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INTEGRAÇÃO DE MÉTODOS ATIVOS DE ENSINO PARA DINAMIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA

Jose Augusto Oliveira Huguenin

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Tecnologias da informação e comunicação no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INTEGRAÇÃO DE MÉTODOS ATIVOS DE ENSINO PARA DINAMIZAÇÃO DO ENSINO DE FÍSICA

## José Augusto Oliveira Huguenin 1

- 1 Universidade Federal Fluminense/Departamento de Física /Instituto de Ciências Exatas, jose\_huguenin@id.uff.br

Palavras-chave Métodos Ativos; Sala de Aula Invertida; Instrução por pares

Os desafios no ensino são muito grandes frente ao que podemos chamar de 'geração tecnológica' (PONTE, 2011), ou seja, o corpo discente de todas as classes sociais conectados em redes sociais, utilizando dispositivos eletrônicos praticamente todo o tempo. Uma nova forma de comunicação em redes sociais impacta profundamente o processo ensino-aprendizagem (RAU, 2008), tornando o uso de tecnologias digitais no ensino uma consequência natural da prática docente, que vêm sendo utilizadas de diferentes formas em diversas áreas (LOBO, 2015) sendo, também, recomendado seu uso em documentos oficiais. É possível observarmos o uso de tecnologias em cursos de formação de professores de química, por exemplo (MOREIRA; GIANOTTO; MAGALHÃES JR, 2018). Tais tecnologias podem ser acessadas, cada vez mais, através de dispositivos móveis como smartphones e tablets, dando origem ao chamado aprendizado móvel -Mobile -Learning (DOCHEV; HRISTOV, 2006).

Os chamados Métodos Ativos de Ensino são centrados nos alunos e têm por princípio promover uma maior participação dos estudantes no processo ensinoaprendizagem, diferenciando-se do Método Tradicional, centrado no professor, que assume uma postura narrativa, como apontado por Moreira 2011. Podemos citar os métodos de Instrução por Pares (MAZUR, 1997) e Sala de Aula Invertida (BERGMANN; SAMS, 2012). A participação/ação de estudantes é o motor desses métodos. Um estudo nos EUA apontou que a reprovação nas disciplinas das áreas de exatas que utilizam o método tradicional é, em média, 34%. Para disciplinas que empregam métodos ativos, este número cai para 22% (FREEMAN, 2014). No Brasil há também estudos que apontam para a melhoria na taxa de sucesso de disciplinas que usam métodos ativos se comparado ao modelo tradicional (TREVELIN; PEREIRA; OLIVEIRA NETO, 2013).

Uma das dificuldades é romper com o método tradicional. O professor fica inseguro pois perde o protagonismo da ação. Por outro lado, estudantes desconfiam, pois, parece-lhes que os professores 'não estão dando aulas'. No que se refere ao ensino de física, outro ponto importante é o número reduzido de aulas frente ao currículo, o que dificulta inovações metodológicas, sobretudo aquelas que demandam mais tempo para cada conteúdo por conta da dinâmica proposta.

- O presente trabalho apresenta uma proposta de integração entre os métodos ativos de Sala de Aula Invertida (SAI) e Instrução Por Pares (IPP) no ensino de física (HUGUENIN, 2022)
- O método de Instrução por Pares (Peer instructions) é baseado na interatividade entre os alunos na discussão dos conceitos. O conhecimento dos alunos a cerca do conteúdo a ser ministrado é levantado na turma com o uso

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tecnologias para processamento de respostas às questões conceituais em sala de aula. Após uma pequena explanação do conteúdo, se coloca uma questão conceitual. Se entre 30 e 70% da turma responder errado, os alunos interagem entre si e voltam a responder. Acima de 70% o professor dá a resposta e apresenta outra questão. Abaixo de 30%, o professor volta explicar o conteúdo.

Já no método de Sala de Aula Invertida ( Flipped Classroom ), temos atividades pré-aula, atividades de aula e atividades pós-aula. Estudantes tomam contato com o conteúdo na pré-aula através de uma plataforma para disponibilização de Videoaulas. Em aula, foca-se na aplicação de conceitos com mediação do professor. Novas aplicações são feitas pelos estudantes no pós-aula. Para este método a tecnologia mínima é exigida na forma de um ambiente virtual de aprendizagem (AVA).

A estrutura geral da proposta é SAI, conforme Figura 1. Na pré-aula disponibilizamos no ambiente do Google Classroom material de estudo preparado para este momento e um questionário eletrônico que foi usado como ferramenta para avaliação formativa, com um peso de 10% na média. Considerando duas aulas semanais, na primeira aula realizamos atividades de IPP onde utilizamos o aplicativo gratuito PLICKERS. Após estas atividades, fazemos uma explanação final amarrando pontas observadas durante o processo. A segunda aula é destinada é destinada na resolução de atividades supervisionadas. Para o pós-aula, apontamos listas de exercícios, vídeos e textos complementares.

A avaliação foi composta de atividades de todas as várias etapas usando média dos questionários eletrônicos (correspondendo a 10% da média final), a realização de pequenos testes ao fim de cada unidade de conteúdo com até duas questões de aplicação direta dos conceitos (20% da média final) e a realização de três provas, cuja média contribuiu com 70% da média final.

Figura 1: esquema da proposta integrada. Ele segue a estrutura geral do método de Sala de Aula Invertida.

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A proposta foi aplicada na disciplina de Física 1 de um curso superior, com estudantes ingressantes. Observamos uma participação muito mais intensa em sala de aula. O estudo prévio do material é muito importante para o sucesso da proposta. Por isso, ter o questionário eletrônico como avaliação formativa foi crucial para o engajamento da turma.

O resultado da aplicação durante três semestres consecutivos mostrou uma taxa de sucesso entre 60 e 70%, bem acima da média histórica em torno de 20%. Essa proposta pode ser aplicada também no ensino médio, uma vez que foi pensada em dois momentos em sala, que podem ser enquadrados nos tempos que em geral a disciplina de Física tem no ensino médio. Por outro lado, a metodologia

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aponta para a necessidade de tempo de preparação muito maior, desde a curadoria de material até a preparação de questões. A avaliação deve ser adaptada ao tempo, por exemplo, suprimindo os pequenos testes. O protagonismo do professor sai da sala de aula e vai para fora dela, na preparação e avaliação.

## Referências

BERGMANN. J.; SAMS, A. Flip Your Classroom: Reach Every Student in Every Class Every Day.Washington, DC: International Society for Technology in Education, 2012.

DOCHEV, D.; HRISTOV, I. Mobile learning applications - Ubiquitous characteristics and technological solutions. Bulgarian Academy of Sciences Cybernetics and Information Technologies, v. 6, p: 63-74, 2006.

FREEMAN, S et a.. Active learning increases student performance in science, engineering, and mathematics, PNAS v. 111, n. 23: p: 8411, 2014.

HUGUENIN, J.A.O, Uso integrado de métodos ativos de ensino em disciplinas de Ciências Exatas e Tecnológicas no ensino superior. REVISTA BRASILEIRA DE ENSINO SUPERIOR. , v.6, p.127 - , 2022.

LOBO A.S.; M., MAIA, L.C. G.; O uso das TICs como ferramenta de ensinoaprendizagem no Ensino Superior, Caderno de Geografia, v.25, n.44, p:16-26, 2015.

MAZUR, E.. Peer instruction: A user's manual. New Jersey: Prentice Hall. , 1997.

MOREIRA, Jussany Maria de Barros; GIANOTTO, Dulcinéia Estér Pagani; MAGALHÃES JR, Carlos Alberto de Oliveira, TIC: uma investigação através dos documentos oficiais na Formação de Professores de Química. Revista Brasileira de Ensino Superior, Passo Fundo, vol. 4, n. 1, p. 57-77, 2018.

MOREIRA, Marco Antonio; Unidades de enseñanza potencialmente significativas UEPS. Aprendizagem Significativa em Revista/Meaningful Learning Review, v.1, p: 43-63, 2011.

PONTE, Cristina. Uma geração digital? A influência familiar na experiência mediática de adolescentes. Sociologia, Problemas e Práticas, n. 65, p. 31-50, 2011.

RAU, Pei-Luen Patrick; GAO, Qin; WU, Li-Mei. Using mobile communication technology in high school education: Motivation, pressure, and learning performance. Computers &amp; Education, v.50, p:1-22, 2008

TREVELIN, ATC; PEREIRA, M.A.A.; OLIVEIRA NETO, J.D. A utilização da 'Sala de Aula Invertida em cursos superiores de tecnologia: comparação entre o modelo tradicional e o modelo invertido 'flipped classroom' adaptado aos estilos de aprendizagem, Revista de Estilos de Aprendizagem, v. 11, n.12, p:1-14, 2013.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.