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DESENVOLVENDO UM JOGO SÉRIO PARA ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA: O PROCESSO DE ILUSTRAÇÃO DE MULHERES CIENTISTAS E A RELAÇÃO GÊNERO E CIÊNCIA

Ingrid Andreza Da Silva Pinheiro, Ana Beatriz Viegas De Andrade Jacinto, Cecília Maria Pinto Do Nascimento

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DESENVOLVENDO UM JOGO SÉRIO PARA ALUNOS DE LICENCIATURA EM FÍSICA: O PROCESSO DE ILUSTRAÇÃO DE MULHERES CIENTISTAS E A RELAÇÃO GÊNERO E CIÊNCIA

## Ingrid Andreza da Silva Pinheiro 1 , Ana Beatriz Viegas de Andrade Jacinto 2 , Cecília Maria Pinto do Nascimento 3

- 1 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), iandreza.pinhiro@gmail.com
- 2 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), biaviegas25@gmail.com
- 3 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), cissa@uems.br

Palavras-chave : jogo sério; cientistas mulheres; ciência e arte.

A invisibilidade das mulheres na ciência é um problema que se estende ao longo da história, mesmo que elas tenham desempenhado contribuições notáveis para o desenvolvimento científico e tecnológico, seus esforços foram frequentemente menosprezados ou atribuídos a homens. Isso se deve a crenças amparadas em argumentos biológicos que conferiam à mulher capacidade inferior à dos homens. É uma incoerência afirmar que as mulheres não tiveram participação, mesmo que em atividades menores, no processo de produção do conhecimento científico e tecnológico (SCHIENBINGER, 2001; LETA, 2003). Assim, é importante perguntar porque elas tiveram participação menor ou foram apagadas historicamente, e questionar o que ainda mantém esse cenário, principalmente nas disciplinas de formação de professores de física.

Mesmo com as contribuições do movimento feminista e suas ondas, de projetos e esforços de pesquisadores em resgatar a presença feminina, a partir de biografias e memórias, Keller (2006) argumenta que o contexto não mudou como se queria. E entre os motivos, Batista et al. (2013) apontam o número baixo de trabalhos sobre gênero e ensino de ciências, uma vez que este tem grande influência sobre os materiais didáticos, a formação inicial e continuada de professores. Por outro lado, persistem estereótipos nos livros didáticos, que representam o feminino em atividades do lar, reforçando determinismos biológicos que justificam diferenças e ocultam a presença das cientistas mulheres.

Especificamente em relação ao Ensino de Física, discussões atuais têm sido realizadas no escopo das pesquisas sobre suas relações com questões de inclusão social, gênero, raça e etnia (ROSA, 2008), com discussões sobre inclusão e participação de mulheres negras na física. Entretanto, as discussões demoram a chegar aos materiais didáticos e à formação de professores de física.

Assim, neste trabalho, apresenta-se uma proposta de intervenção para o contexto de um curso de licenciatura em física, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Campus Dourados, no âmbito da disciplina introdutória Panorama da Física e do seu Ensino. Dessa forma, serão discutidos os resultados preliminares do desenvolvimento das ilustrações de um jogo de cartas sobre mulheres cientistas e suas contribuições para que os estudantes desta disciplina introdutória se aproximem das questões relativas ao campo Gênero e Ciência.

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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física

A metodologia do jogo está fundamentada na definição de jogos sérios, aqueles utilizados para a educação (HERPICH et al ., 2013), utilizados para levantar dados, problematizar conhecimentos prévios, divulgar ciência e tecnologia, ensinar conceitos científicos, entre outros, sem deixar de lado a natureza da sua ludicidade (HUIZINGA, 2019). No que tange à natureza dos jogos, considera-se neste relato que os jogos sérios colaborativos são mais abrangentes, pois as funções dos jogadores se modificam durante o jogo, e a disputa é contra o tempo e não contra os colegas: ou todos ganham, ou todos perdem.

Por seguinte, o jogo foi constituído em 16 cartas ilustradas, cada uma relativa a uma cientista, escolhidas pelo seu trabalho nas áreas da física e da astronomia, e um livro-jogo contendo informações adicionais. As cientistas escolhidas foram: Mae Carol Jemison; Hipátia; Theano; Maria Mitchell; Ada Lovelace; Sophie Germain; Maria Curie; Lise Meitner; Enedina Alves; Maria Margaretha; Mary Somerville; Hertha Ayrton; Annie Jump; Olive Dennis; Margaret Huggins; Sarah Guppyara. Para a ilustração das cartas, foi feito um convite a 4 estudantes do ensino médio doravante denominadas artistas -de uma escola pública da cidade de Dourados/MS que já participavam de um projeto de Ciência e Arte com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA…, 2023) ilustrando pesquisadores que atuam como jurados na Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências do Mato Grosso do Sul (FETEC). A escolha por ilustrações artísticas se deve ao fato da arte ampliar a motivação, o encantamento e os processos de produção de sentidos a fim de contribuir para o processo de construção de conhecimentos (ZANETIC, 2006), tanto artísticos quanto científicos. A proposta de trabalho com as artistas seguiu um cronograma de trabalho contendo 5 etapas: 1) encontros de formação científica; 2) aprimoramento em técnicas artísticas; 3) distribuição de material orientador para a elaboração das ilustrações; 4) pesquisa adicional sobre as cientistas; 5) ilustração final.

Durante as etapas 1 a 5, percebeu-se que as artistas conheciam três das 16 cientistas a serem ilustradas. De modo que, após pesquisa, foi construída uma linha do tempo na qual as artistas deveriam localizar historicamente as cientistas que iriam representar. Foi estabelecida uma discussão em torno do porquê elas não são conhecidas, e quando perguntado quais elas já haviam visto nos livros didáticos, as respostas caíram para uma ou duas. Quando perguntado o porquê, responderam, em maioria, que o esquecimento dos nomes das mulheres em relação aos dos homens deve-se ao fato de que são os homens que escrevem sobre eles mesmos.

Entre as etapas 5 e 6, surgiu a oportunidade de apresentar a proposta do jogo e as ilustrações para um público amplo em uma ação de popularização da ciência durante a SNCT 2022. Neste evento, foi possível conversar com o público sobre o conceito de cientista, apresentar as ilustrações, as mulheres cientistas representadas e as suas principais contribuições. Desta experiência foi possível compreender o papel social e político que o jogo terá, pois houve muitos relatos espantados com a falta de conhecimento das cientistas representadas, do número de mulheres em outras áreas, da sua ocultação nos materiais didáticos, assim como na perplexidade ao ouvir que a Ciência não é neutra a tudo o que a sociedade é. Esta discussão sobre a não neutralidade da ciência foi algo novo, que não estava previamente planejado fazer com o jogo. Assim, foi pensado que o jogo pode ter sua finalidade para além da disciplina no curso de licenciatura em física, mas ser utilizado na educação básica e também em ações de popularização da ciência.

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Por fim, é importante destacar o caráter motivador, mas também encantador da arte, que possibilitou às ilustrações serem o vetor para as discussões relatadas tanto com as artistas quanto com o público. E como exemplo, as ilustrações de Mae Jamison, Enedina Marques e Annie Jump estão apresentadas na Figura 01.

Figura 01: Ilustração para jogo de cartas representando, da esquerda para a direita, Mae Jamison, Enedina Marques e Annie Jump.

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Considerando os resultados do processo de elaboração das ilustrações das cartas, o jogo está em desenvolvimento para três públicos: de licenciandos em física, de estudantes da educação básica e público no geral. Espera-se contribuir não só para a divulgação dos nomes e trabalhos destas mulheres, mas para a superação dos estereótipos de gênero nas ciências e seu ensino.

## Referências

BATISTA,I.L.; HEERDT,B.; KIKUCHI,L.A.; CORRÊA,M.L.; BARBOSA, R. G.; BASTOS, V. C. Saberes docentes e invisibilidade feminina nas Ciências. Anais do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências-IXENPEC. Águas de Lindóia, SP, 2013.

HERPICH, F., J. R., SILVA, R. F. da, NUNES, F., VOSS, G., &amp; MEDINA, R. Jogos Sérios na Educação: Uma Abordagem para Ensino-Aprendizagem de Redes de Computadores (Fase I). In Nuevas Ideas en Informática Educativa TISE 2013 (pp. 617-620). Porto Alegre, RS.

HUIZINGA, J. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. 9 ed, São Paulo: Perspectiva, 2019.

LETA,J. As mulheres na ciência brasileira: crescimento, contrastes e um perfil de sucesso. Estudos Avançados, 17 (49), 2003.

KELLER,E.F. Qual foi o impacto do feminismo na ciência? Cadernos Pagu (27), julho-dezembro, p. 13-34, 2006.

ROSA, K. Gênero e etnia no ensino de Física: o cenário da investigação brasileira.

Trabalho apresentado ao VI Encontro da rede Brasileira de estudos e pesquisas feministas - REDEFEM, Belo Horizonte, 2008.

SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? São Paulo: Edusc. 2001. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MATO GROSSO DO SUL. EXPOCIENTISTA 2023: obras selecionadas, Campo Grande: Secretaria Judiciária Departamento de Gestão Documental e Memória Secretaria de Comunicação, 2023. ZANETIC, J. Pro-Posições, v. 17, n. I (49), jan./abr., 2006.

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