EXPERIMENTOS DE MAGNETISMO EM ESCOLAS ESTADUAIS DA BAIXADA FLUMINENSE
José Carlos Tenório
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## EXPERIMENTOS DE MAGNETISMO EM ESCOLAS ESTADUAIS DA BAIXADA FLUMINENSE
## José Carlos Tenório 1
1 SEEDUC/RJ - C.E. Vicente Jannuzzi, jcts.fs@gmail.com
Palavras-chave : Magnetismo; Produto Educacional; UEPS
A Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio (BNCC-EM) localiza o componente de Física como parte da área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Este documento estabelece alguns objetivos específicos para esta área, entre eles a competência de 'avaliar aplicações do conhecimento científico e tecnológico e suas implicações no mundo, utilizando procedimentos e linguagens próprios das Ciências da Natureza' (BRASIL, 2016). Espera-se que o professor de Física colabore para que o estudante adquira ferramentas que o capacitem para interpretar fenômenos e processos naturais baseando-se em evidências, eventualmente se apropriando dos procedimentos ligados à Ciência. É importante que o estudante desenvolva habilidades que o permitam, por exemplo, se posicionar em debates sobre aplicações de conhecimentos científicos ou analisar riscos envolvidos em atividades de seu dia a dia. Para tanto, é fundamental que o estudante tenha a oportunidade de vivenciar situações em que os conteúdos relacionados às ciências estejam inseridos em contextos que evidenciem, por exemplo, pontos de tensão entre o senso comum e o entendimento científico.
Considerando a abundância de aparelhos eletrônicos que cercam o cidadão do século XXI, entende-se que o Eletromagnetismo seja um tópico de particular interesse, presente no funcionamento de dispositivos que são utilizados para armazenar informações, em aparelhos usados na Medicina para o diagnóstico de doenças e até mesmo para o preparo de alimentos. Diversos postos de trabalho envolvem o manuseio de dispositivos eletrônicos como atividade corriqueira, em uma sociedade cada vez mais informatizada. Para o pleno atendimento dos objetivos definidos na BNCC-EM o indivíduo precisa compreender o mundo tecnológico que o cerca segundo o ponto de vista das Ciências da Natureza, para ser capaz de tomar decisões sobre si e sobre o contexto socioeconômico em que está inserido.
Se por um lado o grande número de aplicações facilita a contextualização do ensino de Eletromagnetismo, por outro o estudante pode apresentar dificuldades ao conceber de maneira abstrata a existência de partículas que ele nunca observou, sendo necessário utilizar analogias macroscópicas. Em uma abordagem tradicional de ensino-aprendizagem centrada no professor, dispondo apenas da lousa como recurso, pode ser bastante desafiador atingir níveis satisfatórios de entendimento entre os alunos e o professor, que por vezes precisa depender de habilidades de desenho para representar algo.
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Pensando nas dificuldades encontradas pelos professores em sua prática cotidiana, um produto educacional foi produzido para tentar auxiliar a prática docente, e este foi apresentado como parte de uma dissertação de mestrado apresentada ao programa de Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física. A aplicação deste produto ocorreu antes da implementação do Novo Ensino Médio por parte do Estado do Rio de Janeiro, e desde então um novo currículo foi elaborado para nortear as atividades dos docentes. Como parte das mudanças introduzidas pelo novo currículo, tópicos referentes ao Eletromagnetismo passaram a ser contemplados no segundo ano do Ensino Médio (RIO DE JANEIRO, 2022), e devem ser trabalhados desta forma pela primeira vez no ano de 2023, trazendo novos desafios à prática profissional.
Neste contexto de mudanças entende-se que as experiências anteriores, vivenciadas por profissionais da mesma área, possam servir como referência para a tomada de decisões sobre como agir neste momento tão delicado, em que a margem para erro é muito pequena. O presente trabalho tem por objetivo relatar como se deu a aplicação do produto em sala de aula, junto a estudantes de ensino médio regular de escolas da rede estadual do Estado do Rio de Janeiro, situadas na Baixada Fluminense, e distribuídos em turmas de diferentes turnos.
Apresenta-se uma abordagem planejada nos moldes de Unidade de Ensino Potencialmente Significativo (UEPS) (MOREIRA, 2011) de Magnetismo para o Ensino Médio, cobrindo todos os itens exigidos no extinto Currículo Mínimo do Estado do Rio de Janeiro (RIO DE JANEIRO, 2012). A estratégia utiliza materiais de baixo custo e de fácil aquisição, solicitando que os estudantes atuem em grupos para proporcionar, através da interação com os pares, a oportunidade de ensinaraprender sem o estigma associado à autoridade tradicionalmente concedida ao professor. Valendo-se de atividades a serem desenvolvidas em casa, fora do horário escolar, a UEPS aqui descrita proporciona a flexibilidade necessária para atender ao público de diferentes turnos, em particular o noturno, em que diversos estudantes já estão inseridos no mercado de trabalho. Por se tratar de uma proposta para um bimestre, pode ser adaptada sem muitos problemas à realidade de diversos docentes, e, por abordar todo o conteúdo presente no segundo bimestre do currículo anterior, pode ser utilizada como módulo fechado para o ensino de magnetismo. É feita uma sugestão para contornar as dificuldades de ensinar-aprender eletromagnetismo discutidas anteriormente, baseada na utilização de recursos didáticos gratuitos, como simulações computacionais. Uma proposta de avaliação acompanha a sequência, baseada nas competências esperadas para o discente segundo o referido currículo.
Para a realização do trabalho foram utilizadas simulações computacionais, reportagens e vídeos disponibilizados gratuitamente na internet, além de aparato experimental de baixo custo construído tanto pelo autor quanto pelos alunos ao fim da atividade. A principal forma de comunicação fora da sala de aula se deu através de redes sociais, e, em alguns casos, um aplicativo para smartphone foi utilizado em sala de aula para realizar algum tipo de medida. A sequência didática foi estruturada ao longo de sete encontros com dois tempos de aula cada um, com durações entre 30 e 50 minutos. Duas das três escolas de aplicação são localizadas em áreas consideradas de difícil acesso pela SEEDUC/RJ, próximos a locais onde há registro frequente de criminalidade, por isso a duração de cada tempo de aula nesses locais no turno da noite é reduzida.
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No primeiro encontro o professor promoveu um debate em grupos de trabalho, com suporte de reportagens disponíveis na internet, com o intuito de verificar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema de magnetismo. No segundo encontro foram feitas demonstrações experimentais, conduzidas pelo professor com materiais de baixo custo, mas foi solicitado que os estudantes reproduzissem as atividades fora do horário escolar com o apoio de um roteiro, registrando em vídeo e explicando o que fizeram. Os encontros de números 3 e 6 foram exposições orais sobre o entendimento formal do magnetismo. Os encontros 4 e 5 envolveram debates com suporte de atividades em simuladores computacionais gratuitos disponíveis na internet, e aos estudantes foram atribuídas atividades de montagem em grupo de material prático, fora do horário escolar. No último encontro houve troca de experiências de montagens entre os grupos, e uma avaliação formal, por escrita, que compôs parte da nota bimestral dos estudantes.
Os estudantes demonstraram receptividade antes da aplicação da atividade e satisfação após sua conclusão, o que nos leva a crer que a mudança de paradigma pedagógico, fugindo às aulas tradicionais lhes é interessante. Os resultados obtidos pelos estudantes em avaliação individual acerca do tópico trabalhado ao longo da atividade levam a crer ser possível ensinar conceitos de Física de maneira diferenciada, mas não distante da realidade docente.
Levando em consideração os critérios estabelecidos por Moreira (2011), considera-se a UEPS bem-sucedida em sua tarefa, tendo em vista que os problemas abordados na avaliação estavam contextualizados e envolviam o entendimento dos conceitos trabalhados em sala de aula de modo a exigir o raciocínio físico dos estudantes. Como houve separação temporal considerável entre os encontros, devido a feriados e atividades pedagógicas desenvolvidas na escola, acredita-se que o resultado demonstrado na avaliação seja reflexo de aprendizagem significativa de conceitos de magnetismo.
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular - BNCC 3ª versão. Brasília, DF, 2016. Disponível em: < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/> Acesso em 05 de Outubro de 2023
RIO DE JANEIRO. Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Currículo Referencial do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2022. Disponível em:
<https://novoensinomedio.educacao.rj.gov.br/pdfs/curriculo.pdf> Acesso em: 05 de Outubro de 2023
RIO DE JANEIRO. Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Currículo Mínimo 2012 Física. Rio de Janeiro, 2012
MOREIRA, M.A. Unidades de Ensino Potencialmente Significativo, 6ª versão, Porto Alegre, 2011, Disponível em: <https://www.if.ufrgs.br/~moreira/UEPSport.pdf> Acesso em: 05 de Outubro de 2023
MOREIRA, M.A., Subsídios teóricos para o professor pesquisador em ensino de ciências: A Teoria da Aprendizagem Significativa, compilação de trabalhos publicados, 2ª Edição, Porto Alegre, 2016. Disponível em: <http://moreira.if.ufrgs.br/Subsidios6.pdf> Acesso em: 05 de Outubro de 2023
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