Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O PAPEL DO ''CURSINHO DA FEG" NA FORMAÇÃO INICIAL DOS ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNESP DE GUARATINGUETÁ

Guilherme Urias, Alice Assis

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do EPEF 2011

Texto completo

## O PAPEL DO 'CURSINHO DA FEG' NA FORMAÇÃO INICIAL DOS ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DA UNESP DE GUARATINGUETÁ

## THE ROLE OF 'CURSINHO DA FEG' IN INITIAL PHYSICS TEACHER EDUCATION IN THE UNESP GUARATINGUETA

## Guilherme Urias , Alice Assis 1 2

1

UNESP/Faculdade de Ciências, guilherme.urias@gmail.com 2 UNESP/Faculdade de Ciências, aliassis@gmail.com

## Justificativa

Atualmente, no Brasil, existem problemas sociais e econômicos que, em parte, surgiram devido ao descaso com a educação. Em decorrência disso, a carreira docente não é almejada pela maioria dos jovens. A imagem do professor na sociedade foi completamente desvalorizada. Os educadores são vítimas de desrespeito, preconceitos e agressões. O ato de educar, atualmente, é uma tarefa árdua e desestimulante, pois a escola não é mais vista, pelos alunos, como instituição promotora de habilidades e competências que podem propiciar melhores condições para se enfrentar a realidade da atual sociedade tecnológica, o que torna o trabalho do professor uma missão quase impossível, pois não existe motivação para aprender. Os alunos não veem sentido em ir para a escola. Por esse motivo, a necessidade de se formar professores comprometidos com a educação e com os seus alunos é eminente.

Para lidar com esse quadro problemático, há a necessidade de que os licenciandos recebam a formação mais completa possível. É preciso preparar os futuros professores para a realidade escolar contemporânea; fazê-los compreender o porquê da atual realidade e quais seriam os possíveis mecanismos que possibilitariam algumas mudanças, visando melhorias. É importante que eles conheçam o perfil dos alunos e diversas metodologias de ensino e aprendizagem, que lhes fornecerão as ferramentas necessárias para encarar as diversas e complexas situações cotidianas vivenciadas nas salas de aula, bem como as estratégias que são necessárias para desenvolver a capacidade de estimular nos jovens a criatividade e a criticidade, criando competências fundamentais para a vivência do dia-a-dia.

Porém, o atual sistema de formação de professores apresenta uma carga horária pedagógica que inviabiliza a introdução de tantos conteúdos. Além disso, muito do que o graduando aprende em sala de aula só poderia ser verificado mediante a prática docente, que, normalmente, só ocorre no último ano do curso de licenciatura, no período de estágio supervisionado.

Dessa maneira, acreditamos que os recém-formados não estejam completamente preparados para lecionar no quadro educacional problemático supracitado. Em nossa opinião, seria necessário que o licenciando exercesse a atividade docente durante o curso de graduação, pois, a 'construção dos saberes docentes e o ato de ensinar, em si, não se definem somente na pessoa do

professor, mas todo esse conjunto se constrói por meio da relação professor-aluno, por mais complexa que ela se apresente' (ARRUDA, BACCON, p. 508, 2010). Dessa forma, atuar em sala de aula poderia viabilizar a promoção de algumas habilidades que contribuiriam para a efetiva atividade docente.

Visando verificar nossas hipóteses, entrevistamos os graduandos do curso de Licenciatura em Física, da UNESP, Campus de Guaratinguetá, que atuam como professores no 'Cursinho da FEG' . Procuramos evidências da importância do meio 1 para a construção da personalidade do professor. Para tanto, fundamentamos nossos argumentos nas ideias de Kaës (2003), Martins (2004) e Freire (FREITAS, VILLANI, PIERSON, 2001). Mesmo num quadro sem grandes perspectivas, procuramos evidenciar quais são os fatores que podem motivar os professores à carreira docente, sempre mantendo a discussão em torno do meio em que o educador está inserido, pois acreditamos que a motivação para encarar a difícil carreira docente pode ser encontrada mediante o trabalho em um ambiente com alunos dispostos a aprenderem e coordenadores comprometidos com o aprendizado dos alunos, bem como com o sucesso dos professores. Para esse aspecto, utilizamos a teoria motivacional de Herzberg (1968) como referencial teórico.

## Metodologia

Esta pesquisa é de cunho qualitativo, pois 'não busca enumerar e dividir eventos e, geralmente, não emprega instrumental estatístico para análise dos dados' (NEVES, 1996, p.01), sendo norteada por uma entrevista semi-estruturada. Segundo Bogdan e Biklen (BOGDAN, R., BIKLEN, S, 1982), 'os estudos que recorrem à observação participante e à entrevista em profundidade' (p.49) são bons exemplos desse tipo de abordagem.

Os sujeitos desta pesquisa foram três alunos do curso de licenciatura em Física, Pau, 20 anos, que cursava o terceiro ano e trabalhava no 'cursinho da Feg' desde 16 de abril de 2008; Nil, 23 anos, que cursava o terceiro ano e trabalhava no cursinho desde 8 de abril de 2008; Lui, 21 anos, que cursava o terceiro ano e trabalhava no cursinho desde 17 de abril de 2008.

Esses sujeitos foram entrevistados em outubro de 2009. Para a análise, buscamos, no discurso dos alunos, evidências de fatores motivacionais decorrentes de sua atuação no 'Cursinho da Feg', bem como os motivos pelos quais esses graduandos fizeram a opção pelo curso de licenciatura e não de bacharelado em Física. O instrumento de análise da presente pesquisa foi a transcrição dessas entrevistas, registradas em áudio e vídeo.

## Análise e resultados

Percebemos que existe uma grande motivação por parte dos entrevistados. A carreira de professor, por mais difícil que seja, é muito valorizada pelos docentes do 'Cursinho da FEG'. Em meio a uma realidade desanimadora, em que professores desmotivados e desvalorizados adoecem devido ao stress do dia-a-dia etc., alunos

desinteressados não respeitam o professor em sala de aula, temos um quadro de pleno otimismo. Os licenciandos estão dispostos a encarar as dificuldades, porque presenciam situações em que o ensino gera ótimos resultados, visto que a aprovação nos vestibulares é apenas um dos objetivos do 'Cursinho da FEG', pois é priorizada a inclusão social e o aprender a aprender.

Ao atuarem em sala de aula, esses licenciandos tiveram contato com o lado prático da profissão de professor. Puderam elaborar estratégias para o ensino, aplicar metodologias pedagógicas, trabalhar com a experimentação etc. A sala de aula representou o meio que promoveu algumas habilidades necessárias à formação desses futuros professores, como planejar as aulas, administrar o tempo, promover interação, entre outras.

Assim, o 'Cursinho da FEG' pode ser um exemplo de mecanismo que fornece a oportunidade da prática docente para os futuros professores. O trabalho no 'Cursinho da FEG' complementa a capacitação teórica das disciplinas de cunho pedagógico, representando o local onde os graduandos aplicariam todo o conhecimento adquirido nessas disciplinas. Esse trabalho viabiliza que os graduandos adquiram condições para enfrentar a realidade cotidiana das salas de aula, ao término da licenciatura.

Esse projeto pode ser ampliado tendo em vista complementar a formação inicial dos professores em diversas universidades. Seria interessante fazer um programa de formação que acolhesse desde o primeiro ano os interessados em seguir no curso de licenciatura para colocar esses licenciandos em contato com a prática acadêmica e formar professores cada vez mais capacitados a melhorar a situação educacional brasileira.

## Referências

ARRUDA, S. M.; BACCON, A. L. P. Os saberes docentes na formação inicial do professor de física: elaborando sentidos para o estágio supervisionado. Ciência e Educação . Bauru, v. 16, n. 3, p. 507-524, 2010.

BOGDAN, R., BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto/Portugal: Porto , 1982.

FREITAS, D. de; VILLANI, A.; PIERSON, A. H. C. A formação de professores em ciências: Freire dialogando com a psicanálise . Pró-posições . Campinas, v.12, n.1, 2001.

HERZBERG, F.. One more time: How do you motivate employess? Havard business review. v. 46, 1968.

KAËS, R.. O Intermediário na Abordagem Psicanalítica da Cultura. Psicologia USP . São Paulo, v. 14, n. 3, 2003.

MARTINS, L. M. A natureza histórico-social da personalidade. Cad. CEDES , v. 24, n. 62, 2004.

NEVES, J. L.. Pesquisa qualitativa - características, usos e possibilidades. Caderno de pesquisa em administração . São Paulo, v. 1, n. 3, 1996.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.