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O ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO INVESTIGATIVO EM FÍSICA NA VISÃO DE SUPERVISORES(AS)

Karine Karsten, Raquel Maistrovicz Tomé Gonçalves, Jeimeson Roberto França, Josimar Melo Do Prado, Paulo Henrique Taborda, Ivanilda Higa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Formação, práticas e desenvolvimento profissional docente no ensino de física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO INVESTIGATIVO EM FÍSICA NA VISÃO DE SUPERVISORES(AS)

Karine Karsten 1 , Raquel Maistrovicz Tomé Gonçalves 2 , Jeimeson Roberto França 3 , Josimar Melo do Prado 4 , Paulo Henrique Taborda 5 , Ivanilda Higa 6

1 Escola Municipal Castro Alves/UFPR/PPGE/GEPCED-CN, karstenkarine@ufpr.br

- 2 Colégio Estadual Jayme Canet, raquelmtome@gmail.com
- 3 Colégio Estadual Pedro Macedo, jeimeson.franca@escola.pr.gov.br
- 4 CEEBJA Paulo Freire - EF M, josimar.prado@escola.pr.gov.br
- 5 Colégio Estadual João Bettega, paulinhotaborda@gmail.com
- 6 Universidade Federal do Paraná/DTPEN/PPGE/GEPCED-CN, ivanilda@ufpr.br

Palavras-chave : Estágio curricular supervisionado; Supervisor(a) de estágio; Licenciatura em Física.

## Resumo expandido

O Estágio Curricular Supervisionado é uma atividade formativa crucial. Nela é possível se intensificar as relações entre teoria, prática, universidade, escola e comunidade. Há um potencial de interações formativas que permitem ao professor em formação inicial ressignificar a sua visão da carreira docente ao vivenciar tal momento obrigatório do curso e de formação continuada aos demais professores envolvidos. Um bom estágio contribui para uma escolha consciente pelo magistério.

Gonçalves, Karsten e Higa (2022) indicam haver um número reduzido de pesquisas relacionadas ao estágio de docência em Física que focalizam, na investigação, os supervisores. Entendemos ser necessário ampliar o campo de pesquisa neste aspecto, pois o(a) supervisor(a) é o principal professor parceiro que, junto a(o) orientador(a), colabora na formação de outros professores(as) durante o estágio. Sendo assim, esse trabalho tem por objetivo apresentar as concepções de estágio que quatro supervisores de Física lembram de terem vivenciado em sua formação inicial e os principais potencializadores e limitadores que eles vislumbram acerca de suas atuações como professores parceiros formadores de professores.

Foram adotadas as quatro concepções de estágio de Pimenta e Lima (2012). As primeiras duas concepções, separam a teoria e a prática, são elas: a) Prática como imitação de modelos (PIM), na qual os estagiários inicialmente observam o contexto e depois copiam os moldes do professor supervisor; b) Prática como instrumentalização técnica (PIT), na qual o foco deixa de ser a escola e passa a ser as questões técnicas aprendidas na universidade e a utilização delas para a elaboração das aulas, é o 'como fazer'. As outras duas concepções são: c) Estágio como aproximação da realidade e atividade teórica (EAT); e d) Estágio como pesquisa e pesquisa no estágio (EP). Nestas últimas duas concepções, há a busca pela práxis, os professores em formação e já formados atuam colaborativamente, incentivados a examinarem os aspectos morais e éticos de sua prática com reflexões intencionais a partir da realidade. A diferença entre as concepções (c) e (d) supramencionadas, é que na última, as reflexões e ações ocorreriam por meio da pesquisa no estágio, possibilitando uma intensificação da relação entre a teoria e a

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prática, com a apropriação, por parte dos estagiários, de posturas e habilidades de pesquisadores frente às situações que vivenciam (Pimenta; Lima, 2012).

Para coletar e analisar as informações sobre as concepções de estágio dos(as) supervisores(as) foi realizado um curso sobre o estágio curricular supervisionado com os(as) professores(as) supervisores(as) de estágio de um curso de Licenciatura em Física, estágio este estruturado na concepção de EP. O curso versava sobre as concepções de estágio, tipos de parceria, atividades propostas na disciplina e o acompanhamento dos estagiários por parte dos supervisores. Para os dados deste resumo expandido foi utilizada a metodologia de história de vida, a qual é entendida neste trabalho como aquela que, por meio de várias entrevistas não diretivas e no caso, um curso dialogado, há a escuta do relato da história de vida das pessoas que participam do processo.

Foi solicitado a quatro supervisores(as) participantes desta pesquisa que preenchessem um formulário respondendo perguntas do tipo: tempo de docência em Física; quantos estagiários já recebeu e de quais instituições e sua motivação para receber estagiários. Durante o curso, foi solicitado que relatassem oralmente o que lembravam de seus estágios. Após essas histórias de momentos de vida, foram apresentadas as concepções de estágio de Pimenta e Lima (2012), analisando com os(as) supervisores(as) a quais concepções se relacionavam suas lembranças.

O professor supervisor Niels 1 leciona Física há 20 anos, já recebeu mais de dez estagiários de quatro instituições de ensino. Sua maior motivação para receber estagiários é a possibilidade de troca de experiências. Em suas lembranças o estágio foi uma atividade diferenciada, uma vez que todos os estagiários da turma participaram numa única escola, podendo realizar um trabalho em conjunto, desenvolvendo uma prática de ensino via projetos. Havia interações com o professor supervisor, a professora orientadora e com o ensino médio, em sua totalidade. Isso possibilitou uma vivência bem integrada em relação à teoria e prática, caracterizando o seu estágio em aproximação à concepção PIT. Ao analisar a concepção de EP, o professor Niels enxerga como maior potencialidade a possibilidade de troca de experiências com o estagiário, onde toda a participação dele na escola é como uma grande fonte de material de pesquisa. Como limitador, citou o tempo de contato do supervisor com o estagiário, que geralmente se limita a 4 horas semanais, divididas entre a interação com os alunos do ensino médio e com o próprio estagiário, dificultando as trocas sobre o momento do estágio.

Ana é docente de Física há 25 anos e já recebeu mais de quinze estagiários de quatro instituições de ensino. Sua maior motivação para receber estagiários é a possibilidade de troca de experiências. Em suas lembranças de estágio ela comenta que não teve um professor supervisor de estágio na escola, pois seu estágio foi nas turmas em que era professora regente. Assim, suas interações experienciais eram com seus colegas de trabalho e com sua orientadora de estágio de docência, que a auxiliou na preparação do plano de estágio discutindo o mesmo e assistiu suas aulas no colégio, caracterizando sua vivência com aproximação da concepção de um PIT. Ao refletir sobre a concepção de EP, ela enxerga como maior potencialidade a possibilidade de orientar e desenvolver atividades em parceria supervisor/estagiário, visando integrar ensino, pesquisa e extensão no âmbito escolar e maior limitador, construir propostas de intervenção de ensino em conjunto orientador-estagiário-supervisor.

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Maxwell, por sua vez, leciona Física há 17 anos e já recebeu até 3 estagiários de duas instituições de ensino. Sua maior motivação para receber estagiários é a possibilidade de integrar a educação básica com a universidade pela ponte promovida por essa atividade formativa. Em suas lembranças de estágio ele comenta que na época, o professor supervisor da escola deixava os estagiários responsáveis pela aula. Em várias situações, ele deixava os alunos fazendo 'alguma atividade" e saía da sala, caracterizando o seu estágio com aproximação à concepção PIM por ele copiar ou executar exatamente o que o professor já realizava. Ao analisar a concepção de EP, ele enxerga como maior potencialidade a ampliação da consciência em ser docente, proporcionada aos estagiários, uma vez que ele precisa integrar os conhecimentos obtidos durante a graduação e a rotina de uma escola. E maior limitador, a falta de espaço e carga horária destinada ao professor supervisor para que ele possa interagir com os estagiários fora dos momentos de sala de aula.

Por fim, João, sendo professor de Física há 25 anos, também já recebeu três estagiários de duas instituições de ensino. Sua maior motivação para receber estagiários, assim como o professor Niels, é poder contribuir para a formação destes sujeitos. Em suas lembranças de estágio ele comenta que sua orientadora não participou efetivamente do estágio, apenas assistiu a uma aula ministrada, caracterizando o seu estágio como próximo da concepção PIT por ele 'copiar' as ações educativas que já estavam sendo realizadas. Ao analisar a concepção de EP, ele enxerga como maior potencialidade a possibilidade do estagiário ter papel de protagonista no processo, permitindo uma formação muito mais abrangente e completa. Já como maior limitador, ele observa que isso exige um comprometimento maior de todos os envolvidos no processo.

Percebe-se que todos os(as) supervisores(as) têm suas lembranças de estágio em concepções diferentes do estágio no qual atualmente supervisionam estagiários, duas foram em perspectivas mais críticas e duas não. Eles também consideram importante a tentativa de se aproximar da concepção de EP, porém antes do curso desconheciam essa perspectiva, por isso a importância de discutir qual concepção tenta-se desenvolver, para que essa busca seja intencional e coletiva. Outra conclusão que se pode extrair é a necessidade de garantir condições concretas de trabalho e intencionalidade para que a integração entre universidade e escola realmente seja desenvolvida, já que há dificuldade em manter essa relação principalmente por falta de condições de dedicação, tempo e espaços de relação supervisor-estagiário ou supervisor-orientador, citadas pelos(as) supervisores(as). Tais condições, por si sós, não garantiriam, mas potencializariam o desenvolvimento do estágio na concepção de EP defendida.

## Referências

GONÇALVES, R. M. T.; KARSTEN, K.; HIGA, I. Relações e reflexões sobre o professor supervisor no processo de estágio curricular supervisionado na licenciatura em Física: um estudo de pesquisas acadêmicas em eventos. In : PORTELA, C. D. Pereira; GONÇALVES, R. M. T.; KARSTEN, K.; HIGA, I. ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: Panoramas a partir de revisão de literatura. Coleção Aprendizagens e docência na licenciatura em Física. Curitiba : CRV, 2022. p.61 - 88.

PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência. 1 ed. São Paulo: Cortez, 2012.

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