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POLÍTICAS PÚBLICAS, CURRÍCULOS E O PROCESSO DE FORMAÇÃO DOCENTE: CONFIGURAÇÕES CURRICULARES DOS CURSOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA

Geisieli Da Silva Marchan, Roberto Nardi

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XIII
Ano
2011
Data
06/06/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional Do Professor De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## POLÍTICAS PÚBLICAS, CURRÍCULOS E O PROCESSO DE FORMAÇÃO DOCENTE: CONFIGURAÇÕES CURRICULARES DOS CURSOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA

## PUBLIC POLICIES, CURRICULA AND TEACHING EDUCATION PROCESS: PHYSICS TEACHERS' INITIAL EDUCATION CURRICULAR SETTINGS IN A PUBLIC UNIVERSITY

## Geisiele Marchan , *Roberto Nardi 1 2

1 Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência. Faculdade de Ciências. UNESP. Campus de Bauru. Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Apoio: Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. (email: geisiele@fc.unesp.br).

## Introdução

Esta pesquisa insere-se no campo da formação inicial de professores de Física, mais especificamente no que corresponde às políticas públicas atuais e o processo de reestruturação curricular das licenciaturas no Brasil. Faz faz parte de um estudo longitudinal (CORTELA, 2004; CAMARGO, 2007) que se iniciou focalizando um curso de Licenciatura em Física ministrado pela Universidade Estadual Paulista 'Júlio de Mesquita Filho' (UNESP). Pois, como decorrência da implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, o Ministério da Educação e Cultura instituiu novas diretrizes curriculares para os cursos de ensino superior no país. Para o caso específico das licenciaturas, o Conselho Nacional de Educação publicou em 2001 as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica em Nível Superior (DCN) e, no caso da Física, em 2001, foram instituídas as Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física. Assim, esse estudo procurou entender como esses documentos fundamentam e configuram suas orientações voltadas ao processo de formação inicial de professores, que atuarão na Educação Básica, e como essas orientações refletem no perfil identitário docente proposto pelos projetos político-pedagógicos (PPP) dos cinco cursos Licenciatura em Física, ministrado por diferentes Unidades pertencentes à UNESP. Considerando que as identidades profissionais são construídas socialmente e coletivamente (DUBAR, 1997), procurou-se responder a seguinte questão: Que efeitos de sentidos emergem dos documentos oficiais (DCN) e dos documentos institucionais (PPP), em relação aos princípios norteadores da Licenciatura, para configurar o perfil profissional docente?

## Metodologia e Referenciais Teóricos

Para ser capaz de entender os efeitos de sentidos responsáveis por conduzir os perfis identitários docentes, a análise documental realizada procurou seguir os princípios e procedimentos de investigação com base no método da Análise de

Discurso de linha francesa conforme apresentado por Pêcheux (2002) e divulgado no Brasil por Orlandi (2002). Para Pêcheux (2002), a Análise de Discurso (AD) apresenta-se como sendo uma disciplina envolvida por diversas naturezas ideológicas que centram as relações de poder entre o sujeito e a política. A AD busca compreender a textualidade em sua completude, de modo a tentar unir o lingüístico ao contexto permeado pelo social-histórico que compõe a sua produção. Nesse caso, entende-se que os documentos expressam o discurso escrito, e esses são resultados das relações estabelecidas pelos grupos envolvidos com a sua criação e implantação. Assim, para sermos capazes de contemplar esse roteiro analítico, percebemos que a Análise do Discurso de linha francesa é a mais indicada, uma vez que essa metodologia de análise volta-se a entender o discurso em sua materialidade diretamente associada às relações sociais, culturais e políticas que se ligam ao contexto em que discurso é expresso, pois considera o indivíduo enquanto sujeito epistêmico e, por meio de seu discurso, materializa suas ideologias situadas por todo um contexto da prática dos dizeres, ao qual está inserido e nele também atua enquanto membro pertencente ao grupo envolvido (PÊCHEUX, 2002; ORLANDI, 2002).

## A Identidade Profissional Docente Segundo os documentos nacionais (DCN) e institucionais (PPP)

A dualidade existente na legislação vigente, responsável por pautar a formação do professor com base em dois diferentes modelos de formação docente, refletiu diretamente na maneira como cada Unidade, pertencente à UNESP, configurou a matriz curricular e os objetivos para a formação do educador em Física. Isso ocorreu, pois as Diretrizes da Licenciatura propõe um currículo que contemple a formação do educador desde o primeiro ano do curso e considera que para a formação do licenciando deve-se incluir, ao longo de todo o curso, atividades de natureza pedagógica e integradora, como aquelas correspondentes às Atividades Científico-Culturais, às Práticas como Componentes Curriculares e aos Estágios Supervisionados; em contrapartida, as Diretrizes da Física caracterizam a formação docente pautada no modelo '2+2', no qual, nos dois primeiros anos de curso pautam-se uma base comum de formação para a área de Física e nos últimos dois anos corresponderiam à parte identitária do Físico a ser formado; uma delas sendo a de 'físico-educador'. Essa dualidade acaba por refletir na maneira como os cursos de Licenciatura em Física oferecidos pela UNESP estão organizados, de modo a configurar distintos perfis identitários docentes para uma mesma modalidade profissional.

A legislação não apresenta claramente o caráter e a natureza das atividades de ACC e PCC e isso reflete diretamente na maneira como cada Unidade organiza e desenvolve tais práticas, de modo que as matrizes curriculares, apresentadas por cada curso, abarcam, de diferentes maneiras, tais atividades. Nessa direção, constatou-se que no Campus 1, o currículo abarca quatro disciplinas de ACC, no Campus 2 apenas uma e nos demais, Campi 3, 4 e 5, não apresentam disciplinas dessa natureza.

Os cursos de Licenciatura em Física ministrados pela referida Universidade, caracterizam e organizam suas atividades de acordo com cada unidade de origem. O mínimo previsto pelas Diretrizes da Licenciatura é de 2.800 horas de atividades teóricas e práticas distribuídas em quatro anos de formação, que devem fazer parte das disciplinas ministradas, mas esse número parece ser ignorado nos casos em que os cursos não têm cumprido o mínimo exigido por lei e, nos casos em que os cursos são ministrados com horas além do mínimo exigido, parece haver ainda uma ausência do cumprimento da legislação no que corresponde à relação teoria e prática.

Portanto, a partir da leitura analítica correspondentes à fundamentação, aos objetivos e às estruturas curriculares, que configuram o perfil profissional do professor de Física que esta sendo formado em cinco Unidades da UNESP, foi possível considerar que não há um padrão quanto às formas de organização de seus PPP e de suas matrizes curriculares, o que permite inferir que os cursos apresentam diferentes perfis identitários para o processo de formação do professor de Física que irá atuar na Educação Básica. Essa divergência identitária ocorre mesmo sendo consideradas as peculiaridades de cada localidade. Assim, no caso específico desse estudo, entendermos que as negociações entre os pares envolvidos na implantação dos documentos oficiais destinados a configurarem um perfil identitário de formação docente, está intimamente atrelado ao processo social que Dubar (1997) descreve para a 'negociação identitária'.

## Referências

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CES nº 1.304: Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Física. Aprovado em 06 nov. 2001, homologado em 04 dez. 2001. Publicado no DOU em 07 dez. 2001.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP nº009: Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Aprovado em 8 maio 2001, homologado em 17 jan. 2002. Publicado no DOU em 18 jan. 2002a.

CAMARGO, S.. Discursos presentes em um processo de reestruturação curricular de um Curso de Licenciatura em Física : o legal, o real e o possível. 2007. 285f. Tese (Doutorado em Educação para a Ciência). Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2007.

CORTELA, B. S. Formadores de professores de Física: uma análise de seus discursos e como podem influenciar na implantação de novos currículos. Bauru, UNESP, 2004, 268f. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência) Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista. Bauru, 2004.

DUBAR, Claude. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. [Tradução: Annette Pierrette R. Botelho e Estrela Pinto Ribeiro Lamas]. Portugal: Porto Editora, 1997. (Colecção Ciências da Educação, 25).

PÊCHEUX, Michel. O Discurso. [Tradução Eni Puccinelli Orlandi. 3ª E.d.. Campinas, SP: Pontes, 2002.

ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 4ª e.d., 2002.

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