibilidades do mercado de trabalho. Em Catalão outro fator é que uma parcela grande de alunos, oriundos de cidades próximas, não reside em Catalão, o que provoca dificuldades na relação aluno-aluno, pois não possibilita situações de colaboração e a formação de grupos de estudo, que poderia ajudar os mesmos a superarem suas deficiências.
Diante desse quadro de exclusão e fracasso escolar algumas ações têm sido implementadas visando uma mudança nessa realidade, como a disciplina de 'Introdução a Física' que busca suprir algumas deficiências básicas dos alunos e a realização de um programa de orientação vocacional conjunto com o curso de psicologia, onde vários aspectos profissionais são discutidos.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Barroso, M. F e Falcão, E. B. M., Evasão universitária: o caso do instituto de física da UFRJ, X ENPEF , 2004.
Cunha, A. M.; Tunes, E. e Silva, R. R., Evasão do curso de química da Universidade de Brasília: a interpretação do aluno evadido , Química Nova , Vol. 24 (1), p. 262-280, 2001.
Gobara, S. T. e Garcia, J. R. B., As licenciaturas em física das universidades brasileiras: um diagnóstico da formação inicial de professores de física , Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 29 (4), p. 519-525, 2007.
Moraes, N. I. Perfil da universidade . São Paulo: Pioneira/Universidade de São Paulo, 1986.
Rodrigues, M. A. e Teixeira, F. M., Reflexões sobre a baixa procura pelo curso de física nas universidades federais de Pernambuco, VII ENPEC, Florianópolis, SC, 2009.
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