Investigações didáticas a respeito da mulher cientista
Carolina Rocha Dos Anjos, Cristiano Barbosa De Moura
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Equidade, inclusão, diversidade, direitos humanos e estudos culturais no ensino de física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## INVESTIGAÇÕES DIDÁTICAS A RESPEITO DA MULHER CIENTISTA
## Carolina Rocha dos Anjos 1 , Cristiano Barbosa de Moura 2
- 1
Universidade Federal Fluminense/ Instituto de Física, carolrochaanjos@gmail.com 2 Simon Fraser University/Faculty of Education, cb\_moura@sfu.ca
Palavras-chave : Mulheres na ciência; Pesquisa em ensino de ciências; Revisão sistemática da literatura.
## Resumo expandido
Este relatório apresenta uma revisão sistemática da literatura brasileira sobre pesquisa em gênero na ciência e no ensino, realizada entre 2015 e 2020, os quais foram apresentados nos encontros de Física, Química, Biologia ou Ciências. Os encontros analisados foram: Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (2016, 2018 e 2020), Simpósio Nacional de Ensino de Física (2015, 2017 e 2019), Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (2015, 2017 e 2019), Encontro Nacional de Ensino de Biologia (2016 e 2018) e Encontro Nacional de Ensino de Química (2016 e 2018). Por meio dessa análise foi possível encontrar 60 artigos sobre o tema, que foram classificados em seis categorias: estudo histórico, proposta para sala de aula, pesquisa em sala de aula, formação de professores, pesquisa com livros didáticos e pesquisas bibliográficas.
A presença e a participação das mulheres na ciência ainda enfrentam desafios vivenciados por elas. A ciência, apesar de ser considerada uma fonte de conhecimento objetivo e 'detentora da verdade'(FOUREZ, 1995, p. 136), é influenciada por interesses políticos, ideológicos, psicológicos e históricos da sociedade em que é desenvolvida. Esse contexto, juntamente com a marginalização histórica das mulheres na ciência, evoluiu em dificuldades e barreiras persistentes para o reconhecimento das mulheres cientistas (SÁNCHEZ-ARTEAGA et al., 2013, p. 61). Embora exista um registro histórico sobre a participação das mulheres na ciência, as pesquisas e publicações brasileiras sobre o tema são incipientes e dispersas (LOPES, 1998, p. 348).
Estudos sobre gênero na ciência perceberam a importância de incorporar a análise de gênero em todas as disciplinas científicas, a fim de promover a igualdade de gênero e expandir o conhecimento humano. É essencial explicitar essas suposições implícitas e examinar as desigualdades de gênero na ciência e no ensino (VIDOR et al. 2020, p. 1097). A partir do refinamento pelo objetivo do estudo (a participação das mulheres na ciência), e retirando-se os trabalhos repetidos, foram selecionados 60 artigos. A Tabela 1 apresenta o acervo de artigos encontrados sobre cada tópico, separados por ano de publicação e categorias.
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Com a leitura dos artigos, constatou-se que apenas 27 dos 60 pontuaram a falta de trabalhos sobre mulheres na ciência ou a não presença do tema em sala de aula. Juntamente com a análise dos artigos, foi possível verificar que apenas 17 informam como esse acontecimento pode ser modificado de fato, atribuindo exemplos ou fazendo aplicação em sala de aula. Além disso, notou-se que 16 dos artigos não contemplam essa temática. Em relação ao tipo de pesquisa, a mais recorrente foi a pesquisa bibliográfica, presente em 17 dos trabalhos, seguida do estudo histórico, com 13, pesquisa em sala de aula, com 10 e formação de professores, com 9. As menos recorrentes foram as pesquisas com livros didáticos e materiais institucionais, com 8 e a proposta para sala de aula, com apenas 3. Além disso, é possível notar que não há um aumento linear no número de artigos sobre mulheres na ciência, diversificando consideravelmente de ano a ano. Entretanto, é possível averiguar que os dois últimos anos de publicações (2019 e 2020), correspondem a cerca de 52% dos trabalhos pesquisados. Além disso, pode-se analisar que o ano com o maior número de artigos foi em 2019, com 23 e o menor em 2018, com apenas 3.
Outrossim, foi analisado o número de artigos sobre o tema que foram publicados nos encontros, sendo eles o XII ENPEC com 19 artigos, o XVIII ENEQ com 10, XVIII EPEF com 10, X ENPEC com 6, XI ENPEC com 4, XXI SNEF com 3, VII ENEBIO com 2, XVI EPEF com 2, XVIII SNEF com 2, XVII com 1 e IX ENPEC com 1.
A revisão dos artigos revelou obstáculos enfrentados pelas mulheres na ciência, como a invisibilidade das cientistas, a escassez de materiais didáticos adequados, a falta de representatividade feminina nas áreas de ciências, o preconceito, o machismo e a maternidade. Embora o interesse por pesquisas sobre mulheres na ciência tenha aumentado nos últimos anos, ainda ocorre de forma desorganizada, dificultando o acesso às informações. Obstante às contribuições femininas da ciência, a mesma ainda é vista como masculina e branca, e dentro do ambiente escolar, existe certo silenciamento sobre tais pontos (CARDOSO; SELLES, 2019, p. 6).
É necessário promover mudanças na comunidade científica para superar a exclusão das mulheres, e isso inclui a reformulação dos princípios epistemológicos e filosóficos do conhecimento, a abordagem de questões de gênero em sala de aula, a formação adequada de professores e o incentivo à participação de mulheres em todas como carreiras e profissões (HARDING, 1986, p. 271). A fim de que novas
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meninas tenham interesse no ramo científico, novas estratégias precisam ser desenvolvidas e integradas, como a discussão de gênero desde a educação básica, buscando desconstruir os papéis tradicionalmente atribuídos a homens e mulheres, aulas que deem maior protagonismo feminino, que valorizem suas diferentes habilidades e visões de mundo, estimulando a mulher a praticar todas as carreiras e profissões. Paralelamente com os aspectos raciais e LGBT+.
Em suma, esta revisão da literatura brasileira sobre pesquisa em gênero na ciência e no ensino destaca a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e igualitária. É fundamental promover uma cultura científica que valorize a diversidade de gênero e raça, e que crie oportunidades igualitárias para todos. Somente através dessas mudanças será possível alcançar uma ciência mais justa, representativa e inovadora.
## Filiações
Este artigo foi escrito durante setembro de 2020 e setembro de 2021, onde os autores estavam situados no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, Campus Petrópolis, como respectivamente, aluna de Licenciatura em Física e Professor de Química do ensino médio técnico na instituição.
## Referências
CARDOSO, T.; SELLES, S. L. E. 'Ser ou não ser' Questões de gênero e os sentidos atribuídos a tais discussões. XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências-XII ENPEC , Rio Grande do Norte, p. 6, 2019.
FOUREZ, G.; A construção das ciências: introdução à filosofia e à ética das ciências.
Editora da Universidade Estadual Paulista , São Paulo, p 136-137, 1995.
HARDING, S. The Science question in feminism . Londres: Cornell University Press, Londres, 1986.
LOPES, M.M. 'Aventureiras' nas ciências: Refletindo sobre gênero e história das ciências naturais do Brasil. Cadernos pagu (10) , p.345-368, 1998.
SÁNCHEZ-ARTEAGA, J. M.; Sepúlveda, C.; El-Hani, C. N. Racismo científico, processos de alterización y enseñanza de ciências. Magis: Revista Internacional de Investigación em Educación, Colombia, v. 6, n. 12, p. 55-67, 2013.
VIDOR, C. B.; DANIELSSON, A.; OSTERMANN, F.; REZENDE, F. Quais são as Representações de Problemas e os Pressupostos sobre Gênero Subjacentes à Pesquisa em Gênero na Física e no Ensino de Física? Uma Revisão Sistemática da
Literatura. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , v. 20, p. 1095-1132, 2020.
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