COMO A CONSTRUÇÃO DE UMA MÁQUINA TÉRMICA PROMOVE AÇÕES INTERDISCIPLINARES E ANÁLISES HISTÓRICAS
Diego De Souza Moreira, Virna Lígia Fernandes Braga
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 08/11/2023
- Linha de pesquisa
- Currículo e ensino de física
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023
Texto completo
## COMO A CONSTRUÇÃO DE UMA MÁQUINA TÉRMICA PROMOVE AÇÕES INTERDISCIPLINARES E ANÁLISES HISTÓRICAS
## Diego de Souza Moreira 1 Virna Ligia Fernandes Braga²
1
Doutorando do PPGE/UFJF/Colégio Stella Matutina, diegosouzamoreira88@gmail.com ²Colégio Stella Matutina, virna.ligia@gmail.com
Palavras-chave : Máquina Térmica; Ensino de Física; Ensino de História.
## Resumo expandido
- O presente trabalho foi desenvolvido com intuito de promover a interdisciplinaridade e alinhar as perspectivas curriculares que referenciam o currículo da escola, assim como trazer os conceitos de uma educação por competências regida pela BNCC.
Diante do olhar pedagógico da construção do conhecimento, que se desenvolve em múltiplas facetas, os papéis docente de promover ações interdisciplinares são relevantes e proporcionam além de uma educação significativa o engajamento dos pares que assim se desenvolvem dentro dessas metodologias.
Segundo Fazenda (2008):
O conceito de interdisciplinaridade, como ensaiamos em todos nossos escritos desde 1979 e agora aprofundamos, encontra-se diretamente ligado ao conceito de disciplina, onde a interpenetração ocorre sem a destruição básica das ciências conferidas. Não se pode de forma alguma negar a evolução do conhecimento ignorando sua história. Assim, se tratamos de interdisciplinaridade na educação, não podemos permanecer apenas na prática empírica, mas é necessário que se proceda a uma análise detalhada dos porquês dessa prática histórica e culturalmente contextualizada. (FAZENDA, 2008, p. 21)
A interdisciplinaridade tem como papel integrar e minimizar as fragmentações da construção do pensamento científico, além de oferecer a visão do todo quando se discute a história da Ciência.
Para BOVO (2005, p. 02), a interdisciplinaridade anseia a passagem de uma concepção fragmentada para uma concepção unitária, para isso precisa de uma escola participativa, com uma visão ampla e não fragmentada, que se torne espaço de reflexão, de trocas de conhecimentos e clareza nos objetivos.
[...] a metodologia interdisciplinar parte de uma liberdade científica, alicerça se no desejo de inovar, de criar, de ir além e suscita-se na arte de pesquisar, não objetivando apenas a valorização técnico-produtiva ou material, mas sobretudo, possibilitando um acesso humano, no qual desenvolve a capacidade criativa de transformar a concreta realidade mundana e histórica numa aquisição maior de educação em seu sentido de ser no mundo (FAZENDA, 1979, p.10-18 apud BOVO, 2005 p. 02).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Autores e pesquisadores do Ensino de Física apontam para a necessidade de um ensino contextualizado, que permita desenvolver os conteúdos a partir de uma abordagem histórica capaz de aprimorar a aprendizagem do todo (BINNIE, 2001, SANTOS et al., 2012).
De acordo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação brasileira (Lei 9.394/967), a educação básica tem como objetivo principal - desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Diante das potências do trabalho colaborativo entre docentes e discentes, o projeto se desenvolveu numa escola na cidade de Juiz de Fora- MG, com estudantes do oitavo e nono ano do Ensino Fundamental Anos Finais. Os estudantes em questão estavam desenvolvendo, nas aulas de história, o tema da Revolução Industrial. No primeiro momento envolveu a ação dos docentes (história e física) em trabalho colaborativo de entender e buscar que o processo histórico está intimamente ligado às Ciências -em especial a Termodinâmica que tiveram grande investimento econômico e intelectual desde meados do século XVIII, avançando através dos séculos XIX e XX, para promover uma outra concepção de mundo e de mercado.
Os estudantes foram convidados a estarem em grupos de 4 e foram divididos em categorias de ação:
- 1ª -Os estudantes do oitavo ano (Ensino Fundamental Anos Finais) ficaram responsáveis pela Máquina Térmica e seus efeitos com o calor. Analisaram como elas foram criadas e seus desdobramentos interligados à primeira Revolução Industrial e como produto, apresentaram a construção da Máquina Térmica para o grupo todo.
- 2ª -Os estudantes dos nonos anos (duas turmas do Ensino Fundamental Anos Finais) foram divididos em dois grupos de ação (e cada grupo criou subgrupos de 4 estudantes, assim como na turma do oitavo ano):
- -O primeiro grupo ficou responsável por estudar como o calor era usado para obtenção de energia elétrica e seus impactos para a sociedade, conforme estavam estudando nas aulas de história, pós Segunda Revolução Industrial. E como produto experimental, desenvolveram práticas que pudessem evidenciar como o calor gerava energia elétrica - como por exemplo, o vapor que girava as hélices de uma ventoinha ligada a um gerador que acendia um pequeno LED.
- -Já o segundo grupo ficou responsável de pensar como a Física, aliada a uma ciência conectada com as demais áreas do conhecimento, está presente nos dias de hoje, respeitando os conceitos termodinâmicos desenvolvidos no final do século XIX e suas consequências na sociedade analisando os impactos humanos do sistema comercial solidificado após as revoluções industriais.
Como análise principal ficou claro o engajamento e interesse dos alunos em como realizar de forma prática o que estavam estudando nas aulas de história. O trabalho simultâneo e colaborativo dos professores de história e física foram cruciais nas ações em conjunto, como mediadores e incentivadores dos muitos erros experimentais que foram sendo destacados, estudados e reorganizados na resolução de problemas.
Pintrich e Schunk (1996) definem quatro componentes das atividades escolares que estão diretamente relacionados à motivação intrínseca: o desafio, a curiosidade, o controle e a fantasia. Como aponta Laburu (2006):
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
- O desafio caracteriza-se pela promoção de uma situação com certa complexidade, em que as habilidades ou conhecimentos dos estudantes são provocados, mas num nível intermediário de dificuldade, de forma passível de ser vencido com um emprego razoável de esforço. A curiosidade manifesta na conduta exploratória é ativada por situações ambíguas, incongruentes, surpreendentes, inesperadas, de novidade, que despertam a atenção dos alunos pelo fato de estarem em desacordo com suas crenças ou conhecimentos anteriores, além de incentivá-los a buscar a informação necessária para sua explicação. O controle refere-se a uma situação em que o sujeito percebe-se fazendo parte do processo de aprendizagem, sabe que os resultados de desempenho dependem de seus esforços, têm a oportunidade de ser ouvido e pode fazer escolhas entre exigências diferenciadas. Por último, a fantasia caracteriza-se por situações que envolvam um faz-de-conta, favorecendo a motivação quando promove satisfações vicárias que não ocorreriam facilmente em situações reais. (LABURU, 2006, p.382)
A ação conjunta dos docentes se mostrou muito significativa sob dois vieses:
- ● O aprendizado entre os docentes que de forma mútua entraram em áreas não comuns de suas áreas de atuação para fazer a melhor mediação possível com os estudantes.
- ● A interação entre os pares discentes na resolução de problemas advindos das propostas de ação, dos erros e principalmente do novo, onde os grupos deveriam estar à frente do seu processo de aprendizado mediados pelos docentes.
Assim como proposto nos documentos oficiais de educação, a interdisciplinaridade consegue abarcar uma grande área de ação que promove a autonomia discente assim como cria possibilidades não imaginadas pelo nicho comum de ação dos docentes, promovendo uma educação libertadora e fundamental para a formação social dos indivíduos que participaram deste trabalho - tanto estudantes como professores.
## Referências
BINNIE, A. Using the history of electricity and magnetism to enhance teaching. Science & Education, n. 4, Volume 10, 2001. p. 379-389.
BOVO, Marcos Clair. Interdisciplinaridade e transversalidade como dimensões da ação pedagógica. Urutágua, Maringá, n. 07, ago-nov, 2005.
BRASIL. PCN+ Ensino Médio; Orientações Educacionais Complementares ao PCN. Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias. Secretaria de Educação Média e Tecnológica, Brasília: MEC; SEMTEC, 2002.
FAZENDA, Ivani Arantes. Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade na formação de professores. Revista do centro de educação e letras da UNIOESTE, Foz do Iguaçu, v. 10, n. 01, p. 93-103, 2008.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes (Org.). O que é interdisciplinaridade? São Paulo: Cortez, 2008.
LABURÚ, C.E. Fundamentos para um experimento cativante. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 23, n. 3, p. 382-404, 2006.
PINTRICH, P. R., & SCHUNK, D. H. (1995). Motivation in education: Theory, research, and applications. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.