A SEMANA DE ARTE MODERNA COMO PROPOSTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE CORES
Júlia Anjos, Eduardo Oliveira Ribeiro De Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Cultura, linguagem e cognição no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A SEMANA DE ARTE MODERNA COMO PROPOSTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE CORES
## Júlia Anjos 1 , Eduardo Oliveira Ribeiro de Souza 2
1 Universidade Federal Fluminense, jcanjos.fisica@gmail.com
2 Universidade Federal Fluminense, eduardoors@id.uff.br
Palavras-chave : Ensino de Física; Interdisciplinaridade; Física e Arte
## Resumo expandido
As interações e relações entre Ciência e Arte têm sido objeto de estudo e debate ao longo dos anos. Embora essas áreas sejam frequentemente vistas como opostas e divergentes, elas compartilham muitos valores e práticas. A ciência e a arte são campos de produção de conhecimento que buscam compreender o mundo e expressar as experiências humanas de maneiras diferentes e complementares.
A ciência tem sido uma grande fonte de inspiração para a arte, com muitos artistas encontrando ideias e temas em descobertas científicas. Por outro lado, a arte tem sido uma fonte de inspiração para a ciência em áreas como a visualização de dados e a exploração de novas formas de apresentar informações complexas. Tendo elas uma relação de influência mútua e uma complementaridade que não se limita apenas à inspiração, mas também se estende às práticas. Ambas as áreas envolvem processos criativos, experimentação e observação cuidadosa, além de compartilharem um compromisso com a inovação, a exploração e a descoberta.
Filósofos, artistas e cientistas são, antes de tudo, pensadores. E essa é a questão central de Deleuze (2006): (...)Todas possuem em comum um mesmo desejo de produzir, inventar e criar. Para ele, as Ideias são multiplicidades, cada Ideia é uma multiplicidade, uma variedade de proposições, definida por n dimensões. (FERREIRA, 2010b, p. 268)
A arte é uma forma de expressão humana que tem o poder de alcançar todas as classes sociais. Portanto, ao estar ao lado da Ciência, pode-se efetivamente levar conceitos científicos a um público mais amplo. Essa tendência de combinar arte e ciência somente se consolidou no mundo pós-moderno, após a quebra de dogmas, abrindo caminho para a evolução de ideias e transformações culturais e científicas, especialmente na Europa. Em um período de insatisfação pós-guerra, buscava-se uma renovação social.
Em fevereiro de 1922, aconteceu a Semana de Arte Moderna, uma manifestação artístico-cultural (dança, pintura, música, recital de poesias etc) que ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo. Artistas dos mais variados segmentos, inspirados nas vanguardas europeias (futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo) tentavam romper com a forma tradicional de expressão até então parnasianista, apresentando uma arte que valorizava a cultura brasileira.
Com a valorização da interdisciplinaridade a partir da Base Nacional Curricular (BNCC) e visando dar os estudantes meios e instrumentos que o ajudem a 'ser criativo, analítico-crítico, participativo, aberto ao novo, colaborativo, resiliente, produtivo e responsável' (BRASIL, 2018, p.14), o documento, através de competências e habilidades não se mostra difícil associar as áreas em torno de um objetivo comum: exteriorizar as perspectivas de ver o mundo.
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
É importante salientar que tanto em disciplinas científicas quanto nas artes há um processo de investigação, compreensão e análise crítica, contribuindo para o desenvolvimento do assunto. Desse modo, ao ensinar disciplinas científicas por meio da exploração das artes, não apenas promovemos o desenvolvimento cognitivo dos alunos, mas também ampliamos seu conhecimento cultural. Ademais, essa abordagem torna o aprendizado mais agradável e relevante para o cotidiano, ao mesmo tempo em que expande os conceitos artísticos e possibilita o acesso a obras que podem estar restritas a uma parte da sociedade.
A partir dessa relação interdisciplinar propomos realizar uma atividade para sala de aula sobre as percepções de cores com alunos do Ensino Médio a partir da utilização de obras modernistas. A sensação das cores é uma experiência fisiológica, e, portanto, os alunos podem discutir sobre suas perspectivas através dessas obras.
Figura 01: 'O Homem Amarelo', de Anita Malfatti (1917) (esquerda); 'Pierrete', de Di Cavalcanti (1922) (meio); 'Abaporu', de Tarsila do Amaral (1928) (direita) Fonte: Compilação do autor 1
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Após a discussão sobre a percepção, os alunos podem ser apresentados ao experimento crucial de Newton sobre a composição da luz branca. Newton realizou a partir do feixe da luz solar e um prisma para argumentar que a luz branca é uma mistura de diferentes tipos de de raios refratados em ângulos ligeiramente diferentes em que cada tipo de raio produz uma cor espectral distinta, identificando o "espectro da luz solar" é possível relacionar uma das obras apresentadas na Semana de Arte Moderna ou inspirada por ela com conceitos ópticos de reflexão da luz e a separação da luz brancas em diversas cores, apresentando as especificações das cores nos modelos RGB (Red, Green, Blue) e CMYK (Cyan, Magenta, Yellow).
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Figura 02: Modelos RGB (esquerda) e CMYK (direita) Fonte: Designer Mão de Vaca (2017) 2
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Uma maneira de colocar isso em sala de aula é levar os alunos para uma sala mais escura que não tenha janelas, por exemplo, e com as luzes desligadas. Nela, disponibilizar alguns quadros da semana de arte moderna e três lanternas: uma de luz amarela, outra verde e a última azul para que os alunos iluminem os quadrados com as lanternas e analisarem sobre o que veem e possíveis mudanças de cores
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incentivando a questionarem se uma cor pode ou não mudar de cor dependendo da forma com que o quadro é iluminando.
Figura 03: Exemplos de quadros modernistas sofrendo influência das cores RGB Fonte: autor
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## Referências
ARAÚJO-JORGE, Tânia C. Relações entre ciência, arte e educação: relevância e inovação. Agência Fiocruz de Notícias. Rio de Janeiro, 5 mai. 2007. Disponível em: <https://agencia.fiocruz.br/rela%C3%A7%C3%B5es-entre-ci%C3%AAncia-arte-e-ed uca%C3%A7%C3%A3o-relev%C3%A2ncia-e-inova%C3%A7%C3%A3o#:~:text=A% 20arte%20pode%20se%20combinar,art%C3%ADstico%20a%20outros%20processo s%20investigativos.>. Acesso em: 28. out. 2022
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
CACHAPUZ, A. F. Arte e ciência no ensino das ciências. Interacções , [S. l.], v. 10, n. 31, o 95-106, jan./2015. Disponível em:
<https://revistas.rcaap.pt/interaccoes/article/view/6372>. Acesso em: 10. out. 2022
FERREIRA, Francisco Romão. Algumas considerações acerca da medicina estética. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 67-76, jan/2010a. Disponível em:
<https://www.scielo.br/j/csc/a/zXydyMv56mCSds45TR67gfv/?lang=pt#>. Acesso em:
11. out. 2022
FERREIRA, Francisco Romão. Ciência e arte: investigações sobre identidades, diferenças e diálogos. Educação e Pesquisa . São Paulo, v.36, n.1, p. 261-280, jan./abr. 2010b. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/ep/article/view/28230> Acesso em: 15.out. 2022
KIYOMURA, L. União de arte e ciência é essencial para o saber, dizem pesquisadores. Jornal da USP, São Paulo, 27 jul. 2019. Disponível em:
<https://jornal.usp.br/cultura/uniao-de-arte-e-ciencia-e-essencial-para-o-saber-dizempesquisadores/>. Acesso em: 16. out. 2022
SILVA, Sylvia Maria Affonso. A Ciência na Semana de Arte Moderna. LinkedIn. [S.I.], 16 fev. 2022. Disponível em:
<https://www.linkedin.com/pulse/ci%C3%AAncia-na-semana-de-arte-moderna-sylviamaria-affonso-silva/>. Acesso em: 15. out. 2022
STANGA, I. Arte e ciência, razão e intuição : conheça a relação entre esses campos e a produção artística na UFPR. Portal UFPR. Curitiba, 15 abr. 2021. Disponível em:
<https://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/arte-e-ciencia-razao-e-intuicao-conheca-a-rel acao-entre-esses-campos-e-a-producao-artistica-na-ufpr/> Acesso em 15 jun. 2022.
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