O USO DE BRINQUEDOS PARA O ENSINO DE MAGNETISMO: UMA ATIVIDADE MISTURANDO A FÍSICA E A DIVERSÃO
Ruan Marinho Cunha De Barros, Carollina Vieira De Melo Lopes, João Eduardo Fernandes Ramos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## O USO DE BRINQUEDOS PARA O ENSINO DE MAGNETISMO: UMA ATIVIDADE MISTURANDO A FÍSICA E A DIVERSÃO
## Ruan Marinho Cunha de Barros 1 , Carollina Vieira de Melo Lopes 2 , João Eduardo Fernandes Ramos 3
- 1 Universidade Federal de Pernambuco, ruan8marinho@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Pernambuco, carollinavieiraml@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Pernambuco, joaoeframos@gmail.com
Palavras-chave : Magnetismo, brincadeira, brinquedo.
## Resumo expandido
O brincar é compreendido como uma atividade característica e essencial da infância, dada toda a construção de conhecimento, habilidades e potencialidades da criança nesse processo (MOYLES, 2002). Em uma brincadeira, a criança assimila e interpreta o mundo e a cultura a sua volta, pois utiliza sua imaginação para fazer recriações da sua realidade e experimentar novos cenários (WAJSKOP, 1995).
Ao brincar, a criança não apenas se entretém, mas também aprende, por isso, vários teóricos educacionais relacionam a brincadeira com aprendizagem. De tal forma, o jogo estimula o desenvolvimento sensório motor da criança e a compreensão de simbolismos (PIAGET, 1978), o brinquedo estimula uma nova relação de significado e percepção visual (VYGOTSKY, 1998) e a brincadeira desenvolve capacidade de memorização, enumeração, socialização e articulação (WALLON, 2007).
No entanto, a brincadeira e suas contribuições não se restringem apenas às crianças, visto que o jogo precede a cultura humana e até os animais brincam para se divertir (HUIZINGA, 2007). Assim, ao realizar um levantamento de pesquisas científicas disponíveis na plataforma Google , facilmente são encontrados trabalhos que relacionam o uso do lúdico de jogos e brincadeiras no ensino de física para adolescentes do Ensino Médio ou até adultos do EJA (BARBOSA, 2018). Nesses trabalhos são vistos que há uma contribuição no aspecto cognitivo e motivacional dos alunos, além de ter uma melhoria na relação professor-aluno e nas socializações entre os estudantes (OLIVEIRA, 2022; FILGUEIRA, 2009; CRUZ, 2014; RODRIGUES, 2014). Também se percebe que o uso de brinquedos no ensino de física incentiva a construção do pensamento crítico, aprimora interpretações e mostra que os conhecimentos prévios não anulam o surgimento de novos questionamentos (BARROS, 2018; CRISTINO, 2016).
Dada essas contribuições, é fundamental que a criatividade dos estudantes seja conduzida para o coletivo, como nas brincadeiras de esconde-esconde, pegapega, barra-bandeira, entre outras. O trabalho coletivo para criar os jogos, entender o conteúdo das brincadeiras e a diversão em um evento comum a todo o grupo tem um grande valor, pois motiva os participantes a compartilharem entre si os conhecimentos práticos que têm sobre o assunto (VERGARA, 2009 apud ÁVILA; COUTO, 2013).
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Assim, esse trabalho tem o intuito de discutir o uso de brinquedos que tenham relação com o conteúdo de magnetismo no ensino de física, tópico não encontrado nos trabalhos referenciados, que em sua maioria aborda conteúdos de mecânica. Então, os objetivos deste trabalho são de apresentar brinquedos magnéticos aos estudantes e de inspirá-los a construir novos brinquedos e brincadeiras utilizando ímãs. Espera-se, também, que a dinâmica traga o engajamento das turmas para o aprendizado do tema, ajudando-os a identificar e compreender os fenômenos magnéticos em situações de seu cotidiano.
Dentre os brinquedos mostrados para os estudantes estão a lousa 'mágica', um quadro que usa um pó magnetizado para anotações e desenhos; o pêndulo magnético; a pesca magnética e os 'rattlesnake egg', que traduzido significa 'ovos de cascavel' e produzem um som característico quando colidem. Também serão apresentadas as esferas magnéticas, que podem criar formatos como a massa de modelar; o brinquedo giratório do Snoopy, um boneco que se equilibra em pé por meio de ímãs; e um brinquedo de levitação magnética. Cada um desses equipamentos utiliza o magnetismo de uma maneira diferente, a fim de entreter pessoas, mas também podem ser utilizados de forma didática para facilitar o entendimento dos alunos por meio do fenômeno magnético apresentado em cada material.
A observação feita em cada brincadeira é de que os materiais sofrem uma atração ou uma repulsão entre si, a partir de uma força que não depende de contato para se tornar perceptível. Dessa forma, é esperado que os estudantes notem que existe um padrão em todos os brinquedos. Assim, desmistificando o fenômeno, pretende-se demonstrar que o que aparenta ser 'mágica', possui uma explicação científica.
O método deste trabalho envolve a divisão da sala de aula em grupos, em que cada grupo irá explorar um dos brinquedos citados anteriormente. Nesse momento, a diversão e a imaginação serão deixadas para se difundir livremente pelo ambiente. Em uma dinâmica rotativa, todos os grupos irão vivenciar todas as brincadeiras. Desse modo, é esperado que os estudantes consigam perceber que os fenômenos físicos nos brinquedos se tratam de ímãs se atraindo e repelindo. O professor deverá esclarecer como funciona o campo magnético dos ímãs e apontar a sua presença em cada uma das brincadeiras. A explicação teórica deve servir para solidificar o conhecimento produzido pelos estudantes, que podem identificar e até utilizar dele em situações no seu cotidiano.
Ademais, com a compreensão do funcionamento dos brinquedos e do fenômeno físico do magnetismo, os estudantes devem apresentar seus conhecimentos práticos sobre o assunto. Essa apresentação será dada por meio da criação de jogos para que a sua aprendizagem seja avaliada durante o processo de diversão. As brincadeiras criadas pelos estudantes serão apresentadas para o resto da comunidade escolar.
Por fim, esse experimento será aplicado para estudantes do ensino médio de uma escola pública de referência do estado de Pernambuco. Os alunos terão a oportunidade de se divertir e aprender o conteúdo de física, e os professores poderão analisar o engajamento e o aprendizado que cada turma terá com esse método aplicado. Além disso, as brincadeiras serão repassadas pelos próprios estudantes para outras pessoas, tornando-os protagonistas do seu processo de aprendizado.
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## Referências
ÁVILA, Robson Nery; COUTO, Sabrina Valverde de Oliveira. A importância do trabalho em equipe: uma revisão de literatura. Faculdade Católica de Anápolis, Anápolis, 2013.
BARBOSA, Alexandre Rodrigues. Atividades lúdicas no ensino de física: desafios e possibilidades para a EJA. 2018.
BARROS, Thauany Barreto. BRINCADEIRA DE CRIANÇA: O pião como objeto pedagógico no processo de ensino-aprendizagem de física no terceiro ano do ensino médio. 2018.
CRISTINO, Cláudia Susana. O uso da ludicidade no ensino de física. 2016.
CRUZ, Ana Carla da et al. Os jogos de bolinhas de gude como instrumentos para o ensino de física no ensino fundamental. 2014.
FILGUEIRA, Sérgio Silva. O lúdico no ensino de física: elaboração e desenvolvimento de um minicongresso com temas de física moderna no ensino médio. 2009.
HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 5edição. São Paulo: Perspectiva, 2007.
MOYLES, Janet R. Só brincar? O papel do brincar da educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2002.
OLIVEIRA, Vivian Almeida de. Cabo de Guerra-Somando Forças: um aplicativo para o Ensino de Física. 2022.
PIAGET, Jean. Segunda parte: O Jogo. In: A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho - imagem e representação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1978
RODRIGUES, Jefferson Pereira. Ensinando física com brinquedos. 2014.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WAJSKOP, Gisela. O brincar na educação infantil. Cadernos de pesquisa, n. 92, p. 62-69, 1995.
WALLON, Henri. O brincar. In: A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
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