Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

Raios X e Ressonância Magnética: abordagem de ensino

Patrícia De Cássia Luquetta, Luís Dário Sepulveda.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXV
Ano
2023
Data
10/11/2023
Linha de pesquisa
Ensino, aprendizagem e avaliação em física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2023

Texto completo

## Raios X e Ressonância Magnética: abordagem de ensino.

## Patrícia de Cássia Luquetta 1 , Luís Dário Sepulveda 2 .

- 1 Pontifícia Universidade Católica do Paraná, pateluque@gmail.com
- 2 Pontifícia Universidade Católica do Paraná, luis.sepulveda@pucpr.br

Palavras-chave : ressonância magnética; Física Moderna; educação significativa

A educação tem como um dos pilares contribuir na formação do cidadão, ao promover discussões e propor temáticas que auxiliem os educandos a estarem preparados para conviver em sociedade. O educador deve usar o tempo em sala de aula para transmitir seus conhecimentos e instigar a curiosidade dos educandos, para que eles possam receber esse conhecimento e aplicá-lo criticamente em suas vidas (OLIVEIRA; SILVA, 2012).

O estudo da Física Moderna, cuja Relatividade busca explicar os fenômenos em escalas astronômicas e a Mecânica Quântica em escala atômica (Dominguini, 2012, p.1), no ensino médio pode ser desafiador, principalmente por ser um conteúdo complexo que depende do tipo de formação do docente e de fontes externas de conteúdo. Isso se deve ao fato de que, de acordo com a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) de 2018, o tópico não é obrigatório, tampouco devidamente explicitado em suas competências e habilidades.

O propósito desta pesquisa foi discutir Física Moderna em sala de aula de uma maneira que trouxesse significado para os estudantes, não apenas apresentando conceitos, mas mostrando a aplicação real. No caso, foram utilizadas chapas de raios X e de ressonância magnética. Mesmo durante a apresentação aos estudantes da rede pública estadual de Curitiba, em uma escola localizada na região central da cidade, foi notável que cerca de metade deles não estavam realmente interessados. No entanto, essa atitude já havia sido observada previamente na turma. A metade que estava prestando atenção e interagindo foi muito participativa e curiosa.

Algo que nos surpreendeu foi quando as imagens (a), (b) e (c) foram mostradas. Os estudantes ficaram muito interessados nas 'semelhanças' que percebiam com os exames que eles mesmos haviam realizado. Pelo menos três estudantes comentaram que também possuem algum tipo de desvio na coluna.

<!-- image -->

<!-- image -->

Figura 01: Imagens (a) e (b) de raios X e a imagem (c) ressonância magnética

<!-- image -->

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Na apresentação da imagem (c), vários detalhes foram questionados; os estudantes se mostraram curiosos sobre a diferença de cor e o que cada detalhe representava. Neste momento, esclareceu-se que não poderia ser explicado com muita propriedade, pois a parte da medicina não está dentro do nosso alcance. Contudo, foi fornecida uma breve explicação sobre o fluido espinhal, hérnia de disco e como ela poderia aparecer no exame.

Quando a aula foi iniciada mediante apresentação de um trecho do filme 'Homem-Formiga , para contextualizar os termos 'atômico' e 'subatômico', muitos ' estudantes prestaram atenção no que estava sendo explicado. Nesse momento, iniciou-se uma discussão sobre o quão possível as situações do filme seriam. Por mais que se trate de um filme de ficção, muitos se demonstraram interessados no tópico. O mundo cinematográfico pode ser um grande aliado da educação (Lipovetsky e Serroy, 2009).

Ao iniciar a explicação sobre raios X e ressonância magnética, os estudantes foram indagados sobre suas experiências individuais com esses exames. Neste momento, percebeu-se que quando eles tinham tido uma experiência e sabiam exatamente a sensação de fazer o exame, bem como o motivo pelo qual o fizeram, a discussão tornou-se mais interessante, pois eles compartilhavam suas vivências pessoais. A maioria dos estudantes mencionou ter realizado exames de radiografia para a implementação de aparelhos odontológicos ou devido a fraturas ósseas. Como apenas uma estudante havia passado por um exame de ressonância magnética, essa discussão não surgiu. Entretanto, isso pode ser atribuído à faixa etária deles, estudantes da primeira série do ensino médio.

Quando foi explicado como o aparelho de ressonância magnética funciona e quando a imagem (c) do corpo surgiu, muitos estudantes pareciam dispersos. Isso pode ser atribuído à complexidade e à falta de familiaridade com o tipo de exame. Embora a ressonância magnética ser algo relativamente comum, a maioria deles não conhecia o aparelho nem o tipo de exame. Ao final da explicação e com a comparação das imagens, eles demonstraram entender a diferença entre a imagem obtida pelo exame de raios X, e discutiu-se o quanto esse avanço trouxe qualidade de vida para as pessoas. Neste momento, foi mencionado um colega de outra turma que sofre de epilepsia, uma doença que afeta o sistema nervoso cerebral e causa convulsões. As imagens do raios X poderiam apenas mostrar danos causados aos ossos, devido a quedas durante desmaios, mas a ressonância magnética seria capaz de mostrar 'o que está acontecendo no cérebro dele', como disse um dos estudantes. Foi com esse comentário que se notou que, apesar dos estudantes não conhecerem o exame, conseguiram perceber sua utilidade, principalmente por relacioná-la a alguém próximo deles.

Algo que foi muito questionado foi a possibilidade de apresentar o aparelho aos estudantes, ou seja, uma possível visita a uma clínica ou hospital. Consideramos que algo assim seria de grande valia, principalmente se acompanhados de um profissional da área de radiologia ou medicina para explicar detalhes médicos. Como muitos dos materiais estudados para a elaboração desta pesquisa e da apresentação vieram de fontes acadêmicas dentro da área de medicina e radiologia, entende-se que estes profissionais, se especializados nisso, poderiam agregar muito conhecimento ao tema.

A possibilidade de uso de simulador é bastante interessante, porém deve ser feita com cautela, uma vez que o material disponível é avançado e, para o aproveitamento dos estudantes, seria ideal que eles tivessem o embasamento

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

teórico necessário para entender o que cada parâmetro representa. Porém, esse conhecimento é bastante complexo para o ensino médio. Ainda assim, mostrar que existe um simulador para algo tão complexo também é importante, pois os estudantes podem ver que é possível transpor o processo que ocorre em uma grande máquina para um aplicativo, mesmo que de maneira resumida, por exemplo, o simulador de ressonância magnética do PhET.

A proposta de discutir a aplicação da Física Moderna foi cumprida. Os estudantes que assistiram à apresentação sobre as diferenças entre as imagens de exames de raios X e ressonância magnética conseguiram entender por que os exames são diferentes e onde a Física Moderna está presente. Com isso, foi possível trazer significado aos conceitos apresentados, sem o uso de fórmulas e teorias complexas, apresentando o conteúdo de maneira didática, realmente direcionada ao público que estava assistindo.

Mesmo que os estudantes não dominem toda a parte teórica e alguns até não sintam tanto afeto pela disciplina, grande parte deles demonstra interesse em entender onde a Física está presente e onde encontram sentido na aplicação da teoria que é ensinada em sala (AUSUBEL, 1982). Ainda que as dificuldades relacionadas à aparente falta de interesse, o retorno dos estudantes foi positivo, o que confirmar que trazer significado e aplicação do conteúdo auxilia no processo de aprendizagem.

Por fim, é relevante destacar que a iniciativa de incorporar o ensino da Física Moderna, especificamente no contexto da Ressonância Magnética, proporcionou a disseminação da tecnologia diagnóstica em uma sala da educação básica. O propósito subjacente a essa abordagem foi contribuir para a formação de estudantes conscientes e bem-informados.

## Referências

AUSUBEL, D. P. A aprendizagem significativa : a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular . Educação é a Base. Ensino Médio. Brasília: MEC, 2018.

DOMINGUINI, L.; MAXIMIANO, J. R.; CARDOSO, L. Novas abordagens do conteúdo física moderna no ensino médio do brasil . IN: Anais do IX Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul. Caxias do Sul, 2012.

LIPOVETSKY, Gilles; SERROY, Jean. A tela global: mídias culturais e cinema na era hipermoderna . Porto Alegre: Sulina, 2009.

OLIVEIRA, R. A.; SILVA, A. P. B. História da ciência e ensino de física: uma análise meta-historiográfica. In: PEDUZZI, L. O. Q.; MARTINS, A. F. P.; FERREIRA, J. M. H. (Orgs.). Temas de história e filosofia da ciência no ensino. Natal: Ed. da UFRN, 2012. p. 41-64.

SIMULADOR de ressonância magnética. O link de acesso para o simulador citado é https://phet.colorado.edu/sims/cheerpj/mri/latest/mri.html?simulation=mri, Acesso em 15/07/2023.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.