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MAPEAMENTO SOBRE O ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS E DEFICIENTES AUDITIVOS NO BRASIL: RECURSOS DIDÁTICOS, METODOLOGIAS E DESAFIOS PARA A EFETIVA INCLUSÃO

Vanderléia Kafer, Maria Fernanda Bianco Gução

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## MAPEAMENTO SOBRE O ENSINO DE FÍSICA PARA SURDOS E DEFICIENTES AUDITIVOS NO BRASIL: RECURSOS DIDÁTICOS, METODOLOGIAS E DESAFIOS PARA A EFETIVA INCLUSÃO

## Vanderléia Kafer 1 , Maria Fernanda Bianco Gução 2

- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul,

Campus Bento Gonçalves. E-mail: <vanderleiakafer1@gmail.com>.

- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul,
- Campus Bento Gonçalves. E-mail: <maria.gucao@bento.ifrs.edu.br>

Palavras-chave : Educação inclusiva; Estudante com surdez; Ensino de Física.

A educação da pessoa com deficiência sofreu mudanças significativas ao longo da história, desde a criação de instituições especializadas (escolas especiais) até a difusão da conhecida Declaração de Salamanca e o princípio da inclusão escolar. Na educação de surdos, esse desenvolvimento é marcado pela luta do movimento social surdo brasileiro em defesa de seus direitos linguísticos e culturais, resultando na legislação em vigor. Contudo, são muitos os discursos a respeito da qualidade do sistema educacional inclusivo, que vem apresentando desafios em diversas esferas da educação.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o número de matrículas na educação especial no Brasil foi de 1,3 milhão em 2020. Esse dado, quando comparado ao censo escolar de 2016, representa um aumento de 34,7%. Nesse sentido, a educação inclusiva por dependência administrativa demonstra que as redes estadual e municipal apresentam os maiores percentuais de alunos incluídos, cerca de 97,2% e 96,2%, respectivamente. Já na rede privada, apenas 40,9% estão em salas de aula comuns (BRASIL, 2020).

Percebe-se, através desses índices, que a escola pública assume o papel de acolhimento social da PCD e dos estudantes com NEE, apresentando o maior percentual de salas de aula inclusivas. Corroborando com essa percepção, o texto 'o dualismo perverso da escola pública brasileira: escola do conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres', de José Carlos Libâneo, aborda de forma crítica essa temática e afirma que a escola reproduz e mantém desigualdades. Assim, os indivíduos de classe social elevada frequentam a escola voltada para a aprendizagem, na qual o professor se dedica apenas em proporcionar o conhecimento, sem se preocupar com aspectos básicos do desenvolvimento humano. Já a escola pública é voltada para a aquisição de competências fundamentais para a sobrevivência social. Nesse sentido, a escola pública não se limita à aprendizagem escolar e cognitiva, atribuindo seus esforços também para vivências de acolhimento da diversidade e para o atendimento social (LIBÂNEO, 2012).

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Ainda que expressivos, esses índices não garantem que a inclusão aconteça de forma efetiva na rede regular de ensino. Infelizmente, o que vemos na prática, muitas vezes, é o descaso com os estudantes que possuem NEE, além da predominância e consolidação de um ensino desigual, voltado para a promoção de alguns e a marginalização de outros no processo escolar. Dessa forma, diferenciando-se da escola tradicional, que visa a adequação dos alunos à forma de ensino adotada, a educação inclusiva defende uma educação que responde às necessidades dos estudantes, apresentando compromisso com a aprendizagem de todos.

Dada a importância desse processo, a presente pesquisa realiza uma revisão da literatura, com características integrativas, a respeito do ensino de Física para surdos e deficientes auditivos no Brasil. Além disso, explora as produções científicas incluídas em dois principais repositórios (CAPES e SciELO ). Nesse contexto, foram investigados os pontos centrais que caracterizam essa área e, por meio de análise de conteúdo, foram desenvolvidas categorias que descrevem recursos didáticos, metodologias e desafios para a efetiva inclusão do surdo nas escolas brasileiras.

Através desse mapeamento, é possível perceber a imensidão de desafios que esse campo enfrenta, como, por exemplo, a ausência de material pedagógico e sinais específicos, além dos reflexos da falta de interação entre professor, aluno e intérprete na sala de aula. Durante o levantamento de dados, verificou-se que apenas três artigos publicados nos periódicos CAPES e SciELO abrangem aspectos voltados para o desenvolvimento de materiais pedagógicos específicos no ensino de Física para surdos. Nessa análise prévia foi possível admitir que o pouco volume de produções a respeito desse tema já configura uma dificuldade enfrentada.

Em grande parte dos estudos de caso incluídos nesta pesquisa, as aulas observadas não continham nenhum instrumento voltado para a inclusão do estudante com surdez. Desse modo, predomina a aula tradicional, na qual o professor espera a adequação dos estudantes à sua forma de ensino. Contudo, conforme prevê a educação inclusiva: é necessário proporcionar métodos e materiais especiais que levem em conta as especificidades de cada indivíduo e auxiliem na sua aprendizagem.

Assim, a ausência de material pedagógico específico durante as aulas de Física representa um desafio para a aprendizagem do sujeito surdo que, por vezes, necessita de recursos especiais, como o uso de imagens, simulações e experimentos. É importante destacar que as atividades podem ser ministradas a todos os estudantes da turma, visto que os referenciais teóricos utilizados para alunos ouvintes podem ser também articulados no ensino de surdos.

Outro ponto importante que vem se tornando tema de pesquisas na área é o desenvolvimento de sinais próprios para conceitos comuns no ensino de Física. Devido à ausência de sinais catalogados, cada intérprete da Libras cria um sinal combinado para expressar determinados conceitos que, muitas vezes, não são relacionados da forma correta e acabam contribuindo para a construção de concepções inadequadas (PEREIRA; MATTOS, 2017). Nesta pesquisa foram encontrados apenas dois artigos publicados nos periódicos CAPES e SciELO que propõem alguns sinais para conceitos específicos, como massa, força e aceleração. Assim, o baixo volume de produções sobre esse tema também pode ser interpretado como um obstáculo no ensino de Física para surdos.

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Outro aspecto significativo presente nos trabalhos analisados é a relação entre professor, aluno e intérprete. Esse tema aparece de forma marcante em quatro artigos publicados nos periódicos utilizados para a análise. Em sua maioria, estudos de caso que evidenciam a ausência de interação entre o professor, o aluno surdo e o intérprete dentro da sala de aula. Isso demonstra um desafio a ser superado pelas escolas brasileiras, visto que o contato entre esses indivíduos é essencial para a prática da inclusão (VARGAS; GOBARA, 2014).

Nesse sentido, a pesquisa relata a importância de desenvolver estratégias para ampliar a relação entre o professor e o intérprete, visando a associação de conhecimentos e experiências em prol da aprendizagem do surdo. Também se destaca o incentivo às interações entre os estudantes, que pode ser proporcionado pelo interlocutor da Libras ou, em uma situação de escola bilíngue, através de uma semelhança linguística como o português escrito ou a Libras.

Nessa perspectiva, também são descritos alguns recursos didáticos e a inserção de novas tecnologias no ensino de Física para surdos. Eles apontam para resultados animadores ao adotar estratégias que valorizam aspectos visuais e que respeitam a cultura e a vivência dos estudantes. Nos periódicos CAPES e SciELO foram encontrados apenas três artigos publicados que trazem, de forma marcante, essa problemática e propõe algumas medidas para minimizar esses impactos.

Por fim, a pesquisa destaca a presença de lacunas nas produções científicas da área, expressando a relevância de encorajar, por meio de projetos de pesquisa, a produção de conhecimento sobre a inclusão em todos os níveis de ensino. Logo, a investigação ressalta a seriedade dessa temática e do fazer docente para a construção de uma educação realmente inclusiva, que atenda às especificidades dos estudantes e proporcione a aprendizagem de todos.

## Referências

BRASIL. Censo da Educação Básica 2020 : resumo técnico. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), 2021. p. 1-74. Disponível em:

https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas\_e\_indicadores/res umo\_tec nico\_censo\_escolar\_2020.pdf. Acesso em: 04 mai. 2023.

LIBÂNEO, José Carlos. O dualismo perverso da escola pública brasileira: escola do

conhecimento para os ricos, escola do acolhimento social para os pobres. Educação e Pesquisa , São Paulo, v. 38, n. 1, p. 13-28, 2012.

PEREIRA, Rodrigo Dias; MATTOS, Daniela Fernandes. Ensino de Física para Surdos: Carência de material pedagógico específico. Revista Espacios , Caracas, Venezuela, v. 38, p. 24, 2017. Disponível em:

https://www.revistaespacios.com/a17v38n60/a17v38n60p24.pdf. Acesso em: 05 abr. 2023.

VARGAS, Jaqueline Santos; GOBARA, Shirley Takeco. Interação entre o Aluno com Surdez, o Professor e o Intérprete em Aulas de Física: Uma perspectiva , Marília, v. 20, n. 3, p. 449-

Vygotskiana. Revista Brasileira de Educação Especial 460, jul-set, 2014. Disponível em:

https://www.scielo.br/j/rbee/a/pt69bvxXz5bFFdy6GzDVVzK/abstract/?lang=pt. Acesso em: 05 abr. 2023.

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