COMPREENDENDO O INTERESSE POR GÊNERO E ENSINO DE CIÊNCIAS : UM MAPEAMENTO SISTEMÁTICO DE CAMPO
João Paulo Ramos De Moraes, Carolina Rodrigues Souza
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## COMPREENDENDO O INTERESSE POR GÊNERO E ENSINO DE CIÊNCIAS : UM MAPEAMENTO SISTEMÁTICO DE CAMPO
## João Paulo Ramos de Moraes 1 , Carolina Rodrigues Souza 2
- 1 UFSCar/Departamento de Metodologia de Ensino, jmoraes@estudante.ufscar.br
- 2 UFSCar/Departamento de Metodologia de Ensino, carolinasouza@ufscar.br
Palavras-chave : Estudos de gênero, Ensino de Ciências, Mapeamento sistemático do campo.
## Resumo expandido
- O presente trabalho sintetiza a pesquisa realizada como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de licenciatura em Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), de modo a apresentar os resultados e discussões desenvolvidas neste projeto.
- O trabalho, intitulado 'GÊNERO E ENSINO DE CIÊNCIAS - COMO ESTE DEBATE APARECE NO SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA (SNEF)', buscou sumarizar a presença do debate de gênero dentro das últimas três edições através da metodologia do mapeamento sistemático de campo.
- O método adotado, mapeamento sistemático do campo, foi proposto por Petersen et al. (2008), cuja finalidade envolve compreender o interesse de determinado campo ou pessoas sobre o objeto de estudo. Tal método foi adaptado a fim de que fosse exequível em uma pesquisa de TCC com os temas propostos.
Durante o prosseguimento deste mapeamento, buscou-se traçar o perfil dos pesquisadores que apresentaram trabalhos sobre esta temática, para assim compreender quais poderiam ser os elementos que inspiram as pessoas a debruçar-se sobre as temáticas de Gênero e Ensino de Ciências.
Objetivou-se produzir um levantamento de como se dá o debate de Ensino de Ciências e Gênero em um evento científico da área de ensino de Física, feito por e para estudantes, pesquisadores e professores de Física em suas edições mais recentes.
- A partir dos dados coletados, pudemos produzir alguns gráficos que sintetizam os resultados obtidos, estes gráficos elaborados durante a pesquisa foram essenciais para representar de maneira imagética dados como: o volume de trabalhos avaliados pela pesquisa, a proporção que cada uma das edições do SNEF teve de trabalhos que dialogam com gênero em relação ao total de trabalhos, a distribuição destes trabalhos nas linhas do evento, a distribuição dos autores a partir de recortes de gênero, região do país da instituição do pesquisador, por nível de formação e se o autor se apresenta enquanto pesquisador e/ou professor atuante.
Os gráficos apresentados a seguir mostram resultados que fornecem elementos interessantes para uma discussão. O gráfico 1, cuja representação se dá pela proporção de trabalhos que dialogam com o gênero em relação à totalidade de trabalhos apresentados em sua edição. O elemento que torna este gráfico curioso é que, justamente o evento cuja temática, 'Ensino de Física no Século XXI: Caminhos para uma Educação Inclusiva', dialoga com os debates de gênero, é o evento, dentre os avaliados com a menor proporção de trabalhos de gênero.
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Uma perspectiva que nos permite compreender melhor isso é, em primeiro lugar, a multiplicidade de significados que o termo 'inclusivo' pode adotar, mas, para além, o impacto do tema nos trabalhos apresentados pode se dar justamente no ano seguinte, a partir do impacto das palestras e minicursos oferecidos durante o evento para a perspectiva do pesquisador/professor.
Gráfico 1: gráfico representando o número relativo total de trabalhos em cada evento e de trabalhos que passaram pelos critérios de seleção; Fonte: Moraes (2022)
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Outro dado trazido através da pesquisa, é como a distribuição dos trabalhos que dialogam com Gênero se deu através das linhas propostas pelo evento. Na edição XXIV do SNEF foi dissolvida a linha 'EQUIDADE, INCLUSÃO SOCIAL E ESTUDOS CULTURAIS E O ENSINO DE FÍSICA', onde 50% dos trabalhos que dialogam com Gênero estavam alocados nas edições anteriores e, como resultado, estes trabalhos ficaram distribuídos em sete linhas do eventos na edição XXIV, em contraposição à variação de apenas três linhas nas edições XXIII e XXII. Isso acaba por dificultar o diálogo entre pesquisadores que se interessam por esta temática.
Gráfico 2: gráfico representando a distribuição dos trabalhos que passaram pelos critérios de seleção por gênero atribuído ao autor; Fonte: Moraes (2022)
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Por fim, apresentamos o gráfico de distribuição de Gênero a partir dos trabalhos aceitos que realizavam o diálogo entre Ensino de Ciências e Gênero. Deste gráfico há duas colocações importantes a serem feitas. A primeira da falta de
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interesse masculino sobre a questão de gênero no campo da Física, são muitos os trabalhos que apontam o impacto que a discrinação de gênero tem em nosso campo que vão desde análises histórico-sócio-cultural, mostrando como as tradições judaico-cristãs ocidentais buscam limitar o papel das mulheres no campo de produção científico nas ciências naturais e exatas (CHASSOT, 2004) à estudos sobre o 'efeito funil' - desaparecimento da presença feminina à medida que o grau de especialização no campo das ciências naturais aumenta - estudado e afirmado por Cronin e Roger (1999). Compreender que este debate deve ser de interesse, ainda que mínimo, de todos do campo é um passo essencial para a luta por uma ciência mais democrática, inclusiva e múltipla.
Outro elemento que deve ser ressaltado, é da incapacidade que tem uma avaliação através do nome de um estudo que visa compreender o gênero enquanto categoria de análise. Tendo em vista uma análise que compreende o gênero a partir dos estudos de Scott (1995), nos quais gênero é compreendido como 'organização social da diferença sexual' através do qual seu estabelecimento se dá pelas formas das relações sociais definidas para o homem e para mulher, em que tais implicações tem em sua identidade e papéis sociais. Além das perspectivas contemporâneas que compreendem a operação da 'cisnorma' -termo cunhado por militantes e pesquisadores transsexuais nos anos 90, sendo ela o esforço social determinista de adequação em relação ao sexo e gênero, somos capazes, de imediato, de perceber a insuficiencia de uma classificação de gênero a partir do nome (BONASSI, 2017).
Isso se torna especialmente aparente levando em consideração o autor do presente texto que apresentou um trabalho no XXIV SNEF. Realizando uma análise de meu próprio artigo, a partir dos critérios de minha pesquisa, minha inclusão no grupo 'masculino' é certa, contudo isto não reflete minha identidade de gênero, na qual a categorização adequada seria 'não-binário', da mesma forma que minha análise, fechada em si mesma, não seria capaz de me identificar corretamente, ela pode não ter identificado corretamente outras pessoas.
Dessa forma, ainda que a afirmação de esvaziamento de corpos masculinos no debate de gênero seja válida -pela disparidade entre nomes femininos e masculinos e pela literatura do campo -, a identificação através do nome apresenta-se como uma fragilidade para trabalhos que dialogam com gênero.
## Referências
BONASSI, B. C. CISNORMA: ACORDOS SOCIETÁRIOS SOBRE O SEXO BINÁRIO E CISGÊNERO. p. 121, 2017.
CRONIN, C.; ROGER, A. Theorizing progress: Women in science, engineering, and technology in higher education. Journal of Research in Science Teaching, v. 36, n. 6, p. 637-661, 1999.
CHASSOT, A. A CIÊNCIA É MASCULINA? É, sim senhora!... Revista Contexto & Educação, v. 19, n. 71-72, p. 9-28, 2004.
PETERSEN, K; FELDT, R; MUJTABA, S e MATTSSON,M.(2008) "Systematic Mapping Studies in Software Engineering", 12th International Conference on Evaluation and Assessment in Software Engineering (EASE), pp. 26-27, University of Bari, Italy, June .
SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, v. 20, n. 2, 1995.
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