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Da física à cozinha: ciência acessível e divertida através da culinária.

Anna Carolina Rodrigues Yu, Laís Rodrigues Da Silva, Robson Costa De Castro, Julien Lopes Pereira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DA FÍSICA À COZINHA: CIÊNCIA ACESSÍVEL E DIVERTIDA ATRAVÉS DA CULINÁRIA

## Anna Carolina Rodrigues Yu¹, Laís Rodrigues da Silva ¹ , Robson Costa de Castro 2 , Julien Lopes Pereira 2

1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Departamento de Física aplicada e Termodinâmica/anna.carolina.yu@gmail.com/lais.silva@uerj.br

- 2 Colégio Pedro II /Departamento de Física/ robsonfiscp2@gmail.com/ julien.pereira.1@cp2.edu.br

Palavras-chave : Ensino de Física; cozinha; pressão.

O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), tem como objetivo contribuir com a formação de licenciandos de Física comprometidos em educar a partir da compreensão do papel desempenhado pelos aspectos científicos e tecnológicos na vida cotidiana, preparando-os para a participação nas decisões sociais significativas, principalmente no contexto pós pandemia. O projeto possibilita discussões conceituais e o desenvolvimento de projetos multi e interdisciplinares (POMBO,1993) construindo uma formação que possibilite o pleno exercício profissional docente e que prepare para as constantes transformações educacionais, científicas e sociais. Acreditamos que o projeto PIBID valoriza o potencial do licenciando, sua criatividade e expressividades escrita e oral, além de promover a construção do conhecimento e do trabalho de pesquisa científica, estimulando a divulgação da Ciência através do ensino, eventos e publicações.

- O projeto PIBID-UERJ possui atualmente 16 licenciandos bolsistas, 2 professores da escola básica e 1 coordenador institucional e acontece em uma escola federal da cidade do Rio de Janeiro. Um dos projetos desenvolvidos no âmbito PIBID tem como objetivo geral relacionar a física e a cozinha, investigando como o conceito de pressão pode ser trabalhado em diversos momentos dentro da cozinha. Neste projeto investigaremos como a pressão afeta a cocção de alguns alimentos, explicar o funcionamento de alguns utensílios dentro da cozinha, como a panela de pressão e realizar experimentos junto aos alunos que permitam observar o efeito da pressão em diferentes situações culinárias. O projeto em questão está sendo aplicado em uma turma de EJAI (Educação de Jovens, Adultos e Idosos), e visando estimular o interesse e a compreensão dos alunos, tornando a física mais acessível e aplicável, trazemos a discussão da ciência para o ambiente da cozinha, que é familiar para a maioria das pessoas. A introdução dos conceitos físicos nesse contexto permite aos alunos reconhecerem a importância e a relevância desses conceitos em suas vidas diárias, tendo a oportunidade de relacionar o conhecimento científico com suas experiências práticas e cotidianas.

A aplicação do projeto se divide em três em etapas, sendo a inicial e final principalmente para a coleta de dados e a realização de discussões, e a intermediária se trata de uma oficina na qual abordaremos os conteúdos e aplicaremos experimentos. Na primeira etapa passamos um questionário conceitual, sobre os conceitos de pressão e suas aplicações, a fim de entendermos as ideias que os alunos possuem das mesmas. São 5 perguntas, sendo elas:

- 1.'O que você entende por pressão?'
- 2.'Quais são algumas situações em que a pressão é sentida ou notada?'

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- 3.'Você consegue pensar em algum exemplo de aplicação prática da pressão?'
- 4.'Você já ouviu falar sobre a relação entre pressão e temperatura? Se sim, como você acha que elas se relacionam?
- 5.'Como você relaciona o conhecimento científico ao seu cotidiano?'

Após responderem as questões, entramos em um debate sobre as perguntas, com os alunos conversando entre eles o que pensam sobre as respostas. E então começamos a oficina, na cozinha do colégio começamos estourando uma porção de pipoca, e explicando para os alunos que quando expomos o milho a uma fonte de calor (no caso a panela), o calor faz com que a água dentro dos grãos de milho se transforme em vapor. O vapor cria uma pressão dentro dos grãos, e quando essa pressão fica muito forte, eles estouram. O estouro é o som que ouvimos quando o vapor é liberado rapidamente. Em seguida, apresentamos aos alunos o questionamento de qual o melhor utensílio da cozinha para se cozinhar algo rápido, sendo a resposta a panela de pressão. Com isso, cozinhamos uma mesma massa de feijão na panela de pressão e em uma panela comum, deixamos o ambas no fogo durante o mesmo intervalo de tempo, retiramos e então comparamos. Perguntamos aos alunos sobre o que eles acham que ocorre, e explicamos que esse utensílio utiliza o aumento da pressão interna para elevar o ponto de ebulição da água, permitindo o cozimento mais rápido dos alimentos (WOLKE, 2003). Finalizamos explicando a diferença de cozinharmos a nível do mar e em altitudes elevadas, como isso afeta o ponto de ebulição da água e a cocção dos alimentos. Cozinhar em altitudes elevadas resulta em um ponto de ebulição mais baixo da água, o que leva a um cozimento mais lento dos alimentos. É necessário ajustar os tempos de cozimento e as temperaturas para garantir que os alimentos sejam cozidos corretamente nessas condições. Fazemos um comparativo utilizando os dados de pressão da cidade do Rio de Janeiro e da cidade de La Paz, no Peru (WOLKE, 2003). A última etapa ainda será realizada e se consolida em uma reaplicação do questionário e do debate, visando que os alunos apliquem os conhecimentos obtidos e habilidades desenvolvidas durante a oficina para responder as perguntas e possamos observar a evolução dos mesmos e os impactos do projeto.

A aplicação do questionário conceitual e a participação ativa dos alunos nas discussões são fundamentais para identificar suas concepções prévias sobre a pressão e suas aplicações. Através dos experimentos realizados, como o estouro da pipoca e o comparativo entre o cozimento na panela de pressão e na panela comum, os estudantes podem observar os efeitos da pressão e compreender como ela influencia a cocção dos alimentos.

Destacamos também a importância de discutir a diferença de cozinharmos a nível do mar e em altitudes elevadas, e como isso afeta o ponto de ebulição da água e o tempo de cocção dos alimentos. Essa abordagem permiti aos alunos entenderem as variações na pressão atmosférica em diferentes altitudes e como isso afeta diretamente a forma como os alimentos são preparados (HALLIDAY, 2012).

Através das atividades desenvolvidas, os alunos tiveram a oportunidade de compreender a importância da física em suas vidas cotidianas (POMBO, 1993) especialmente no contexto da culinária. Ao explorar o funcionamento da panela de pressão e os efeitos da pressão na cocção dos alimentos, os estudantes puderam vivenciar na prática os conceitos aprendidos em sala de aula. Acreditamos que essa abordagem prática e aplicável despertará o interesse dos alunos pela física, ao

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relacioná-la diretamente com primeiro e mais utilizado laboratório da vida, a cozinha. Esperamos que eles reconheçam a importância dos conceitos físicos em seu cotidiano e adquiram uma nova perspectiva sobre como a ciência está presente em suas vidas. Além disso, esperamos que os alunos desenvolvam habilidades de observação, experimentação e análise, aprimorando seu senso crítico e aguçando seus questionamentos. Por fim, esperamos que essa oficina proporcione aos alunos uma experiência educacional enriquecedora, onde a física e a culinária se entrelaçam, permitindo que eles vejam a ciência de uma forma mais acessível e relevante.

Ao final da oficina, queremos que os alunos despertem um interesse maior pela física. Que eles possam relacionar o conhecimento científico adquirido com suas experiências práticas e reconheçam a importância dos conceitos físicos em seu cotidiano. Diante disso, concluímos que o projeto PIBID, ao relacionar a física com a cozinha, possibilita uma aprendizagem significativa para os alunos, tornando a ciência mais acessível e relevante em suas vidas. Esperamos que essa abordagem prática e aplicável desperte o interesse contínuo pela física, incentivando os estudantes a explorarem novas aplicações e compreenderem o papel da ciência no seu dia a dia.

## Referências

POMBO, O.; GUIMARÃES, H; LEVY T. Interdisciplinaridade. Reflexão e Experiência. Lisboa: Editora Texto, 1993

WOLKE, Robert L. O que Einstein disse ao seu cozinheiro. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2003

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física . 9.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012. v. 2.

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