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O CINEMA BRASlLEIRO NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE E PROPOSTA DIDÁTICA A PARTIR DO FILME O HOMEM DO FUTURO

Elisandra Oliveira Das Neves, João Eduardo Fernandes Ramos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O CINEMA BRASILEIRO NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE E PROPOSTA DIDÁTICA A PARTIR DO FILME O HOMEM DO FUTURO

## Elisandra Oliveira das Neves 1 , João Eduardo Fernandes Ramos 2

1 Universidade Federal de Pernambuco, elisandra.neves@ufpe.br

2 Universidade Federal de Pernambuco, joao.framos@ufpe.br

Palavras-chave : Ciência; Arte; Cinema.

## Resumo expandido

## Introdução

Este trabalho aborda uma análise de um filme brasileiro de ficção científica e suas possibilidades didáticas para o Ensino de Física. A análise do filme 'O homem do Futuro" , tem como objetivo interligar a ciência e arte. Para tanto, discutiremos sobre o relacionamento da Física e o Cinema; analisaremos a obra cinematográfica a partir das esferas de conhecimento (PIASSI, 2007); e traremos uma proposta didática. Escolhemos o termo sequência para as sessões do resumo, pelo fato de que na linguagem cinematográfica usamos a analogia de cena para uma frase, para o plano dizemos que são palavras e, consequentemente, para a sequência definimos capítulo.

## Sequência 1: Cinema e Física

Geralmente os educandos têm a percepção de que existem grandes diferenças entre a Ciência e a Arte, e em específico entre Cinema e Física. Para eles, os dois estão em universos diferentes. E muitas vezes os alunos não enxergam a possibilidade de que haja algo em comum entre elas. O que será então que as une? O que precisa tanto para criar um filme ou determinar o comportamento de uma partícula? A física e o cinema estão intrinsecamente correlacionados, pois, são formas de representação do mundo. A física é a ciência que estuda os fenômenos naturais, incluindo a luz, o movimento, o tempo e o espaço. O cinema é uma forma de arte que utiliza imagens em movimento para contar histórias.

Segundo, Gomes, Ramos e Piassi (2017), tanto para criar um roteiro de um filme, quanto para pensar no comportamento da luz, na estrutura atômica da matéria e em todas as suas subdivisões ou na origem do Universo, precisamos de um fator importantíssimo: a imaginação e a criatividade. Elas são necessárias, e é o que os une.

- O cinema, é considerado, pela ótica pedagógica, uma maneira de despertar a emoção e o envolvimento dos educandos. Nesse sentido, o cinema é uma manifestação cultural que leva ao entretenimento e que pode de ser utilizado como gerador de debates, permitindo reflexões em sala de aula (DUARTE, 2002).

Nesse caso, no âmbito da física, a discussão da película pode corroborar ou refutar o conhecimento prévio trazido pelos estudantes, tornando mais significativa a aprendizagem (GOMES, RAMOS, PIASSI, 2017, p.30). Assim, usando o caminho da imaginação e da criatividade, pode ocorrer várias possibilidades de desenvolver os conteúdos, utilizando meios que facilitem o aprendizado e o conhecimento.

## Sequência 2: Uma ideia surreal

A partir de Gomes, Ramos e Piassi (2017), os títulos cinematográficos devem ser trazidos para os espaços escolares através de uma metodologia que envolva discussões relativas ao conhecimento científico, ou seja, os autores apresentam que, ao trabalhar

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filmes em sala de aula é preciso levar em conta o contexto escolar, e não só utilizar o filme por um momento, em uma aula vaga, como um tapa buraco, mas sim, possibilitando uma contextualização e uma problematização que envolva os educados. Algumas inquietações nos levaram a analisar a obra cinematográfica, tentando responder a seguinte pergunta: Que assuntos e temas podem ser abordados em cenas do filme 'O homem do Futuro" , e em que medida é possível explorá-los em sala de aula?

Nesse sentido, são propostas, e utilizamos, três categorias de saberes sistematizados que envolvem o encontro de produtos culturais e o desenvolvimento do conteúdo disciplinar na física: Esfera Conceitual- fenomenologia (Esfera C): São os próprios conceitos, fenômenos e leis que categorizam está esfera. Esfera histórico Metodológico (Esfera H): Esta esfera está relacionada aos processos que tangem à Ciência, como sua história, filosofia e metodologia. Esfera sociopolítica (Esfera S): Agrega as múltiplas influências entre Ciências e Sociedade.

Essa classificação nos permite estudar uma obra artística a partir de seus vários elementos pertinentes a cada esfera. Gomes, Ramos e Piassi (2017) apontam que um filme pode possibilitar uma discussão mais conceitual (esfera C), enquanto outro pode possibilitar uma reflexão relacionada às questões filosóficas (esfera H), ou o mesmo filme pode envolver todas as esferas. Assim a escolha da obra artística a ser trabalhada em sala de aula deve ser feita com critério e com atenção para objetivos a serem alcançados.

## Sequência 3: O homem do futuro: resultados e uma previsão

"O Homem do Futuro" é um filme brasileiro de ficção científica e comédia romântica lançado em 2011, produzido pela Conspiração Filmes com o roteiro de Claúdio Torres, aborda a história de João, vulgo Zero que vive um paradoxo quântico. Na trama o professor João trabalha com física experimental e enfrenta dificuldades no financiamento de sua pesquisa, diante desta situação ele tenta resolver testar uma máquina do tempo, afim de solucionar seus problemas .

Podemos extrair elementos, a partir das três esferas de conhecimento sistematizado, que nos permitem visualizar a complexidade de questões que o filme suscita. Vejamos no quadro a seguir os temas igualmente interessantes e que podem ser debatidos com os educandos:

Quadro 01: Temas observados para o filme O Homem do Futuro

Exemplificamos alguns desses momentos a partir de alguns trechos. Um dos aspectos do filme, diz respeito ao diálogo entre Helena e João/Zero, quando discutem acerca da ciência. Ela apresenta a solução de como parar um paradoxo quântico conduzindo-o a analisar como parar a máquina. A cena citada, nos conduz a um olhar

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sobre o papel da mulher na ciência (esfera H). Fica destacado que quem protagoniza o filme, que traz no título uma referência ao homem como líder da comunidade científica, são as mulheres, que empoderadas querem e conseguem resolver problemas, mostrando que são capazes de fazer ciência.

Num outro trecho, temos a cena em que estão prestes a acionar o acelerador de partículas. O conceito de energia é citado por Otávio (cientista e amigo), que alerta sobre o fato de não ter disponível uma quantidade de energia suficiente. No entanto, João/Zero, para provar que a invenção, não é apenas revolucionária, mas, também segura, se posiciona no centro do evento e aciona o sistema. Assim, João/Zero, se transforma em partículas que começam a se desfazer, e com o surgimento da onda atmosférica, todas as luzes do mundo se apagam. Exemplificando tanto a esfera C quanto a S.

Nesse debate o professor pode guiar as discussões para que os alunos escolham suas posições com relação a CTS, e a tabela citada, podendo nessa mediação discutir outros exemplos históricos e do contexto dos educandos.

## Sequência 4: Aonde chegaremos...

A partir desta análise, nossa proposta é de distribuir os temas presentes nas esferas e os alunos, em grupo, ao assistirem ao filme, tentem procurar e identificar os momentos que as temáticas estão se fazendo presente. Após a identificação, é possível estruturar momentos de aprofundamento nas temáticas a partir de debates e relações com outras obras ou momentos históricos da ciência.

A obra permite utilizar a variedade de leituras e a multiplicação da abordagem possíveis a partir dos conceitos muitas vezes não visto pelos alunos, pois, por diversos motivos não é transmitido, assim o resultado é que saem do Ensino Médio sem compreender muitas situações que envolvem essa parte da física.

Ao nosso olhar, esse filme, deve e pode ser trabalhando em sala de aula, por meio de um planejamento que vise a partir da exploração da obra, discussões acerca de desenvolvimento tecnológico de um país, financiamento de pesquisas, o papel da mulher na ciência, a ética, e as relações estabelecidas entre a Ciência a Tecnologia e a Sociedade, de forma contextualizada. Sem contar nos conteúdos de Física, como: Energia, dilatação do tempo, paradoxo dos gêmeos e aceleradores de partículas, proporcionando um ambiente criativo para que o assunto da Teoria da Relatividade, por exemplo, possa ser apresentado e estudado.

## Referências

DUARTE, R. Cinema & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

PIASSI, Luís Paulo. Literatura e cinema no ensino de física: interface entre Ciência e Fantasia /Luís Paulo Piassi, Emerson Ferreira Gomes, João Eduardo F. Ramos: Maurício Pietrocola, (coordenador). - 1. ed.- São Paulo: Editoria Livraria da Física, 2017. - (Coleção professor inovador).

PIASSI, Luís Paulo. Contatos: a ficção científica no ensino de ciências em um contexto sociocultural . 453p. Tese (Doutorado). São Paulo: USP/FE, 2017.

ZANETIC, J. Física e literatura: construindo uma ponte entre as duas culturas. História, Ciências , Saúde, v.13, p.55-70, 2006.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.