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As práticas experimentais em óptica nos produtos educacionais do MNPEF

Ciro Lino Bellan, Adriana Aparecida Da Silva, Emanuel José Reis De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
08/11/2023
Linha de pesquisa
Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## As práticas experimentais em óptica nos produtos educacionais do MNPEF

## Ciro Lino Bellan 1 , Adriana Aparecida da Silva 2 , Emanuel José Reis de Oliveira 3

- 1 Colégio Stella Matutina, Núcleo de Ciências da Natureza, professorcirobellan@gmal.com
- 2 Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação, adrianaaparecida.silva@ufjf.br
- 3 Instituto Federal do Espírito Santos, Campus Vitória, Proeja, emanuel@ifes.edu.br

Palavras-chave : Óptica; Práticas experimentais; Mestrado Profissional em Ensino de Física (MNPEF)

## Resumo expandido

O Programa Nacional de Mestrado Profissional em Ensino de Física (MNPEF) tem por objetivo '(...) capacitar em nível de mestrado uma fração muito grande de professores da Educação Básica quanto ao domínio de conteúdos de Física e de técnicas atuais de ensino para aplicação em sala de aula' (SBF, s/d). As atividades do MNPEF foram iniciadas em 2013 e caracterizam-se pela elaboração pelo professor, ao final da pós-graduação, de uma dissertação e um produto educacional. Os produtos educacionais adotam estratégias que utilizam diferentes recursos e perspectivas didático-metodológicas, dentre elas as práticas experimentais que podem ser utilizadas por outros professores de diferentes níveis/modalidades de ensino. Nesse contexto, buscamos identificar as concepções sobre práticas experimentais sobre óptica presentes nos produtos educacionais elaborados no contexto do MNPEF.

O interesse em estudar tais trabalhos justifica-se por compreendermos a possível capilaridade dos materiais desenvolvidos junto a docentes das mais diversas regiões brasileiras, podendo ser adotados em suas práticas educativas e contribuir para a sua formação em serviço. Considerando o vasto campo de conteúdos escolares de Física, escolhemos abordar aqueles que versam sobre óptica. As Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) informam-nos haver a necessidade de os estudantes compreenderem os meios de comunicação e informação, os quais baseiam-se na '(...) produção de imagens e sons, seus processos de captação, suas codificações e formas de registro e o restabelecimento de seus sinais nos aparelhos receptores.' (BRASIL, 2002, p. 26). Nessa abordagem, considera-se o trabalho com as naturezas ondulatória e corpuscular da luz, bem como a compreensão sobre

- (...) a formação de imagens e o uso de lentes ou espelhos para obter diferentes efeitos, como ver ao longe, de perto, ampliar ou reduzir imagens. Nesse sentido, o traçado dos raios de luz deve ser entendido como uma forma para compreender a formação de imagens e não como algo real com significado próprio. (BRASIL, 2002, p. 27).

Realizamos uma pesquisa de cunho qualitativo e perspectiva interpretativista (ZANELA SACCOL, 2009), no qual utilizamos a pesquisa bibliográfica, que '(...) tem a finalidade de aprimoramento e atualização do conhecimento, através de uma investigação científica de obras já publicadas' (SOUSA et al., 2021, p. 65). A constituição do corpus de pesquisa ocorreu a partir das dissertações do MNPEF disponíveis no portal eletrônico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de

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Nível Superior (CAPES), com autorização para publicação por seus autores, adotando como termo de busca a palavra 'óptica'. Nesse levantamento, identificamos 33 trabalhos com datas de defesa entre 2016 e 2023. Adotamos a perspectiva da Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977) e utilizamos como categorias os tipos de práticas experimentais, como sistematizadas por Silva (2023):

Quadro 01 : Tipos e concepções de experimentações

Fonte: adaptado de Silva (2023).

A categorização foi realizada a partir da leitura dos produtos educacionais e das dissertações e, em alguns casos, observamos discrepâncias entre a denominação apresentada no trabalho em análise e o material didáticometodológico. As práticas experimentais identificadas nos produtos educacionais segundo as categorias supracitadas estão apresentadas na figura a seguir no qual indicamos a distribuição percentual dos tipos adotados. Ressaltamos que a prática experimental problematizadora não foi identificada em quaisquer dos trabalhos analisados.

Figura 01: Ocorrências dos tipos de experimentação

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No que tange aos conteúdos abordados, observamos que discussões sobre os princípios da óptica geométrica, espelhos planos e esféricos, óptica da visão e refração e reflexão luminosas foram contempladas em todos os tipos de experimentação. Disto reiteramos nossa compreensão que o uso de tal ou qual prática experimental decorre antes de tudo do objetivo de ensino do docente no curso de seu planejamento. Ou seja, utilizar um experimento ilustrativo ou investigativo demanda que o professor tenha clareza acerca da intencionalidade do seu trabalho com o conteúdo.

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Também observamos que uma série de conteúdos foram abordados em tipos específicos de práticas experimentais, como indicado no quadro resumo em sequência:

Quadro 02 : Conteúdos tratados nas práticas experimentais

A pouca diversidade de conteúdos nas atividades do tipo show parece indicar a compreensão dos professores sobre o quão limitadas elas são ao terem uma perspectiva motivacional, mas sem a preocupação a priori com a aprendizagem de conteúdos pelos estudantes. Por outro lado, o também reduzido número de trabalhos de ordem investigativa podem indicar que ainda há um distanciamento de práticas experimentais com concepção contextual nos processos formativos de professores de Física. Em conjunto com o elevado quantitativo de trabalhos experimentais ilustrativos, pouco mais da metade dos produtos educacionais analisados, observamos indícios de que o trabalho com as práticas experimentais no MNPEF no recorte em foco pouco avançou no sentido de privilegiarem de liberdade intelectual (CARVALHO, 2018) dos estudantes. As causas para tal fato colocam-se como objeto de estudo para futuras pesquisas.

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Edições 70, ltda. Lisboa, Portugal. 1977.

BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ensino Médio. Brasília, 2002.

CARVALHO, A. M. P. Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino por Investigação. RBPEC 18(3), 765-794. Dezembro, 2018.

SILVA, A. A. Capacidades docentes de professores de Física em formação continuada. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Juiz de Fora, 2023.

SOUSA, A. S.; OLIVEIRA, G. S.; ALVES, L. H. A pesquisa bibliográfica: princípios e fundamentos. Cadernos da Fucamp , v.20, n.43, p.64-83/2021.

ZANELA SACCOL, A. Um retorno ao básico: Compreendendo os paradigmas de pesquisa e sua aplicação na pesquisa em administração. Revista de Administração da Universidade Federal de Santa Maria , vol. 2, núm. 2, maioagosto, 2009, p. 250-269.

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