SEQUÊNCIA DIDÁTICA: TERMODINÂMICA E CORPO HUMANO - AULA INICIAL
Ian Baruc C. E Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## SEQUÊNCIA DIDÁTICA: TERMODINÂMICA E CORPO HUMANO - AULA INICIAL
## *Ian Baruc C. e Silva 1
1 Universidade Federal de Minas Gerais, ianbaruc@hotmail.com
Palavras-chave : Ensino por Investigação; Termodinâmica; Sequência Didática;
## Resumo expandido
Este trabalho apresenta-se como um relato de experiência e uma breve análise da aula inicial de uma Sequência Didática (SD), desenvolvida e aplicada no programa Residência Pedagógica, por um estudante de Licenciatura em Física da UFMG. Com o objetivo de atender aos Planos de Curso do estado de Minas Gerais, pautados na BNCC, foi escolhido um recorte de análise referente à primeira aula com o tema 'Termodinâmica e Corpo Humano', avaliando o potencial de engajamento dos alunos, baseada no Ensino por Investigação.
- O Ensino por Investigação é uma abordagem amplamente estudada e utilizada em atividades de inovação dentro do processo educacional. Há uma vasta bibliografia a respeito desta abordagem no que diz respeito à sua análise (SCARPA; CAMPOS, 2018; SOLINO; GEHLEN, 2015; SOLINO; SASSERON, 2019) explicitando utilizações do Ensino por Investigação nas aulas de Ciências. Neste texto utiliza-se a definição dada por Carvalho (2018), como sendo o ensino dos conteúdos programáticos em que o professor cria condições em sua sala de aula para os alunos, pensarem, falarem, lerem, escreverem, conforme os pressupostos teóricos da autora. (CARVALHO, 2018, p.766)
Tendo em vista a Resolução SEE nº 4777, de 2022, de Minas Gerais, que estipula uma aula de Física semanal para o ensino médio e os conteúdos a serem apresentados, uma aula investigativa introdutória foi elaborada de forma que provocasse o maior engajamento possível por parte dos estudantes, tratando de temas amplos e interdisciplinares, a fim de gerar maior interesse pelos assuntos escolares, transcendendo os muros da escola.
O corpo humano possibilita uma discussão interdisciplinar com a Biologia e a Química, encurtando a distância entre a 'Ciência Acadêmica' e o 'Mundo Real'. Ao ser usado como ferramenta didática e material de pesquisa, permite a inserção de aspectos de estudos sobre lazer, que devem ser incluídos no planejamento, execução e análise da SD.
Juntamente ao ensino por investigação, aspectos da abordagem CTS são parte importante do planejamento da aula em questão e de toda a SD. Fazendo-se um recorte da realidade e analisando tudo que tange o tema, a abordagem CTS se mostra como uma 'alternativa concreta para ampliar as compreensões sociais e tecnológicas e suas conexões com a ciência', como tratado por Santos, Silva, Gonçalves (2020, p. 239).
A aula inicial, de 50 minutos, foi dividida em três partes, sendo elas: apresentação e coleta de dados; realização de atividades físicas; e coleta final de dados e análise comparativa. Os materiais utilizados foram dois bambolês, uma peteca e um termômetro infravermelho.
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Figura 01: Fluxograma da construção da problematização da SE
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A tabela 1 apresenta um resumo das atividades que foram estipuladas no planejamento e o tempo médio para execução de cada atividade.
Tabela 1: Planejamento das atividades realizadas
Durante a primeira parte, foram selecionados quatro indivíduos, sendo eles três estudantes e o professor regente da turma, devido à ausência de discentes no início da atividade, para serem coletados as medidas de sensação térmica e temperatura corporal. Os dados foram registrados pelo professor em conjunto com os estudantes.
A atividade física foi realizada na quadra da escola. Com o objetivo de trabalhar outros aspectos sociais em conjunto com as aulas de física, optou-se por utilizar jogos que trabalham o cooperativismo, mas que carregam características competitivas. A turma foi dividida em dois grupos que faziam jogos diferentes simultaneamente, sendo que em um dos jogos era marcado o tempo de troca de atividades entre os grupos e em outro eram marcados os pontos de cada grupo. Mesmo sem atribuir premiação ao grupo que obtivesse mais pontos, foi observado grande engajamento da turma.
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Ao final da atividade foi realizada uma nova coleta de dados, com os mesmos indivíduos selecionados no início da aula. O professor regente que não participou da atividade serviu como grupo controle para avaliação dos resultados obtidos. Como esperado, as medições de temperatura ambiente e corporal não apresentaram variações significativas, porém a sensação térmica dos que participaram da atividade física mudou significativamente.
Houve supresa com os resultados obtidos e quando levantada a questão proposta no planejamento, nenhum deles foi capaz de formular uma hipótese que não fosse conflitante com os dados obtidos. As respostas dadas por eles foram variações de 'eles sentiram que está mais quente porque o sangue esquentou'.
- O planejamento da aula da SD não propõe uma resolução do problema por parte do professor, além de propositalmente causar incômodo pelo problema, aparentemente, sem solução. Partindo do incômodo gerado é possível construir uma SD que contemple diversos conceitos da termodinâmica, da biologia humana e da química. Tendo em vista que a solução do problema pode ser tratada de forma simples (utilizando apenas de conceitos de troca de calor), ou que aborde descrições biológicas e químicas do corpo humano, além de múltiplos conceitos da termodinâmica, a SD que complementa a aula investigativa apresenta um amplo potencial de aplicação.
## Referências
CARVALHO, A. M. P. de. Fundamentos Teóricos e Metodológicos do Ensino por Investigação. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , [S. l.] , v. 18, n. 3, p. 765-794, 2018. DOI: 10.28976/1984-2686rbpec2018183765.
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Educação. Resolução n. 477, de 13 de setembro de 2022. Dispõe sobre as matrizes curriculares destinadas às turmas do 1o e 2o ano do Ensino Médio e às turmas do 1o, 2o e 3o período do Ensino Médio da Modalidade da Educação de Jovens e Adultos com início em 2023 na Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais., 13 set. 2022.
SANTOS, Y. B.; SILVA, I. B. C. e; GONÇALVES, E. P.. Concepções e Percepções de estudantes quanto a confiabilidade de notícias e Fake News. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento . Ano 05, Ed. 09, V. 7, p. 120-140, set. 2020. DOI:
10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/confiabilidade-de-noticias
SCARPA, D. L.; CAMPOS, N. F.. Potencialidades do ensino de Biologia por Investigação. Estudos Avançados , v. 32, n. 94, p. 25-41, set. 2018.Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0103-40142018.3294.0003 . Acesso em: 10 jul. 2023.
SOLINO, A. P.; GEHLEN, S. T. O papel da problematização freireana em aulas de ciências/física: articulações entre a abordagem temática freireana e o ensino de ciências por investigação. Ciência & Educação, Bauru, v. 21, n. 4, p. 911-930, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-731320150040008 . Acesso em: 10 jul. 2023.
SOLINO, A. P.; SASSERON, L. H.. A significação do problema didático a partir de Potenciais Problemas Significadores: análise de uma aula investigativa. Ciência & Educação (Bauru) , v. 25, n. 3, p. 569-587, jul. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-731320190030015 . Acesso em: 10 jul. 2023.
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