Itinerários Formativos: Aplicação de Metodologias Ativas no Novo Ensino Médio.
João Pedro, Larissa Milena, Joana Gabriela, Emily Flávia, José Guilherme, Manoel Felix Ufpe - Pe - Brasil
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ITINERÁRIOS FORMATIVOS: APLICAÇÃO DE METODOLOGIAS ATIVAS NO NOVO ENSINO MÉDIO
João Pedro bastos 1 , Larissa milena 2 , Joana Gabriela gomes 3 , Emily Flávia 4 , José Guilherme Paulino 5 , Manoel Felix Pessoa dos Santos 6
- 1 UFPE-CAA/Licenciatura em física, Joao.pedrobastos@ufpe.br
- 2 UFPE-CAA/Licenciatura em física, Larrisa.millena@ufpe.br
- 3 UFPE-CAA/Licenciatura em física, Joana.gomes@ufpe.br
- 4 UFPE-CAA/Licenciatura em física, Emily.flavia@ufpe.br
- 5 UFPE-CAA/Licenciatura em física, Guilherme.paulino@ufpe.br
6 UFPE-CAA, Manoel.pessoa@ufpe.br
Palavras-chave : Ensino de física; metodologias ativas; aprendizagem baseada em problemas
Este trabalho descreve uma experiência realizada no âmbito do programa de residência pedagógica, que é um programa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), cujo objetivo é promover a interação entre alunos do curso de licenciatura com a sala de aula, visando fortalecer e aprofundar sua formação prática e teórica (DECRETO n° 8.977, de 30 de janeiro de 2017, Art. 1 e 2). Cinco estudantes do curso de licenciatura em física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) participaram das atividades que aqui serão apresentadas, sob a orientação dos professores Katia Calligaris e Manoel Felix. Conforme está previsto na Lei N° 13.415, de 16 de fevereiro de 2017.
'O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos, que deverão ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino' (BRASIL, 2017)
Em concordância com as diretrizes aqui supracitadas, propomos a elaboração de uma disciplina eletiva que foi denominada 'Acendendo as Luzes das Trevas as Viagens Espaciais' onde trabalharíamos com o tema luz e suas respectivas aplicações na física.
Por sua vez, a física é uma disciplina que é lecionada seguindo os métodos tradicionais de ensino, com excesso de aulas expositivas e com pouca carga horaria, não estimulando a interação e a participação dos alunos, o que resulta em alunos passivos no processo de aprendizagem e gerando desinteresse por parte dos alunos, que, por sua vez, interpretam a disciplina como algo fastidioso (MOREIRA, 2018). Sendo assim, tínhamos como principal objetivo desenvolver uma disciplina que se distanciasse do modelo tradicional de ensino, buscando torná-la mais estimulante e, consequentemente, instigando o interesse e a curiosidade dos alunos.
Visando os objetivos da disciplina fomos em busca de maneiras de alcançá-los, deste modo, após análise decidimos trabalhar com Metodologias ativas. Estas, são constituídas por modelos pedagógicos que buscam colocar o foco do processo de ensino-aprendizagem no aluno, de modo a torná-lo ativo na aprendizagem através de descoberta, investigação ou resolução de problemas
(BACICH; MORAN, 2018). Deste modo, após análise decidimos fazer uso da aprendizagem baseada em problemas (ABP) e elaborar cinco situaçõesproblemas que se relacionassem com o tema escolhido e com os objetivos da disciplina. Posto isso, as situações-problemas desenvolvidas foram elaboradas seguindo as quatro características de um problema eficaz apresentadas por Ribeiro e colaboradores, as cinco situações foram formuladas de modo que a temática estivesse contextualizada a realidade dos alunos, estimulasse a reflexões críticas, despertasse curiosidade, e estivesse passível a pesquisa, de modo que não fosse encontrada uma resposta imediata (RIBEIRO et al ., 2020).
Seguindo os passos traçados por Ribeiro e colaboradores, as cinco situações-problema foram elaboradas sobre o contexto de uma viagem espacial. Neste sentido, é importante ressaltar que a palavra realidade nesse contexto, refere-se à realidade encontrada nos filmes e series de ficção científica, que se faz presente no cotidiano dos alunos.
Deste modo, os alunos fariam parte de uma equipe de cientistas que foi convocada para uma missão exploratória em um planeta. Os quais, deveriam investigar se o planeta proporcionaria condições de vida terrestre. Ao chegarem no novo planeta, eles observariam alguns eventos peculiares, como o fato de não enxergarem algumas cores, o céu ter uma cor avermelhada e mais três eventos que se traduzem nas cinco situações-problema elaboradas.
Por fim, a sala foi dividida em cinco grupos de oito pessoas, onde cada um recebeu uma situação-problema a ser resolvida. Os grupos teriam cinco encontros, que foram organizados da seguinte maneira: os quatro primeiros encontros foram disponibilizados para elaboração e construção das resoluções, e o quinto encontro foi reservado a apresentação das mesmas. As soluções propostas pelos alunos, deveriam ser apresentadas à turma com objetivo de evidenciar todo o percurso de construção, desde as hipóteses até a possível solução final.
Conforme as 5 situações foram apresentadas, os alunos se mostraram entusiasmados e participativos, de tal modo que buscavam encontrar uma resposta imediata, não entendendo a dinâmica da atividade, pois, a princípio, as respostas trazidas por eles eram apenas hipóteses sem aprofundamento e embasamento teórico. Conforme o avanço das atividades junto a mediação dos cinco residentes, os alunos foram entendendo a dinâmica e buscaram compreender por meio de pesquisa como tais fenômenos ocorrem aqui na Terra, objetivando uma maior compreensão para, através de comparação, buscar uma possível explicação para os fenômenos encontrados. Com o avanço das pesquisas e a mediação realizada pelos residentes nos quatro encontros seguintes, os grupos conseguiram chegar a possíveis soluções com um bom aprofundamento, e que eram condizentes com os objetivos dos problemas propostos.
As soluções propostas por eles passaram por uma série de conceitos da física que gostaríamos que fossem trabalhados, como refração e reflexão da luz, espectro visível, atmosfera, lentes polarizadas, entre outros. Para explicar o porquê no planeta explorado não seria percebido por nossos olhos algumas cores, os alunos propuseram a existência de um ou alguns elementos presentes na atmosfera do planeta que funcionaria semelhantemente a lentes polarizadas, filtrando alguns comprimentos de onda do espectro visível. Na aula final, foram
apresentadas as possíveis soluções, mostrando todo o processo de construção da hipótese, de modo a evidenciar toda a linha de raciocínio seguida por eles.
É importante ressaltar que o entusiasmo por parte dos alunos não permaneceu constante, havendo oscilações, de modo que em alguns encontros, os mesmos ficaram frustrados por não encontrarem as respostas desejadas, fato que pode evidencia a predominância do método tradicional de ensino e a presença do tecnicismo nessa turma. Após o término das atividades, constatamos que a ABP demonstra um grande potencial para estimular a participação e despertar o interesse dos alunos, proporcionando trabalhar conteúdos de maneira dinâmica e, consequentemente, contribuindo para um processo de ensino-aprendizagem mais prazeroso.
Ao trabalhar com a ABP, observamos que essa metodologia nos permitiu explorar uma ampla interdisciplinaridade, fazendo pontes entre os conhecimentos de física, química e biologia, além de possibilitar uma aprendizagem ativa, pois a todo momento os alunos tiveram que buscar por si próprio a compreensão de conceitos como refração e reflexão da luz, fotossíntese, ecologia, espectro visível, efeito doppler, atmosfera, entre outros, estimulando o pensamento de modo a construir relações entre os conteúdos. Diante disso, as metodologias ativas, como a ABP, têm se mostrado uma ótima excelente ferramenta no combate aos métodos tradicionais de ensino.
## Referências
BRASIL. Lei n° 13.415/2017. Diário Oficial da República Federativa do Brasil , Brasília DF, 17 fev. 2017. Disponível em < https://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/\_ato2015-2018/2017/lei/l13415.htm > acesso em: 24 de junho de 2023.
BRASIL. Decreto n° 8977, de 30 de janeiro de 2017. Diário Oficial Da União Brasília DF, 31 jan. 2017. Seção 1, p.1 Disponível em < https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/28022018-portaria-n-38institui-rp-pdf > acesso em: 24 de junho de 2023.
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BACICH, Lilian and MORAN, José. Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática . São Paulo: Penso, 2018. Disponível em < file:///C:/Users/Jo%C3%A3o%20Pedro/Downloads/Metodologias%20Ativas%20 para%20uma%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20Inovadora%20%20Lilian%20Bacich%20e%20Jos%C3%A9%20Moran.pdf > acesso em: 24 de junho de 2023.
RIBEIRO, D. D.C.D.A.; PASSOS, C. G.; SALGADO, T. D.M. A METODOLOGIA DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS NO ENSINO DE CIENCIAS: AS CARACTERISTICAS DE UM PROBLEMA EFICAZ . Ensaio
pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), v.22, 2020. Disponível em <
https://www.scielo.br/j/epec/a/zLKFmLPxRBPsCcR6qmHGFTB/?format=pdf&la ng=pt > acesso em: 25 de junho de 2023.
MOREIRA, M.A. UMA ANÁLISE CRÍTICA DO ENSINO DE FÍSICA. 2018. Disponível em < file:///C:/Users/Jo%C3%A3o%20Pedro/Downloads/transferir.pdf > acesso em: 04 de outubro de 2023.
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