PROPOSTA DE ENSINO E ARGUMENTAÇÃO DE ALUNOS(AS) DO ENSINO MÉDIO DIANTE DE FAKE NEWS SOBRE ENERGIA INFINITA
Lucas Nicolas Assad, Ivanilda Higa, Karine Karsten, Débora Larissa Brum, Solidalva De Sousa, Jeimeson França
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXV
- Ano
- 2023
- Data
- 10/11/2023
- Linha de pesquisa
- Ensino, aprendizagem e avaliação em física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## PROPOSTA DE ENSINO E ARGUMENTAÇÃO DE ALUNOS(AS) DO ENSINO MÉDIO DIANTE DE FAKE NEWS SOBRE ENERGIA INFINITA
Lucas Nicolas Assad 1 , Ivanilda Higa 2 , Jeimeson Roberto França 3 , Karine Karsten 4 , Débora Larissa Brum 5 , Solidalva de Sousa 6
- 1 Universidade Federal do Paraná, assad@ufpr.br
- 2 UFPR/DTPEN/PPGE/GEPCED-CN, ivanilda@ufpr.br
- 3 Colégio Estadual Pedro Macedo, jeimeson.franca@escola.pr.gov.br
- 4 Escola Municipal Castro Alves/UFPR/PPGE/GEPCED-CN, karstenkarine@ufpr.br
- 5 Débora Larissa Brum/UFPR/PPGE, dlarissa.br@gmail.com
- 6 Solidalva de Sousa/ UFPR/PPGE, solidalvasousa11@gmail.com
Palavras-chave : Ensino de Física; Energia infinita; Fake news .
## Resumo expandido
A pandemia do COVID-19, em 2020, demonstrou diretamente que o advento das tecnologias de comunicação auxiliaram, em certos aspectos e áreas, como por exemplo, para o desenvolvimento do trabalho e o ensino emergencial de forma remota, ou comunicação sem sair de casa. O mesmo pode ser afirmado para a disseminação do conhecimento, no qual a facilidade dos meios digitais para compartilhar informações tem se intensificado, contudo nem sempre tais dados eram verificados, o que evidenciou a presença das chamadas Fake news , às quais já existiam no período pré-pandemia, mas se expandiram gravemente. O conceito Fake news se define como um movimento anti científico que ocasiona uma circulação de desinformação em massa gerada por notícias propositalmente falsas (CORREIA 2017), estrategicamente colocadas, ou somente difundidas por pessoas sem o discernimento adequado para verificar as informações. Um dos primeiros momentos em que a temática foi discutida em escala mundial foi nas eleições de 2016, nos Estados Unidos, quando a utilização dessa manobra foi vastamente aplicada, sendo considerado um marco para a utilização do termo Fake news , o que também foi visto no Brasil em 2018. Visto que a sociedade atual é movida por meios digitais, a disseminação de notícias falsas, as quais carregam princípios individualistas e convicções opinativas que altera e distorce fatos, verdades e ideologias(MIGUEL 2022) se tornam facilmente difundidas na sociedade, causando um problema de dimensões ainda não mensuráveis, em diversas áreas.
Trazendo para a área da educação, Moreira e Palmieri (2023) discutem que o advento tecnológico nos permite acesso rápido às notícias, nos leva de um período de informação para entrar em uma era de desinformação, na qual as ferramentas criadas pela indústria da tecnologia desenvolveram um desequilíbrio na relação e no funcionamento da sociedade, modificando o seu comportamento, o que você faz, como você pensa e quem você é. Portanto, têm se formado uma geração de pessoas que crescem consumindo informações rápidas, sem fontes e por vezes apelativas(CORREIA 2017), estas pessoas não são ensinadas, por vezes, a questionar o conteúdo que consomem na internet, sendo submetidos à manipulação.
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8 a 10 de novembro de 2023 - SNEF em Rede: Laços e Nós do Ensino de Física
Tendo em vista a problemática social gerada pela desinformação, a escola possui papel crucial e estratégico em trabalhar conceitos como pensamento crítico e método científico, levando o aluno a questionar, problematizar e confirmar informações e ideias. Assim, entendendo que a educação deve contemplar tais ideais de pensamento crítico para os alunos(as), esse trabalho foi desenvolvido no estágio curricular supervisionado de docência, e tem como objetivo de analisar a argumentação de uma turma do ensino médio para contrapor a ideia de Energia Infinita presente em vídeos disponíveis na plataforma YouTube e propor reflexões sobre a sequência didática sobre este tema, implementada na disciplina de Física
Na primeira aula foi feita introdução ao conteúdo de energias, com base em discussão dialogada expositiva e utilização do quadro de giz, a respeito das transformações de energias. Na segunda aula, com auxílio de slides , houve a problematização da temática Disponibilidade de energia elétrica. Nesta aula, apresentou-se um slide com uma reportagem, na qual se diz que 1 bilhão de pessoas não têm acesso à energia elétrica mundialmente. Percebeu-se neste momento, em algumas turmas, uma sensibilização quanto a este alto número de pessoas sem acesso à energia elétrica. Problematizou-se e discutiu-se então: se existe a possibilidade de um equipamento de energia infinita, porque há tantas pessoas no mundo sem acesso à energia elétrica? Na sequência, foi entregue um material escrito que resumia e dava confiabilidade ao que foi discutido em sala e aplicado um questionário inicial (QI), com questões a respeito do que foi debatido desde a primeira aula e dúvidas a respeito da existência do motor perpétuo. Na última aula, houve a construção de argumentos que contrapõem um equipamento do tipo motor perpétuo, construído a partir de um exemplo proposto pelo professor, junto a utilização do material. Nos últimos vinte minutos da aula os alunos deveriam responder a um questionário final (QF), no qual se solicitava a síntese do argumento contra a existência de um motor perpétuo. A turma foi dividida em grupos, incentivando o debate entre os participantes, assim expondo argumentos e contra argumentos de forma verbal e escrita. A construção e aplicação das aulas conteve este formato com o objetivo de evidenciar o problema de disponibilidade energética e questionar a não aplicação de um motor de 'modo perpétuo' evidenciado em um vídeo disponível no YouTube, com 119 mil visualizações, na tentativa de desenvolver o pensamento crítico a respeito de uma solução aparentemente simples para o problema demonstrado.
Ao final da sequência foram analisados 196 questionários, o que somam 613 questões dos questionários aplicados nas três turmas (1º, 3º e 4º anos, com 25, 25 e 30 alunos, respectivamente). Neste trabalho serão explorados os resultados na seguinte questão: Agora imagine que todos da equipe são cientistas, contratados para contrapor a ideias errôneas que circulam na internet. Como vocês iriam argumentar contra o vídeo que foi assistido. Qual a forma que vocês poderiam construir um argumento?
A análise destes questionários foi realizada comparando e classificando a utilização de argumentos apresentados em sala, posteriormente à sua implementação. Eles foram analisados em relação ao conceito e à forma que foram descritos. As respostas foram classificadas em 4 tipos: Argumentou: quando o aluno transcreveu de forma que sucinta o não funcionamento do motor perpétuo de forma infinita, ou seja, classificou o conceito físico e construindo uma síntese que corrobore com seu ponto de argumentação; Faltou argumentar: quando o aluno definiu o conceito mas não explicou diretamente, deixando possíveis contra
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argumentos; e Não argumentou: quando houve falha na explicação ou não definiu nenhum conceito ou ideal proposto de forma oral ou escrita na aula. No quadro a seguir exemplificamos as categorias criadas com alguns trechos das respostas dos alunos, classificados como Argumentou, Faltou argumentar e Não argumentou, respectivamente, bem como a porcentagem total de alunos que responderam em cada uma das categorias mencionadas:
## Quadro 1: Exemplos de excertos e porcentagem de respostas dos estudantes
Com os dados analisados e categorizados foi possível perceber que, embora não seja a maioria, houve uma adesão, por parte dos alunos, uma vez que a aplicação das aulas se deu em um curto período de tempo, de forma a não conseguir explorar outras formas de exemplificar o formato argumentativo, mas demonstrando indícios do desenvolvimento do pensamento crítico diante de possíveis Fake News disponibilizadas nas redes sociais. Concluo que a prática se deu da melhor forma possível sempre tentando chegar ao objetivo de gerar o pensamento crítico dos alunos acerca do que é disponibilizado na internet. Para implementações futuras, sugere-se uma aula específica para discutir o que é argumentação, com os alunos, pois percebeu-se uma discussão entre eles sobre o que seria argumento. Toda a construção deste trabalho trouxe experiências positivas a respeito da carreira docente, compreendendo a dinâmica em sala de aula além do planejamento detalhado de aulas juntamente a um projeto de pesquisa.
## Referências
CORREIA, D. et al. Leitura e argumentação: Potencialidades do uso de textos de Divulgação Científica em aulas de Física do Ensino Médio, Ciência & Educação (Bauru) , v. 23, n. 4, Dez. 2017, pp. 1017-1034. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ciedu/a/nQtm3GRYHvxQvwMJrvjMGTc/?lang=pt. Acesso em 15 jul. 2023.
MIGUEL, M. L. et al. Algumas percepções de estudante do Ensino Médio sobre ciências, pseudociência e movimentos anti científicos. Investigações em Ensino de Ciências , v. 27, n. 1, Mai. 2022, p. 191. Disponível em: https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/view/2661. Acesso em: 15 jul. 2023.
MOREIRA, M. G.; PALMIERI, L. J. Ensino de Ciências e o combate às Fake News: O que dizem as pesquisas da área. Contraponto. Vol. 4, n. 5, Janeiro/Junho 2023. Disponível em:
publicacoes.ifc.edu.br/index.php/contraponto/article/view/3077/2865. Acesso em: 15 jul. 2023.
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